{"id":25687,"date":"2022-03-23T11:43:28","date_gmt":"2022-03-23T14:43:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25687"},"modified":"2022-03-23T11:43:28","modified_gmt":"2022-03-23T14:43:28","slug":"gasolina-e-mais-cara-para-os-moradores-das-cidades-mais-pobres-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/03\/23\/gasolina-e-mais-cara-para-os-moradores-das-cidades-mais-pobres-do-brasil\/","title":{"rendered":"Gasolina \u00e9 mais cara para os moradores das cidades mais pobres do Brasil"},"content":{"rendered":"<div class=\"wrapper\">\n<div class=\"materia-title\">\n<p><strong>Seja em Goi\u00e1s, seja em Minas Gerais, brasileiros que vivem em munic\u00edpios com baixo IDH relatam o drama de enfrentar a alta de combust\u00edveis, uma das faces do cotidiano de infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 comum a popula\u00e7\u00e3o carente pagar mais pela gasolina<\/strong><\/p>\n<p>Que as fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o gastando mais com transporte e alimenta\u00e7\u00e3o, todos os indicadores mostram. Mas \u00e9 no dia a dia que as dificuldades provocadas pela carestia, agravada pelo aumento de 18,8% na gasolina, se mostram reais, concretas.<\/p>\n<p class=\"texto\">Longe das explica\u00e7\u00f5es de sal\u00e3o e dos gabinetes de Bras\u00edlia, pessoas em idade produtiva enfrentam problemas como baixa renda, alto pre\u00e7o das passagens de transporte p\u00fablico, ruptura de sonhos e um horizonte de incertezas.<\/p>\n<p class=\"texto\">Em \u00c1guas Lindas (GO), munic\u00edpio do Entorno, a 47 quil\u00f4metros de Bras\u00edlia, trabalhadores j\u00e1 modificaram a rotina para se adaptar aos pre\u00e7os dos combust\u00edveis. A cidade de 217 mil habitantes, com \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) em 0,686, o litro da gasolina pode ser encontrado a R$ 7,39.<\/p>\n<p class=\"texto\">\u00c9 um sacrif\u00edcio di\u00e1rio para a popula\u00e7\u00e3o com renda per capita em R$ 584, de acordo com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan). &#8220;Carro mesmo, agora, s\u00f3 se estiver chovendo&#8221;, resume o motorista de \u00f4nibus Domingos Lustosa. Assim como ocorre em diversas cidades nas cercanias da capital federal, os moradores de \u00c1guas Lindas sofrem para se deslocar at\u00e9 o trabalho. E ainda precisam regular os parcos recursos para manter o or\u00e7amento dom\u00e9stico.<\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com o economista e pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Felipe Queiroz, a alta do combust\u00edvel provoca um efeito cascata, que afeta todos os setores dependentes direta ou indiretamente dos derivados de petr\u00f3leo. &#8220;O combust\u00edvel \u00e9 um bem intermedi\u00e1rio. Ou seja, aumenta o custo dos fretes, porque a maior parte do transporte brasileiro \u00e9 feito sobre rodovias. Al\u00e9m dos fretes, aumenta o custo de produ\u00e7\u00e3o de outros bens que s\u00e3o derivados de petr\u00f3leo ou dependem dele. Por exemplo o custo dos alimentos, aumenta o pre\u00e7o dos fertilizantes. Al\u00e9m disso, aumenta diretamente o pre\u00e7o da passagem do transporte, ent\u00e3o \u00e9 todo um aumento em cadeia&#8221;, descreve o analista.<\/p>\n<p class=\"texto\">A alta prejudica majoritariamente as fam\u00edlias financeiramente mais vulner\u00e1veis. Como elas t\u00eam menor renda, a maior parte do dinheiro \u00e9 direcionada ao consumo. &#8220;Fam\u00edlias de menor renda acabam alterando as cestas de produtos. H\u00e1 um aumento muito alto dos pre\u00e7os, n\u00e3o s\u00f3 nos combust\u00edveis, e isso tem afetado a capacidade das fam\u00edlias de menor renda de manter a pr\u00f3pria cesta b\u00e1sica&#8221;, acrescenta Queiroz.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/economia\/2022\/03\/4994899-governo-zera-imposto-de-importacao-alimentos-e-etanol-ate-dezembro.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Se os pre\u00e7os aumentam<\/a>\u00a0e a renda n\u00e3o aumenta, elas v\u00e3o, consequentemente, diminuir a quantidade e a qualidade daquilo que compram. Ent\u00e3o h\u00e1 uma deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade de vida e do poder de compra dessas pessoas&#8221;, completou o especialista.<\/p>\n<p class=\"texto\">O economista da Troster Associados, Roberto Lu\u00eds Troster, considera a situa\u00e7\u00e3o desoladora. &#8220;Esse comprometimento maior da renda em raz\u00e3o de um custo de vida mais alto aumenta a infla\u00e7\u00e3o e encolhe o consumo de todos, principalmente os mais pobres.&#8221;<\/p>\n<h3>Realidade perversa<\/h3>\n<p class=\"texto\">Em Minas Gerais, a realidade nos postos de combust\u00edvel \u00e9 perversa. Os moradores dos munic\u00edpios mais pobres e isolados, situados no Norte do estado e no Vale do Jequitinhonha, pagam mais caro do que a popula\u00e7\u00e3o de Nova Lima, na Regi\u00e3o Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), munic\u00edpio mineiro com maior \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0,813.<\/p>\n<p class=\"texto\">Com 97,3 mil habitantes, Nova Lima tem Produto Bruto Interno (PIB) per capita anual de R$ 124.987,23, quase 20 vezes o PIB de S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es, que \u00e9 de R$ 6.428,57, cidade do Norte de Minas que tem o menor IDH do estado: 0,529. No entanto, a popula\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es (11,8 mil moradores, 70% ind\u00edgenas xacriab\u00e1) est\u00e1 pagando 40 centavos a mais por cada litro do combust\u00edvel (R$ 7,99) do que os mais bem estruturados moradores de Nova Lima, onde o litro do produto pode ser encontrado a R$ 7,599 na bomba.<\/p>\n<p class=\"texto\">Dos lugares pesquisados em Minas Gerais, a cidade com a gasolina mais cara \u00e9 Coronel Murta. A cidade tem duas revendas de combust\u00edveis: em uma delas, a gasolina a est\u00e1 custando R$ 8,59 o litro; na outra, R$ 8,49 o litro, R$ 1 a mais do que o valor do combust\u00edvel (R$ 7,49) encontrado em postos de Belo Horizonte \u2014 que tem o segundo maior IDH de Minas (0,810) e PIB per capita anual de R$ 38.695,31.<\/p>\n<p class=\"texto\">A professora V\u00e2nia Vilas Boas, coordenadora do \u00edndice de Pre\u00e7os ao Consumidor (IPC) do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), afirma que moradores dos pequenos munic\u00edpios de regi\u00f5es carentes como o Norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha pagam mais caro pelos combust\u00edveis por causa do chamado &#8220;custo log\u00edstico&#8221;.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Temos o custo do transporte dos derivados de petr\u00f3leo da refinaria at\u00e9 a bomba no posto. Soma-se a isso a quest\u00e3o que em Minas Gerais temos uma das maiores tributa\u00e7\u00f5es sobre gasolina, de 31%, a segunda maior do Brasil, perdendo apenas para o Rio de Janeiro (34%). Isso faz com que o pre\u00e7o dos combust\u00edveis seja mais alto nessas regi\u00f5es&#8221;, observa a economista.<\/p>\n<p class=\"texto\">O \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) foi criado pelo Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Desenvolvimento (PNUD\/ONU) e \u00e9 baseado nos indicadores de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e renda de pa\u00edses, estados e munic\u00edpios. Quanto mais pr\u00f3ximo de 1, mais alto \u00e9 o IDH.<\/p>\n<figure class=\"Left\">\n<p><figure style=\"width: 820px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy\" title=\" 21\/03\/2022 Cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Mudan\u00e7as de h\u00e1bitos na locomo\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos combust\u00edveis em \u00c1guas Lindas GO. Aureliano Maciel que comprou uma moto e est\u00e1 fazendo a manuten\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo.\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/03\/21\/820x547\/1_210322mj_06-7624206.jpg\" alt=\" 21\/03\/2022 Cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Mudan\u00e7as de h\u00e1bitos na locomo\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos combust\u00edveis em \u00c1guas Lindas GO. Aureliano Maciel que comprou uma moto e est\u00e1 fazendo a manuten\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo.\" width=\"820\" height=\"547\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/03\/21\/820x547\/1_210322mj_06-7624206.jpg\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">21\/03\/2022 Cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A Press. Brasil. Brasilia &#8211; DF. Mudan\u00e7as de h\u00e1bitos na locomo\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos combust\u00edveis em \u00c1guas Lindas GO. Aureliano Maciel que comprou uma moto e est\u00e1 fazendo a manuten\u00e7\u00e3o do ve\u00edculo.(foto: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A.Press)<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p class=\"texto\"><strong>Aureliano Maciel, recepcionista em hospital<\/strong><br \/>\nAo perceber o impacto do aumento dos combust\u00edveis, o recepcionista Aureliano Maciel, 26, tinha duas op\u00e7\u00f5es. \u201cOu comprava uma moto ou mudava de \u00c1guas Lindas\u201d, explicou o jovem ao Correio, enquanto acompanhava a manuten\u00e7\u00e3o da motocicleta Yamaha T\u00e9n\u00e9r\u00e9. Aureliano comprou o ve\u00edculo usado recentemente. \u00c9 o meio de transporte que ele utiliza para rodar os 100 quil\u00f4metros de percurso, ida e volta, entre \u00c1guas Lindas e Bras\u00edlia. Ele faz esse trajeto diariamente para trabalhar em dois turnos na capital federal. Propriet\u00e1rio de um carro 1.0, Aureliano mudou a rotina para se adaptar ao litro da gasolina a R$ 7,36 nos postos da cidade. Com a compra da moto, reduziu de R$ 1 mil para R$ 400 os custos de combust\u00edvel. Com seis pessoas na fam\u00edlia e respons\u00e1vel por grande parte da renda, o tamb\u00e9m administrador de empresas soube facilmente o seu caminho. \u201cO dinheiro da moto, eu recupero. Dinheiro de combust\u00edvel, a gente nem v\u00ea\u201d.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Domingos Lustosa, motorista de \u00f4nibus<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Aos 44 anos, Domingos Lustosa passou a deixar o carro na garagem quando precisou priorizar os estudos da filha. Ela segue todos os dias de \u00c1guas Lindas para Bras\u00edlia, onde frequenta uma escola de ensino m\u00e9dio. A filha de Domingos viaja com a m\u00e3e, que \u00e9 professora e comp\u00f5e renda com Lustosa na fam\u00edlia composta por quatro pessoas. \u201cElas usam o transporte p\u00fablico e gastam uns R$ 20 por dia, para n\u00e3o perder\u201d, diz. \u201cCarro mesmo agora s\u00f3 se tiver chovendo\u201d, diz o motorista de transporte p\u00fablico. Ele ressalta a despesa com o ve\u00edculo particular, especialmente ap\u00f3s o \u00faltimo reajuste. \u201cPara andar de carro, agora, s\u00e3o uns R$ 50 por dia. Com o que a gente economiza d\u00e1 pra comprar a carne do final de semana, alguma coisa ou outra de lazer\u201d, explica. Lustosa tamb\u00e9m lamenta outra mudan\u00e7a: ele passou a ter menos tempo com a fam\u00edlia. \u201cDe carro, chego ao trabalho em 10 minutos. De \u00f4nibus, l\u00e1 se v\u00e3o 40 minutos.\u201d<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Adriano Lima, serralheiro<\/strong><br \/>\nA dengue pegou a fam\u00edlia de Adriano e Ana Cl\u00e9ia Silva Lima em dezembro. A situa\u00e7\u00e3o ficou cr\u00edtica no Natal e exigiu medidas emergenciais para a sobreviv\u00eancia da fam\u00edlia de cinco pessoas. \u201cEm janeiro, vendemos a bicicleta do Adriano para pagar a d\u00edvida da cesta b\u00e1sica que compramos no dia 23 de dezembro\u201d, explica Ana Cl\u00e9ia. Os problemas de sa\u00fade na virada do ano agravaram a crise financeira pela qual passava o casal. As dificuldades empurram os sonhos de melhoras de vida, como a compra de uma motocicleta. Serralheiro, Adriano conseguia movimentar at\u00e9 R$ 2 mil por m\u00eas antes da pandemia. Mas a crise veio, e a fam\u00edlia se desfez de uma mobilete para procurar trabalho aut\u00f4nomo. Atualmente, ele n\u00e3o consegue mais do que R$ 500 por m\u00eas. \u201cO jeito \u00e9 procurar trabalho a p\u00e9. Aqui, um monte de gente perdeu o emprego por causa do pre\u00e7o do custo de transporte. Nem todos os patr\u00f5es conseguem manter\u201d, conta.<\/p>\n<p class=\"texto\">\n<figure class=\"Left\">\n<p><figure style=\"width: 820px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazy\" title=\" 21\/03\/2022 Cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Mudan\u00e7as de h\u00e1bitos na locomo\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos combust\u00edveis em \u00c1guas Lindas GO. J\u00f5ao Pedro(cavalo preto) e Alisson Henrique andando a cavalo na avenida do Jardim P\u00e9rola.\" src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/03\/21\/820x547\/1_210322mj_36-7624538.jpg\" alt=\" 21\/03\/2022 Cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A Press. Brasil.  Brasilia - DF. Mudan\u00e7as de h\u00e1bitos na locomo\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos combust\u00edveis em \u00c1guas Lindas GO. J\u00f5ao Pedro(cavalo preto) e Alisson Henrique andando a cavalo na avenida do Jardim P\u00e9rola.\" width=\"820\" height=\"547\" data-src=\"https:\/\/midias.correiobraziliense.com.br\/_midias\/jpg\/2022\/03\/21\/820x547\/1_210322mj_36-7624538.jpg\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">21\/03\/2022 Cr\u00e9dito: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A Press. Brasil. Brasilia &#8211; DF. Mudan\u00e7as de h\u00e1bitos na locomo\u00e7\u00e3o devido ao aumento dos combust\u00edveis em \u00c1guas Lindas GO. J\u00f5ao Pedro(cavalo preto) e Alisson Henrique andando a cavalo na avenida do Jardim P\u00e9rola.(foto: Minervino J\u00fanior\/CB\/D.A.Press)<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<p class=\"texto\"><strong>Talysson Henrique e Jo\u00e3o Pedro<\/strong><br \/>\nSabrina \u00e9 uma \u00e9gua Quarto de Milha de seis anos muito bem cuidada pelo seu dono, Jo\u00e3o Pedro, 21. No in\u00edcio da tarde de ontem, ele e o amigo, Talysson Henrique, 24, cavalgavam pelas ruas do P\u00e9rola 1, bairro de \u00c1guas Lindas de Goi\u00e1s, para \u201cver as coisas\u201d e ir a uma padaria. \u201cQualquer volta de carro \u00e9 R$ 20. Cavalo, n\u00e3o. Cavalo t\u00e1 ali, cuidado, n\u00e3o gasta\u201d, avalia Jo\u00e3o, sentado sobre o lombo de Sabrina. Os amigos trabalham em outras cidades da regi\u00e3o do Entorno. Jo\u00e3o \u00e9 auxiliar de pedreiro e est\u00e1 no segundo per\u00edodo de engenharia civil. Talysson \u00e9 agente comercial. Embora ganhem mais do que dois sal\u00e1rios m\u00ednimos, eles concordam que a renda familiar est\u00e1 precarizada. \u201cEu tenho moto, mas deixo de usar para usar ou cavalo ou transporte p\u00fablico\u201d, conta Talysson.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Milqueias Mota, assistente social<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">Em Bonito de Minas, de 11,5 mil habitantes, munic\u00edpio do norte-mineiro que tem o terceiro pior IDH (0,537) do estado, a gasolina est\u00e1 sendo vendida a R$ 7,85. O valor imp\u00f4s sacrif\u00edcios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o da cidade, onde a renda m\u00e9dia dos trabalhadores \u00e9 de 1,6 sal\u00e1rio m\u00ednimo. Com o aumento da gasolina, moradores da cidade est\u00e3o deixando de andar de ve\u00edculos motorizados. \u201cO movimento de ve\u00edculos na cidade diminuiu bastante. O pessoal passou a andar mais de bicicleta. A gente tamb\u00e9m percebe que muitas pessoas voltaram a andar a cavalo\u201d, descreve Milqueias Mota Figueiredo, assistente social, servidor p\u00fablico e vereador em Bonito de Minas. Segundo Milqueias, o reajuste provocou \u201cmudan\u00e7as dr\u00e1sticas\u201d. \u201cAs fam\u00edlias acabam deixando de fazer coisas que faziam antes, como frequentar os bares. O lazer diminuiu bastante. O consumo de carne tamb\u00e9m caiu\u201d, constata.<\/p>\n<p class=\"texto\"><strong>Adimar de Lima, ind\u00edgena xacriab\u00e1<\/strong><br \/>\nOs moradores dos pequenos munic\u00edpios mineiros t\u00eam mais despesas com transporte porque sempre precisam se deslocar para tratamentos de sa\u00fade ou procurar atendimento banc\u00e1rio, n\u00e3o existentes onde vivem. Essa situa\u00e7\u00e3o ocorre em S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es (MG\/foto), onde mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o pertence \u00e0 tribo ind\u00edgena xacriab\u00e1 e reside na zona rural, em 32 aldeias que ocupam 70% do territ\u00f3rio do munic\u00edpio. Os ind\u00edgenas acabam necessitando de constantes deslocamentos at\u00e9 a cidade, para tratamento m\u00e9dico, receber benef\u00edcios ou cuidar de compromissos pessoais. \u201cAs pessoas est\u00e3o reduzindo as viagens por causa pre\u00e7o da gasolina, que subiu demais enquanto a renda da popula\u00e7\u00e3o continua baixa. Ningu\u00e9m aguenta isso\u201d, afirma Adimar Seixas de Lima, integrante da etnia xacriab\u00e1 e supervisor da Secretaria Municipal de Cultura e Assuntos Ind\u00edgenas de S\u00e3o Jo\u00e3o das Miss\u00f5es.<\/p>\n<p>www.correiobraziliense.com.br\/ Luiz Ribeiro e Michelle Portela<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seja em Goi\u00e1s, seja em Minas Gerais, brasileiros que vivem em munic\u00edpios com baixo IDH relatam o drama de enfrentar a alta de combust\u00edveis, uma das faces do cotidiano de infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 comum a popula\u00e7\u00e3o carente pagar mais pela gasolina Que as fam\u00edlias brasileiras est\u00e3o gastando mais com transporte e alimenta\u00e7\u00e3o, todos os indicadores mostram. 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