{"id":22020,"date":"2021-08-18T11:37:43","date_gmt":"2021-08-18T14:37:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=22020"},"modified":"2021-08-18T11:37:43","modified_gmt":"2021-08-18T14:37:43","slug":"correios-lucram-r-12-bi-em-20-anos-e-passam-73-a-uniao-vale-privatizar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/08\/18\/correios-lucram-r-12-bi-em-20-anos-e-passam-73-a-uniao-vale-privatizar\/","title":{"rendered":"Correios lucram R$ 12 bi em 20 anos e passam 73% \u00e0 Uni\u00e3o; vale privatizar?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os Correios s\u00e3o lucrativos e, nos \u00faltimos 20 anos, repassaram 73% dos resultados positivos acumulados ao seu \u00fanico acionista, o governo federal. Para cr\u00edticos da privatiza\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros refor\u00e7am que vender a empresa \u00e9 um erro, enquanto alguns especialistas afirmam que os rendimentos da estatal n\u00e3o s\u00e3o o principal fator a ser levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2001 e 2020, foram 16 anos de lucro e quatro de preju\u00edzo. No total, a empresa acumula resultado l\u00edquido positivo de R$ 12,4 bilh\u00f5es em valores atualizados pelo IPCA, e repassou R$ 9 bilh\u00f5es em dividendos nesse per\u00edodo.<\/p>\n<p>A Uni\u00e3o recebeu dividendos dos Correios por 12 anos seguidos, de 2002 a 2013. Desde ent\u00e3o a estatal n\u00e3o transferiu lucros, pois ainda se recupera do per\u00edodo de preju\u00edzos.<\/p>\n<figure data-format=\"horizontal\">\n<p><figure style=\"width: 750px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/e6\/2021\/08\/02\/lucros-e-prejuizos-dos-correios-entre-2001-e-2020-1627929287641_v2_750x1.jpgx\" alt=\"lucros e preju\u00edzos dos correios entre 2001 e 2020 - Arte\/UOL - Arte\/UOL\" width=\"750\" height=\"944\" data-crop=\"{\" data-src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/e6\/2021\/08\/02\/lucros-e-prejuizos-dos-correios-entre-2001-e-2020-1627929287641_v2_750x1.jpg\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Imagem: Arte\/UOL<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2>Correios n\u00e3o dependem mais do Tesouro<\/h2>\n<p>Os Correios n\u00e3o s\u00e3o dependentes do Tesouro. Isso significa que a estatal se mant\u00e9m com os pr\u00f3prios recursos, sem precisar de aportes frequentes de dinheiro p\u00fablico para fechar as contas.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, h\u00e1 registro de um aporte feito pelo Tesouro para aumento de capital da empresa. Em valores atualizados, foram R$ 254 milh\u00f5es em 2018 \u2014o que representa 2% do total de dividendos que os Correios distribu\u00edram \u00e0 Uni\u00e3o no per\u00edodo.<\/p>\n<h2>Compara\u00e7\u00e3o com outras estatais<\/h2>\n<p>Os lucros dos Correios s\u00e3o pequenos se comparados \u00e0s maiores estatais brasileiras. O Banco do Brasil, por exemplo, lucrou R$ 13,9 bilh\u00f5es apenas em 2020, ano em que distribuiu R$ 2,1 bilh\u00f5es de dividendos ao Tesouro.<\/p>\n<p>Mas os retornos dos Correios s\u00e3o grandes em rela\u00e7\u00e3o ao valor investido na empresa. Segundo o \u00faltimo Boletim das Participa\u00e7\u00f5es Societ\u00e1rias da Uni\u00e3o, com dados de 2018, os Correios tiveram o terceiro melhor desempenho em retorno sobre o patrim\u00f4nio l\u00edquido (69,5%), \u00e0 frente da Caixa (37%), do Banco do Brasil (18,1%), do BNDES (16,9%), da\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/cotacoes\/bolsas\/acoes\/bvsp-bovespa\/elet3-sa\/\">Eletrobras<\/a>\u00a0(15,1%) e da\u00a0<a href=\"https:\/\/economia.uol.com.br\/cotacoes\/bolsas\/acoes\/bvsp-bovespa\/petr4-sa\/\">Petrobras<\/a>\u00a0(13,6%).<\/p>\n<h2>Papel do Estado \u00e9 lucrar?<\/h2>\n<p>S\u00e9rgio Lazzarini, doutor em administra\u00e7\u00e3o e professor do Insper, afirma que os lucros dos Correios n\u00e3o significam que a melhor op\u00e7\u00e3o seja manter a empresa estatal.<\/p>\n<p>&#8220;O papel do Estado n\u00e3o \u00e9 lucrar, mas investir em \u00e1reas de interesse p\u00fablico que t\u00eam retorno social, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e saneamento&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Mas os dividendos distribu\u00eddos pelos Correios n\u00e3o ajudam a bancar servi\u00e7os essenciais? Sim. Por\u00e9m, na vis\u00e3o de Lazzarini, o dinheiro investido na estatal poderia render resultados melhores se aplicado diretamente nas \u00e1reas mais urgentes.<\/p>\n<p>\u00c9 o que economistas chamam de &#8220;custo de oportunidade&#8221;. O dinheiro investido em alguma coisa n\u00e3o est\u00e1 sendo usado em outra, por isso \u00e9 necess\u00e1rio avaliar qual a melhor op\u00e7\u00e3o. Lazzarini exemplifica com uma situa\u00e7\u00e3o de or\u00e7amento familiar:<\/p>\n<p>Imagine uma fam\u00edlia que tem dinheiro aplicado numa empresa e recebe dividendos. A\u00ed falta dinheiro para pagar a faculdade do filho. Se a fam\u00edlia vende as a\u00e7\u00f5es e usa esse valor para pagar os estudos, o filho se desenvolve, forma-se, e a situa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia ficar\u00e1 melhor do que antes.<br \/>\n<strong>S\u00e9rgio Lazzarini, professor do Insper<\/strong><\/p>\n<h2>Efici\u00eancia privada \u00e9 maior, mas monop\u00f3lio privado preocupa<\/h2>\n<p>Marcelo Godke, especialista em direito empresarial e societ\u00e1rio, faz parte do time de liberais que defende limitar investimento estatal a pouqu\u00edssimas \u00e1reas. &#8220;N\u00e3o acho que o Estado tenha a fun\u00e7\u00e3o de distribuir cartas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O advogado \u00e9 a favor da privatiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m porque a iniciativa privada seria mais eficiente na presta\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o postal. Ele se preocupa, por\u00e9m, com uma eventual manuten\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio da distribui\u00e7\u00e3o de cartas no Brasil. &#8220;O monop\u00f3lio leva sempre a uma grande inefici\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Os Correios possuem o monop\u00f3lio de correspond\u00eancias no Brasil e concorrem com empresas privadas em outros servi\u00e7os, como entregas de mercadorias. Estudos contratados pelo BNDES apontam como uma das melhores solu\u00e7\u00f5es a venda de 100% da estatal, com manuten\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio postal e a regula\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o privado.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Lazzarini afirma que \u00e9 fundamental discutir a regula\u00e7\u00e3o, para garantir que o servi\u00e7o de entregas continue atendendo regi\u00f5es remotas. &#8220;Se vendermos os Correios com &#8216;porteira fechada&#8217; [100% da empresa] e o comprador puder fazer o que quiser, certamente vai ignorar entregas mais complicadas ou cobrar pre\u00e7os bem mais altos&#8221;, diz.<\/p>\n<h2>Privatizar \u00e9 &#8216;vender almo\u00e7o para comprar janta&#8217;, diz economista<\/h2>\n<p>Segundo Marcio Pochmann, doutor em economia e professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas\/SP), o governo quer vender empresas lucrativas para fazer caixa, algo que s\u00f3 interessa a quem est\u00e1 no poder.<\/p>\n<p>O governo n\u00e3o tem um projeto de pa\u00eds. Estamos vivendo o &#8216;presentismo&#8217;, vendendo o almo\u00e7o para comprar o jantar. Estamos cancelando o futuro.<br \/>\n<strong>Marcio Pochmann, professor da Unicamp<\/strong><\/p>\n<p>O economista afirma que n\u00e3o h\u00e1 comprova\u00e7\u00e3o de que vender empresas diminua a d\u00edvida p\u00fablica e renda bons resultados a longo prazo.<\/p>\n<p>Ele defende que a economia precisa ser h\u00edbrida, com o Estado atuando em \u00e1reas nas quais a iniciativa privada \u00e9 insuficiente. Se a estatal for lucrativa, tanto melhor, mas esse n\u00e3o \u00e9 o principal fator a ser observado.<\/p>\n<p>No caso dos Correios, o investimento p\u00fablico seria necess\u00e1rio para garantir a entrega de correspond\u00eancias em todo o territ\u00f3rio nacional a pre\u00e7os acess\u00edveis.<\/p>\n<p>De acordo com Pochmann, a ideia de que o setor privado \u00e9 mais eficiente do que o p\u00fablico foi por \u00e1gua abaixo ap\u00f3s a crise internacional de 2008, quando governos tiveram que injetar bilh\u00f5es de d\u00f3lares para salvar empresas.<\/p>\n<h2>Empresa est\u00e1 se valorizando, dizem funcion\u00e1rios<\/h2>\n<p>Para Marcos Cesar Silva, vice-presidente da Adcap (Associa\u00e7\u00e3o dos Profissionais dos Correios), al\u00e9m de a estatal ser lucrativa, ela est\u00e1 se valorizando. Isso porque, apesar da queda de procura por correspond\u00eancias, o setor de log\u00edstica cresceu durante a pandemia, e os Correios t\u00eam estrutura para atuar em todo o Brasil \u2014uma vantagem sobre a concorr\u00eancia.<\/p>\n<p>Silva, que tamb\u00e9m \u00e9 ex-representante dos funcion\u00e1rios no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o dos Correios, afirma que os preju\u00edzos acumulados entre 2013 e 2016 aconteceram principalmente por causa de uma mudan\u00e7a cont\u00e1bil que obrigou a empresa a garantir mais recursos para futuras aposentadorias.<\/p>\n<p>&#8220;Os estudos para a privatiza\u00e7\u00e3o dos Correios s\u00e3o enviesados, para confirmar o que o governo j\u00e1 queria&#8221;, diz Silva. Ele alega que a venda da estatal atende somente a interesses de pessoas que pretendem se apropriar de uma empresa lucrativa.<\/p>\n<h2>Correios n\u00e3o comentam<\/h2>\n<p>Os Correios n\u00e3o quiseram falar sobre os balan\u00e7os financeiros da empresa nem sobre a privatiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Cons\u00f3rcio Postar, contratado pelo BNDES para a realiza\u00e7\u00e3o dos estudos de privatiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o comentou o assunto at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>www.economia.uol.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Correios s\u00e3o lucrativos e, nos \u00faltimos 20 anos, repassaram 73% dos resultados positivos acumulados ao seu \u00fanico acionista, o governo federal. Para cr\u00edticos da privatiza\u00e7\u00e3o, os n\u00fameros refor\u00e7am que vender a empresa \u00e9 um erro, enquanto alguns especialistas afirmam que os rendimentos da estatal n\u00e3o s\u00e3o o principal fator a ser levado em considera\u00e7\u00e3o. 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