{"id":22192,"date":"2021-08-27T11:15:16","date_gmt":"2021-08-27T14:15:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=22192"},"modified":"2021-08-27T11:33:46","modified_gmt":"2021-08-27T14:33:46","slug":"cientistas-projetam-que-surtos-da-covid-no-brasil-vao-continuar-acontecendo-nos-proximos-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/08\/27\/cientistas-projetam-que-surtos-da-covid-no-brasil-vao-continuar-acontecendo-nos-proximos-meses\/","title":{"rendered":"Cientistas projetam que surtos da covid no Brasil v\u00e3o continuar acontecendo nos pr\u00f3ximos meses"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Estudo avalia que pa\u00eds ser\u00e1 impactado pela dura\u00e7\u00e3o do efeito das vacinas e pela falta de medidas preventivas<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-22192-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/27-08-21-CENARIOS-DA-PANDEMIA-PATRICIA-MAGALHAES-NARA-LACERDA.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/27-08-21-CENARIOS-DA-PANDEMIA-PATRICIA-MAGALHAES-NARA-LACERDA.mp3\">https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/27-08-21-CENARIOS-DA-PANDEMIA-PATRICIA-MAGALHAES-NARA-LACERDA.mp3<\/a><\/audio>\n<p>O Brasil deve continuar a ter\u00a0surtos de covid-19 at\u00e9 o pr\u00f3ximo ano e as\u00a0popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 vulner\u00e1veis ser\u00e3o as mais impactadas, principalmente as que vivem em \u00e1reas\u00a0de alta densidade populacional. Essas s\u00e3o as conclus\u00f5es de um\u00a0<a href=\"https:\/\/acaocovid19.org\/publicacoes\/possiveis-cenarios-da-pandemia-no-brasil-sob-diferentes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estudo que reuniu cientistas de diversas institui\u00e7\u00f5es para tra\u00e7ar os poss\u00edveis cen\u00e1rios da pandemia no pa\u00eds<\/a>.<\/p>\n<p>Divulgada\u00a0neste m\u00eas, a an\u00e1lise pontua que\u00a0enquanto houver circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus, baixo \u00edndice de pessoas totalmente vacinadas\u00a0e pouca aten\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas de preven\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel controlar a propaga\u00e7\u00e3o totalmente. O tempo de imunidade garantido pelas vacinas tamb\u00e9m aparece como fator de influ\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito importante falar para as pessoas que o v\u00edrus vai continuar circulando no ambiente&#8221;, alerta a pesquisadora Patr\u00edcia Magalh\u00e3es, uma das autoras do trabalho (ou\u00e7a a entrevista na \u00edntegra no tocador de \u00e1udio abaixo do t\u00edtulo desta mat\u00e9ria).<\/p>\n<p>A ci\u00eancia j\u00e1 vem observando que a prote\u00e7\u00e3o conferida\u00a0pelas vacinas diminui com o tempo. Isso acontece principalmente em pessoas com imunidade mais comprometida, a exemplo de idosos e idosas acima de 80 anos e imunossuprimidos e imunossuprimidas.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais pontos que fazem o Brasil ainda muito vulner\u00e1vel ao descontrole da pandemia. Estados e munic\u00edpios v\u00eam anunciando\u00a0relaxamento das medidas de prote\u00e7\u00e3o, mas\u00a0 o pa\u00eds tem menos de 30% da popula\u00e7\u00e3o\u00a0totalmente vacinada.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito pouco para uma pol\u00edtica que se parece com uma pol\u00edtica de que estamos 100% das pessoas vacinadas e de que est\u00e1 tudo bem&#8221;, ressalta Patr\u00edcia Magalh\u00e3es. Sem a\u00e7\u00f5es imediatas do poder p\u00fablico, o cen\u00e1rio ser\u00e1 ainda pior para as periferias\u00a0dos grandes centros urbanos.<\/p>\n<p>&#8220;De fato, mesmo com a vacina\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, n\u00f3s vamos ter esses novos surtos, mas esses surtos v\u00e3o ser\u00a0piores e muito mais graves em ambientes mais vulner\u00e1veis \u00e0 covid. S\u00e3o lugares em que o v\u00edrus se espalha com mais facilidade, ent\u00e3o, no momento em que cai a imunidade, ele j\u00e1 consegue fazer o estrago&#8221;, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Proje\u00e7\u00f5es e alertas<\/p>\n<p>De autoria da iniciativa\u00a0<a href=\"https:\/\/acaocovid19.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">A\u00e7\u00e3o Covid-19<\/a>, o estudo calcula qual seria a periodicidade de surtos mais cr\u00edticos, a partir de dois cen\u00e1rios hipot\u00e9ticos: prote\u00e7\u00e3o vacinal de 12 e de 18 meses. Vale ressaltar que os dados foram levantados ainda sem levar em considera\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a da variante delta no Brasil.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio em que a imunidade induzida pela vacina dura um ano, \u00e9 projetada\u00a0uma poss\u00edvel nova onda de contamina\u00e7\u00f5es e mortes 400 dias ap\u00f3s o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o. Ou seja, mesmo com imuniza\u00e7\u00e3o o pa\u00eds corre o risco de enfrentar uma nova crise sanit\u00e1ria em mar\u00e7o\/abril do ano que vem.<\/p>\n<p>A simula\u00e7\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o \u00edndice de 27% da popula\u00e7\u00e3o praticando isolamento social, n\u00edvel observado na pr\u00e9-pandemia. Os resultados sobre o total de pessoas que poderiam se infectar e morrer variam de acordo com a densidade populacional,\u00a0as condi\u00e7\u00f5es de vida do local, indicadores sociais e territoriais.<\/p>\n<p>Para medir esses componentes, a A\u00e7\u00e3o Covid-19 criou o chamado \u00cdndice de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Covid-19 (IPC), que leva em considera\u00e7\u00e3o tr\u00eas pilares: infraestrutura, indicadores humanos e acesso \u00e0 sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;Desde o in\u00edcio da pandemia ficou muito evidente que a covid n\u00e3o \u00e9 uma doen\u00e7a democr\u00e1tica. As regi\u00f5es perif\u00e9ricas foram mais atingidas. A motiva\u00e7\u00e3o do \u00edndice vem de tentar elencar indicadores que definam o que faz uma regi\u00e3o ser mais ou menos vulner\u00e1vel \u00e0 dispers\u00e3o do coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Em regi\u00f5es mais povoadas (8100 hab\/km\u00b2) e que possuem IPC alto, como S\u00e3o Paulo e Belo Horizonte a porcentagem final de pessoas infectadas pelo coronav\u00edrus chegaria a 41,7% e o \u00edndice de mortes acumuladas alcan\u00e7aria\u00a00,20% da popula\u00e7\u00e3o dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio da vacina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos locais com \u00edndice de prote\u00e7\u00e3o mais baixo e a mesma densidade populacional citada acima, as contamina\u00e7\u00f5es poderiam alcan\u00e7ar mais de 46% dos cidad\u00e3os e cidad\u00e3s e os \u00f3bitos 0,19% nesse mesmo prazo.<\/p>\n<p>Resultados ainda piores s\u00e3o observados nas proje\u00e7\u00f5es que levam em considera\u00e7\u00e3o densidade populacional de 10.200 hab\/km\u00b2 e pouca prote\u00e7\u00e3o contra a covid. Nesses casos, os infectados podem ultrapassar 71% da popula\u00e7\u00e3o e os casos fatais ficariam acima de 0,29%.<\/p>\n<p>Na hip\u00f3tese de a imunidade vacinal durar 18 meses, as perspectivas s\u00e3o menos piores, mas ainda n\u00e3o apontam para controla da pandemia. Em cidades densamente povoadas e com IPC alto\u00a0h\u00e1 chances de\u00a036,24% de contaminados e \u00f3bitos acumulados em 0,14%.<\/p>\n<p>Diante das perspectivas negativas, Patr\u00edcia Magalh\u00e3es afirma que a\u00a0vacina &#8220;n\u00e3o \u00e9 o fim da hist\u00f3ria&#8221;. Segundo a pesquisadora a\u00a0imuniza\u00e7\u00e3o \u00e9\u00a0 um primeiro passo &#8211;\u00a0fundamental e importante &#8211;\u00a0mas abrir m\u00e3o de outras medidas preventivas \u00e9 uma &#8220;aposta&#8221; dos governos que coloca vidas em risco.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos recebendo do poder p\u00fablico \u00e9 a mensagem que est\u00e1 tudo bem. Na verdade, o que a gente precisa do poder p\u00fablico \u00e9 de mecanismos de suporte \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Vai ser inevit\u00e1vel a gente voltar a momentos de surto, o poder p\u00fablico vai ter que reagir a isso&#8221;, cobra a pesquisadora.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante que a gente tenha uma estrutura para apoiar as regi\u00f5es mais vulner\u00e1veis e uma vigil\u00e2ncia epidemiol\u00f3gica, para saber quando esse surto vai chegar e se antecipar a ele&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>Os apontamentos de Patr\u00edcia reafirmam as conclus\u00f5es do\u00a0estudo do coletivo A\u00e7\u00e3o Covid-19. Se por um\u00a0lado, a pesquisa indica\u00a0um cen\u00e1rio muito negativo, por outro,\u00a0ressalta que sempre h\u00e1 tempo de implementar medidas efetivas.<\/p>\n<p>&#8220;Nunca ser\u00e1 tarde demais para buscarmos a melhoria das pol\u00edticas sanit\u00e1rias para a popula\u00e7\u00e3o, primeiramente com o objetivo de mitigar danos adicionais da pandemia e, subsequentemente, de conter o coronav\u00edrus de forma permanente&#8221;, aponta trecho da pesquisa<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br \/Nara Lacerda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo avalia que pa\u00eds ser\u00e1 impactado pela dura\u00e7\u00e3o do efeito das vacinas e pela falta de medidas preventivas Ou\u00e7a o \u00e1udio: O Brasil deve continuar a ter\u00a0surtos de covid-19 at\u00e9 o pr\u00f3ximo ano e as\u00a0popula\u00e7\u00f5es j\u00e1 vulner\u00e1veis ser\u00e3o as mais impactadas, principalmente as que vivem em \u00e1reas\u00a0de alta densidade populacional. 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