{"id":25434,"date":"2022-03-07T12:00:27","date_gmt":"2022-03-07T15:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25434"},"modified":"2022-03-07T12:00:27","modified_gmt":"2022-03-07T15:00:27","slug":"as-crises-economica-e-social-pesam-mais-no-bolso-das-mulheres-economista-analisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/03\/07\/as-crises-economica-e-social-pesam-mais-no-bolso-das-mulheres-economista-analisa\/","title":{"rendered":"As crises econ\u00f4mica e social pesam mais no bolso das mulheres? Economista analisa"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Isabela Mendes afirma que a alta no pre\u00e7o do g\u00e1s, energia e alimentos impacta mais as brasileiras, sobretudo as negras<\/strong><\/p>\n<p>O Brasil tem experimentado um significativo\u00a0descompasso entre o custo de vida da popula\u00e7\u00e3o e o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo. De um lado,\u00a0as tarifas de \u00e1gua, g\u00e1s e energia aumentaram drasticamente, al\u00e9m do pre\u00e7o dos alimentos, que vem batendo recordes. Do outro, o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, em 2022, foi de 10,2%, o que, na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas do setor, representa um reajuste insignificante diante da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 tudo muito caro. A cada dia que a gente vai ao supermercado, \u00e9 uma surpresa. Sacol\u00e3o, outra surpresa.\u00a0Carne, nem se fala\u201d, espanta-se Luciene Aparecida Rodrigues, trabalhadora informal que mora em Belo Horizonte. N\u00e3o \u00e9 para menos. Na capital de Minas Gerais, de acordo com o Mercado Mineiro, os consumidores podem ter que desembolsar at\u00e9 R$ 9,90 para comprar um quilo de tomate e R$ 19,90 para comprar um quilo de jil\u00f3.<\/p>\n<p>Como trabalha fazendo bolo por encomenda, Luciene compra, em m\u00e9dia, dois botij\u00f5es de g\u00e1s por m\u00eas. E esse foi um dos grandes vil\u00f5es do or\u00e7amento dom\u00e9stico, com um reajuste anual de 36,99%. Mas o g\u00e1s n\u00e3o est\u00e1 sozinho:\u00a0a energia aumentou 21,1%;\u00a0o transporte, 21,03%; e a gasolina quase dobrou de pre\u00e7o e aumentou 47,49%.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Elas s\u00e3o maioria no mercado informal<\/strong><\/p>\n<p>As mulheres foram fortemente afetadas pela deteriora\u00e7\u00e3o que o mercado de trabalho vem sofrendo desde 2020. \u201cEu n\u00e3o tinha ocupa\u00e7\u00e3o nenhuma, porque eu era faxineira e, como fechou tudo, perdi minha renda. Ent\u00e3o, comecei a fazer m\u00e1scaras. E agora eu vendo cosm\u00e9ticos, conserto roupas e fa\u00e7o bolo por encomenda\u201d, conta Luciene.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia de covid-19 no Brasil, em mar\u00e7o de 2020, uma parte expressiva das brasileiras perdeu sua ocupa\u00e7\u00e3o e &#8220;muitas nem buscaram uma nova inser\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c9 o que aponta os dados da\u00a0Pesquisa Nacional de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad\u00a0Cont\u00ednua) de 2020, realizada pelo\u00a0Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese).<\/p>\n<p>De acordo com a entidade, entre o terceiro trimestre de 2019 e 2020, 8,6 milh\u00f5es de brasileiras deixaram o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>O \u00edndice de desemprego no pa\u00eds atingiu 11,1%. As mulheres s\u00e3o a maioria entre os brasileiros desempregados, em empregos informais, precarizados ou sem prote\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m disso, os rendimentos das mulheres s\u00e3o em torno de 75% daquilo que ganha um homem n\u00e3o negro. J\u00e1 as mulheres negras\u00a0chegam a receber 47% da remunera\u00e7\u00e3o paga para um homem branco\u201d, explica a economista Isabela Mendes.<\/p>\n<p>Isabela ressalta que a instabilidade econ\u00f4mica somada \u00e0 aus\u00eancia de pol\u00edticas sociais\u00a0tamb\u00e9m coloca as mulheres em vulnerabilidade social, com maior chance de vivenciar situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>\u201cA implementa\u00e7\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia, por exemplo, que tinha como prioridade a titularidade das mulheres, teve um grande impacto no n\u00famero de div\u00f3rcios no Brasil e, consequentemente, no \u00edndice de viol\u00eancia dom\u00e9stica\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201cAo contr\u00e1rio do Bolsa Fam\u00edlia, o Aux\u00edlio Brasil n\u00e3o \u00e9 permanente, acaba em dezembro de 2022 e depois o cen\u00e1rio \u00e9 de completa instabilidade&#8221;, lamenta a especialista.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Sem apoio do governo<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO aux\u00edlio do governo n\u00e3o est\u00e1 sendo suficiente para suprir as necessidades. Tudo aumentou muito. N\u00e3o est\u00e1 sendo nada f\u00e1cil sobreviver nesta pandemia. Estou passando por dificuldades para manter minhas filhas\u201d, relata Taciane Cristina. Ela, que \u00e9 m\u00e3e de cinco filhas, critica a falta de apoio do governo para a popula\u00e7\u00e3o mais pobre do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Moradora da Pedreira Prado Lopes, um dos maiores aglomerados de Belo Horizonte, cotidianamente presencia o sofrimento que as mulheres da periferia t\u00eam enfrentado. \u201cQue as pr\u00f3ximas pessoas eleitas cumpram as promessas e de fato olhem para o povo&#8221;, anseia a dona de casa.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Isabela Mendes, no curto prazo, as perspectivas n\u00e3o s\u00e3o animadoras. \u201c2022 deve seguir neste mesmo cen\u00e1rio, porque o conjunto de fatores que nos trouxe at\u00e9 aqui se mant\u00e9m. \u00c9 reflexo de um governo que abandonou completamente o compromisso com a vida dos brasileiros, sobretudo das mulheres\u201d, considera.<\/p>\n<p>Para a economista, a receita para reverter o atual cen\u00e1rio das brasileiras \u201cobrigatoriamente\u201d tem que ter como ingredientes pol\u00edticas de gera\u00e7\u00e3o de empregos de qualidade, solu\u00e7\u00f5es coletivas para os cuidados, como o aumento no n\u00famero de creches, hospitais e escolas, pol\u00edticas de assist\u00eancia social e de combate \u00e0 viol\u00eancia.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Am\u00e9lia Gomes<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Isabela Mendes afirma que a alta no pre\u00e7o do g\u00e1s, energia e alimentos impacta mais as brasileiras, sobretudo as negras O Brasil tem experimentado um significativo\u00a0descompasso entre o custo de vida da popula\u00e7\u00e3o e o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo. 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