{"id":23755,"date":"2021-11-22T11:15:30","date_gmt":"2021-11-22T14:15:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=23755"},"modified":"2021-11-22T11:15:30","modified_gmt":"2021-11-22T14:15:30","slug":"no-brasil-bala-perdida-fome-e-desemprego-tem-alvo-a-populacao-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/11\/22\/no-brasil-bala-perdida-fome-e-desemprego-tem-alvo-a-populacao-negra\/","title":{"rendered":"No Brasil, bala perdida, fome e desemprego t\u00eam alvo: a popula\u00e7\u00e3o negra"},"content":{"rendered":"<p><strong>Morte, desemprego, fome e viol\u00eancia atingem mais a popula\u00e7\u00e3o negra, v\u00edtima de uma estrutura racista da sociedade, que privilegia os n\u00e3o negros<\/strong><\/p>\n<p>A viol\u00eancia policial \u00e9 uma das muitas facetas da viol\u00eancia racial no Brasil e, assim como a fome o desemprego, atinge mais a popula\u00e7\u00e3o negra do que a n\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Essa trag\u00e9dia brasileira \u00e9 consequ\u00eancia do racismo estrutural, que nada mais \u00e9 do que a maneira como s\u00e3o estruturadas todas as institui\u00e7\u00f5es da sociedade, explica sempre o professor de direito Silvio Almeida.<\/p>\n<p>Em resumo, racismo estrutural \u00e9 um conjunto de pr\u00e1ticas discriminat\u00f3rias, institucionais, hist\u00f3ricas, culturais dentro de uma sociedade que frequentemente privilegia algumas ra\u00e7as em detrimento de outras. O termo \u00e9 usado para refor\u00e7ar o fato de que h\u00e1 sociedades estruturadas com base no racismo, que favorecem pessoas brancas e desfavorecem negros e ind\u00edgenas.<\/p>\n<p><strong>Essas estruturas s\u00e3o as principais bases da desigualdade no Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cQuando a gente fala que o racismo estrutura a nossa sociedade \u00e9 porque ele est\u00e1 no cerne das rela\u00e7\u00f5es, sejam institucionais ou sociais. A\u00e7\u00f5es que geralmente n\u00e3o conseguimos identificar acabam sendo normalizadas\u201d, diz a secret\u00e1ria de Combate ao Racismo da CUT, Anatalina Louren\u00e7o.<\/p>\n<p>Um dos muitos exemplos, diz a dirigente, \u00e9 a pr\u00f3pria m\u00eddia. \u201cPropagandas em sua grande maioria, s\u00e3o feitas por pessoas n\u00e3o negras e a gente vive em um pa\u00eds, em que 54% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 negra. Seria muito natural que nos v\u00edssemos mais na televis\u00e3o\u201d, ela diz.<\/p>\n<p>O racismo estrutural est\u00e1 presente em todos os espa\u00e7os da sociedade e \u00e9 preciso identific\u00e1-lo e combat\u00ea-lo, afirma a secret\u00e1ria, complementando: \u201cTodos aqueles que acreditam que a sociedade deve mais justa e igualit\u00e1ria t\u00eam esse papel, principalmente os n\u00e3o negros\u201d.<\/p>\n<p><strong>Viol\u00eancia mata mais negros do que n\u00e3o negros<\/strong><\/p>\n<p>Esse combate ao racismo, pode, por exemplo acabar ou pelo menos reduzir consideravelmente as trag\u00e9dias que s\u00e3o rotineiras na vida da popula\u00e7\u00e3o negra, as maiores v\u00edtimas de balas perdidas, como costuma definir a m\u00eddia as mortes nos chamados conflitos policiais entre homens fardados e armados e pessoas desarmadas e indefesas.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existe bala perdida no Brasil, existe bala encontrada nos corpos negros\u201d, diz a secretaria-Adjunta de Combate ao Racismo da CUT, Rosana Sousa Fernandes.<\/p>\n<p>E as estat\u00edsticas comprovam: 78,9% das mortes nos chamados \u201cconflitos\u201d com policiais atingem pessoas negras e pobres, moradoras das periferias do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Entre 2009 e 2019 o n\u00famero absoluto de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/violencia-policial-e-ausencia-de-politicas-publicas-escancaram-racismo-no-brasil-69e7\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mortes violentas de pessoas negras<\/a>\u00a0subiu 1,6% no pa\u00eds, ao passo que o do restante da popula\u00e7\u00e3o caiu 33%.<\/p>\n<p><strong>Desemprego afeta mais pessoas negras<\/strong><\/p>\n<p>Menos favorecidas, com menos acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 qualifica\u00e7\u00e3o profissional, as pessoas negras, que come\u00e7am a trabalhar mais cedo para ajudar a pagar as despesas da familia, t\u00eam menos chances \u00e0s melhores vagas no mercado de trabalho, ou seja, ao trabalho decente e bem remunerado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de o racismo estrutural fazer com que oportunidades de ascens\u00e3o na carreira privilegiem as pessoas n\u00e3o negras, elas s\u00e3o tamb\u00e9m as primeiras a serem demitidas nas crises econ\u00f4micas e as \u00faltimas a se recolocarem quando as economias voltam a crescer.<\/p>\n<p>De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad-Cont\u00ednua), do IBGE, 2,5 milh\u00f5es de trabalhadores e trabalhadoras negros ficam mais de dois anos desempregados. Entre os n\u00e3o negros, o n\u00famero \u00e9 de 1,4 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>Boletim Especial do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), divulgado nesta sexta-feira (19), mostra que\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/71-4-dos-8-9-milhoes-que-perderam-emprego-na-pandemia-eram-negros-diz-dieese-58f2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aumentou a\u00a0 desigualdade entre negros e n\u00e3o negros no mercado de trabalho durante a pandemia.<\/a><\/p>\n<p>Os dados mostram que 71,4% dos 8,9 milh\u00f5es que perderam emprego na pandemia eram negros, concluiu o Dieese<\/p>\n<p>Para os n\u00e3o negros, os impactos da crise sanit\u00e1ria foram menores: dos 2,5 milh\u00f5es que perderam as ocupa\u00e7\u00f5es entre o 1\u00ba e o 2\u00ba trimestre de 2020, 59% voltaram a trabalhar em 2021\u201d, diz o boletim.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de rosto, a fome tem cor, g\u00eanero e endere\u00e7o, disse Mait\u00ea Gauto, gerente de Programas e Incid\u00eancia da Oxfam Brasil, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2021\/11\/fome-e-desemprego-no-brasil-tem-cor-apontam-pesquisas.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Folha de S. Paulo.<\/a><\/p>\n<p>\u201cAs mulheres negras representam 27% da popula\u00e7\u00e3o e ocupam metade dos empregos informais, sobretudo no trabalho dom\u00e9stico. Elas formam um grupo de alta vulnerabilidade, sem garantia trabalhista e de prote\u00e7\u00e3o social&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Fome tamb\u00e9m atinge mais popula\u00e7\u00e3o negra<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto 59,2% dos negros apresentam algum grau de inseguran\u00e7a alimentar (de leve a grave), esse percentual \u00e9 de 51% entre os n\u00e3o negros.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros constam do relat\u00f3rio &#8220;Inseguran\u00e7a Alimentar e Covid-19 no Brasil&#8221;, publicado no come\u00e7o do ano pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional).<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, 43,4 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o tinham alimentos em quantidade suficiente e 19 milh\u00f5es de brasileiros enfrentavam a fome.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Marize Muniz e Andr\u00e9 Acarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Morte, desemprego, fome e viol\u00eancia atingem mais a popula\u00e7\u00e3o negra, v\u00edtima de uma estrutura racista da sociedade, que privilegia os n\u00e3o negros A viol\u00eancia policial \u00e9 uma das muitas facetas da viol\u00eancia racial no Brasil e, assim como a fome o desemprego, atinge mais a popula\u00e7\u00e3o negra do que a n\u00e3o negra. 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