{"id":21732,"date":"2021-08-02T10:11:01","date_gmt":"2021-08-02T13:11:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=21732"},"modified":"2021-08-02T10:11:01","modified_gmt":"2021-08-02T13:11:01","slug":"bdf-explica-por-que-os-precos-nao-param-de-subir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/08\/02\/bdf-explica-por-que-os-precos-nao-param-de-subir\/","title":{"rendered":"BdF Explica: Por que os pre\u00e7os n\u00e3o param de subir?"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Entenda a cadeia de aumentos que atinge de consumidores ao setor produtivo e coloca o Brasil em alerta<\/strong><\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es para a infla\u00e7\u00e3o este ano no Brasil v\u00eam aumentando nos \u00faltimos meses e o pa\u00eds se distancia cada vez mais da meta\u00a0estabelecida\u00a0para 2021. O Boletim Focus mais recente\u00a0estima infla\u00e7\u00e3o de 6,56% para este ano, o centro definido pelo governo \u00e9 de 3,75%. A expectativa do mercado cresce h\u00e1 16 semanas.<\/p>\n<p>Para todas as brasileiras e brasileiros que v\u00e3o ao mercado, precisam de gasolina ou pagam energia el\u00e9trica, a tend\u00eancia apontada pelos dados j\u00e1 era \u00f3bvia. A sequ\u00eancia de alta nos pre\u00e7os atinge itens b\u00e1sicos, como energia, combust\u00edvel e comida.<\/p>\n<p>Muito desse cen\u00e1rio \u00e9 impactado diretamente por a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico. A crise foi potencializada pela pandemia, mas a realidade mostra que o pa\u00eds n\u00e3o estava preparado e n\u00e3o protegeu a pr\u00f3pria economia para enfrentar a emerg\u00eancia sanit\u00e1ria de maneira mais sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nesta semana, a s\u00e9rie\u00a0<strong>BdF Explica<\/strong>\u00a0fala sobre a rela\u00e7\u00e3o direta entre o bolso da popula\u00e7\u00e3o e as a\u00e7\u00f5es do governo de Jair Bolsonaro.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do\u00a0<em>economiqu\u00eas<\/em>\u00a0relacionado ao pre\u00e7o das commodities, \u00e0\u00a0desvaloriza\u00e7\u00e3o do real e \u00e0 demanda reprimida, h\u00e1 aspectos mais pr\u00e1ticos nessa f\u00f3rmula.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/HN6rVdsCdEY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p><strong>O b\u00e1sico<\/strong><\/p>\n<p>Para entender a alta dos pre\u00e7os no Brasil, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel excluir o fato de que a infla\u00e7\u00e3o tem atingido setores que s\u00e3o essenciais para quem produz e para quem consome. Em consequ\u00eancia, a varia\u00e7\u00e3o para cima \u00e9 registrada nos \u00edndices relativos a toda a cadeia.<\/p>\n<p>O custo de produ\u00e7\u00e3o mais caro\u00a0chega \u00e0s prateleiras e a alta do d\u00f3lar faz com que seja mais vantajoso vender os produtos para o exterior, o que diminui a oferta no Brasil. Com isso \u00e9 poss\u00edvel concluir que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas para toda a cadeia.<\/p>\n<p>No Brasil que tem energia el\u00e9trica,\u00a0combust\u00edvel e\u00a0alimentos com pre\u00e7o em expans\u00e3o, a renda das trabalhadoras e trabalhadores \u00e9 achatada. Ao mesmo tempo, sobem os gastos das f\u00e1bricas, do com\u00e9rcio, da constru\u00e7\u00e3o civil, da produ\u00e7\u00e3o de comida e de todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>O combust\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Somente\u00a0em 2021 os reajustes de derivados de petr\u00f3leo no brasil j\u00e1 levaram a gasolina a aumentar mais de 40%, o diesel 34% e o g\u00e1s de cozinha 17%. Antes disso, a escalada \u00a0nos pre\u00e7os j\u00e1 estava encaminhada.<\/p>\n<p>Em 2018, por exemplo, houve registro de recorde hist\u00f3rico no valor da gasolina. De l\u00e1 pra c\u00e1, as coisas s\u00f3 pioraram.<\/p>\n<p>Um dos principais motivos para esses aumentos \u00e9 a pol\u00edtica de Pre\u00e7os de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o (PPI), adotada pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), ap\u00f3s o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT) que o levou\u00a0ao comando do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O PPI\u00a0determina que os pre\u00e7os dos derivados sejam reajustados a partir da varia\u00e7\u00e3o do mercado internacional. O pre\u00e7o da gasolina, do diesel e do g\u00e1s de cozinha sobem junto com o d\u00f3lar.<\/p>\n<p>Existe capacidade no Brasil para produzir o necess\u00e1rio a toda a demanda interna. No entanto, o desmonte da Petrobr\u00e1s torna essa realidade cada vez mais distante. Hoje, a estatal produz menos do que poderia e passa por um processo parcelado de privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O efeito domin\u00f3 da alta nos pre\u00e7os desses produtos tem potencial gigantesco no Brasil, pa\u00eds dependente de combust\u00edveis f\u00f3sseis para transporte de quase tudo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, com acesso prec\u00e1rio ao g\u00e1s de cozinha, a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez mais sujeita \u00e1 inseguran\u00e7a alimenta e \u00e0 fome.<\/p>\n<p><strong>Os alimentos<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo\u00a0da consultoria Kantar, mostra que o aumento no pre\u00e7o da comida chegou a patamares t\u00e3o impressionantes, que est\u00e1 mudando a dieta tradicional dos brasileiros.<\/p>\n<p>Hoje, o consumo de alimentos entre as fam\u00edlias de menor renda se resume cada vez mais a p\u00e3es industrializados, salsichas e ultraprocessados.<\/p>\n<p>A combina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e nutricionalmente balanceada de arroz, feij\u00e3o, prote\u00edna animal e salada est\u00e1 pesando no bolso. Ainda antes da pandemia, a alta do d\u00f3lar fez as vendas de carne bovina para o exterior dispararem. Com pouco produto no mercado interno, os pre\u00e7os para o Brasil tamb\u00e9m escalaram.<\/p>\n<p>Essa mesma desvaloriza\u00e7\u00e3o do real impactou nos pre\u00e7os do arroz e do \u00f3leo, por exemplo. Para os pr\u00f3ximos meses, h\u00e1 expectativa do setor produtivo de\u00a0alta tamb\u00e9m nas carnes de frango e porco e nos ovos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do d\u00f3lar, os custos de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aumentam, impactados pela alta na energia e no combust\u00edvel e pelos pre\u00e7os recordes do milho e da soja, usados na alimenta\u00e7\u00e3o de cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Prote\u00edna Animal (ABPA) j\u00e1 prev\u00ea alta nas carnes de frango, porco e nos ovos por esse motivo.<\/p>\n<p>O processo de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas tamb\u00e9m tem peso na alta dos alimentos.\u00a0No Brasil de hoje, ele \u00e9 respons\u00e1vel pela seca mais forte em mais de 90 anos. O cen\u00e1rio deve encarecer o pre\u00e7o do leite, por exemplo, que depende diretamente do regime de chuvas.<\/p>\n<p>Se o pa\u00eds tivesse uma pol\u00edtica de incentivo e apoio \u00e0 agricultura familiar, a solu\u00e7\u00e3o para o abastecimento interno a pre\u00e7os justos estaria colocada. Mas o setor n\u00e3o conseguiu nem mesmo aux\u00edlio para enfrenta a pandemia.<\/p>\n<p><strong>A energia<\/strong><\/p>\n<p>Para completar o combo dos pre\u00e7os estratosf\u00e9ricos, o brasil vive hoje uma das crise de energia mais graves da hist\u00f3ria. O valor da conta de luz j\u00e1 est\u00e1 na bandeira mais alta poss\u00edvel e essa bandeira teve reajuste no m\u00eas de julho, em uma tentativa de conter o consumo pelo bolso da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Novamente o problema \u00e9 causado pelas mudan\u00e7as ambientais e pela estiagem hist\u00f3rica.\u00a0Especialistas afirmam tamb\u00e9m que n\u00e3o houve preparo para enfrentar o per\u00edodo e que a pol\u00edtica energ\u00e9tica do brasil hoje privilegia os lucros das empresas.<\/p>\n<p>A energia mais cara j\u00e1 aumenta consideravelmente os custos de produ\u00e7\u00e3o de tudo. Se, al\u00e9m disso, houver apag\u00f5es, o preju\u00edzo aumenta. Para completar a f\u00f3rmula tr\u00e1gica, com gera\u00e7\u00e3o insuficiente, o governo precisou acionar as termoel\u00e9tricas, que s\u00e3o mais poluentes.<\/p>\n<p>Na crise energ\u00e9tica de 2002, uma sa\u00edda usada pela gest\u00e3o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi ampliar os investimentos da Eletrobr\u00e1s. Com Bolsonaro no Pal\u00e1cio do Planalto, a empresa foi privatizada.<\/p>\n<p><strong>O futuro<\/strong><\/p>\n<p>Frente a esse cen\u00e1rio, o or\u00e7amento das fam\u00edlias brasileiras est\u00e1 cada vez mais achatado. Segundo\u00a0em junho, a popula\u00e7\u00e3o brasileira completou uma ano sem ganho real na renda, segundo a Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (Fipe).<\/p>\n<p>O Banco Mundial prev\u00ea que os efeitos da crise sobre os sal\u00e1rios no Brasil v\u00e3o durar nove anos. No relat\u00f3rio\u00a0 &#8220;Emprego em crise: Trajet\u00f3rias para melhores empregos na Am\u00e9rica Latina p\u00f3s-Covid-19&#8221;, a institui\u00e7\u00e3o alerta que, quando h\u00e1 perda de emprego em larga escala, a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais lenta.<\/p>\n<p>Atualmente, h\u00e1 mais de 14,8 milh\u00f5es de pessoas sem trabalho no Brasil, 14,7%, segundo dados do\u00a0Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br \/Nara Lacerda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entenda a cadeia de aumentos que atinge de consumidores ao setor produtivo e coloca o Brasil em alerta As proje\u00e7\u00f5es para a infla\u00e7\u00e3o este ano no Brasil v\u00eam aumentando nos \u00faltimos meses e o pa\u00eds se distancia cada vez mais da meta\u00a0estabelecida\u00a0para 2021. 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