{"id":25428,"date":"2022-03-07T11:51:51","date_gmt":"2022-03-07T14:51:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25428"},"modified":"2022-03-07T11:51:51","modified_gmt":"2022-03-07T14:51:51","slug":"8-de-marco-levara-as-ruas-a-luta-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/03\/07\/8-de-marco-levara-as-ruas-a-luta-pelo-fim-da-violencia-contra-a-mulher\/","title":{"rendered":"8 de mar\u00e7o levar\u00e1 \u00e0s ruas a luta pelo fim da viol\u00eancia contra a mulher"},"content":{"rendered":"<p><strong>Movimentos de mulheres priorizam o combate \u00e0 viol\u00eancia. Procuradora do MPT fala sobre alguns dos motivos que explicam aumento dos n\u00fameros de casos nos \u00faltimos anos<\/strong><\/p>\n<p>Pauta priorit\u00e1ria dos movimentos feministas, o fim da viol\u00eancia contra a mulher, que envolve tanto a quest\u00e3o de g\u00eanero como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, ser\u00e1 bandeira principal das manifesta\u00e7\u00f5es programadas para o 8 de Mar\u00e7o &#8211; Dia Internacional da Mulher \u2013 deste ano. O evento volta a ser realizado presencialmente nas ruas de v\u00e1rias cidades, depois de dois anos de pandemia\u00a0<strong><em>(Veja abaixo locais onde atos est\u00e3o confirmados)<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Conclu\u00edda no final de 2021, uma pesquisa de opini\u00e3o realizada pelo Instituto DataSenado em parceria com Observat\u00f3rio da Viol\u00eancia Contra a Mulher, mostrou que 86% das mulheres brasileiras perceberam um aumento da viol\u00eancia contra elas no ano passado. O n\u00famero \u00e9 4% maior que em 2020.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com a pesquisa, que ouviu tr\u00eas mil pessoas entre 14 de outubro e 5 de novembro de 2021, cerca de 68% das pessoas entrevistadas conhecem alguma v\u00edtima e 27% declararam j\u00e1 ter sofrido este tipo de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 uma entre as muitas realizadas durante o per\u00edodo de pandemia que comprovam o aumento da viol\u00eancia tendo com uma das causas os efeitos do isolamento social e da crise sanit\u00e1ria. \u201cA experi\u00eancia mostra que em crises econ\u00f4micas, sociais e sanit\u00e1rias as mulheres s\u00e3o v\u00edtimas de viol\u00eancia de g\u00eanero e de viol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d, afirma a procuradora regional do Trabalho (MPT), Adriane Reis de Ara\u00fajo.<\/p>\n<p>Durante o per\u00edodo mais cr\u00edtico da pandemia, ela diz, houve um encolhimento significativo do mercado de trabalho e tinham mais mulheres desempregadas do que trabalhando. E a depend\u00eancia econ\u00f4mica da mulher \u00e9 um fator que contribui para o aumento dos casos, explica a procuradora.<\/p>\n<p>Outro fator apontado por Adriana, que tamb\u00e9m \u00e9 coordenadora nacional de Promo\u00e7\u00e3o de Igualdade de Oportunidades (Coordigualdade) do MPT, \u00e9 que houve uma dificuldade no in\u00edcio da pandemia em denunciar os casos e as vozes das mulheres foram, de certa forma, silenciadas.<\/p>\n<p>\u201cQuando um homem percebe que a mulher n\u00e3o tem para onde correr, n\u00e3o tem como denunciar e se proteger, ele abusa ainda mais da viol\u00eancia contra ela\u201d, acrescenta a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Jun\u00e9ia Batista. Segundo ela, a opress\u00e3o machista se d\u00e1 principalmente desta forma.<\/p>\n<p>\u201cE na pandemia, com o isolamento, as mulheres ficaram sem emprego e presas dentro de casa com seus agressores, isso aconteceu muito\u201d, diz Juneia.<\/p>\n<p>A pesquisa do DataSenado mostrou que ao menos 18% das mulheres agredidas convivem com o agressor e para 75% o medo leva a mulher a n\u00e3o denunciar. Este cen\u00e1rio foi potencializado com a pandemia.<\/p>\n<p>Adriana Reis de Ara\u00fajo, explica que \u201chouve o fechamento das estruturas da rede de prote\u00e7\u00e3o, mas depois, veio a reabertura desses canais, a den\u00fancia on-line, al\u00e9m do pr\u00f3prio MPT, e isso possibilitou o aumento da prote\u00e7\u00e3o e contribuiu para reduzir a subnotifica\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Paralelamente, uma forma de rea\u00e7\u00e3o \u00e9 quando, ao perceber que n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas v\u00edtimas, que h\u00e1 outras mulheres na mesma situa\u00e7\u00e3o, elas se unem e buscam ajuda. \u201c\u00c9 um quadro que decorre do momento econ\u00f4mico social e sanit\u00e1rio, mas tamb\u00e9m do acesso \u00e0 possiblidade de den\u00fancia, remota inclusive, e do empoderamento das mulheres por meio de grupos que orientam a denuncia\u201d, afirma a procuradora do MPT.<\/p>\n<h4><strong>Rea\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>O 8 de mar\u00e7o deste ano refor\u00e7a a luta das mulheres contra a viol\u00eancia em todos os espa\u00e7os &#8211; em casa, nas ruas, no trabalho, no ambiente virtual, enfim em todos os setores da sociedade. E quando se amplia essa \u00e1rea onde a mulher \u00e9 diariamente oprimida, de diversas formas, seja f\u00edsica, psicol\u00f3gica, econ\u00f4mica, patrimonial, entre outras, n\u00e3o se pode deixar de levar em considera\u00e7\u00e3o que o Brasil \u00e9 um pa\u00eds cuja sociedade \u00e9 patriarcal.<\/p>\n<p>\u00c9 isso o que mostra a pesquisa do DataSenado. Para 71% das mulheres, o Brasil \u00e9 um pa\u00eds machista. Jun\u00e9ia Batista refor\u00e7a que essa caracter\u00edstica \u00e9 respons\u00e1vel pela viol\u00eancia contra a mulher e afirma que desde o golpe de 2016, contra a presidenta Dilma Rousseff, com especial destaque ao per\u00edodo do governo Bolsonaro, as consequ\u00eancias do machismo se agravaram.<\/p>\n<p>\u201cJair Bolsonaro \u00e9 o centro desse problema. Sua conduta mis\u00f3gina e violenta faz com seus apoiadores e outros homens se sintam legitimados em achar que ser machista \u00e9 correto, sentem que \u00e9 natural e bonito provar masculinidade e virilidade destratando, violentando e agredindo as mulheres. E isso, n\u00e3o vamos permitir\u201d, diz a dirigente, alertando que este ano, nas elei\u00e7\u00f5es, unidasm as mulheres podem banir do mapa Bolsonaro e seus seguidores.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Precisa ficar claro que n\u00e3o podemos admitir nunca mais nas nossas vidas eleger um neonazista, um fascista como Bolsonaro. Por isso, \u00e9 importante que este ano pensemos bem na hora do voto. Temos que varrer do mapa o machismo, a homofobia e o racismo praticados pelo governo Bolsonaro<\/p>\n<footer>&#8211; Jun\u00e9ia Batista<\/footer>\n<\/blockquote>\n<h4>\n<strong>Educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>A procuradora regional do Trabalho Adriana Reis de Ara\u00fajo complementa dizendo que a elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia contra a mulher se d\u00e1 por meio de pol\u00edticas p\u00fablicas espec\u00edficas na perspectiva de g\u00eanero e passam pela reformula\u00e7\u00e3o dos conceitos machistas da sociedade.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>A elimina\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia caminha por meio da educa\u00e7\u00e3o. A defini\u00e7\u00e3o de papeis sociais r\u00edgidos para homens e mulheres na sociedade contribui para a forma\u00e7\u00e3o da mentalidade que fundamenta a viol\u00eancia de g\u00eanero e a viol\u00eancia dom\u00e9stica<\/p>\n<footer>&#8211; Adriana Reis de Ara\u00fajo<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Ela afirma que \u00e9 preciso rever esses pap\u00e9is e incentivar que os homens participem do trabalho de cuidados dentro de casa, da divis\u00e3o de tarefas. Mas tamb\u00e9m \u00e9 importante aumentar a rede de prote\u00e7\u00e3o a elas e ampliar o alcance das informa\u00e7\u00f5es pela sociedade sobre que \u00e9 \u2013 e como \u00e9 \u2013 a viol\u00eancia contra a mulher e sobre os canais de den\u00fancia.<\/p>\n<p>\u201cNo MPT, n\u00f3s incentivamos as empresas a adotarem a\u00e7\u00f5es afirmativas para que as mulheres tenham igualdade de oportunidades e salarial. Isso reduz a situa\u00e7\u00e3o de empobrecimento e n\u00e3o apenas distribui melhor a riqueza como tamb\u00e9m d\u00e1 maior visibilidade \u00e0 mulher na carreira\u201d diz Adriana explicando que esses fatores contribuem para modificar a compreens\u00e3o da divis\u00e3o social dos pap\u00e9is de homens e mulheres e possibilita alcan\u00e7ar uma igualdade melhor<\/p>\n<h4><strong>Atos<\/strong><\/h4>\n<p>Os atos do 8 de mar\u00e7o deste ano cujo lema \u00e9 \u201cPela vida das mulheres, contra a fome, o desemprego e a carestia \u2013 Bolsonaro Nunca Mais!\u201d, segundo a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, ser\u00e3o emblem\u00e1ticos. \u201c Os maiores que faremos\u201d, diz Jun\u00e9ia.<\/p>\n<p><strong>Bahia<\/strong><\/p>\n<p>Em Salvador, ter\u00e1 caminhada do Campo Grande a Pra\u00e7a da Piedade \u00e0s 14h. Tamb\u00e9m est\u00e1 prevista a distribui\u00e7\u00e3o de marmitas em frente a C\u00e2mara municipal de Salvador (hor\u00e1rio a definir), simbolizando a fome.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Andre Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Movimentos de mulheres priorizam o combate \u00e0 viol\u00eancia. Procuradora do MPT fala sobre alguns dos motivos que explicam aumento dos n\u00fameros de casos nos \u00faltimos anos Pauta priorit\u00e1ria dos movimentos feministas, o fim da viol\u00eancia contra a mulher, que envolve tanto a quest\u00e3o de g\u00eanero como a viol\u00eancia dom\u00e9stica, ser\u00e1 bandeira principal das manifesta\u00e7\u00f5es programadas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25429,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[360],"class_list":["post-25428","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-8-de-marco-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25428","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25428"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25428\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25430,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25428\/revisions\/25430"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25428"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25428"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25428"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}