{"id":25132,"date":"2022-02-14T15:02:21","date_gmt":"2022-02-14T18:02:21","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25132"},"modified":"2022-02-14T15:02:21","modified_gmt":"2022-02-14T18:02:21","slug":"especialistas-explicam-o-papel-da-educacao-no-combate-ao-racismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/02\/14\/especialistas-explicam-o-papel-da-educacao-no-combate-ao-racismo\/","title":{"rendered":"Especialistas explicam o papel da educa\u00e7\u00e3o no combate ao racismo"},"content":{"rendered":"<div class=\"title\">\n<div class=\"content-title\">\n<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"materia-title\">\n<p><strong>Segundo especialistas, o enfrentamento ao problema precisa ser constru\u00eddo a partir de um processo de reeduca\u00e7\u00e3o, e pauta deve ser inserida no senso de urg\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o, promovendo evolu\u00e7\u00e3o para todos<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<div class=\"pub-hor\">\n<div id=\"cb-publicidade-rasgado-1\">\n<p class=\"texto\">Os recentes e b\u00e1rbaros assassinatos de dois homens negros no Brasil \u2014 Durval Te\u00f3filo Filho, 38 anos, morto na porta de casa ao ser confundido com um bandido, e o congol\u00eas Mo\u00efse Kabagambe, 24 anos, espancando at\u00e9 a morte por cerca de 15 minutos \u2014 refletem uma situa\u00e7\u00e3o que acontece em todo pa\u00eds e s\u00e3o fruto de uma educa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es raciais que precisa ser reconstru\u00edda. \u00c9 o que indicam especialistas consultados pelo Correio, que apontam que a pauta racial deve estar dentro do senso de urg\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o, para que haja evolu\u00e7\u00e3o e igualdade.<\/p>\n<p class=\"texto\">O diretor-presidente da Escola do Parlamento, Alexsandro Santos, explica que os temas do racismo e da educa\u00e7\u00e3o se cruzam em tr\u00eas espa\u00e7os. &#8220;Primeiro, quando a gente compreende que o enfrentamento do racismo precisa ser constru\u00eddo a partir de um processo de reeduca\u00e7\u00e3o das nossas rela\u00e7\u00f5es raciais. A sociedade brasileira precisa aprender sobre o que s\u00e3o rela\u00e7\u00f5es sociais e sobre como a gente pode desenhar as rela\u00e7\u00f5es raciais de igualdade&#8221;, explica.<\/p>\n<p class=\"texto\">Isso acontece porque a hist\u00f3ria do Brasil deixou sequelas profundas de desigualdades que acompanham a sociedade at\u00e9 hoje. Prova disso \u00e9 que o risco que uma pessoa negra tem de ser assassinada no pa\u00eds \u00e9 maior que o de uma pessoa n\u00e3o negra. A \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do Atlas da Viol\u00eancia \u2014 levantamento elaborado pelo F\u00f3rum Brasileiro de Seguran\u00e7a P\u00fablica em parceria com o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e o Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) \u2014 revelou que o risco de um negro ser assassinado \u00e9 2,6 vezes superior ao de uma pessoa n\u00e3o negra no Brasil.<\/p>\n<p class=\"texto\">O caso de Durval Te\u00f3filo Filho reflete os dados, j\u00e1 que o repositor de supermercado foi morto pelo pr\u00f3prio vizinho, na porta de casa, em S\u00e3o Gon\u00e7alo, no Rio de Janeiro, na \u00faltima semana, por ter sido confundido com um ladr\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para o professor Nelson Fernando Inoc\u00eancio da Silva, do N\u00facleo de Estudos Afro-Brasileiros da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), casos como o de Durval s\u00e3o mais um exemplo da constru\u00e7\u00e3o racial desigual brasileira. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o racial no Brasil tem esse aspecto que \u00e9 de uma constante procrastina\u00e7\u00e3o, por exemplo, ao debate e \u00e0 discuss\u00e3o em n\u00edvel nacional. N\u00f3s aprendemos a conviver na desigualdade. Os negros como servi\u00e7ais e os brancos como aqueles que mandam. Isso tem que acabar. Porque \u00e9 esse racioc\u00ednio que fez com que aquele senhor assassinasse o Durval. Ele n\u00e3o tinha motivo nenhum para cometer esse crime. O fez por qu\u00ea? Porque ele seguiu esse racioc\u00ednio. E ele n\u00e3o est\u00e1 sozinho. Isso \u00e9 uma cultura&#8221;, afirma.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para desconstruir esse aprendizado de rela\u00e7\u00f5es raciais, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como um dos principais pilares e, segundo os especialistas, o combate ao racismo deve ser parte estrutural de um projeto educacional. Alexsandro Santos, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisador e ativista das rela\u00e7\u00f5es raciais no Brasil, explica que a educa\u00e7\u00e3o e o racismo se cruzam quando observamos as desigualdades educacionais do pa\u00eds. &#8220;A gente tem dados que mostram que o racismo e a educa\u00e7\u00e3o no Brasil andam juntos, e que o racismo impacta na garantia do direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o das pessoas negras&#8221;, pontua.<\/p>\n<h3>Desigualdade na escola<\/h3>\n<p class=\"texto\">Um levantamento feito pela ONG Todos pela Educa\u00e7\u00e3o, divulgado esta semana, apontou que o crescimento de crian\u00e7as n\u00e3o alfabetizadas foi maior entre alunos negros e pardos do que em estudantes brancos. O estudo, feito com base nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad Cont\u00ednua), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), indicou que os percentuais de crian\u00e7as pretas e pardas de 6 e 7 anos de idade que n\u00e3o sabiam ler e escrever passaram de 28,8% e 28,2% em 2019 para 47,4% e 44,5% em 2021, respectivamente. Enquanto o aumento do \u00edndice de n\u00e3o alfabetiza\u00e7\u00e3o em crian\u00e7as brancas foi menor. De 20,3% para 35,1% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p class=\"texto\">Segundo Santos, ainda que a presen\u00e7a de negros e brancos seja equilibrada nos primeiros anos da vida escolar, conforme os anos de escolariza\u00e7\u00e3o avan\u00e7am, \u00e9 que a desigualdade vai se manifestando. &#8220;Ent\u00e3o, eu tenho um come\u00e7o que \u00e9 mais ou menos equitativo, mas uma trajet\u00f3ria escolar que prejudica as crian\u00e7as negras&#8221;, pontua. Por isso, para ele, al\u00e9m de pagar uma d\u00edvida hist\u00f3rica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 garantia de educa\u00e7\u00e3o das pessoas negras, a\u00e7\u00f5es afirmativas, que garantem a presen\u00e7a de negros nos espa\u00e7os de escolariza\u00e7\u00e3o, s\u00e3o importantes para dar a esta popula\u00e7\u00e3o uma ferramenta para ascens\u00e3o social.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Quando eu invisto na perman\u00eancia das pessoas negras dentro da escola, e depois eu invisto no acesso das pessoas negras ao ensino superior, eu estou entregando para as pessoas negras uma ferramenta poderosa para sua ascens\u00e3o social e para a garantia de outros direitos. Uma pessoa negra com mais escolaridade tem menos chances de ser discriminada no mercado de trabalho, tem menos chances de ser capturada por redes de criminalidade. Ent\u00e3o, o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o abre a porta para outros direitos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>www.correiobraziliense.com.br\/ Maria Eduarda Cardim\/Gabriela Bernardes<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo especialistas, o enfrentamento ao problema precisa ser constru\u00eddo a partir de um processo de reeduca\u00e7\u00e3o, e pauta deve ser inserida no senso de urg\u00eancia da educa\u00e7\u00e3o, promovendo evolu\u00e7\u00e3o para todos Os recentes e b\u00e1rbaros assassinatos de dois homens negros no Brasil \u2014 Durval Te\u00f3filo Filho, 38 anos, morto na porta de casa ao ser [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25133,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[308],"class_list":["post-25132","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-contra-o-racismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25132","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25132"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25132\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25134,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25132\/revisions\/25134"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25133"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25132"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25132"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25132"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}