{"id":23401,"date":"2021-11-03T11:12:57","date_gmt":"2021-11-03T14:12:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=23401"},"modified":"2021-11-03T11:12:57","modified_gmt":"2021-11-03T14:12:57","slug":"mais-de-13-mil-pessoas-para-e-o-estado-que-mais-resgatou-trabalhadores-escravizados-em-15-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/11\/03\/mais-de-13-mil-pessoas-para-e-o-estado-que-mais-resgatou-trabalhadores-escravizados-em-15-anos\/","title":{"rendered":"Mais de 13 mil pessoas: Par\u00e1 \u00e9 o estado que mais resgatou trabalhadores escravizados em 15 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Em opera\u00e7\u00e3o\u00a0realizada no fim de outubro, funcion\u00e1rios de fazenda foram resgatados de alojamentos junto a chiqueiros<\/strong><\/p>\n<p lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">O trabalho em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0 de escravid\u00e3o \u00e9 crime e uma grave viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, mas permanece ocorrendo corriqueiramente em todo o Brasil. E, a cada nova opera\u00e7\u00e3o que resgata trabalhadores em fazendas, garimpos e carvoarias, aumenta a lista de calamidades conhecidas a que o homem submete o homem por meio do m\u00e9todo milenar de explora\u00e7\u00e3o pelo trabalho.<\/p>\n<p lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">O\u00a0Observat\u00f3rio da Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo e do Tr\u00e1fico de Pessoas re\u00fane dados de a\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos desde 1995.\u00a0Daquele ano at\u00e9 2020, o total de resgates foi de 55.712 pessoas\u00a0trabalhando sem equipamentos adequados, sem folga semanal, tendo para beber somente a<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/08\/18\/garimpo-ilegal-mantinha-80-pessoas-no-para-tomando-agua-da-chuva-e-usando-a-mata-como-banheiro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00a0\u00e1gua da chuva<\/a>\u00a0e at\u00e9 dormindo ao lado de porcos e chiqueiros.<\/p>\n<p lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Na an\u00e1lise, o Par\u00e1 foi o estado com mais resgates de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o: 13.225 trabalhadores\u00a0nos \u00faltimos 15 anos, uma m\u00e9dia\u00a0de 508 v\u00edtimas\u00a0por ano.\u00a0Em 2020, Minas Gerais foi o estado com maior n\u00famero de resgates, com 351 casos, seguido por\u00a0Distrito Federal, Par\u00e1, Goi\u00e1s e a Bahia.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"YouTube video player\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/fyrvCibBX1o\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/p>\n<p lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\">Dados da\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho mostram que, em todo mundo, esse tipo de viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos\u00a0alcan\u00e7a\u00a0mais de 25 milh\u00f5es de pessoas, incluindo mulheres e crian\u00e7as. Em outra ponta, o ato gera cerca de US$ 150 bilh\u00f5es anuais em lucros ilegais para os propriet\u00e1rios escravagistas.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\" lang=\"PT-BR\" xml:lang=\"PT-BR\"><strong>Trabalhadores entre os porcos resgatados no Par\u00e1\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>No final do m\u00eas de outubro, uma\u00a0fiscaliza\u00e7\u00e3o\u00a0composta por representantes do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho no Par\u00e1 e Amap\u00e1 (MPT), Auditoria Fiscal do Trabalho, Defensoria P\u00fablica da Uni\u00e3o (DPU) e Pol\u00edcia Federal (PF) nos munic\u00edpios de Itupiranga e Nova Ipixuna, no\u00a0sudeste do estado do Par\u00e1 resgataram 13 pessoas em regime de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante a fiscaliza\u00e7\u00e3o nas fazendas, a equipe encontrou diversas irregularidades, as mais graves foram em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es de trabalho e moradia. Em uma delas, cuja atividade era cria\u00e7\u00e3o de gado leiteiro, os trabalhadores dormiam no curral.<\/p>\n<p>Neste barrac\u00e3o, localizado h\u00e1 cerca de 100 metros da casa do empregador, havia quatro c\u00f4modos nas laterais, com ch\u00e3o de terra batida e paredes de madeira,\u00a0alvenaria ou palha: o primeiro abrigava os porcos, o segundo uma esp\u00e9cie de cozinha improvisada onde tamb\u00e9m dormia um trabalhador, ao lado um outro compartimento com\u00a0redes para dormir e, o \u00faltimo, era um galinheiro. Nos fundos dos compartimentos, havia um chiqueiro e muito lixo.<\/p>\n<p>Os empregados eram obrigados a conviver com o forte odor de fezes dos bichos e sob altas temperaturas, j\u00e1 que a estrutura tinha teto baixo feito com telhas de fibrocimento e sem ventila\u00e7\u00e3o. Os trabalhadores passaram a dormir no local no in\u00edcio deste ano, e um deles, poucos meses depois, passou a apresentar problemas de pele na regi\u00e3o do abd\u00f4men.<\/p>\n<p>Os homens dormiam em redes, que foram fornecidas pelo propriet\u00e1rio, mas\u00a0n\u00e3o de gra\u00e7a, tiveram que pagar por elas, segundo informou o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho.<\/p>\n<figure style=\"width: 610px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/95644f629f039d32a1d888f96f4e6214.jpeg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"407\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">O &#8220;dormit\u00f3rio&#8221; dos trabalhadores em fazenda de gado no Par\u00e1: ficava ao lado do chiqueiro, n\u00e3o tinha \u00e1gua, n\u00e3o tinha energia el\u00e9trica e as redes onde dormiam foram vendidas pelo patr\u00e3o \/ MPT &#8211; Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Um dos trabalhadores relatou que j\u00e1 presenciou ratos no ambiente, por falta de estrutura adequada para armazenamento dos alimentos, e que n\u00e3o consumiam a \u00e1gua do local, que vinha de um po\u00e7o, pois era \u201ccapa rosa\u201d, quando h\u00e1 a presen\u00e7a de uma esp\u00e9cie de ferrugem. Para n\u00e3o ficar com sede, ele sempre pegava \u00e1gua na casa da sua m\u00e3e, localizada a cerca de 2,5 km da fazenda, e trazia para o consumo no alojamento.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinham geladeira, ent\u00e3o, salgavam a carne que comiam como \u00fanica\u00a0medida de conserva\u00e7\u00e3o e sanit\u00e1ria, no calor do Par\u00e1. N\u00e3o tinham banheiro nem \u00e1gua encanada.<\/p>\n<p>A procuradora do Trabalho Silvia Silva da Silva, integrante do n\u00facleo especializado de combate ao trabalho escravo do MPT PA-AP disse que nas\u00a0duas fazendas dos dois munic\u00edpios as pessoas viviam em p\u00e9ssimas\u00a0condi\u00e7\u00f5es de trabalho e moradia.\u00a0Em Itupiranga, o fazendeiro,\u00a0propriet\u00e1rio das terras foi preso em\u00a0flagrante e\u00a0tamb\u00e9m responder\u00e1 por crime ambiental.<\/p>\n<p>&#8220;Havia um total desrespeito de preceitos m\u00ednimos relacionados \u00e0 quest\u00e3o de sa\u00fade, medicina e seguran\u00e7a do trabalho, bem como n\u00e3o eram respeitados os preceitos elementares referentes a alimenta\u00e7\u00e3o, fornecimento de moradia, equipamentos de prote\u00e7\u00e3o individual&#8221;\u00a0<strong><em>(veja no v\u00eddeo acima).<\/em><\/strong><\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Autuados por trabalho escravo<\/strong><\/p>\n<p>Quando a fiscaliza\u00e7\u00e3o trabalhista encontra situa\u00e7\u00f5es como a narrada acima, empregadores s\u00e3o\u00a0notificados e intimados a comparecer em audi\u00eancia para realizar o pagamento\u00a0das verbas rescis\u00f3rias e\u00a0ainda respondem criminalmente por seus feitos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o nome do empregador, ap\u00f3s o ato ser julgado procedente, \u00e9 inclu\u00eddo em um cadastro, uma &#8220;lista suja&#8221;. &#8220;Isso faz com que o\u00a0empregador sofra restri\u00e7\u00f5es, sobretudo\u00a0com rela\u00e7\u00e3o a embargo de compradores internacionais, que n\u00e3o querem ter a marca vinculada a uma cadeia explorat\u00f3ria de m\u00e3o de obra escrava&#8221;, resume\u00a0Andr\u00e9 Santos, da\u00a0Divis\u00e3o de Fiscaliza\u00e7\u00e3o para Erradica\u00e7\u00e3o do Trabalho Escravo.<\/p>\n<p>Para denunciar trabalho escravo, \u00e9 s\u00f3 entrar no\u00a0<a href=\"https:\/\/mpt.mp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">site<\/a>\u00a0do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) ou ligar para o\u00a0<strong>Disque 100,\u00a0<\/strong>linha direta para den\u00fancias sobre uma das mais antigas forma de explora\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br \/ Catarina Barbosa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em opera\u00e7\u00e3o\u00a0realizada no fim de outubro, funcion\u00e1rios de fazenda foram resgatados de alojamentos junto a chiqueiros O trabalho em condi\u00e7\u00f5es semelhantes \u00e0 de escravid\u00e3o \u00e9 crime e uma grave viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos, mas permanece ocorrendo corriqueiramente em todo o Brasil. 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