{"id":20789,"date":"2021-05-31T14:59:33","date_gmt":"2021-05-31T17:59:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=20789"},"modified":"2021-05-31T14:59:33","modified_gmt":"2021-05-31T17:59:33","slug":"pandemia-piora-as-condicoes-de-trabalho-e-mulheres-pensam-em-pedir-demissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/05\/31\/pandemia-piora-as-condicoes-de-trabalho-e-mulheres-pensam-em-pedir-demissao\/","title":{"rendered":"Pandemia piora as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e mulheres pensam em pedir demiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pesquisa aponta que 19% das mulheres cogitam deixar o emprego remunerado por causa da pandemia. Entre os motivos est\u00e3o a sobrecarga de trabalho, redu\u00e7\u00e3o na remunera\u00e7\u00e3o e aumento das responsabilidades dom\u00e9sticas<\/strong><\/p>\n<p>As\u00a0<strong>condi\u00e7\u00f5es<\/strong>\u00a0das\u00a0<strong>mulheres<\/strong>\u00a0no mercado de\u00a0<strong>trabalho<\/strong>\u00a0nunca foram justas do ponto de vista de igualdade salarial, estabilidade, proje\u00e7\u00e3o de carreira e at\u00e9 mesmo no que se refere \u00e0 viol\u00eancia no ambiente de trabalho, j\u00e1 que s\u00e3o as maiores v\u00edtimas de ass\u00e9dio moral e sexual. Na\u00a0<strong>pandemia<\/strong>, a soma das condi\u00e7\u00f5es de trabalho a da rotina dom\u00e9stica, onde elas, na maioria dos casos, s\u00e3o as respons\u00e1veis pelos cuidados com a casa, os filhos e outros afazeres, aumentou o estresse e a exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse conjunto de fatores, que sempre existiram, mas foram agravados durante a pandemia, quando elas t\u00eam de trabalhar, fazer todas as tarefas e ajudar os filhos nas aulas online, est\u00e1 levando algumas mulheres a pensar em desistir de suas carreiras profissionais e pedir\u00a0<strong>demiss\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>Pesquisa realizada pela Deloitte Auditoria, publicada no Valor Econ\u00f4mico, que ouviu 500 mulheres no Brasil, revelou que 19% das brasileiras cogitam deixar o trabalho por causa dos efeitos negativos proporcionados pela chamada \u201cnova realidade\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, 41% apontam como motivo a sobrecarga; 35% a redu\u00e7\u00e3o salarial e maior carga hor\u00e1ria; 13% maior comprometimento profissional aliado a mais cuidados familiares; e 10% apontam dificuldade em manter equil\u00edbrio pessoal e profissional.<\/p>\n<p>Metade das entrevistadas afirmou ter sofrido ass\u00e9dio no ambiente de trabalho que incluem questionamentos e julgamentos sobre o trabalho, tratamento desrespeitoso; menos oportunidades do que colegas homens e coment\u00e1rios sexistas.<\/p>\n<p>Para a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista, a pesquisa mostra que as mulheres n\u00e3o est\u00e3o \u2018pensando\u2019 em deixar o mercado de trabalho, e sim, praticamente sendo obrigadas a isso.<\/p>\n<p>\u201cA principal quest\u00e3o \u00e9 a dupla e tripla jornada. As mulheres est\u00e3o sendo mais exploradas &#8211; as que est\u00e3o em home office e aquelas que trabalham presencialmente porque agora elas t\u00eam de cuidar tamb\u00e9m do refor\u00e7o escolar das crian\u00e7as que est\u00e3o tendo aulas on- line\u201d, argumenta a secret\u00e1ria, que lembra dos efeitos da reforma Trabalhista que permite a retirada de direitos e outras formas de rela\u00e7\u00e3o de trabalho que s\u00e3o verdadeiras explora\u00e7\u00f5es dos trabalhadores, que j\u00e1 vinham atingindo em cheio as mulheres.<\/p>\n<p>Os fatores que levam as mulheres a abandonar o trabalho n\u00e3o est\u00e3o relacionados exclusivamente \u00e0 pandemia, na opini\u00e3o da dirigente.<\/p>\n<p>\u201cEssa crise s\u00f3 escancarou aquilo que j\u00e1 existia. A viol\u00eancia dom\u00e9stica, as condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade mental da mulher, a explora\u00e7\u00e3o do trabalho em casa, as diferen\u00e7as salariais, tudo isso sempre existiu, mas aumentou e ficou escancarado com a pandemia\u201d, afirma Juneia.<\/p>\n<p>Segundo a economista do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Marilane Teixeira, de fato, o mercado de trabalho para as mulheres, dada a realidade imposta a elas desde sempre, foi o primeiro a ser deteriorado, por isso elas acabam n\u00e3o vendo outra alternativa a n\u00e3o ser abandonar o emprego e a carreira.<\/p>\n<p>\u201cAquelas que est\u00e3o mais bem colocadas no mercado, provavelmente, est\u00e3o vendo suas carreiras estagnarem, paralelamente \u00e0 sobrecarga de trabalho que tem se tornado comum nas empresas durante a pandemia. Mas as situa\u00e7\u00f5es mais graves s\u00e3o aquelas em que a mulher n\u00e3o consegue ou n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de conciliar atividades profissionais com afazeres dom\u00e9sticos\u201d, diz Marilane.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ter em mente que essa \u2018nova realidade\u2019, em grande parte, \u00e9 de fam\u00edlias em casa, com filhos, e por causa da caracter\u00edstica ainda machista da sociedade, o peso maior das responsabilidades \u2013 leia-se \u2018a cobran\u00e7a\u2019 \u2013 recai sobre as mulheres.<\/p>\n<p>E essa responsabilidade se refletiu no resultado da pesquisa. \u201cSe ficaram trabalhando em casa, veio a sobrecarga justamente por causa das responsabilidades em casa e da profiss\u00e3o e, portanto, veio a dificuldade de se manter no trabalho remunerado\u201d, explica Marilane.<\/p>\n<p>Para aquelas que tiveram de continuar em trabalhos presenciais, o peso n\u00e3o \u00e9 diferente. \u201cTiveram, por vezes, at\u00e9 de levar os filhos para o trabalho para continuar cuidando deles, j\u00e1 que n\u00e3o tem com quem compartilhar a responsabilidade &#8211; com o pai ou outros familiares\u201d.<\/p>\n<p>Elas n\u00e3o t\u00eam com quem deixar os filhos, refor\u00e7a a economista. \u201cMuitas t\u00eam filhos em idade escolar que n\u00e3o est\u00e3o frequentando a escola, nem a creche, portanto, elas precisam abandonar o trabalho remunerado porque n\u00e3o t\u00eam com quem dividir as responsabilidades de casa. Outas tantas s\u00e3o m\u00e3es chefes de fam\u00edlia, inclusive. E s\u00e3o as mulheres mais pobres\u201d, diz Marilane Texieira.<\/p>\n<p>Para reverter esse processo \u00e9 preciso acabar com o machismo estrutural, acrescenta Juneia. \u201cEm uma sociedade capitalista baseada do patriarcado, como a nossa, a opress\u00e3o das mulheres \u00e9 caracter\u00edstica principal\u201d.<\/p>\n<p>E isso passa por mudar, pragmaticamente, as rela\u00e7\u00f5es familiares. \u201cTem que acabar com essa obriga\u00e7\u00e3o de que \u00e9 a mulher que tem que fazer tudo em casa, acabar com a ideia de que \u00e9 delas a responsabilidade toda pela casa, que ocasiona na dupla, na tripla jornada\u201d, diz Juneia.<\/p>\n<h2><strong>Tem a pandemia e a culpa do governo<\/strong><\/h2>\n<p>\u201cNo momento em que estamos num quadro de crise sanit\u00e1ria, econ\u00f4mica e pol\u00edtica, em um pa\u00eds que n\u00e3o respeita a classe trabalhadora, com um presidente irrespons\u00e1vel e negacionista \u00e9 muito dif\u00edcil conseguir reverter a vulnerabilidade das mulheres para poder mant\u00ea-las no mercado de trabalho\u201d, a afirma\u00e7\u00e3o \u00e9 de Juneia Batista, que se refere \u00e0 conduta de Jair Bolsonaro (ex-PSL) que sequer tem pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o ao emprego e zomba da pandemia.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 por parte do governo nenhuma estrat\u00e9gia, nenhuma a\u00e7\u00e3o para enfrentar esse poss\u00edvel \u00eaxodo das mulheres em rela\u00e7\u00e3o ao mercado de trabalho, acrescenta Marilane Teixeira, que ressalta: \u201cQuem teria que tomar iniciativas, realmente \u00e9 o Estado, no sentido de pensar como amparar e assegurar condi\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o tem absolutamente nada sobe isso\u201d.<\/p>\n<p>Para a economista do Cesit\/Unicamp, esse quadro pode representar um grande atraso para as mulheres, do ponto de vista econ\u00f4mico. \u201cMuitas v\u00e3o demorar muito para voltar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0s de antes da pandemia\u201d.<\/p>\n<h2><strong>A\u00e7\u00e3o sindical<\/strong><\/h2>\n<p>Juneia Batista refor\u00e7a que a agenda da CUT, do movimento sindical e de movimentos sociais inclui a luta contra a viol\u00eancia, pela igualdade de oportunidades, de combate ao ass\u00e9dio, ao feminic\u00eddio, mas uma quest\u00e3o \u00e9 urgente para a sociedade \u2013 a vacina\u00e7\u00e3o em massa.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a que al\u00e9m da dificuldade das mulheres, a fome tomou conta do Brasil e pensar minimamente em uma reorganiza\u00e7\u00e3o do mundo do trabalho passa pelo enfrentamento \u00e0 pandemia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das campanhas solid\u00e1rias de entidades sindicais para ajudar quem precisa, a luta para salvar vidas \u00e9 prioridade da CUT. E inclui, al\u00e9m da vacina\u00e7\u00e3o em massa, a volta do aux\u00edlio emergencial de R$ 600 e defesa do servi\u00e7o p\u00fablico, essencial para os trabalhadores e trabalhadoras mais pobres.<\/p>\n<p>E a dirigente avisa: \u201ca gente tem que mudar esse quadro pol\u00edtico atual do pa\u00eds, e n\u00e3o s\u00f3 o presidente, mas os deputados federais e estaduais tamb\u00e9m, l\u00e1 em 2022\u201d, alertando para a escolha de representantes que defendam as pautas da classe trabalhadora.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/Andre Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa aponta que 19% das mulheres cogitam deixar o emprego remunerado por causa da pandemia. 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