{"id":25263,"date":"2022-02-23T11:07:25","date_gmt":"2022-02-23T14:07:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25263"},"modified":"2022-02-23T11:08:18","modified_gmt":"2022-02-23T14:08:18","slug":"artigo-os-nao-vacinados-que-morrem-e-matam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/02\/23\/artigo-os-nao-vacinados-que-morrem-e-matam\/","title":{"rendered":"Artigo &#8211; Os n\u00e3o-vacinados que morrem e matam"},"content":{"rendered":"<p><strong>N\u00fameros da Covid computados na semana passada no Brasil mostravam uma situa\u00e7\u00e3o aparentemente contradit\u00f3ria e merecedora de mais detalhamento e esclarecimento por parte da m\u00eddia, inclusive a alternativa.<\/strong><\/p>\n<p>Segundo essas contas, o n\u00famero de mortes pela Covid voltava a passar de mil por dia, chegando a quase 1.300 na quarta-feira. Ao mesmo tempo ca\u00eda em S\u00e3o Paulo o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es e no Rio o de interna\u00e7\u00f5es e procura de testes. Enquanto isso, o total de vacinados no pa\u00eds encalhava em sucessivas e insignificantes fra\u00e7\u00f5es de 70%.<\/p>\n<p>Uma dedu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel desse conjunto de n\u00fameros seria a seguinte: se a Covid est\u00e1 matando mais de mil pessoas por dia e se esse total chegou a quase 1.300, enquanto cai o n\u00famero de interna\u00e7\u00f5es e de procura por testes, s\u00f3 pode ser porque esses mortos n\u00e3o estavam vacinados ou n\u00e3o tinham procurado a segunda ou a terceira dose da vacina.<\/p>\n<p>Outros n\u00fameros confirmavam nesse momento que pelo menos 85% dos leitos de hospital ocupados por doentes de Covid estavam entregues a pacientes n\u00e3o vacinados.<\/p>\n<p>Outra dedu\u00e7\u00e3o permiss\u00edvel seria a de que esses mortos n\u00e3o se limitavam a morrer. Eles tamb\u00e9m matavam, porque podiam ter contaminado outras pessoas, provavelmente pessoas tamb\u00e9m n\u00e3o vacinadas, que teriam o potencial macabro de contaminar outras mais, num ciclo infernal de transmiss\u00e3o multiplicada da variante \u00f4micron.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de submeterem a maioria de 70% de vacinados aos riscos do cont\u00e1gio, esses 30% de n\u00e3o vacinados ocupam todos os hospitais do SUS e seus leitos de UTI que poderiam estar dispon\u00edveis para outros casos, t\u00e3o ou mais urgentes que os de Covid.<\/p>\n<p>Transposta para o universo pol\u00edtico, essa situa\u00e7\u00e3o configuraria um quadro de fato: um pa\u00eds literalmente governado pela minoria insensata de seus 30% de n\u00e3o-vacinados, ao colocar em risco permanente e desnecess\u00e1rio a maioria de 70% dos vacinados.<\/p>\n<p>Esse quantitativo de 30% corresponde de certo modo \u00e0s melhores expectativas eleitorais do bolsonarismo e de Bolsonaro e acentua ainda mais o paralelismo entre o \u201cgoverno\u201d de fato dos 30% de n\u00e3o-vacinados e o governo legal de Bolsonaro, que sabota de todos os modos a vacina\u00e7\u00e3o e todas as outras medidas contra a Covid.<\/p>\n<p>Felizmente outros n\u00fameros mostravam nesse momento que a Covid perdia terreno no Brasil, embora fosse ainda muito prematuro afrouxar na cobran\u00e7a da vacina\u00e7\u00e3o e de outras medidas de acautelamento.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes continuava p\u00e9ssima, 85% maior que duas semanas antes \u2013 mortes que em pelo menos outros 85% dos casos atingiam pacientes n\u00e3o-vacinados. Ou seja, a Covid matava cada vez mais pessoas n\u00e3o-vacinadas. Mas a m\u00e9dia m\u00f3vel de novos casos tivera em 14 dias uma redu\u00e7\u00e3o de 20%. Ou seja, a vacina\u00e7\u00e3o mostrava resultados e reduzia o n\u00famero de pessoas contaminadas.<\/p>\n<p>Esses resultados seriam muito menores se o governo legal de Bolsonaro n\u00e3o se acumpliciasse tanto com o \u201cgoverno\u201d real da minoria antivacina na sabotagem da luta contra a Covid. Tal parceria tem a refor\u00e7\u00e1-la a estrat\u00e9gia eleitoral de Bolsonaro, de seu gabinete do \u00f3dio, de suas mil\u00edcias digitais e dos idiotas criminosos que agora se valem dos recursos da internet para sauda\u00e7\u00f5es nazistas e para a defesa do que consideram liberdade de express\u00e3o e n\u00e3o passa de uma escalada suicida no rumo da liquida\u00e7\u00e3o futura da democracia e de todas as liberdades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A prevalecer e avan\u00e7ar essa permissividade criminosa que tudo justifica e perdoa em nome de um suposto direito de tudo dizer e fazer, o pr\u00f3prio C\u00f3digo Penal teria de ser revogado para n\u00e3o sancionar os piores comportamentos.<\/p>\n<p>Fomos na verdade mergulhados numa situa\u00e7\u00e3o em que a mentira funciona como instrumento pol\u00edtico e eleitoral consentido e arrasta atr\u00e1s de si toda a trag\u00e9dia da Covid. Em nome de uma reelei\u00e7\u00e3o cada vez mais distante, Bolsonaro tenta conseguir que se repita o que aconteceu em 2018, o ano de sua elei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na noite daquela elei\u00e7\u00e3o, o caudal de mentiras, viol\u00eancia e \u00f3dio despejado ao longo da campanha culminou em Salvador com o assassinato do Mestre Moa, um capoeirista querido e inofensivo, apenas por ter dito que n\u00e3o votara em Bolsonaro. Nesta campanha vamos ter um novo Mestre Moa, al\u00e9m dos mortos da Covid?<\/p>\n<p>www.brasilpopular.com \/Jos\u00e9 Augusto Ribeiro \u2013 jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma hist\u00f3ria das Constitui\u00e7\u00f5es do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constitui\u00e7\u00e3o (1988); e Curitiba, a Revolu\u00e7\u00e3o Ecol\u00f3gica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.<\/p>\n<p>www.brasilpopular.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00fameros da Covid computados na semana passada no Brasil mostravam uma situa\u00e7\u00e3o aparentemente contradit\u00f3ria e merecedora de mais detalhamento e esclarecimento por parte da m\u00eddia, inclusive a alternativa. Segundo essas contas, o n\u00famero de mortes pela Covid voltava a passar de mil por dia, chegando a quase 1.300 na quarta-feira. 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