{"id":23789,"date":"2021-11-22T12:14:04","date_gmt":"2021-11-22T15:14:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=23789"},"modified":"2021-11-22T12:14:04","modified_gmt":"2021-11-22T15:14:04","slug":"renda-media-dos-brasileiros-e-a-menor-dos-ultimos-nove-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/11\/22\/renda-media-dos-brasileiros-e-a-menor-dos-ultimos-nove-anos\/","title":{"rendered":"Renda m\u00e9dia dos brasileiros \u00e9 a menor dos \u00faltimos nove anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Pesquisa do IBGE mostra o empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o, com queda na renda de trabalhadores e at\u00e9 de quem tem outras fontes de dinheiro. Renda m\u00e9dia \u00e9 a menor desde 2012\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>O empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira s\u00f3 aumentou no governo de Jair Bolsonaro (ex-PSL), cujo legado, at\u00e9 agora, une as altas taxas de desemprego, \u00e0 infla\u00e7\u00e3o de dois d\u00edgitos e recordes de endividamento das fam\u00edlias brasileiras.<\/p>\n<p>Entre 2019, primeiro ano da gest\u00e3o de Bolsonaro, e 2020, a renda m\u00e9dia dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiros caiu de R$ 2.292 para R$ 2.213, (menos 3,4%). Este \u00e9 o menor patamar desde 2012, estimado em R$ 2.250, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, segundo a\u00a0<a href=\"https:\/\/agenciadenoticias.ibge.gov.br\/agencia-sala-de-imprensa\/2013-agencia-de-noticias\/releases\/32280-pnad-continua-2020-queda-na-ocupacao-eleva-participacao-das-transferencias-de-renda-no-rendimento-domiciliar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD-Cont\u00ednua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/a>, divulgada nesta sexta-feira (19).<\/p>\n<p>Em 2020, do total de 211,1 milh\u00f5es de brasileiros, 128,7 milh\u00f5es (61%) tinham algum tipo de rendimento, mas a renda m\u00e9dia obtida de todas as fontes de recursos, incluindo trabalho, aluguel, pens\u00f5es, benef\u00edcios, entre outras, diminuiu se comparado a 2019, diz a pesquisa.<\/p>\n<p>Nos dois primeiros anos do governo Bolsonaro, \u00a0revela a pesquisa, aumentou a depend\u00eancia dos programas sociais, que entram na categoria \u201coutros rendimentos\u201d. Pela primeira vez, os \u201coutros rendimentos\u201d \u00a0foram respons\u00e1veis por uma fatia maior do rendimento do que as aposentadorias e pens\u00f5es, por causa do aux\u00edlio emergencial pago durante o auge da pandemia.<\/p>\n<p>O n\u00famero de pessoas com\u00a0<strong>outros rendimentos<\/strong>\u00a0(seguro-desemprego\/seguro-defeso, programas sociais do governo \u2013 inclusive o aux\u00edlio emergencial \u2013, rendimentos de poupan\u00e7a etc.) quase dobrou de 2019 para 2020, indo de 16,4 milh\u00f5es (7,8% da popula\u00e7\u00e3o) para 30,2 milh\u00f5es (14,3%). Aposentadoria e pens\u00f5es s\u00e3o respons\u00e1veis pelo rendimento de 26,2 milh\u00f5es de pessoas (12,4% da popula\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Por outro lado, o valor maior do\u00a0<strong>aux\u00edlio emergencial<\/strong>\u00a0fez muitos benefici\u00e1rios substitu\u00edrem o\u00a0<strong>Bolsa Fam\u00edlia<\/strong>, que caiu de 14,3% para 7,2% no n\u00famero\u00a0 domic\u00edlios atendidos. J\u00e1 a propor\u00e7\u00e3o de domic\u00edlios que recebiam\u00a0<strong>BPC-LOAS<\/strong>\u00a0passou de 3,5% para 3,1% no per\u00edodo.<\/p>\n<p>Apesar do aumento no percentual da renda, em rela\u00e7\u00e3o a aposentadorias e pens\u00f5es, o rendimento de outras fontes caiu 15,4% &#8211; seu menor valor (R$1.295) desde 2012. O movimento de queda ocorreu em todas as regi\u00f5es, principalmente, no Sudeste (19,6%), Sul (13,2%) e Centro-Oeste (21%).<\/p>\n<p>O impacto do\u00a0<strong>desemprego<\/strong>\u00a0fez o rendimento adquirido pelo trabalho perder participa\u00e7\u00e3o na renda total. Em 2020, 40,1% da popula\u00e7\u00e3o (84,7 milh\u00f5es) tinham rendimento do trabalho e 28,3% (59,7 milh\u00f5es), rendimento proveniente de outras fontes.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o a 2019,\u00a0<strong>houve redu\u00e7\u00e3o da parcela correspondente ao rendimento do trabalho<\/strong>, que era de 44,3% (92,8 milh\u00f5es) e aumento do peso do rendimento de outras fontes, que correspondia a 23,6% (49,5 milh\u00f5es).\u00a0 Essa tend\u00eancia ocorreu em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, apesar do rendimento adquirido pelo trabalho ter ca\u00eddo na participa\u00e7\u00e3o total, o seu valor aumentou. Foi para R$2.447 em 2020 (+ 3,4%) que o registrado em 2019 (R$2.366). Esse aumento explica-se com a sa\u00edda de 8,1 milh\u00f5es de pessoas da popula\u00e7\u00e3o ocupada, no per\u00edodo, indicando que\u00a0<strong>aqueles que continuaram ocupados tinham maior rendimento do trabalho.<\/strong><\/p>\n<p>O rendimento dos 50% mais pobres aumentou\u00a0 3,9%. A m\u00e9dia da popula\u00e7\u00e3o com menores rendimentos em 2020 foi de R$453 contra R$436, no ano passado.<\/p>\n<h4><strong>Desigualdade Social<\/strong><\/h4>\n<p>As pessoas que faziam parte do 1% da popula\u00e7\u00e3o com rendimentos mais elevados (mensal de R$15.816)\u00a0<strong>recebiam, em m\u00e9dia, 34,9 vezes o rendimento da metade da popula\u00e7\u00e3o com os menores rendimentos<\/strong>\u00a0(cujo rendimento m\u00e9dio mensal real era de R$453). Em 2019, esta raz\u00e3o era de 40 vezes, maior valor da s\u00e9rie.<\/p>\n<p>O \u00edndice de Gini \u2013que mede a desigualdade social e econ\u00f4mica no pa\u00eds\u2013 do rendimento m\u00e9dio domiciliar per capita passou de 0,544 em 2019 para 0,524 em 2020. O Nordeste manteve o maior Gini em 2020 (0,526) e o Sul, o menor (0,457). Entre 2019 e 2020, o Gini caiu em todas as regi\u00f5es, sobretudo no Norte e Nordeste, onde o Aux\u00edlio Emergencial atingiu maior propor\u00e7\u00e3o de domic\u00edlios.<\/p>\n<p>O Gini consiste em um n\u00famero entre zero e 1, onde zero\u00a0 corresponde \u00e0 completa igualdade (no caso do rendimento, por exemplo, toda a popula\u00e7\u00e3o recebe o mesmo sal\u00e1rio) e 1 corresponde \u00e0 completa desigualdade (onde uma pessoa recebe todo o rendimento e as demais nada recebem).<\/p>\n<h4><strong>Renda e fonte por Regi\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O maior valor do\u00a0<strong>rendimento m\u00e9dio mensal<\/strong>\u00a0estava no Sudeste (R$ 2.575). O menor, no Nordeste (R$ 1.554).<\/p>\n<p>O Sul permanece com o maior percentual de pessoas com\u00a0<strong>rendimento de trabalho<\/strong>\u00a0(46,0%). J\u00e1 o Nordeste registrou, pela primeira vez, um percentual de pessoas com rendimento de trabalho (32,3%) menor que o daquelas que recebiam de outras fontes (32,8%).<\/p>\n<p>Em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, o n\u00famero de domic\u00edlios com pessoas recebendo\u00a0\u00a0<strong>programas sociais<\/strong>\u00a0subiu 0,7% para 23,7. As maiores altas proporcionais foram no Norte (de 0,5% para 32,2%) e Nordeste (de 0,8% para 34%).<\/p>\n<p>A\u00a0<strong>aposentadoria ou pens\u00e3o<\/strong>\u00a0era a categoria de maior valor, variando de R$1.540 no Norte a R$2.268 no Centro-Oeste. Regionalmente, a perda de valor foi generalizada, alcan\u00e7ando 10,7% no Norte e 8,8% no Centro-Oeste.<\/p>\n<p>A Regi\u00e3o Sul (R$661) tinha a maior m\u00e9dia de rendimento domiciliar per capita para a metade da popula\u00e7\u00e3o com menores rendimentos em 2020, e as Regi\u00f5es Norte (R$325) e Nordeste (R$301), as menores. No entanto, entre 2019 e 2020, apenas as Regi\u00f5es Norte e Nordeste tiveram aumento neste indicador (17,8% e 16,2%, respectivamente), o que pode ter rela\u00e7\u00e3o com o recebimento do Aux\u00edlio Emergencial, segundo o IBGE.<\/p>\n<p>www.cut.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa do IBGE mostra o empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o, com queda na renda de trabalhadores e at\u00e9 de quem tem outras fontes de dinheiro. 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