{"id":24888,"date":"2022-01-28T15:45:53","date_gmt":"2022-01-28T18:45:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=24888"},"modified":"2022-01-28T15:45:53","modified_gmt":"2022-01-28T18:45:53","slug":"refinaria-privatizada-aumenta-precos-de-gasolina-e-diesel-mais-do-que-petrobras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/01\/28\/refinaria-privatizada-aumenta-precos-de-gasolina-e-diesel-mais-do-que-petrobras\/","title":{"rendered":"Refinaria privatizada aumenta pre\u00e7os de gasolina e diesel mais do que Petrobras"},"content":{"rendered":"<p><strong>Empresa que administra Rlam desde dezembro reajustou gasolina em 7,40% enquanto estatal subiu seu pre\u00e7o em 1,85%<\/strong><\/p>\n<p>O pre\u00e7o da gasolina e do diesel produzidos na antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em S\u00e3o Francisco do Conde (BA), subiu mais do que os vendidos pela Petrobras desde que a estatal transferiu a administra\u00e7\u00e3o da planta de produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis a uma empresa privada, a Acelen, em 1\u00ba de dezembro do ano passado.<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, o pre\u00e7o da gasolina tipo A produzida na Rlam, hoje chamada de Refinaria Mataripe, subiu 7,40%. Neste mesmo per\u00edodo, a mesma gasolina vendida para as distribuidoras pela Petrobras subiu 1,85%.<\/p>\n<p>J\u00e1 o pre\u00e7o do diesel tipo S10, menos poluente, subiu 11,72% em postos de venda da Acelen em menos de dois meses. O diesel S500 aumentou 9,72%.<\/p>\n<p>Por sua vez, a Petrobras reajustou os dois combust\u00edveis em 7,93% e 8%, respectivamente, no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/images03.brasildefato.com.br\/5a6f8a547f8d2ebfbef77086c86eebfa.jpeg\" \/><\/p>\n<p><strong>Pre\u00e7o por litro<\/strong><\/p>\n<p>Na \u00faltima vez em que reajustou combust\u00edveis vendidos a distribuidoras, no dia 12 deste m\u00eas, a Petrobras informou que passaria a vender gasolina a r$ 3,24 por litro e diesel a r$ 3,61 por litro, na m\u00e9dia.<\/p>\n<p>J\u00e1 Acelen, empresa que assumiu a Rlam, vende o litro de gasolina por r$ 3,42 e do diesel por r$ 3,62, na m\u00e9dia.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o dos combust\u00edveis pode variar por conta de quest\u00f5es regionais de produ\u00e7\u00e3o. Segundo a pr\u00f3pria Acelen, no entanto, os percentuais de reajustes aplicados nesses pre\u00e7os est\u00e3o vinculados \u00e0 cota\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no mercado internacional e ao c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Esses dois fatores tamb\u00e9m influenciam os reajustes aplicados pela Petrobras, segundo sua pol\u00edtica de paridade internacional de pre\u00e7os. Ainda assim, os aumentos em combust\u00edveis vendidos pela estatal foram menores.<\/p>\n<p>\u201cO que estamos assistindo s\u00e3o as consequ\u00eancias da privatiza\u00e7\u00e3o\u201d, analisou Deyvid Bacelar, coordenador geral da Frente \u00danica dos Petroleiros (FUP) e diretor do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA).<\/p>\n<p>\u201cPor conta do monop\u00f3lio regional privado [criado com a venda da Rlam], a Acelen promove no mercado baiano e nordestino o terceiro aumento de combust\u00edveis em detrimento dos dois reajustes da Petrobras\u201d, complementou.<\/p>\n<p>Segundo Bacelar, o \u00fanico motivo que faz a Acelen aumentar seus pre\u00e7os mais do que a Petrobras \u00e9 a busca por maiores lucros.<\/p>\n<p>\u201cEstamos tratando com um fundo de investimentos dos Emirados \u00c1rabes, que trata de recursos do fundo soberano de Abu Dhabi. Ent\u00e3o, o retorno tem que ser financeiro e imediato, custe o que custar. Se isso vai custar maiores pre\u00e7os para a popula\u00e7\u00e3o baiana e nordestina, isso n\u00e3o importa\u201d, criticou.<\/p>\n<p>A Acelen foi questionada pelo Brasil de Fato sobre a diferen\u00e7a nos reajustes aplicados pela companhia e pela Petrobras, mas n\u00e3o se pronunciou sobre o assunto. Em nota, a empresa declarou que sua \u201cpol\u00edtica de pre\u00e7o \u00e9 independente, preserva a competividade e \u00e9 amparada em crit\u00e9rios t\u00e9cnicos e transparentes\u201d.<\/p>\n<p><strong>Aumentos ao consumidor<\/strong><\/p>\n<p>O pre\u00e7o da venda de combust\u00edveis de refinarias \u00e0s distribuidoras impacta diretamente no valor da gasolina ou diesel vendidos nos postos aos consumidores. No dia 12, quando a Petrobras aumentou o litro da gasolina em r$ 0,15, chegando a r$ 3,24, na m\u00e9dia, a empresa estimou que isso aumentaria o pre\u00e7o do combust\u00edvel nas bombas em cerca de R$ 0,11.<\/p>\n<p>O aumento nas refinarias da Petrobras seria maior que nos postos, j\u00e1 que a gasolina vendida pela estatal \u00e9 misturada a uma certa quantidade de etanol antes de ser vendida nas bombas. Sobre o pre\u00e7o do combust\u00edvel comercializado pela estatal, ainda incidem impostos estaduais e federais, al\u00e9m do custo de revenda ao consumidor.<\/p>\n<p>De acordo com a Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP), na semana entre 9 e 15 de janeiro, a mesma em que a Petrobras anunciou o reajuste nos combust\u00edveis, o litro da gasolina nos postos custava, em m\u00e9dia, r$ 6,608 no pa\u00eds. Na semana seguinte, entre 16 e 22, esse mesmo litro de gasolina passou a custar, em m\u00e9dia, r$ 6,664, representando um aumento de 0,84%.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio de dezembro, a Petrobras j\u00e1 reajustou duas vezes o pre\u00e7o da gasolina vendida \u00e0s distribuidoras. Na primeira vez, no dia 15 daquele m\u00eas, a empresa reduziu o pre\u00e7o do combust\u00edvel. J\u00e1 no dia 12 de janeiro, aumentou.<\/p>\n<p>J\u00e1 a Acelen alterou sua tabela de pre\u00e7os da gasolina quatro vezes em menos de dois meses. Em 18 de dezembro, reduziu seus pre\u00e7os. J\u00e1 nos dias 1\u00ba, 15 e 22 de janeiro, aumentou.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o contestada<\/strong><\/p>\n<p>A Acelen \u00e9 a empresa criada pelo fundo Mubadala Capital, dos Emirados \u00c1rabes Unidos, o qual comprou a antiga Rlam da Petrobras, em mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n<p>A venda foi feita por r$ 1,65 bilh\u00e3o de d\u00f3lares, cerca de r$ 8,25 bilh\u00f5es \u00e0 \u00e9poca. Segundo avalia\u00e7\u00f5es do Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis Z\u00e9 Eduardo Dutra (Ineep), por\u00e9m, a refinaria valia pelo menos o dobro disso.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o elaborou tr\u00eas cen\u00e1rios para estabelecer o valor de mercado da Rlam. Nas tr\u00eas situa\u00e7\u00f5es, a venda deveria ter sido feita por 3,12 bilh\u00f5es de d\u00f3lares, 3,52 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ou 3,92 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Uma den\u00fancia sobre a venda chegou a ser feita pela Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) ao Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU). O \u00f3rg\u00e3o n\u00e3o viu irregularidades no neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>A antiga Rlam \u00e9 a primeira refinaria nacional. Foi criada em 1950, antes mesmo da funda\u00e7\u00e3o da Petrobras, em 1953.<\/p>\n<p>A planta \u00e9 capaz de produzir mais de 30 produtos diferentes, incluindo gasolina, diesel, lubrificantes e querosene de avia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 produtora nacional de uma parafina usada na ind\u00fastria de chocolates e chicletes.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Mais privatiza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A venda da Rlam faz parte do programa de desinvestimentos da Petrobras. Das 13 refinarias que a estatal tinha, oito foram postas \u00e0 venda nesse programa. A Rlam foi a primeira cuja administra\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi transferida da estatal \u00e0 iniciativa privada.<\/p>\n<p>Oficialmente, a inten\u00e7\u00e3o do governo federal \u00e9 vender as refinarias da Petrobras a outras companhias para que elas passem a concorrer com a estatal. Isso, para o governo, tende a reduzir o pre\u00e7o dos combust\u00edveis no Brasil.<\/p>\n<p>Para Bacelar, da FUP, o caso da Rlam demonstra que esse tipo de pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o reduz pre\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cA grande fal\u00e1cia era: &#8216;Vamos vender metade da capacidade de refino da Petrobras no Brasil para a gente aumentar o n\u00famero de\u00a0<em>players<\/em>, ter concorr\u00eancia estabelecida e reduzir o pre\u00e7o dos combust\u00edveis&#8217;. Agora, na Bahia, temos uma refinaria vendida em que os pre\u00e7os n\u00e3o baixaram. Muito pelo contr\u00e1rio. Est\u00e3o maiores que os pre\u00e7os praticados pela Petrobras.<\/p>\n<p>A Petrobras foi procurada para comentar sua pol\u00edtica de pre\u00e7os de combust\u00edveis, mas n\u00e3o respondeu \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p class=\"editor\">www..cut.org.br \/ Vinicius Konchinski Brasil de Fato | Curitiba (PR)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresa que administra Rlam desde dezembro reajustou gasolina em 7,40% enquanto estatal subiu seu pre\u00e7o em 1,85% O pre\u00e7o da gasolina e do diesel produzidos na antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em S\u00e3o Francisco do Conde (BA), subiu mais do que os vendidos pela Petrobras desde que a estatal transferiu a administra\u00e7\u00e3o da planta de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":24889,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[329],"class_list":["post-24888","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-politica-de-combustiveis"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24888","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24888"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24888\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24890,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24888\/revisions\/24890"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/24889"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24888"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24888"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24888"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}