{"id":22484,"date":"2021-09-10T11:04:26","date_gmt":"2021-09-10T14:04:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=22484"},"modified":"2021-09-10T11:04:26","modified_gmt":"2021-09-10T14:04:26","slug":"com-disparada-de-precos-salario-minino-ideal-e-5-vezes-maior-do-que-o-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/09\/10\/com-disparada-de-precos-salario-minino-ideal-e-5-vezes-maior-do-que-o-atual\/","title":{"rendered":"Com disparada de pre\u00e7os, sal\u00e1rio m\u00ednino ideal \u00e9 5 vezes maior do que o atual"},"content":{"rendered":"<p><strong>Com aumento de at\u00e9 34,13% na cesta b\u00e1sica nos \u00faltimos 12 meses e sal\u00e1rio m\u00ednimo cinco vezes menor que o necess\u00e1rio, brasileiros diminuem consumo. Associa\u00e7\u00e3o de supermercados sente o baque com queda nas vendas<\/strong><\/p>\n<p>A disparada da infla\u00e7\u00e3o, que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/pais-tem-maior-inflacao-em-agosto-em-21-anos-viloes-gasolina-e-comida-4073\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">atingiu 9,68% em agosto<\/a>, segundo dados do \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA),\u00a0 calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatisca (IBGE), divulgados nesta quinta-feira (9), corroeu o poder de compra dos brasileiros, em especial dos mais pobres que ganham um sal\u00e1rio m\u00ednimo, hoje de R$ 1.100.<\/p>\n<p>De acordo com o Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese),\u00a0<strong>o valor ideal do sal\u00e1rio m\u00ednimo\u00a0<\/strong>para uma fam\u00edlia de quatro pessoas, \u00a0com dois adultos e duas crian\u00e7as,<strong>\u00a0seria de R$ 5.583,90<\/strong>.<\/p>\n<p>Para definir o valor do m\u00ednimo ideal, o Dieese se baseia na Constitui\u00e7\u00e3o que prev\u00ea que o piso nacional seja capaz de atender as necessidades vitais b\u00e1sicas de uma pessoa e \u00e0s de sua fam\u00edlia com moradia, alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, lazer, vestu\u00e1rio, higiene, transporte e previd\u00eancia social. Por isso, \u00e9 importante incluir nesta conta o peso do valor da cesta b\u00e1sica de alimentos.<\/p>\n<p>Em sua\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/analisecestabasica\/2021\/202108cestabasica.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pesquisa mensal de pre\u00e7os<\/a>, feita em 17 capitais, segundo o \u00faltimo levantamento, divulgado esta semana,\u00a0 o valor da cesta b\u00e1sica chegou a subir at\u00e9 34,13% nos \u00faltimos doze meses.<\/p>\n<p>Os pre\u00e7os dos produtos que comp\u00f5em os g\u00eaneros de primeira necessidade, em agosto deste ano, variaram de R$ 664,67 em Porto Alegre (RS), o mais alto, a R$ 458,44, o mais baixo, em Salvador (BA). Os pre\u00e7os foram pesquisados em 17 capitais do pa\u00eds, sendo que em 13 houve aumentos no valor da cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<p>Alheio a esse drama das fam\u00edlias brasileiras, \u00a0Jair Bolsonaro (ex-PSL) mant\u00e9m sua pol\u00edtica de arrochar sal\u00e1rios, mesmo o piso nacional. E, com ele no poder, o valor ideal do sal\u00e1rio m\u00ednimo nunca ser\u00e1 alcan\u00e7ado, at\u00e9 porque ele foi o respons\u00e1vel por acabar, logo em seu primeiro ano de mandato, com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/bolsonaro-acaba-com-a-politica-de-valorizacao-do-salario-minimo-f305\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Pol\u00edtica de Valoriza\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo<\/strong><\/a>, criada pela \u00a0CUT, que conseguiu o apoio das demais centrais e convenceu o ent\u00e3o presidente Lula da necessidade de aprovar a medida.<\/p>\n<p>Nos governos do PT, de 2003 at\u00e9 2017, o ganho real do m\u00ednimo, ou seja, com reajustes acima da infla\u00e7\u00e3o, foi de 77,01%.\u00a0Em abril de 2015, antes do golpe que destituiu a presidenta Dilma Rousseff, o m\u00ednimo necess\u00e1rio era 4,13 vezes maior que o valor oficial. Hoje, o valor necess\u00e1rio \u00e9 5,08 vezes, o que mostra a deteriora\u00e7\u00e3o do poder de compra do trabalhador.<\/p>\n<p>Quando se compara o custo da cesta com o sal\u00e1rio m\u00ednimo l\u00edquido, ou seja, ap\u00f3s o desconto referente \u00e0 Previd\u00eancia Social (7,5%), verifica-se que, em m\u00e9dia, de 17 capitais, o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em agosto, 55,93% do sal\u00e1rio l\u00edquido para comprar os alimentos b\u00e1sicos para uma pessoa adulta. Em julho, o percentual foi de 55,68%.<\/p>\n<p>A consequ\u00eancia dessa disparada nos pre\u00e7os dos alimentos \u00e9 uma queda de 1,15% no volume de vendas nos supermercados, em julho, em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas do ano passado, diz a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Supermercados (Abras).<\/p>\n<p>Ainda segundo a entidade, o custo da cesta com os\u00a0<strong>35 produtos mais vendidos em supermercados,\u00a0<\/strong>em agosto deste ano, foi em m\u00e9dia de R$ 668,55 &#8211; uma alta de 23,44% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo per\u00edodo do ano passado. A regi\u00e3o Norte \u00e9 a mais afetada, com esses produtos chegando a R$ 752,89, seguida pela regi\u00e3o Sul, com R$ 734,10.<\/p>\n<p>Ou seja, o brasileiro est\u00e1 comendo cada vez menos e mal, uma triste realidade confirmada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/precos-altos-tiram-da-mesa-dos-brasileiros-arroz-feijao-cafe-pao-e-leite-90f1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>aumento do consumo do miojo<\/strong><\/a>, macarr\u00e3o instant\u00e2neo, mais barato e nenhum pouco nutritivo.<\/p>\n<p>E o que est\u00e1 ruim pode ainda piorar com a seca que acaba com os pastos do gado, aumentando os custos de produ\u00e7\u00e3o do leite e da carne, cujos pre\u00e7os j\u00e1 est\u00e3o em patamares alt\u00edssimos, impossibilitando a maioria das fam\u00edlias brasileiras de consumirem esses produtos. O alerta \u00e9 da coordenadora de pre\u00e7os da cesta b\u00e1sica do Dieese, Patr\u00edcia Costa.<\/p>\n<p>\u201cO que mais chama aten\u00e7\u00e3o mais do que o aumento nos pre\u00e7os \u00e9 a queda no consumo do arroz, feij\u00e3o e carne. O arroz, por exemplo, tem tido menos demanda das ind\u00fastrias de processamento do gr\u00e3o porque os centros consumidores n\u00e3o estr\u00e3o comprando. Por outro lado, o produtor segura o produto para o pre\u00e7o n\u00e3o cair, mas num pre\u00e7o muito alto inibindo o consumo das fam\u00edlias\u201d, diz Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>A coordenadora do Dieese faz uma compara\u00e7\u00e3o dos valores desses alimentos na capital de S\u00e3o Paulo em rela\u00e7\u00e3o a 2015, ano anterior ao golpe, que mostra o tamanho do problema.<\/p>\n<p>Confira:<\/p>\n<p>. em 2015, o valor m\u00e9dio do quilo do arroz era de R$ 2,67, em 2021 est\u00e1 em R$ 4,05 (j\u00e1 esteve neste ano a R$ 4,80);<\/p>\n<p>. o quilo do feij\u00e3o, em 2015, era de R$ 4,67, hoje est\u00e1 em R$ 6,97;<\/p>\n<p>. o quilo da carne de primeira, mais do que dobrou de 2015 para c\u00e1. Com Dilma custava R$ 21,77. Com Bolsonaro, subiu para R$ 43,41.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>As perspectivas n\u00e3o s\u00e3o boas porque continua a estiagem, vai haver um guerra entre demanda e oferta, com o pre\u00e7o subindo tanto que ficar\u00e1 invi\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o mais pobre<\/p>\n<footer>&#8211; Patr\u00edcia Costa<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Pesquisa Cesta B\u00e1sica<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa Dieese da Cesta B\u00e1sica mostra que nos \u00faltimos 12 meses, de agosto de 2020 a agosto de 2021, a cesta subiu em todas as 17 capitais pesquisadas, com aumentos que oscilaram entre 11,90%, em Recife, e 34,13%, em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>J\u00e1 de janeiro a agosto deste ano, o pre\u00e7o m\u00e9dio dos alimentos subiu em 16 capitais pesquisadas. As maiores altas foram registradas em Campo Grande (3,48%), Belo Horizonte (2,45%) e Bras\u00edlia (2,10%). A cesta mais cara foi a de Porto Alegre, (R$ 664,67), seguida pelas de Florian\u00f3polis (R$ 659,00), S\u00e3o Paulo (R$ 650,50) e Rio de Janeiro (R$ 634,18). As \u00fanicas quedas foram apuradas em Aracaju (R$ 456,40) e Salvador (R$ 485,44).<\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7os do caf\u00e9, leite, a\u00e7\u00facar \u00a0e batata sobem e arroz e feij\u00e3o caem<\/strong><\/p>\n<p>O caf\u00e9 subiu em 17 capitais. O quilo em p\u00f3 teve a maior alta em Vit\u00f3ria\u00a0 com 24,78%. Em Recife , a oscila\u00e7\u00e3o foi bem menor, com uma alta de 0,71%.<\/p>\n<p>J\u00e1 o pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar registrou alta em 16 capitais. Os maiores aumentos ocorreram em Florian\u00f3polis (10,54%), Curitiba (9,03%), Belo Horizonte (5,61%) e Recife (5,01%).<\/p>\n<p>Segundo Patr\u00edcia Costa, a redu\u00e7\u00e3o da oferta do leite por causa das pastagens secas para o gado, causou disputa acirrada entre as ind\u00fastrias de latic\u00ednios, o que fez o litro do leite subir. As maiores altas foram em Aracaju (5,70%), Jo\u00e3o Pessoa, PB, (2,41%), Salvador (2,20%) e Rio de Janeiro (2,01%). J\u00e1 a manteiga teve os principais aumentos em Curitiba, PR, (4,57%), Salvador (4,20%) e S\u00e3o Paulo (3,04%).<\/p>\n<p>O clima quente e seco tamb\u00e9m reduziu o ritmo da colheita\u00a0 da batata e a oferta de tub\u00e9rculos foi menor no varejo. O quilo do produto teve aumento de pre\u00e7o em nove das 10 capitais onde \u00e9 pesquisado. As maiores altas ocorreram em Bras\u00edlia (39,64%), Rio de Janeiro (36,36%) e Belo Horizonte (33,09%).<\/p>\n<p>Com o arroz e do feij\u00e3o nas alturas, o consumo desses produtos reduziu, e por isso que os produtores foram obrigados a segurar os pre\u00e7os, mas apesar da queda, o valor continua proibitivo para os mais pobres.<\/p>\n<p>O quilo do pre\u00e7o do feij\u00e3o recuou em 13 capitais. O tipo carioquinha registrou queda entre -3,94%, em Campo Grande, e -0,11%, em Fortaleza. No entanto, altas ocorreram em Belo Horizonte (1,41%), S\u00e3o Paulo (0,58%) e Salvador (0,54%). J\u00e1 o feij\u00e3o preto diminuiu em Curitiba (-6,93%), Vit\u00f3ria (-3,89%), Florian\u00f3polis (-3,10%) e Rio de Janeiro (-2,61%).<\/p>\n<p>O pre\u00e7o do quilo do arroz recuou em 13 capitais, com quedas que variaram entre -7,67%, em Aracaju, e -0,54%, em Fortaleza.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com aumento de at\u00e9 34,13% na cesta b\u00e1sica nos \u00faltimos 12 meses e sal\u00e1rio m\u00ednimo cinco vezes menor que o necess\u00e1rio, brasileiros diminuem consumo. 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