{"id":24380,"date":"2021-12-23T10:22:15","date_gmt":"2021-12-23T13:22:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=24380"},"modified":"2021-12-23T10:22:15","modified_gmt":"2021-12-23T13:22:15","slug":"bicentenario-da-independencia-resgatar-nossas-lutas-e-nossas-referencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2021\/12\/23\/bicentenario-da-independencia-resgatar-nossas-lutas-e-nossas-referencias\/","title":{"rendered":"Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia: resgatar nossas lutas e nossas refer\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p><strong>O Brasil completar\u00e1 200 anos como na\u00e7\u00e3o independente em 7 de setembro de 2022. A comemora\u00e7\u00e3o da data nos enseja, como representantes dos trabalhadores, ressaltar o protagonismo da nossa classe e a evolu\u00e7\u00e3o dos nossos direitos.<\/strong><\/p>\n<p>A concep\u00e7\u00e3o elitista da hist\u00f3ria esconde as lutas populares nos processos de emancipa\u00e7\u00e3o e de constru\u00e7\u00e3o nacional. Nosso desafio \u00e9, ao contr\u00e1rio, valoriz\u00e1-las e refor\u00e7ar a autoestima do povo brasileiro.<\/p>\n<p>Embora a classe dominante tenha desde sempre manobrado para defender seus interesses, os trabalhadores, os negros e os oprimidos em geral trilharam paralelamente uma trajet\u00f3ria de resist\u00eancia. O choque entre as diferentes vis\u00f5es e os diferentes grupos sociais aqueceu o debate pol\u00edtico nesses 200 anos e marcou a evolu\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, a independ\u00eancia foi proclamada em 1822 pela pr\u00f3pria monarquia portuguesa, por Dom Pedro 1\u00ba, com a perman\u00eancia do comando do imperador e, portanto, sem a instaura\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica. Nesse per\u00edodo as rela\u00e7\u00f5es de trabalho eram as piores: trabalho escravo em larga escala nas extensas monoculturas comandadas por coron\u00e9is e bar\u00f5es.<\/p>\n<p>Os escravizados e os abolicionistas protagonizaram grandes manifesta\u00e7\u00f5es de revolta contra esse sistema, mas a aboli\u00e7\u00e3o e o advento da Rep\u00fablica s\u00f3 ocorreram 66 anos depois, em 1888 e 1889, para atender a demanda capitalista por um novo modo de produ\u00e7\u00e3o. Entre a aboli\u00e7\u00e3o e as primeiras 3 d\u00e9cadas do s\u00e9culo 20, mesmo com a expans\u00e3o do trabalho assalariado, a mentalidade e pr\u00e1ticas escravistas ainda prevaleciam. Tanto nas lavouras do caf\u00e9 como nas incipientes ind\u00fastrias, os trabalhadores eram explorados at\u00e9 o limite da sobreviv\u00eancia, nos moldes das rela\u00e7\u00f5es dominantes nos prim\u00f3rdios da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial.<\/p>\n<p>Grandes movimentos ocorreram neste per\u00edodo, como a cria\u00e7\u00e3o da COB (Confedera\u00e7\u00e3o Oper\u00e1ria Brasileira), em 1908, e a importante Greve Geral de 1917. O pa\u00eds constru\u00eda sua identidade cultural, sendo 2 grandes marcos deste processo: a cria\u00e7\u00e3o da ABL (Academia Brasileira de Letras) em 1897, com Machado de Assis como um de seus fundadores e a Semana de Arte Moderna de 1922. Amadurecia, tamb\u00e9m, politicamente, sacudido por eventos como a Coluna Prestes de 1925, que contestava a oligarquia da Rep\u00fablica Velha, e a funda\u00e7\u00e3o do Partido Comunista do Brasil em 1922, ber\u00e7o de diversos militantes e partidos de esquerda criados neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>As mudan\u00e7as que transformavam o Brasil deram base para que em 1930 o pa\u00eds rompesse com a velha oligarquia e entrasse de fato em uma nova fase. O governo de Get\u00falio Vargas criou as bases estruturais para a expans\u00e3o da ind\u00fastria, oficializou sindicatos e criou diversas leis de prote\u00e7\u00e3o ao trabalhador. Leis que, em 1943, formaram a CLT (Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas), um marco na hist\u00f3ria do Brasil a partir do qual se constituiu a demanda para um mercado interno e os trabalhadores passaram progressivamente a serem vistos como cidad\u00e3os e n\u00e3o como escravos.<\/p>\n<p>Seu governo, no entanto, n\u00e3o ficou livre de manifesta\u00e7\u00f5es. Na d\u00e9cada de 1950 o alto custo de vida que afligia o povo motivou diversas greves. A maior delas foi a Greve dos 300 mil em 1953, que uniu diversas categorias e foi base para a cria\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de \u00edndices econ\u00f4micos no qual os trabalhadores podiam confiar: o Dieese, criado em 1955.<\/p>\n<p>Por sua pol\u00edtica econ\u00f4mica, social e trabalhista, Get\u00falio foi intensamente perseguido pelos grupos que descendiam dos coron\u00e9is do a\u00e7\u00facar e dos bar\u00f5es do caf\u00e9, organizados na UDN. As press\u00f5es pol\u00edticas o levaram ao suic\u00eddio, mas seu legado permanece at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Goulart, ministro de Vargas e pol\u00edtico pr\u00f3ximo ao movimento sindical, seria presidente em 1961, em uma \u00e9poca de grande efervesc\u00eancia social e cultural, mas tamb\u00e9m de grande tens\u00e3o pol\u00edtica. Foi a \u00e9poca do combativo CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), que semearia no operariado a aspira\u00e7\u00e3o de criar entidades nacionais.<\/p>\n<p>Dez anos depois, aquele mesmo setor que fechou o cerco em torno de Vargas deu o golpe civil-militar em mar\u00e7o de 1964, atacando prioritariamente os sindicalistas e suas entidades. Foram muitas as a\u00e7\u00f5es sindicais nos 21 anos de ditadura. As greves de Contagem e Osasco em 1968, as greves que come\u00e7aram no ABC em 1978, a Conclat de 1981, a greve geral de 1983, a participa\u00e7\u00e3o nas campanhas pelas Diretas J\u00e1 e pela Assembleia Nacional Constituinte. Mesmo sob a ditadura, os trabalhadores evolu\u00edram politicamente e quando veio a redemocratiza\u00e7\u00e3o, em 1985, estavam mais maduros para participar e fortalecer suas entidades. As centrais sindicais surgiram nesse processo.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da democracia, e mesmo com a perene influ\u00eancia daquela classe que desde o imp\u00e9rio se renova e reafirma seus interesses, conseguimos eleger em 2002 um l\u00edder oper\u00e1rio para a presid\u00eancia. Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, metal\u00fargico de S\u00e3o Bernardo, resgatou aspira\u00e7\u00f5es de crescimento com participa\u00e7\u00e3o popular.<\/p>\n<p>A exemplo dos golpes contra com Vargas e Jango, entretanto, desde 2016 vivemos em um ambiente em que a classe pol\u00edtica entreguista e colonizada trama para permanecer no poder. Tivemos parte substantiva dos nossos direitos destru\u00eddos e nossas entidades foram duramente atacadas. Chegamos ao bicenten\u00e1rio com regress\u00f5es que resgatam a mentalidade escravista, com contingentes crescentes de trabalhadores precarizados, alt\u00edssimo desemprego, subocupa\u00e7\u00e3o, informalidade, rotatividade, pobreza, mis\u00e9ria e muitas formas de desigualdade.<\/p>\n<p>Foram muitas as lutas e os eventos que merecem destaque nesses 200 anos. Nas atividades em torno desta efem\u00e9ride teremos a oportunidade de dimensionar o momento hist\u00f3rico em que vivemos, de discutir o passado e, principalmente, o futuro que queremos para o Brasil.<\/p>\n<p>Neste sentido, al\u00e9m de resgatar as lutas populares atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de artigos, atividades e debates, vamos criar uma sele\u00e7\u00e3o de 200 nomes de personalidades que nos inspiram e que valorizaram a nossa classe. Ser\u00e3o trabalhadores artistas, pol\u00edticos, intelectuais, jornalistas, estudantes, religiosos, etc., que ajudaram a formar a voca\u00e7\u00e3o humanista, solid\u00e1ria, criativa e modernista do povo brasileiro e que representam para n\u00f3s os imortais na nossa hist\u00f3ria!<\/p>\n<p>Esta sele\u00e7\u00e3o dever\u00e1 reafirmar a identidade de um povo que se formou no am\u00e1lgama de diversas origens culturais e raciais. Um povo que aqui ressignificou seus costumes e desenvolveu outros, que nas lutas de resist\u00eancia e avan\u00e7os construiu parte significativa da nossa na\u00e7\u00e3o. O Brasil \u00e9 maior e tem uma beleza que contrasta com o atraso que se instalou no Pal\u00e1cio do Planalto e 2022 ser\u00e1 um ano para uma guinada que ter\u00e1 a contribui\u00e7\u00e3o de 200 nomes que fizeram a diferente na nossa hist\u00f3ria!<\/p>\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong><em>Publicado originalmente no Poder360<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p><em>*\u00a0<strong>Adilson Ara\u00fajo<\/strong>\u00a0\u00e9 presidente da CTB.\u00a0<strong>Miguel Torres<\/strong>\u00a0\u00e9 presidente da For\u00e7a Sindical.\u00a0<strong>Ricardo Patah<\/strong>\u00a0\u00e9 presidente da UGT.\u00a0<strong>Oswaldo de Barros<\/strong>\u00a0\u00e9 presidente da Nova Central.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil completar\u00e1 200 anos como na\u00e7\u00e3o independente em 7 de setembro de 2022. 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