{"id":22130,"date":"2021-08-25T11:28:25","date_gmt":"2021-08-25T14:28:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=22130"},"modified":"2021-08-25T11:28:25","modified_gmt":"2021-08-25T14:28:25","slug":"precos-da-energia-combustiveis-e-alimentos-levam-ipea-a-aumentar-projecao-de-inflacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/08\/25\/precos-da-energia-combustiveis-e-alimentos-levam-ipea-a-aumentar-projecao-de-inflacao\/","title":{"rendered":"Pre\u00e7os da energia, combust\u00edveis e alimentos levam Ipea a aumentar proje\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Expectativa para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) foi revista de 5,9% para 7,1%, acima da meta estabelecida<\/strong><\/p>\n<p>O Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (<a href=\"https:\/\/www.ipea.gov.br\/portal\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ipea<\/a>) alterou a proje\u00e7\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o deste ano. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (<a href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/estatisticas\/economicas\/precos-e-custos\/9256-indice-nacional-de-precos-ao-consumidor-amplo.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">IPCA<\/a>) foi revisto de 5,9% para 7,1%. Parte da explica\u00e7\u00e3o para a mudan\u00e7a \u00e9 a expectativa de reajustes mais acentuados para a gasolina e a energia el\u00e9trica, que remete a uma eleva\u00e7\u00e3o da proje\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os monitorados de 9,5% para 11%.<\/p>\n<p>Outra press\u00e3o vem dos pre\u00e7os dos alimentos no mercado internacional, que devem fechar o ano acima do esperado anteriormente, em particular as prote\u00ednas animais. Esse movimento eleva a proje\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o dos alimentos de 5% para 6,9%. Os dados est\u00e3o na Nota de Conjuntura sobre Infla\u00e7\u00e3o com informa\u00e7\u00f5es at\u00e9 julho e a proje\u00e7\u00e3o para 2021, divulgada nesta ter\u00e7a-feira\u00a0(24).<\/p>\n<p>\u201cBoa parte dessa revis\u00e3o grande que a gente fez de IPCA \u00e9 por conta do que j\u00e1 aconteceu. De fato, o IPCA recente surpreendeu negativamente. Quando a gente fez a \u00faltima previs\u00e3o l\u00e1 atr\u00e1s, n\u00e3o se esperava reajuste na bandeira. A gente j\u00e1 estava em bandeira n\u00edvel 2, mas n\u00e3o esperava ter esse reajuste na tarifa e as commodities que continuaram crescendo ao longo dos meses, ent\u00e3o, boa parte dessa revis\u00e3o que a gente fez no IPCA j\u00e1 est\u00e1 muito contratado do que aconteceu\u201d, explicou a autora do estudo e pesquisadora do Grupo de Conjuntura do Ipea, Maria Andr\u00e9ia Lameiras, em entrevista \u00e0\u00a0<em>Ag\u00eancia Brasil<\/em>.<\/p>\n<p>Quanto ao mercado internacional, \u00e9 esperada a press\u00e3o vinda das mat\u00e9rias-primas, que combinada com o aumento da utiliza\u00e7\u00e3o da capacidade instalada na ind\u00fastria e os estoques abaixo do n\u00edvel desejado, s\u00e3o fatores para a manuten\u00e7\u00e3o de alta nos pre\u00e7os dos bens industriais.<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o de infla\u00e7\u00e3o do segmento subiu de 4,8% para 6,6%. A aguardada retomada do setor de servi\u00e7os trouxe o avan\u00e7o da infla\u00e7\u00e3o desse segmento em ritmo maior que o esperado inicialmente. A previs\u00e3o, ent\u00e3o, passou de 4% para 5%.<\/p>\n<p>O Ipea destacou ainda a alta de 4,76% apontada pelo IPCA para o per\u00edodo de janeiro a julho, patamar acima do centro da meta de infla\u00e7\u00e3o, de 3,75%.<\/p>\n<p>Embora parte dessa press\u00e3o inflacion\u00e1ria seja esperada, diante do represamento de reajustes em 2020, as altas consecutivas das cota\u00e7\u00f5es das\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0no mercado internacional e os eventos clim\u00e1ticos adversos, como a longa estiagem e a ocorr\u00eancia de geadas em regi\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, surpreenderam negativamente e desencadearam novos aumentos de pre\u00e7os de alimentos e de energia.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">INPC<\/p>\n<p>A proje\u00e7\u00e3o para o \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC) em 2021 tamb\u00e9m foi revista, e subiu de 5,1% para 6,4%. A Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas Macroecon\u00f4micas do Ipea entendeu que a alta da taxa de infla\u00e7\u00e3o medida por esse indicador, que atinge as fam\u00edlias que vivem nas \u00e1reas urbanas e com sal\u00e1rios que variam de um a cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, dever\u00e1 ser pressionada pelos pre\u00e7os monitorados e dos alimentos, com altas previstas de 10,5% e 7,9%, respectivamente. Anteriormente, os percentuais projetados eram de 9,2% e 5,2%, respectivamente.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">2022<\/p>\n<p>Para o ano que vem, as previs\u00f5es levam em considera\u00e7\u00e3o uma acomoda\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os internacionais das\u00a0<em>commodities<\/em>\u00a0e na baixa probabilidade de um fen\u00f4meno clim\u00e1tico adverso intenso, como ocorreu este ano com a falta de chuvas e geadas.<\/p>\n<p>Se confirmando as previs\u00f5es, a press\u00e3o sobre alimentos, combust\u00edveis e energia el\u00e9trica seria menor. As proje\u00e7\u00f5es contam ainda com uma retomada mais forte do mercado de trabalho e os seus efeitos positivos sobre a demanda.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a sinaliza\u00e7\u00e3o de perman\u00eancia da trajet\u00f3ria de alta de juros pode contribuir para reduzir as varia\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os de bens e servi\u00e7os. Foi com este cen\u00e1rio que o Ipea projetou o IPCA em 4,1% e 3,9% para o INPC.<\/p>\n<p>O Ipea acrescenta, no entanto, que os riscos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o em 2022 seguem associados aos pre\u00e7os das commodities e \u00e0 taxa de c\u00e2mbio. De acordo com Maria Andr\u00e9ia Lameiras, para os pr\u00f3ximos meses e para 2022, apesar da press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o possa ser menor do que se verificou at\u00e9 julho, h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os livres, como bens industriais e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201c[A] Taxa de bens industriais tem press\u00e3o de custo, com aumento de commodities que tem impactado o custo de mat\u00e9rias primas. A gente est\u00e1 vendo tamb\u00e9m o aumento da capacidade instalada, os estoques estavam reduzidos.<\/p>\n<p>De fato, tem um movimento de pre\u00e7os administrados e os pre\u00e7os de servi\u00e7os, que a gente j\u00e1 sabia que ia acontecer e est\u00e3o se mostrando um pouco mais fortes do que a gente estava prevendo inicialmente\u201d, disse.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora, a vacina\u00e7\u00e3o tem avan\u00e7ado rapidamente e em consequ\u00eancia o aumento da mobilidade nas cidades, que vem ocorrendo, est\u00e1 aparecendo no setor de servi\u00e7os. Isso est\u00e1 gerando uma recomposi\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida dos pre\u00e7os de servi\u00e7os e \u00e9 esperado que este cen\u00e1rio continue para 2022.<\/p>\n<p>\u201cSe olhar que estamos saindo de 7,1% para 4,1% no ano que vem, \u00e9 um cen\u00e1rio de desacelera\u00e7\u00e3o, sim, mas quando a gente olha para o n\u00famero de 4,1%, ele n\u00e3o \u00e9 um n\u00famero confort\u00e1vel e est\u00e1 acima da meta. \u00c9 um n\u00famero que vai ser conseguido, mas \u00e0s custas de continuidade de uma pol\u00edtica monet\u00e1ria contracionista. A gente est\u00e1 imaginando que o ciclo de altas de juros do Banco Central vai continuar em 2022 e a gente sabe que isso controla a infla\u00e7\u00e3o, mas traz tamb\u00e9m perda para o n\u00edvel de atividade. Embora seja um cen\u00e1rio melhor e de desacelera\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o \u00e9 um cen\u00e1rio inflacion\u00e1rio confort\u00e1vel\u201d, disse.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Riscos<\/p>\n<p>Conforme a pesquisadora, os riscos para a infla\u00e7\u00e3o no ano que vem s\u00e3o a possibilidade de se repetir, pelo segundo ano consecutivo, uma press\u00e3o do fen\u00f4meno clim\u00e1tico La Ni\u00f1a, que interferiria na capacidade dos reservat\u00f3rios e obrigaria o uso mais demorado de termel\u00e9tricas, o que encarece o pre\u00e7o da energia. Al\u00e9m disso, um novo reajuste na bandeira 2 traria uma press\u00e3o adicional sobre energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>O quadro se agravaria no caso de manuten\u00e7\u00e3o da trajet\u00f3ria de pre\u00e7os de commodities, que pode crescer com uma for\u00e7a maior e gerar novos aumentos, somada \u00e0 press\u00e3o no pre\u00e7o do petr\u00f3leo. A taxa de c\u00e2mbio tamb\u00e9m seria uma influ\u00eancia negativa.<\/p>\n<p>\u201cEmbora a gente espere um mercado de trabalho mais din\u00e2mico no ano que vem, as previs\u00f5es de crescimento para o ano que vem ainda est\u00e3o compat\u00edveis com um cen\u00e1rio que a gente n\u00e3o consegue ver uma explos\u00e3o na demanda, ent\u00e3o, tem o mercado de trabalho melhor, mas as press\u00f5es de demanda neste momento n\u00e3o s\u00e3o muito grandes para o ano que vem. Agora, tem um problema crucial, porque se tiver algum movimento ou alguma instabilidade no pa\u00eds que gere um ciclo de desvaloriza\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio a gente sabe que isso vai bater forte na infla\u00e7\u00e3o\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cAno que vem tem elei\u00e7\u00e3o e tem as reformas que ainda est\u00e3o paradas no Congresso, e isso est\u00e1 trazendo alguma instabilidade. Se a gente tiver esse cen\u00e1rio de nova crise clim\u00e1tica, acelera\u00e7\u00e3o grande de pre\u00e7os de commodities e, principalmente, o c\u00e2mbio desvalorizando, de fato o 4,1% [para o IPCA] acaba sendo uma previs\u00e3o otimista. Nesse momento, a gente n\u00e3o vislumbra nenhuma dessas tr\u00eas coisas, mas os riscos existem e n\u00e3o podem ser desconsiderados\u201d, disse.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Cristina Indio do Brasil \/<span class=\"article-source\">Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Expectativa para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) foi revista de 5,9% para 7,1%, acima da meta estabelecida O Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) alterou a proje\u00e7\u00e3o para a infla\u00e7\u00e3o deste ano. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) foi revisto de 5,9% para 7,1%. 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