{"id":2320,"date":"2018-08-13T14:28:03","date_gmt":"2018-08-13T17:28:03","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=2320"},"modified":"2018-08-13T14:35:18","modified_gmt":"2018-08-13T17:35:18","slug":"mortalidade-materna-sobe-e-brasil-ja-reve-meta-de-reducao-para-2030","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2018\/08\/13\/mortalidade-materna-sobe-e-brasil-ja-reve-meta-de-reducao-para-2030\/","title":{"rendered":"Mortalidade materna sobe, e Brasil j\u00e1 rev\u00ea meta de redu\u00e7\u00e3o para 2030"},"content":{"rendered":"<p class=\"subtitulo\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-2324\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2-1-300x224.jpg\" alt=\"\" width=\"356\" height=\"266\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2-1-300x224.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/2-1.jpg 567w\" sizes=\"auto, (max-width: 356px) 100vw, 356px\" \/>Sem cumprir compromissos de queda, pa\u00eds ainda teve alta de taxa em 2016<\/p>\n<p><span class=\"autor\">Cl\u00e1udia Collucci\/Folha de S\u00e3o Paulo<\/span><\/p>\n<p>Ap\u00f3s n\u00e3o ter cumprido compromisso internacional para a redu\u00e7\u00e3o de 75% das mortes maternas at\u00e9 2015, o Brasil registrou aumento dessa ocorr\u00eancia em 2016.<\/p>\n<p>A morte materna \u00e9 qualquer morte que acontece durante a gesta\u00e7\u00e3o, parto ou at\u00e9 42 dias ap\u00f3s o parto, desde que decorrente de causa relacionada ou agravada pela gravidez. Cerca de 92% s\u00e3o evit\u00e1veis e ocorrem principalmente por hipertens\u00e3o, hemorragia, infec\u00e7\u00f5es e abortos provocados.<\/p>\n<p>Segundo dados do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a taxa de mortalidade materna j\u00e1 vinha mal nos \u00faltimos anos: depois de cair 56% desde 1990, teve leve alta em 2013. Voltou a cair em 2015, num sinal de estabiliza\u00e7\u00e3o, e teve um repique em 2016 \u2014\u00faltimo ano com dados oficiais consolidados.<\/p>\n<p>Em 2000, o pa\u00eds fez pacto para baixar em 75% as mortes maternas at\u00e9 2015 dentro dos Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, fixados pela ONU com apoio de 191 pa\u00edses.<\/p>\n<p>A meta era se limitar a 35 \u00f3bitos por 100 mil nascidos vivos. Mas em 2015 a taxa ficou em 62 por 100 mil nascidos vivos (redu\u00e7\u00e3o de 57%) e, no seguinte, subiu para 64,4.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es Norte e Nordeste concentram as taxas mais altas (84,5 e 78). No Amap\u00e1, chega a 141,7, \u00edndice compar\u00e1vel a pa\u00edses como But\u00e3o e Arg\u00e9lia.<\/p>\n<p>O Sul e o Sudeste brasileiros t\u00eam os menores \u00edndices: 44,2 e 55,8, respectivamente. Ainda assim, est\u00e3o distantes de pa\u00edses como Pol\u00f4nia, Finl\u00e2ndia, Su\u00e9cia, \u00c1ustria e It\u00e1lia, que registram entre 3 e 4 mortes maternas por 100 mil nascidos vivos, segundo dados de 2015.<\/p>\n<p>Em maio deste ano, o Brasil reiterou a meta de redu\u00e7\u00e3o da mortalidade materna em 50% nos pr\u00f3ximos 12 anos, chegando a 30 mortes por 100 mil nascidos vivos em 2030 \u2014o plano original era chegar a 2030 com 20 mortes por 100 mil.<\/p>\n<p>\u201cO alcance dessa meta demandar\u00e1 a\u00e7\u00f5es eficientes e eficazes, baseadas em evid\u00eancias cient\u00edficas e compromisso dos gestores com pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam justi\u00e7a, reduzam as iniquidades em sa\u00fade e as desigualdades sociais, incluindo a redu\u00e7\u00e3o das mortes por abortamento inseguro\u201d, diz nota t\u00e9cnica do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo o ginecologista Rodolfo Pacagnella, presidente da Comiss\u00e3o de Mortalidade Materna da Febrasgo (federa\u00e7\u00e3o das sociedades de ginecologia e obstetr\u00edcia), a morte materna \u00e9 causada por uma somat\u00f3ria de erros e demora na assist\u00eancia \u00e0 mulher.<\/p>\n<p>\u201cS\u00f3 o pr\u00e9-natal n\u00e3o reduz mortes maternas. A mulher pode ter um pr\u00e9-natal normal, mas apresentar uma complica\u00e7\u00e3o no final da gesta\u00e7\u00e3o e morrer pela demora em receber assist\u00eancia adequada.\u201d<\/p>\n<p>Ele afirma que h\u00e1 tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es em que o tempo perdido pode ser crucial: 1) quando h\u00e1 demora para a mulher reconhecer os sinais de gravidade e procurar ajuda; 2) quando se perde muito tempo para chegar \u00e0 unidade qualificada para atend\u00ea-la; 3) e quando existe demora para receber assist\u00eancia, mesmo em um local preparado para isso.<\/p>\n<p>A Febrasgo preparou uma s\u00e9rie de recomenda\u00e7\u00f5es que deveriam ser adotadas nos servi\u00e7os de sa\u00fade para a redu\u00e7\u00e3o das mortes maternas, desde o planejamento reprodutivo at\u00e9 a melhoria da rede de assist\u00eancia em todas fases da gesta\u00e7\u00e3o e puerp\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cA gente sabe que em maternidades muito pequenas h\u00e1 um n\u00famero maior de ces\u00e1reas, equipes menos qualificadas e problemas estruturais graves\u201d, relata.<\/p>\n<p>O ideal, segundo ele, \u00e9 ter uma rede de assist\u00eancia que envolva maternidades de m\u00e9dio e grande porte, qualifica\u00e7\u00e3o das equipes, suprimentos de forma adequada.<\/p>\n<p>A entidade tamb\u00e9m defende a descriminaliza\u00e7\u00e3o do aborto como forma de enfrentamento das mortes maternas, o que est\u00e1 sob an\u00e1lise do STF (Supremo Tribunal Federal).<\/p>\n<p>Hoje a interrup\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria da gravidez \u00e9 a quarta causa de morte materna.<\/p>\n<p>Para Greice Menezes, m\u00e9dica epidemiologista e professora da Ufba (Universidade Federal da Bahia), \u00e9 poss\u00edvel que a mortalidade materna esteja sofrendo os mesmos efeitos dos fatores associados ao aumento da mortalidade infantil, como a crise econ\u00f4mica, o ajuste fiscal e os cortes de investimentos em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Em 2016, foi aprovada emenda constitucional que congela gastos p\u00fablicos por at\u00e9 20 anos. \u201cA literatura internacional mostra que a mortalidade materna e a infantil s\u00e3o sempre os indicadores primeiramente acionados nesses momentos de crise\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>Reportagem da Folha publicada em julho mostrou que, pela primeira vez desde 1990, houve aumento na taxa de mortalidade infantil do Brasil em 2016, e a tend\u00eancia \u00e9 que o \u00edndice de 2017 se mantenha acima do registrado em 2015.<\/p>\n<p>A epidemia do v\u00edrus da zika e a crise econ\u00f4mica s\u00e3o apontadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade como causas do crescimento. A primeira, pela queda de nascimentos (o que traz impacto no c\u00e1lculo da taxa de mortalidade) e pelas mortes de beb\u00eas por malforma\u00e7\u00f5es graves.<\/p>\n<p>J\u00e1 a crise estaria associada \u00e0s mortes infantis evit\u00e1veis, causadas por diarreias e pneumonias, que s\u00e3o influenciadas pela perda de renda das fam\u00edlias, estagna\u00e7\u00e3o de programas sociais e cortes na sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora da Ufba, as restri\u00e7\u00f5es na aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e ao funcionamento das equipes de sa\u00fade da fam\u00edlia trazem impactos negativos. \u201cO agente de sa\u00fade da fam\u00edlia conhece a \u00e1rea, identifica as gestantes, faz busca ativa da gestante no pr\u00e9-natal. A limita\u00e7\u00e3o desse tipo de trabalho certamente vai refletir nas taxas\u201d, afirma Greice.<\/p>\n<p>Em nota, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade diz que vem ampliando a qualifica\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o \u00e0 sa\u00fade das mulheres por meio do planejamento familiar, da capacita\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade, fortalecimento da aten\u00e7\u00e3o obst\u00e9trica por meio de a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas como a Rede Cegonha e redu\u00e7\u00e3o de complica\u00e7\u00f5es obst\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Entre as a\u00e7\u00f5es est\u00e3o os projetos Parto Cuidadoso, para reduzir taxas de ces\u00e1reas, e o Zero Morte Materna por Hemorragia, desenvolvido em parceria com a Opas (Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade).<\/p>\n<p>www.portal.follownow.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sem cumprir compromissos de queda, pa\u00eds ainda teve alta de taxa em 2016 Cl\u00e1udia Collucci\/Folha de S\u00e3o Paulo Ap\u00f3s n\u00e3o ter cumprido compromisso internacional para a redu\u00e7\u00e3o de 75% das mortes maternas at\u00e9 2015, o Brasil registrou aumento dessa ocorr\u00eancia em 2016. 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