{"id":24573,"date":"2022-01-10T12:09:34","date_gmt":"2022-01-10T15:09:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=24573"},"modified":"2022-01-10T12:09:34","modified_gmt":"2022-01-10T15:09:34","slug":"reforma-trabalhista-midia-tradicional-defende-emprego-precario-sem-direitos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/01\/10\/reforma-trabalhista-midia-tradicional-defende-emprego-precario-sem-direitos\/","title":{"rendered":"Reforma Trabalhista: M\u00eddia tradicional defende emprego prec\u00e1rio, sem direitos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Reforma de Temer prometeu gerar 6 milh\u00f5es de empregos. Gerou desemprego em massa, trabalho sem direitos e mal remunerado. Mesmo assim, editoriais e colunistas contestam poss\u00edvel revoga\u00e7\u00e3o das medidas<\/strong><\/p>\n<p>Desde que o ex-presidente Lula elogiou a revoga\u00e7\u00e3o da\u00a0reforma trabalhista\u00a0implementada pela Espanha em 2012, a m\u00eddia tradicional e figuras do meio pol\u00edtico reagem contra uma poss\u00edvel revers\u00e3o de parte das medidas que alteraram a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista em 2017, quando foi aprovada a reforma Trabalhista do ileg\u00edtimo Michel Temer (MDB-SP), que prometia gerar 6 milh\u00f5es de empregos e acabou gerando desemprego recorde e precariza\u00e7\u00e3o do trabalho &#8211; empregos sem direitos e com sal\u00e1rios baixos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 importante que os brasileiros acompanhem de perto o que est\u00e1 acontecendo na reforma trabalhista da Espanha, onde o presidente Pedro S\u00e1nchez est\u00e1 trabalhando para recuperar direitos dos trabalhadores\u201d, tuitou Lula, que recebeu os cumprimentos do presidente do governo espanhol, Pedro S\u00e1nchez,\u00a0em postagem\u00a0na qual afirmou que as novas mudan\u00e7as s\u00e3o \u201cum exemplo de que, com di\u00e1logo e acordos, podemos construir um pa\u00eds mais justo e solid\u00e1rio\u201d.<\/p>\n<p>Na quinta-feira (6), presidentes de seis centrais sindicais tamb\u00e9m se manifestaram de forma favor\u00e1vel \u00e0 discuss\u00e3o sobre a revoga\u00e7\u00e3o de medidas que n\u00e3o trouxeram benef\u00edcios nem aos trabalhadores, nem \u00e0 economia, sem atingir os\u00a0objetivos propalados\u00a0\u00e0 \u00e9poca pelo governo de\u00a0Michel Temer. \u201cNesse per\u00edodo o desemprego\u00a0aumentou, a precariza\u00e7\u00e3o e a inseguran\u00e7a laboral se generalizaram, arrocho\u00a0salarial, pobreza e desigualdade se expandiram, trazendo crescimento\u00a0econ\u00f4mico rastejante e aumento das mazelas sociais\u201d, disseram em nota.<\/p>\n<p>No sentido contr\u00e1rio, parte da m\u00eddia tradicional vem intensificando a defesa das supostas virtudes da reforma. Em editorial publicado na edi\u00e7\u00e3o deste domingo, o jornal\u00a0O Estado de S. Paulo\u00a0ataca o PT e Lula, algo corriqueiro para o peri\u00f3dico, e defende as mudan\u00e7as de 2017. \u201cA reforma trabalhista do governo de Michel Temer \u00e9 um marco jur\u00eddico sofisticado, de raro equil\u00edbrio social e econ\u00f4mico\u201d, diz o editorial.<\/p>\n<p>J\u00e1 o jornal\u00a0Folha de S. Paulo\u00a0abriu espa\u00e7o para o pr\u00f3prio Temer, em artigo, defender sua reforma que, segundo ele \u00e9 \u201cinjustamente atacada\u201d. \u201cRessalto que o combate ao desemprego depende de emprego, e este s\u00f3 se verifica se houver empregador. N\u00e3o podemos alimentar a disputa permanente entre esses setores fundamentais para a economia nacional. Da\u00ed porque falta racionalidade \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o de que a moderniza\u00e7\u00e3o trabalhista trouxe preju\u00edzos ao trabalhador e \u00e0 economia\u201d, escreveu. Em editorial, o jornal tamb\u00e9m j\u00e1 afirmou que n\u00e3o se pode atribuir \u00e0 reforma as taxas de desocupa\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o elevadas.<br \/>\n<strong>\u00a0<\/strong><br \/>\n<strong>Ve\u00edculos de m\u00eddia n\u00e3o \u2018aprenderam nada com a desgra\u00e7a que ajudaram a produzir\u2019<\/strong><\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica n\u00e3o passou despercebida. Pelo\u00a0Twitter, o economista Uallace Moreira pontuou que \u201co mundo est\u00e1 revendo as reformas neoliberais, inclusive a trabalhista. A reforma trabalhista no Brasil \u00e9 um desastre: Precariza o mercado de trabalho e reduz a renda dos trabalhadores\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMichel Temer correu na Folha pra defender sua \u2018reforma trabalhista\u2019. S\u00f3 n\u00e3o explica onde \u00e9 que est\u00e3o os milh\u00f5es de empregos prometidos e a redu\u00e7\u00e3o de renda do povo brasileiro! S\u00f3 se deu bem empres\u00e1rio que sobrevive da explora\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra!\u201d, disse o deputado federal Carlos Zarattini (PT-SP)\u00a0em seu perfil.<\/p>\n<p>O juiz e professor universit\u00e1rio Rubens Casara tamb\u00e9m abordou o\u00a0comportamento de ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o. \u201cA defesa da reforma trabalhista, que n\u00e3o atendeu a qualquer dos objetivos declarados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o (sucesso no que toca aos objetivos ocultos), confirma que a verdade n\u00e3o \u00e9 um valor inegoci\u00e1vel para a m\u00eddia hegem\u00f4nica. N\u00e3o aprenderam nada com a desgra\u00e7a que ajudaram a produzir\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>\u201cA reforma trabalhista n\u00e3o trouxe benef\u00edcios, nem reduziu o desemprego, os n\u00fameros mostram isso. Apenas intensificou a precariza\u00e7\u00e3o e teve como objetivo beneficiar empres\u00e1rios e prejudicar trabalhadores. Bem distante da referida regula\u00e7\u00e3o \u2018justa\u2019 das rela\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas\u201d, postou a professora de Direito Penal e Criminologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),\u00a0Luciana Boiteux.<\/p>\n<p><strong>Impactos negativos da reforma trabalhista<\/strong><\/p>\n<p>Os n\u00fameros oficiais mostram a inefic\u00e1cia da reforma e diversos estudos tamb\u00e9m apontam seus resultados negativos. Em agosto de 2021, foram lan\u00e7ados\u00a0dois volumes da obra\u00a0O trabalho p\u00f3s reforma trabalhista (2017), resultado de uma parceria do centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT) e da Rede de Estudos e Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (Remir).\u00a0\u00c0 \u00e9poca,\u00a0Jos\u00e9 Dari Krein, do Instituto de Economia da Unicamp\u00a0falou \u00e0\u00a0RBA\u00a0sobre o impacto das mudan\u00e7as de 2017.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea afetou negativamente a renda do trabalho, o sistema de cr\u00e9dito. O que cresceu foram as ocupa\u00e7\u00f5es informais e por conta pr\u00f3pria. A desigualdade se acentuou. Tamb\u00e9m piorou o \u00edndice de Gini, ou seja, uma distribui\u00e7\u00e3o mais desigual do resultado do trabalho\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>Krein ressaltou ainda o hist\u00f3rico de desconstru\u00e7\u00e3o dos direitos trabalhistas no Brasil iniciado no anos 1990, prosseguindo com mais intensidade na reforma de Temer, que mudou formas de contrata\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o. As medidas ajudariam, segundo seus defensores, a formalizar contratos, dinamizar a economia, criar empregos e aumentar a produtividade. \u201cTodas essas promessas n\u00e3o foram efetuadas\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>www.cut.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reforma de Temer prometeu gerar 6 milh\u00f5es de empregos. Gerou desemprego em massa, trabalho sem direitos e mal remunerado. 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