{"id":23345,"date":"2021-10-29T10:25:48","date_gmt":"2021-10-29T13:25:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=23345"},"modified":"2021-10-29T10:25:48","modified_gmt":"2021-10-29T13:25:48","slug":"inflacao-dos-motoristas-afasta-trabalhadores-de-apps-e-leva-caminhoneiros-a-greve","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/10\/29\/inflacao-dos-motoristas-afasta-trabalhadores-de-apps-e-leva-caminhoneiros-a-greve\/","title":{"rendered":"Infla\u00e7\u00e3o dos motoristas afasta trabalhadores de Apps e leva caminhoneiros \u00e0 greve"},"content":{"rendered":"<p><strong>Estudo da FGV aponta que infla\u00e7\u00e3o dos motoristas passa de 18%, o dobro da m\u00e9dia geral. Trabalhadores por aplicativos contam as dificuldades e caminhoneiros prometem greve contra o aumento dos combust\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p>Estudo feito pela Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) sobre os impactos da infla\u00e7\u00e3o no or\u00e7amento dos brasileiros apontou que, puxada pela alta dos combust\u00edveis, a\u00a0<strong>infla\u00e7\u00e3o dos motoristas<\/strong>\u00a0alcan\u00e7ou 18,46%, no acumulado dos \u00faltimos doze meses, at\u00e9 outubro, o dobro da m\u00e9dia geral do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC), medido pela FGV, que acumulada alta de 9,57% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grave que tem levado motoristas de aplicativos e motoqueiros a desistir da profiss\u00e3o e caminhoneiros a se mobilizar por uma greve contra os aumentos nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis que impactam fortemente os pre\u00e7os de todos os produtos, impedindo alguns at\u00e9 de se alimentar na estrada por falta de dinheiro.<\/p>\n<p>De acordo com o \u00edndice medido pela FGV, s\u00f3 a gasolina subiu 40,4% desde novembro do ano passado. O etanol registrou alta de 64,45%. Os motoristas que optaram por utilizar o g\u00e1s como combust\u00edvel, por ser mais barato, tamb\u00e9m n\u00e3o escaparam. O GNV aumentou 37,11% nos \u00faltimos 12 meses.<\/p>\n<p>J\u00e1 o, diesel, de acordo com o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo, do IBGE, subiu 33% em 12 meses.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 o aumento nos pre\u00e7os dos produtos de toda a \u2018cadeia\u2019 usada por motoristas aut\u00f4nomos, seja de motos, carros, vans ou caminh\u00f5es e \u00f4nibus.<\/p>\n<p>\u00c9 isso que a FGV chama de\u00a0<strong>infla\u00e7\u00e3o dos motoristas<\/strong>, que sofrem com aumento do pre\u00e7o para fazer a manuten\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo, incluindo pe\u00e7as e m\u00e3o de obra, que de acordo com a FGV, sofreu um aumento de 12,06% em 12 meses, com os reajustes dos pre\u00e7os do ped\u00e1gio, do valor do estacionamento, do IPVA e do seguro.<\/p>\n<p><span class=\"dd-label\"><i class=\"fa fa-camera\"><\/i>FGV<\/span><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/tabela_inflacao_motorista_002_0.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadscktabela-inflacao-motor-500x456xfit-ad60c.jpeg\" alt=\"FGV\" width=\"500\" height=\"456\" \/><\/a><\/p>\n<h4><strong>Caminhoneiros lutam pelo fim da PPI da Petrobras<\/strong><\/h4>\n<p>A pol\u00edtica de Pre\u00e7os de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o (PPI) adotada pela Petrobras para reajustar os pre\u00e7os dos combust\u00edveis no Brasil com base na cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar e do barril de petr\u00f3leo, implementada pelo golpista Michel Temer (MDB-SP) e mantida por Jair Bolsonaro (ex-PSL), \u00e9 respons\u00e1vel pelo drama dos motoristas e de todos os brasileiros porque impacta no \u00edndice geral da infla\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 alcan\u00e7ou dois d\u00edgitos.<\/p>\n<p>E este \u00e9 um dos itens da pauta de reivindica\u00e7\u00f5es que os caminhoneiros enviaram ao governo federal. Eles querem antes de mais nada o fim da PPI e est\u00e3o se organizando para entrar em greve no dia 1\u00ba de novembro caso n\u00e3o tenham resposta positiva.<\/p>\n<p>Essa pol\u00edtica, dizem os l\u00edderes dos caminhoneiros, contribui para subida do custo de vida em geral. Um motorista, por exemplo, gasta mais dinheiro para fazer suas refei\u00e7\u00f5es. N\u00e3o s\u00e3o raros os casos de motoristas de caminh\u00e3o que est\u00e3o deixando de fazer refei\u00e7\u00f5es nas estradas por causa dos pre\u00e7os praticados em postos de beira de estrada.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 aumento do pre\u00e7o do \u00f3leo diesel, toda a sociedade \u00e9 impactada com aumentos de pre\u00e7os, mas para os profissionais aut\u00f4nomos, h\u00e1 um preju\u00edzo maior j\u00e1 que nem sempre o frete \u00e9 reajustado, afirma o presidente do Sindicato dos Transportadores Aut\u00f4nomos de Carga (Sinditac) de Iju\u00ed-RS, Carlos Alberto Litti Dahmer, que \u00e9 caminhoneiro aut\u00f4nomo e porta-voz da categoria na Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Log\u00edstica da CUT (CNTTL-CUT),<\/p>\n<p>\u201cO caminh\u00e3o representa 95% do que \u00e9 transportado no Brasil. Se aumenta o combust\u00edvel, aumenta o custo, mas isso n\u00e3o significa que esse valor ser\u00e1 repassado no frete do aut\u00f4nomo, porque \u00e9 ele quem faz a negocia\u00e7\u00e3o direta, dia a dia, com quem o contrata\u201d, explica o dirigente.<\/p>\n<p>Litti Dahmer conta que muitos n\u00e3o est\u00e3o tendo como se sustentar. \u201c\u00c9 imposs\u00edvel quando o maior custo do teu trabalho \u00e9 baseado no combust\u00edvel. \u00c9 como se qualquer trabalhador fosse sair de casa para o trabalho e gastasse 50% do que ganha com o transporte. Isso \u00e9 o que acontece com o caminhoneiro. Ele gasta no m\u00ednimo metade do valor do frete que recebe com transporte\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Em depoimento \u00e0s redes sociais da CNTTL, um motorista de caminh\u00e3o de Cuiab\u00e1 (MT) contou que gasta em m\u00e9dia tr\u00eas mil litros de diesel por m\u00eas, o que dava cerca de R$ 15,3 mil antes do \u00faltimo aumento. Ele calcula que agora pagar\u00e1 R$ 1.980 a mais para encher o tanque, ou seja R$ 17,1 mil.<\/p>\n<p>Revoltado com o descaso de Bolsonaro, o caminhoneiro diz que nada justifica um pa\u00eds rico em petr\u00f3leo ter a pol\u00edtica de pre\u00e7os atrelada ao mercado internacional.<\/p>\n<p>E ainda cr\u00edtica a\u00e7\u00f5es do governo que nada resolvem a situa\u00e7\u00e3o. \u201cA\u00ed vem o governo com um aux\u00edlio de R$ 400 para o diesel. Taca esse aux\u00edlio na latrina, Bolsonaro\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA gente n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 caminhoneiro. A gente tem carro, tem fam\u00edlia, usa g\u00e1s de cozinha\u201d, ele complementa para mostrar que o custo de vida atual \u00e9 pesado.<\/p>\n<p><strong>Veja reportagem da TVT: Caminhoneiros alertam: governo federal n\u00e3o est\u00e1 levando nossas demandas a s\u00e9rio<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RWngcRnNyvc\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<h4><strong>Motos<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de ser um ve\u00edculo leve que, teoricamente, geraria menos custos, na pr\u00e1tica o que muda s\u00e3o as cifras. Para encher o tanque de uma moto gasta-se por volta de R$ 90, mas a mec\u00e2nica da rela\u00e7\u00e3o custo\/trabalho \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p>O presidente da Federa\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores dos Motociclistas profissionais e aut\u00f4nomos (Fenamoto), Nonato Alves, explica que para os motociclistas profissionais, o combust\u00edvel hoje representa cerca de 80% do custo que eles t\u00eam para trabalhar \u2013 custo que inclui manuten\u00e7\u00e3o, equipamentos de trabalho e de seguran\u00e7a e at\u00e9 alimenta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 o a porcentagem do custo das entregas \u2013 valor que comp\u00f5e o rendimento deles \u2013 continua baixo.<\/p>\n<p>\u201cE n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 gasolina que aumenta. Pneus, \u00f3leo, tudo aumenta, mas os pre\u00e7os das corridas s\u00e3o pequenos. Eles ficam com 30% do que ganham os aplicativos\u201d, diz Nonato.<\/p>\n<p>Por isso, ele prossegue, muitos profissionais do setor est\u00e3o percebendo que t\u00eam de \u2018pagar para trabalhar\u2019 e est\u00e3o abandonando a atividade, migrando para outras como porteiro, seguran\u00e7as e at\u00e9 camel\u00f4s, j\u00e1 que n\u00e3o a oferta de emprego no pa\u00eds \u00e9 escassa.<\/p>\n<p>\u201cSe n\u00e3o houver uma revis\u00e3o da pol\u00edtica de pre\u00e7os, logo haver\u00e1 uma paralisa\u00e7\u00e3o geral da categoria. Muitos n\u00e3o aguentam mais, est\u00e3o com presta\u00e7\u00e3o da moto, do seguro, tudo atrasado. Juntando todos os custos a rentabilidade deles \u00e9 cerca de 10% e n\u00e3o d\u00e1 para sobreviver\u201d, afirma o presidente da Fenamotos que lembra ainda que al\u00e9m de rendimento baixo esses trabalhadores n\u00e3o t\u00eam nenhuma prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h4><strong>Uber e afins<\/strong><\/h4>\n<p>\u201cCom o pre\u00e7o dos combust\u00edveis e com que a empresa paga \u00e9 muito comum a viagem se tornar deficit\u00e1ria e o motorista ter preju\u00edzo para que a Uber assegure seu lucro\u201d. A afirma\u00e7\u00e3o foi feita por meio de nota, assinada pelo Sindicato dos Motoristas em Transportes Privados por Aplicativos do Rio Grande do Sul (Simtrapli-RS).<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, segundo a Associa\u00e7\u00e3o de Motoristas de Aplicativos de SP (Amasp), houve redu\u00e7\u00e3o de cerca de 25% no n\u00famero de trabalhadores este ano.<\/p>\n<p>Em entrevista ao Brasil de Fato, Bruno Nascimento Albuquerque, que tem forma\u00e7\u00e3o em mec\u00e2nica e era instrutor de autoescola no Rio de Janeiro (RJ) antes da crise econ\u00f4mica, conta as dificuldades que t\u00eam para trabalhar como motorista de aplicativo.<\/p>\n<p>\u201cEm 2017, eu gastava 27 reais de GNV por dia, em dois abastecimentos. Hoje em dia, voc\u00ea vai encher o cilindro de um carro, \u00e9 R$ 60 para cima. Se o carro for alugado \u2013 e geralmente os alugu\u00e9is n\u00e3o ficam menos de R$ 500 por semana \u2013, quanto voc\u00ea vai lucrar nisso?\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"twitter-tweet twitter-tweet-rendered\"><iframe id=\"twitter-widget-0\" class=\"\" title=\"Twitter Tweet\" src=\"https:\/\/platform.twitter.com\/embed\/Tweet.html?dnt=false&amp;embedId=twitter-widget-0&amp;features=eyJ0ZndfZXhwZXJpbWVudHNfY29va2llX2V4cGlyYXRpb24iOnsiYnVja2V0IjoxMjA5NjAwLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfSwidGZ3X2hvcml6b25fdHdlZXRfZW1iZWRfOTU1NSI6eyJidWNrZXQiOiJodGUiLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfSwidGZ3X3NwYWNlX2NhcmQiOnsiYnVja2V0Ijoib2ZmIiwidmVyc2lvbiI6bnVsbH19&amp;frame=false&amp;hideCard=false&amp;hideThread=false&amp;id=1453439248129003521&amp;lang=pt&amp;origin=https%3A%2F%2Fwww.cut.org.br%2Fnoticias%2Finflacao-dos-motoristas-afasta-trabalhadores-de-apps-e-leva-caminhoneiros-a-grev-4728&amp;sessionId=0a2b2745bd7481f5927393caf36ab1aa64b94624&amp;theme=light&amp;widgetsVersion=f001879%3A1634581029404&amp;width=550px\" frameborder=\"0\" scrolling=\"no\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-tweet-id=\"1453439248129003521\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4><strong>Outros fatores respons\u00e1veis pela infla\u00e7\u00e3o maior aos motoristas<\/strong><\/h4>\n<p>Outro motivo que pesa no bolso dos motoristas \u2013 e que tamb\u00e9m significa aumento de custo \u2013 est\u00e1 relacionado \u00e0 linha de produ\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos. Comprar ou alugar hoje um autom\u00f3vel est\u00e1 bem mais caro do que h\u00e1 12 meses. O pre\u00e7o de carro novo est\u00e1 em m\u00e9dia 11,27% mais alto. Uma motocicleta custa 7,85% a mais.<\/p>\n<p>Para os usados (ou seminovos como se diz no mercado), a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante. Houve um aumento de 8,44% nos \u00faltimos 12 meses. Pe\u00e7as e acess\u00f3rios, como j\u00e1 dito e como mostra a FGV, subiram 12,06%.<\/p>\n<p>Em mat\u00e9ria publicada no portal da Funda\u00e7\u00e3o, o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, Matheus Pe\u00e7anha, explica que a ind\u00fastria automotiva teve um grave problema ao longo desse ano com escassez de mat\u00e9ria-prima para fabrica\u00e7\u00e3o de chapas, pe\u00e7as e acess\u00f3rios.<\/p>\n<p>\u201cEncareceu o processo de produ\u00e7\u00e3o, elevando o pre\u00e7o ao consumidor. As pe\u00e7as e acess\u00f3rios no mercado secund\u00e1rio seguiram obviamente a mesma tend\u00eancia derivada do mesmo problema. E os autom\u00f3veis usados tiveram um aumento de demanda, como consequ\u00eancia dos autom\u00f3veis novos em menor n\u00famero e mais caros no mercado\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/Andr\u00e9 Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo da FGV aponta que infla\u00e7\u00e3o dos motoristas passa de 18%, o dobro da m\u00e9dia geral. 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