{"id":21683,"date":"2021-07-28T13:03:41","date_gmt":"2021-07-28T16:03:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=21683"},"modified":"2021-07-28T13:03:41","modified_gmt":"2021-07-28T16:03:41","slug":"artigo-gerar-empregos-no-brasil-o-tamanho-do-desafio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/07\/28\/artigo-gerar-empregos-no-brasil-o-tamanho-do-desafio\/","title":{"rendered":"Artigo | Gerar empregos no Brasil: o tamanho do desafio"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>O contexto presente indica que h\u00e1 26 milh\u00f5es de trabalhadores que precisam de um posto de trabalho no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dram\u00e1tica a situa\u00e7\u00e3o em que vivem milh\u00f5es de trabalhadoras e trabalhadores no Brasil. As\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/05\/18\/reducao-de-postos-de-trabalho-a-tecnologia-e-antagonista-da-classe-trabalhadora\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas<\/a>\u00a0impactam os postos de trabalho, as profiss\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o profissional e, muitas vezes, desempregam.<\/p>\n<p>A desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce e continuada fecha bons postos de trabalho. A recess\u00e3o e o p\u00edfio dinamismo econ\u00f4mico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/07\/25\/quatro-anos-de-reforma-trabalhista-da-perda-de-rumo-do-crescimento-aos-excluidos-sociais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">dobraram as taxas de desemprego<\/a>\u00a0entre 2016 e 2020, ampliando a informalidade e incentivando a rotatividade.<\/p>\n<p>A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefatopr.com.br\/2021\/07\/26\/normalidade-so-depois-de-70-da-populacao-completamente-vacinada-diz-medico\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pandemia do covid-19<\/a>\u00a0piorou e agravou os indicadores das ocupa\u00e7\u00f5es laborais. As mudan\u00e7as legislativas realizadas desde 2017 legalizaram a precariza\u00e7\u00e3o, incentivando postos de trabalho de baixa qualidade, ampliando a vulnerabilidade e a inseguran\u00e7a no emprego, suprimindo direitos e arrochando sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>O espectro da destrui\u00e7\u00e3o no campo do trabalho comanda as pol\u00edticas p\u00fablicas e \u00e9 incentivado por uma parte do empresariado, animada com a redu\u00e7\u00e3o do custo do trabalho e o fim dos sindicatos.<\/p>\n<p>O desafio \u00e9 achar caminhos que alterem as din\u00e2micas que destroem empregos, que retiram direitos, que suprimem pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o laboral e social, que inviabilizam os sindicatos e incentivam a desfilia\u00e7\u00e3o dos trabalhadores.<\/p>\n<p>Esses caminhos ter\u00e3o que ser constru\u00eddos para responder aos dramas do contexto situacional presente e futuro. Por isso, temos que analisar o problema e compreender suas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE (PNAD Cont\u00ednua, abril 2021), h\u00e1 no Brasil 177 milh\u00f5es de pessoas em idade de trabalhar (pessoas com 14 anos ou mais), dos quais 86 milh\u00f5es estavam ocupadas e 14,7 milh\u00f5es desempregadas, totalizando 100,7 milh\u00f5es ativos como empregados ou desocupados e 76,4 milh\u00f5es estavam fora da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Em 2020 o patamar de ocupa\u00e7\u00e3o chegou a menos de 47% daqueles que tinham idade para trabalhar. Em abril de 2021 subiu para 48,5%, ainda assim s\u00e3o os menores n\u00edveis da s\u00e9rie hist\u00f3rica. Em 2013 o n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o chegou a 57,3 %. A dist\u00e2ncia entre essas duas situa\u00e7\u00f5es ocupacionais (2013 \/ 2021) significa que cerca de 15 milh\u00f5es de postos de trabalho foram e permanecem destru\u00eddos a partir de 2013.<\/p>\n<figure style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images02.brasildefato.com.br\/b705898752d2b0fcca9e898d32f7ba89.jpeg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"503\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Atualmente a taxa de desemprego \u00e9 de 14,7%, o dobro da taxa verificada em 2013 que estava em torno 7% \/Reprodu\u00e7\u00e3o &#8211; Montagem RBA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Atualmente a taxa de desemprego \u00e9 de 14,7%, o dobro da taxa verificada em 2013 que estava em torno 7%. Portanto, h\u00e1 hoje cerca de 15 milh\u00f5es de pessoas que ativamente procuram um emprego, quase 8 milh\u00f5es a mais do que havia em 2013. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m um contingente de 6 milh\u00f5es de desalentados, pessoas que desistiram da procura por ser infrut\u00edfera a luta para conquistar um posto de trabalho.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o de muitos dos ocupados tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil. Dos 86 milh\u00f5es que est\u00e3o empregados, 30 milh\u00f5es tem carteira de trabalho assinada, os trabalhadores do setor p\u00fablico s\u00e3o quase 12 milh\u00f5es e outros 4 milh\u00f5es s\u00e3o empregadores.<\/p>\n<p>A desigualdade e precariza\u00e7\u00e3o se apresenta com 10 milh\u00f5es de assalariados sem carteira de trabalho assinada e que trabalham na ilegalidade; nos cerca de 24 milh\u00f5es s\u00e3o trabalhadores por conta pr\u00f3pria, a grande maioria sem prote\u00e7\u00e3o laboral e previdenci\u00e1ria; nos 5 milh\u00f5es s\u00e3o trabalhadoras\/es dom\u00e9sticas\/os, a maioria na informalidade.<\/p>\n<p>Nesse contingente de 86 milh\u00f5es de ocupados cerca de 40% est\u00e1 na informalidade, taxa que n\u00e3o \u00e9 pior porque a pandemia destruiu em maior intensidade essas ocupa\u00e7\u00f5es mais prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>Entre os empregados, o IBGE estima que mais de 7 milh\u00f5es est\u00e3o subocupados porque t\u00eam jornada de trabalho parcial, portanto inferior \u00e0quela que gostaria de trabalhar e para a qual est\u00e3o dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>O contexto presente indica que h\u00e1 26 milh\u00f5es de trabalhadores que precisam de um posto de trabalho, outros 7 milh\u00f5es queriam ter uma jornada de trabalho integral.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma demanda real pela cria\u00e7\u00e3o de mais de 33 milh\u00f5es de postos de trabalho.\u00a0Uma pol\u00edtica econ\u00f4mica orientada pelo interesse social e coletivo deveria induzir din\u00e2micas de investimentos e pol\u00edticas p\u00fablicas para gerar milh\u00f5es de postos de trabalho, deveria mobilizar pol\u00edticas protetivas para incluir 60 milh\u00f5es de trabalhadores que carecem de prote\u00e7\u00e3o laboral.<\/p>\n<p>Trata-se de um desafio herc\u00faleo que requer um projeto de desenvolvimento focado na gera\u00e7\u00e3o de empregos a partir da articula\u00e7\u00e3o de um tecido produtivo orientado pela coopera\u00e7\u00e3o para o incremento da produtividade e distribu\u00edda em todo o territ\u00f3rio nacional, o crescimento da renda do trabalho, comprometido com a sustentabilidade ambiental e supera\u00e7\u00e3o das desigualdades.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br \/Clemente Ganz L\u00facio, soci\u00f3logo, assessor do F\u00f3rum das Centrais Sindicais, membro do NAPP da FPA e ex-diretor t\u00e9cnico do DIEESE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O contexto presente indica que h\u00e1 26 milh\u00f5es de trabalhadores que precisam de um posto de trabalho no Brasil \u00c9 dram\u00e1tica a situa\u00e7\u00e3o em que vivem milh\u00f5es de trabalhadoras e trabalhadores no Brasil. As\u00a0mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas\u00a0impactam os postos de trabalho, as profiss\u00f5es, a forma\u00e7\u00e3o profissional e, muitas vezes, desempregam. A desindustrializa\u00e7\u00e3o precoce e continuada fecha bons [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":21684,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[55],"class_list":["post-21683","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desemprego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21683","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21683"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21683\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21685,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21683\/revisions\/21685"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21684"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21683"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21683"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21683"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}