{"id":23988,"date":"2021-12-01T11:28:32","date_gmt":"2021-12-01T14:28:32","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=23988"},"modified":"2021-12-01T11:28:32","modified_gmt":"2021-12-01T14:28:32","slug":"ativismo-pelo-fim-da-violencia-precisa-chegar-as-mulheres-negras-tambem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/12\/01\/ativismo-pelo-fim-da-violencia-precisa-chegar-as-mulheres-negras-tambem\/","title":{"rendered":"Ativismo pelo fim da viol\u00eancia precisa chegar \u00e0s mulheres negras tamb\u00e9m"},"content":{"rendered":"<p><strong>Dando sequ\u00eancia \u00e0s reportagens vinculadas aos\u00a021 Dias de Ativismo pelo Fim da Viol\u00eancia Contra as Mulheres, destaca-se aqui a situa\u00e7\u00e3o das mulheres negras, cerca de 25% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/strong><\/p>\n<p>Todas as pesquisas confirmam que as mulheres negras continuam na base da pir\u00e2mide social, ganhando menos e em trabalhos com mais precariedade. \u201cO racismo estrutural impede a popula\u00e7\u00e3o negra de sair do gueto\u201d, analisa Lucimara da Silva Cruz, secret\u00e1ria de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o de Lucimara, o racismo se recicla para manter \u201ca domina\u00e7\u00e3o sobre a maioria das brasileiras e brasileiros e continuar explorando-nos como m\u00e3o de obra barata\u201d, como diz a m\u00fasica\u00a0<em>A Carne<\/em>, de Seu Jorge, Ulises Capelleti e Marcelo Fontes, \u201ca carne mais barata do mercado \u00e9 a carne negra\u201d.<\/p>\n<p><strong>A Carne, de Seu Jorge, Ulises Capelleti e Marcelo Fontes<\/strong>;\u00a0<strong>canta Elza Soare<\/strong>s<\/p>\n<figure class=\"wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-4-3 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"A Carne - Elza Soares (Videoclipe Oficial)\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/yktrUMoc1Xw?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"375\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>Como comprova a pesquisa\u00a0<em>Desigualdades Sociais por Cor ou Ra\u00e7a<\/em>, feita pelo IBGE, em 2019. Pelo levantamento, em 2018, as mulheres negras receberam em m\u00e9dia, 44,4% do sal\u00e1rios dos homens brancos.<\/p>\n<p>O estudo do IBGE aponta tamb\u00e9m o racismo e o machismo no mercado de trabalho. Somente 29,9% de negros exerciam cargos de ger\u00eancia. Outra forma do racismo se manifestar diz respeito \u00e0 remunera\u00e7\u00e3o. Mesmo com mais escolaridade, devido \u00e0s cotas, as negras e negros ganhavam menos. Em 2018, o rendimento m\u00e9dio mensal da popula\u00e7\u00e3o branca foi de R$ 2.796 e das negras e negros foi de R$ 1.608. Entre as pessoas com n\u00edvel superior, os brancos ganhavam 45% a mais.<\/p>\n<p>Lucimara explica a discrimina\u00e7\u00e3o que ocorre no servi\u00e7o p\u00fablico como uma das formas de manifesta\u00e7\u00e3o do machismo e do racismo que atinge em cheio as mulheres negras. Ela conta que a maioria dos cargos de confian\u00e7a, que s\u00e3o escolhidos pelos dirigentes, \u00e9 constitu\u00edda de homens brancos. \u201cEssas indica\u00e7\u00f5es d\u00e3o o diferencial entres os sal\u00e1rios e mant\u00eam as negras e negros com sal\u00e1rios mais baixos\u201d.<\/p>\n<p>Inclusive, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) 32, se aprovada, pode aprofundar \u201ca exclus\u00e3o das pessoas que n\u00e3o t\u00eam sobrenomes ligados a oligarquias\u201d e \u201cas pessoas indicadas para os cargos de confian\u00e7a continuar\u00e3o sendo os homens brancos de sempre\u201d.<\/p>\n<p>Para Raimunda Leone, secret\u00e1ria adjunta de Igualdade Racial da CTB, \u201ca desigualdade no mercado de trabalho comprova que o sistema capitalista aprofunda o racismo, que se forjou na \u00e9poca do escravismo, e o mant\u00e9m como forma de explora\u00e7\u00e3o do capital sobre o trabalho, impedindo transforma\u00e7\u00f5es mais profundas na sociedade\u201d.<\/p>\n<p>Por isso, argumenta Lucimara, \u201ca luta antirracista \u00e9 parte intr\u00ednseca da luta de classes para a constru\u00e7\u00e3o de um novo mundo, sem racismo, sem machismo e com oportunidades iguais\u201d. Para isso, \u201cnecessitamos da pol\u00edtica de cotas nas universidades\u201d, complementa Raimunda.<\/p>\n<p>De acordo com o IBGE, em 2020, durante a pandemia, 17,8% dos negros estavam desempregados, 15,4% dos pardos e 10,4% dos brancos. \u201cUma das formas de manifesta\u00e7\u00e3o do racismo estrutural se d\u00e1 no mercado de trabalho\u201d, diz Raimunda, e \u201cprincipalmente as mulheres negras s\u00e3o as mais exploradas com os piores sal\u00e1rios e as piores condi\u00e7\u00f5es de empregabilidade\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, \u201ca viol\u00eancia nos atinge com maior for\u00e7a\u201d, acentua Lucimara. De acordo com o\u00a0<strong>15\u00ba Anu\u00e1rio Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica<\/strong>, ocorreram 1.350 feminic\u00eddios em 2020 e 61,8% das v\u00edtimas foram mulheres negras. Ela refor\u00e7a tamb\u00e9m que as negras sofrem com as mortes de seus filhos, muitos pelas m\u00e3os do bra\u00e7o armado do Estado, a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Como mostra o 15\u00ba Anu\u00e1rio, a pol\u00edcia matou 6.416 pessoas no ano passado, sendo 78,9% de negros \u2013 quase 8 em cada 10 \u2013 76,2% com idades entre 12 e 29 anos e 98,4% do sexo masculino. \u201cTodos os anos choramos a morte de nossos filhos, executados invariavelmente pela pol\u00edcia\u201d, lamenta Raimunda.<\/p>\n<p>\u201cA viol\u00eancia policial nos retira do mercado de trabalho tamb\u00e9m\u201d, assinala Lucimara. \u201cA guerra \u00e0s drogas empurra os jovens negros para a criminalidade porque ficam fichados na pol\u00edcia, muitas vezes por portar 2 gramas, 5 gramas de alguma droga e a\u00ed n\u00e3o conseguem entrar para o mercado formal de trabalho, indo para a criminalidade ou para a informalidade, em total precariedade\u201d. E as m\u00e3es sofrem ainda mais.<\/p>\n<p>Por isso, \u201c\u00e9 essencial a atua\u00e7\u00e3o das mulheres negras na campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Viol\u00eancia Contra as Mulheres para denunciar esse recorte racial na opress\u00e3o exercida pela ideologia patriarcal para nos manter fora da esfera p\u00fablica e dos espa\u00e7os de decis\u00e3o do pa\u00eds\u201d, define Lucimara.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/ Marcos Aur\u00e9lio Ruy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dando sequ\u00eancia \u00e0s reportagens vinculadas aos\u00a021 Dias de Ativismo pelo Fim da Viol\u00eancia Contra as Mulheres, destaca-se aqui a situa\u00e7\u00e3o das mulheres negras, cerca de 25% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). 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