{"id":25515,"date":"2022-03-11T09:59:31","date_gmt":"2022-03-11T12:59:31","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25515"},"modified":"2022-03-11T09:59:31","modified_gmt":"2022-03-11T12:59:31","slug":"baianos-pagam-ate-35-a-mais-por-combustiveis-depois-de-privatizacao-da-refinaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/03\/11\/baianos-pagam-ate-35-a-mais-por-combustiveis-depois-de-privatizacao-da-refinaria\/","title":{"rendered":"Baianos pagam at\u00e9 35% a mais por combust\u00edveis depois de privatiza\u00e7\u00e3o da refinaria"},"content":{"rendered":"<p><strong>120 dias ap\u00f3s privatiza\u00e7\u00e3o, grupo \u00e1rabe que comprou a Rlam aumentou os pre\u00e7os dos combust\u00edveis acima dos praticados pela Petrobras. Petroleiros alertaram que a popula\u00e7\u00e3o pagaria pelo preju\u00edzo da venda<\/strong><\/p>\n<p>O povo baiano j\u00e1 est\u00e1 pagando caro pela privatiza\u00e7\u00e3o da antiga Refinaria Landulpho Alves (Rlam), comprovando o que a CUT e os petroleiros sempre alertaram: a iniciativa privada quer comprar estatais lucrativas a pre\u00e7o de banana, demitir trabalhadores e reajustar abusivamente os pre\u00e7os dos produtos e servi\u00e7os para lucrar cada vez mais.<\/p>\n<p>A refinaria, que agora se chama Acelen e pertence ao grupo \u00e1rabe Mubadala, vem praticando reajustes maiores do que os da Petrobras desde o ano passado, quando assumiu a unidade, e o povo baiano est\u00e1 pagando, em m\u00e9dia, R$ 8 pelo litro da gasolina, R$ 7,50 pelo do diesel e R$ 120,00 pelo botij\u00e3o de 13 quilos do g\u00e1s de cozinha.<\/p>\n<p>Desde a venda da refinaria, em 1\u00ba de dezembro do ano passado, os pre\u00e7os praticados pela empresa para a gasolina est\u00e3o 26,8% mais caros do que os da Petrobras; o diesel 35,12% e o g\u00e1s de cozinha 8,17%, acima dos da estatal.<\/p>\n<p>Com esses reajustes, os trabalhadores que precisam do carro para trabalhar ou desistem e v\u00e3o fazer bicos ou apertam os cintos em casa enquanto puderem. Este \u00e9 o caso do motorista escolar, Tadeu Silva Santos<strong>,<\/strong>\u00a0de 47 anos, h\u00e1 sete trabalhando no setor.<\/p>\n<p>\u201cDe outubro a dezembro do ano passado eu gastava em m\u00e9dia R$ 300 por semana para encher o tanque de diesel, agora fica entre R$ 500 e R$ 550. Resumindo, gasto um real para cada quil\u00f4metro rodado\u201d, diz Tadeu.<\/p>\n<p>\u201cIsto significa gastar quase metade do meu ganho de R$ 5 mil ao m\u00eas com combust\u00edveis, j\u00e1 que em quatro semanas, o valor pago chega a R$ 2.200\u201d, complementa Tadeu fazendo as contas dos seus gastos com diesel.<\/p>\n<p><strong>Estudo confirma que baianos s\u00e3o os mais afetados<\/strong><\/p>\n<p>Um levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), a pedido do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), a partir dos pre\u00e7os cobrados pela Acelen de 1\u00ba de dezembro de 2020, data da venda, at\u00e9 a \u00faltima quarta-feira (9\/3), confirma a discrep\u00e2ncia dos percentuais de reajustes praticados entre as refinarias mais pr\u00f3ximas da Bahia: a de Minas Gerais e de Pernambuco, ambas da Petrobras.<\/p>\n<h4><strong>Compare:<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Gasolina A Petrobras<\/strong><\/p>\n<p>Ipojuca (PE) &#8211; 1,90%<\/p>\n<p>Betim (MG) &#8211; 1,80%<\/p>\n<p>Acelen &#8211; S\u00e3o Francisco do Conde (BA)\u00a0<strong>&#8211; 28,69%<\/strong><\/p>\n<p><strong>Diesel S10 Petrobras<\/strong><\/p>\n<p>Ipojuca (PE) &#8211; 1,98%<\/p>\n<p>Betim (MG) &#8211; 1,80%<\/p>\n<p>Acelen &#8211; S\u00e3o Francisco do Conde (BA) &#8211;\u00a0<strong>36,92%<\/strong><\/p>\n<p><strong>GLP Petrobras \u2013<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o houve reajuste no per\u00edodo na Petrobras.<\/p>\n<p>Ipojuca (PE) &#8211; Zero<\/p>\n<p>Betim (MG) &#8211; Zero<\/p>\n<p>Acelen &#8211; S\u00e3o Francisco do Conde (BA) &#8211;\u00a0<strong>8,17%<\/strong><\/p>\n<p>O resultado 120 dias ap\u00f3s a venda \u00e9 um total descompasso com a realidade do que pode pagar o povo baiano pelos combust\u00edveis, afirma o presidente do Sindipetro-BA, Radiovaldo Costa. Segundo ele, o levantamento mostra que a Pol\u00edtica de Pre\u00e7os de Paridade Internacional (PPI) praticado pela Petrobras, que j\u00e1 era nociva \u00e0 popula\u00e7\u00e3o brasileira, com a Acelen ficou pior.<\/p>\n<p>Os avisos do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), da Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) e da CUT de que a venda da Rlam e das outras refinarias seriam extremamente prejudiciais aos brasileiros foram muitos, mas em sua sanha privatista, o governo de Jair Bolsonaro (PL) n\u00e3o se importou em entregar a estatal a um grupo estrangeiro, e ainda\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/venda-da-rlam-e-crime-contra-o-brasil-a-economia-da-regiao-e-o-nordeste-diz-fup-86b1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pela metade do pre\u00e7o do mercado<\/a>.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA privatiza\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pior que do que a gente j\u00e1 anunciava que seria. Nessa linha, a Acelen vai quebrar a economia da Bahia. Com os aumentos dos combust\u00edveis o povo baiano vai viver com a maior infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, com aumentos de pre\u00e7os dos alimentos, dos transportes, diminuindo a renda do trabalhador que acabar\u00e1 sendo demitido por que n\u00e3o ter\u00e1 quem possa pagar pelo pre\u00e7o do arroz, do feij\u00e3o ou mesmo uma pe\u00e7a de roupa\u201d, alerta Radiovaldo.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>\u00c9 um desastre para a economia da Bahia o estado ficar \u00e0 merc\u00ea de uma \u00fanica empresa privada internacional que est\u00e1 explorando o povo baiano<\/p>\n<footer>&#8211; Radiovaldo Costa<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m dos pre\u00e7os altos, a FUP j\u00e1 havia alertado, desde 2015, quando houve a primeira sinaliza\u00e7\u00e3o do projeto de privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de refino, que haveria monop\u00f3lios regionais, desabastecimento e reajustes para o consumidor final, ressalta o Coordenador-Geral da FUP, Deyvid Bacelar.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 temos desabastecimento de \u00f3leo combust\u00edvel para os navios por que a empresa prefere exportar do que atender o mercado interno. Tamb\u00e9m est\u00e1 obrigando as empresas distribuidoras da Bahia a comprarem somente na Acelen, inclusive em outras regi\u00f5es como no norte de Minas Gerais e outros estados do Nordeste que a empresa atende\u201d, denuncia Bacelar.<\/p>\n<p><strong>Aumentos provocam perda de rendimento das fam\u00edlias<\/strong><\/p>\n<p>Cortar o pouco de lazer que tinha e comprar somente o b\u00e1sico para a sobreviv\u00eancia por causa da alta dos combust\u00edveis j\u00e1 faz parte da vida de Tadeu Silva Santos e de seus colegas motoristas de vans escolares.<\/p>\n<p>Casado, pai de um casal de filhos, de 16 e sete anos, ele conta que de 2019 para c\u00e1 j\u00e1 perdeu 50% de seus rendimentos, e que para sobreviver trabalha de segunda a segunda. Quando n\u00e3o est\u00e1 transportando alunos, faz transportes para empresas, eventos e at\u00e9 para funerais.<\/p>\n<p>\u201cA palavra mais adequada que reflete a nossa vida \u00e9 sofrimento. As coisas j\u00e1 n\u00e3o estavam bem antes da pandemia. Com a crise em 2019, os pais de alunos come\u00e7aram a abandonar o transporte escolar. Uns porque tiveram de trocar seus filhos de escola por uma mais barata, outros por que n\u00e3o conseguiam pagar mais. Cheguei a levar 20 alunos e hoje tenho apenas sete\u201d, conta Tadeu.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da pandemia em 2020, os altos pre\u00e7os dos combust\u00edveis na Bahia, contribu\u00edram muito para a quebradeira do setor de transporte escolar.<\/p>\n<p>Segundo Tadeu, de um grupo de 25 amigos da profiss\u00e3o, sete desistiram do transporte escolar; outros tr\u00eas tiveram busca e apreens\u00e3o por n\u00e3o conseguirem pagar o financiamento do ve\u00edculo e os que conseguiram pegar dinheiro emprestado est\u00e3o at\u00e9 hoje sofrendo para pagar a d\u00edvida.<\/p>\n<p>\u201cEm 2019 foram de sete a oito reajustes nos pre\u00e7os do diesel, que \u00e9 o combust\u00edvel que usamos; na pandemia este n\u00famero diminuiu, mas hoje est\u00e1 muito acima\u201d, diz Tadeu.<\/p>\n<p>O \u00faltimo reajuste feito pela Acelen, ocorreu de s\u00e1bado (5) para domingo (6) e, segundo Tadeu, ningu\u00e9m sabia, nem mesmo os donos de postos de combust\u00edveis. Ele diz que um amigo, supervisor num posto de gasolina, comprou combust\u00edvel no s\u00e1bado e na entrega, no domingo \u00e0 tarde, o pre\u00e7o da nota a pagar j\u00e1 veio a maior.<\/p>\n<p>\u201cCom tanta perda de renda s\u00f3 nos resta manter o essencial, nada mais al\u00e9m. H\u00e1 muito tempo que n\u00e3o sabemos o que \u00e9 fazer uma \u2018extravag\u00e2ncia\u2019. Tudo o que ganhamos vai embora no b\u00e1sico e na educa\u00e7\u00e3o dos meus filhos que fa\u00e7o quest\u00e3o de manter. E ainda temos de agradecer quando o carro n\u00e3o quebra, ou haja eventuais despesas extras\u201d, conclui o motorista.<\/p>\n<p><strong>FUP quer reverter privatiza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os efeitos nocivos da privatiza\u00e7\u00e3o da Rlam est\u00e3o sendo denunciados pelos petroleiros no Procon Estadual, e no Conselho Administrativo de Defesa Econ\u00f4mica (Cade) que avalizou a venda da refinaria.<\/p>\n<p>\u201cTemos tamb\u00e9m a\u00e7\u00e3o no Supremo Tribunal Federal para que a venda seja considerada ilegal, por que n\u00e3o houve licita\u00e7\u00e3o e muito menos aval do Congresso Nacional. Acreditamos que num pr\u00f3ximo governo Lula, a venda possa ser revertida por que est\u00e1 repleta de ilegalidades\u201d, conclui Deyvid Bacelar.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Rosely Rocha<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>120 dias ap\u00f3s privatiza\u00e7\u00e3o, grupo \u00e1rabe que comprou a Rlam aumentou os pre\u00e7os dos combust\u00edveis acima dos praticados pela Petrobras. 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