{"id":2191,"date":"2018-08-02T00:12:55","date_gmt":"2018-08-02T03:12:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=2191"},"modified":"2018-08-02T00:14:54","modified_gmt":"2018-08-02T03:14:54","slug":"reforma-trabalhista-nao-diminui-desemprego-e-piora-postos-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2018\/08\/02\/reforma-trabalhista-nao-diminui-desemprego-e-piora-postos-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Reforma trabalhista n\u00e3o diminui desemprego e piora postos de trabalho"},"content":{"rendered":"<p class=\"single-subtitle\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-2192\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/carteira_de_trabalho_-_marcello_casal_jr_-_abr-1024x751107447-300x211.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/carteira_de_trabalho_-_marcello_casal_jr_-_abr-1024x751107447-300x211.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/carteira_de_trabalho_-_marcello_casal_jr_-_abr-1024x751107447.jpg 472w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>A PNAD Cont\u00ednua registrou 65,6 milh\u00f5es de pessoas fora da for\u00e7a de trabalho no trimestre encerrado em junho, um aumento de 774 mil pessoas (+1,2%) em rela\u00e7\u00e3o ao 1\u00ba trimestre. \u00c9 o maior n\u00famero j\u00e1 registrado de pessoas que n\u00e3o trabalham nem procuram emprego.<\/p>\n<div id=\"txt_home\" class=\"htmlchars\">\n<p>Dados da PNAD Cont\u00ednua divulgados na ter\u00e7a-feira, 31 de julho, mostram que, apesar de o discurso do governo Temer de que milh\u00f5es de empregos formais seriam criados com a reforma trabalhista, a realidade brasileira hoje \u00e9 de amplia\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos sem carteira.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s seis meses de entrada em vigor da reforma trabalhista, os resultados s\u00e3o um refor\u00e7o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de caos social. As taxas de desemprego aberto n\u00e3o apresentaram retra\u00e7\u00e3o no per\u00edodo, conforme haviam prometido os defensores da reforma. A taxa de desocupa\u00e7\u00e3o no trimestre compreendido entre abril e junho de 2018 foi de 12,4%, o que significa 13 milh\u00f5es de desempregados.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista1124288.jpg\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista1124288.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"458\" \/><\/a><\/p>\n<p>A PNAD Cont\u00ednua registrou taxa recorde de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho no primeiro trimestre de 2018, de 24,7%. Isso significa a exist\u00eancia de 27 milh\u00f5es de pessoas em situa\u00e7\u00e3o de desemprego aberto ou de subocupados (que trabalharam menos de 40 horas na semana de refer\u00eancia e gostariam de trabalhar mais) ou de trabalhadores que conformam a for\u00e7a de trabalho potencial (que deixaram de procurar emprego).<\/p>\n<p>Embora a taxa de desemprego tenha apresentado leve recuo (-0,7%) em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre de 2018, esta redu\u00e7\u00e3o deve-se ao aumento dos inativos e da gera\u00e7\u00e3o de vagas informais.<\/p>\n<p>A PNAD C registrou 65,6 milh\u00f5es de pessoas fora da for\u00e7a de trabalho no trimestre encerrado em junho, um aumento de 774 mil pessoas (+1,2%) em rela\u00e7\u00e3o ao primeiro trimestre. \u00c9 o maior n\u00famero j\u00e1 registrado de pessoas que n\u00e3o trabalham, nem procuram emprego.<\/p>\n<p>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gera\u00e7\u00e3o do emprego com carteira, o Governo tem divulgado dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), gabando-se do \u2013 t\u00edmido \u2013 avan\u00e7o da gera\u00e7\u00e3o de vagas. Contudo, o saldo dos \u00faltimos doze meses registrados no Caged soma 280.093 novos postos, um acr\u00e9scimo de 0,74% do total de empregos formais. Em maio, o saldo foi de apenas 33.659 novos postos, sendo 10% de intermitentes. J\u00e1 em junho, o saldo foi negativo em 661 postos.<\/p>\n<p>Contudo, n\u00e3o \u00e9 verificada a tend\u00eancia de aumento do emprego formal quando se analisa a PNAD Cont\u00ednua. Aventa-se que a diverg\u00eancia nos dados possa ser resultado da contabiliza\u00e7\u00e3o da contrata\u00e7\u00e3o de intermitentes por parte do Minist\u00e9rio do Trabalho, mesmo em caso de n\u00e3o haver convoca\u00e7\u00e3o ao trabalho, inflando, com isso, os dados de gera\u00e7\u00e3o de emprego formal.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista2124289.jpg\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista2124289.jpg\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"395\" \/><\/a><\/div>\n<p>A PNAD Cont\u00ednua revela degrada\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho, expressa na redu\u00e7\u00e3o em 10,1% do total do emprego com carteira assinada no Brasil, passando de 36,5 milh\u00f5es de postos com carteira no trimestre encerrado em dezembro de 2014 para 32,8 milh\u00f5es no trimestre encerrado em junho de 2018. Houve recuo da ocupa\u00e7\u00e3o em geral, que passou de 92,9 milh\u00f5es para 91,2, representando uma queda de 1,8% no per\u00edodo. Por outro lado, observa-se aumento no total de empregadores (10,1%), dos por conta pr\u00f3pria (6,0%), do emprego sem carteira (4,8%), e do trabalho dom\u00e9stico (4,8%).<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/temas_das_reformas_trabalhistas_nas_negociacoes124290.jpg\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/temas_das_reformas_trabalhistas_nas_negociacoes124290.jpg\" alt=\"\" width=\"416\" height=\"390\" \/><\/a><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista4124291.jpg\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista4124291.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"379\" \/><\/a><\/div>\n<p>Assim, conforma-se uma estrutura de ocupa\u00e7\u00f5es mais enxuta, flex\u00edvel e prec\u00e1ria. O gr\u00e1fico abaixo demonstra percept\u00edvel altera\u00e7\u00e3o da estrutura de empregos no curto per\u00edodo observado.<\/p>\n<div><a href=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista5124292.jpg\" rel=\"shadowbox[gb]\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.vermelho.org.br\/admin\/arquivos\/biblioteca\/grafico-reforma-trabalhista5124292.jpg\" alt=\"\" width=\"589\" height=\"397\" \/><\/a><\/div>\n<p>Ao analisar estes dados, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que j\u00e1 se aponte para o retorno de n\u00edveis elevados de pobreza e extrema pobreza no pa\u00eds. Segundo o Relat\u00f3rio Luz da agenda 2030 de desenvolvimento sustent\u00e1vel[1], com base nos dados da PNAD Cont\u00ednua, observa-se r\u00e1pida expans\u00e3o no n\u00famero de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza desde 2014, passando de 14,1 milh\u00f5es de pessoas para 21,6 no final de 2017 (crescimento de 53,2%), ap\u00f3s um per\u00edodo de persistente redu\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a extrema pobreza atinge 11,8 milh\u00f5es, n\u00edvel mais elevado desde 2005.<\/p>\n<p>Em suma, o que os dados revelam acerca do mercado de trabalho no Brasil \u00e9 a reafirma\u00e7\u00e3o de problemas hist\u00f3ricos: conv\u00edvio com alto desemprego e informalidade, degrada\u00e7\u00e3o da qualidade dos postos de trabalho formais, grande peso do desemprego oculto por situa\u00e7\u00f5es de trabalhos prec\u00e1rios ou desalento, que acabam empurrando desempregados para a inatividade.<\/p>\n<p>Ana Lu\u00edza Matos de Oliveira \u00e9 economista (UFMG), mestra e doutoranda em Desenvolvimento Econ\u00f4mico (Unicamp), integrante do GT sobre Reforma Trabalhista IE\/Cesit\/Unicamp e colaboradora do Brasil Debate<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A PNAD Cont\u00ednua registrou 65,6 milh\u00f5es de pessoas fora da for\u00e7a de trabalho no trimestre encerrado em junho, um aumento de 774 mil pessoas (+1,2%) em rela\u00e7\u00e3o ao 1\u00ba trimestre. \u00c9 o maior n\u00famero j\u00e1 registrado de pessoas que n\u00e3o trabalham nem procuram emprego. 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