{"id":25829,"date":"2022-03-30T13:53:22","date_gmt":"2022-03-30T16:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25829"},"modified":"2022-03-30T13:53:22","modified_gmt":"2022-03-30T16:53:22","slug":"alta-dos-combustiveis-e-um-conjunto-de-politicas-antinacionais-a-petrobras-deve-retomar-seus-objetivos-historicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/03\/30\/alta-dos-combustiveis-e-um-conjunto-de-politicas-antinacionais-a-petrobras-deve-retomar-seus-objetivos-historicos\/","title":{"rendered":"Alta dos combust\u00edveis: \u201c\u00c9 um conjunto de pol\u00edticas antinacionais; a Petrobr\u00e1s deve retomar seus objetivos hist\u00f3ricos\u201d"},"content":{"rendered":"<p class=\"hyphenate\"><strong>Pela d\u00e9cima terceira vez desde janeiro de 2021, o pre\u00e7o dos combust\u00edveis subiu no Brasil, acompanhado de uma infla\u00e7\u00e3o recorde que encerra mar\u00e7o. <\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Os mercados rugiram\u00a0com a\u00a0especula\u00e7\u00e3o de que o governo poderia intervir na Petrobr\u00e1s e sua pol\u00edtica de pre\u00e7os de paridade internacional, mas logo silenciaram ap\u00f3s Bolsonaro criticar a empresa, culp\u00e1-la pela degringolada econ\u00f4mica e dizer que se dele dependesse a estatal seria completamente privatizada. Nesta entrevista, Felipe Coutinho, engenheiro da Petrobr\u00e1s, explica as raz\u00f5es dos aumentos e defende a revers\u00e3o de todo o escopo de decis\u00f5es do setor nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Somada \u00e0 guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia, tal pol\u00edtica de pre\u00e7os aumentar\u00e1 ainda mais a vulnerabilidade da economia brasileira. \u201cPodemos esperar muita volatilidade nos pre\u00e7os, instabilidade econ\u00f4mica, ambiente inseguro para investimentos p\u00fablicos e privados, com as consequentes dificuldades para o crescimento econ\u00f4mico e a gera\u00e7\u00e3o de empregos\u201d.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Na entrevista, explica tecnicamente os motivos pelos quais a orienta\u00e7\u00e3o das \u00faltimas dire\u00e7\u00f5es da Petrobr\u00e1s atendem somente aos interesses do grande capital privado, sob falsas premissas amplamente divulgadas na m\u00eddia empresarial, enquanto observamos remessas de lucros praticamente sem paralelo no mundo.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">\u201cNo per\u00edodo nos quais praticou pre\u00e7os relativamente baixos (2011-2014), (a Petrobr\u00e1s) manteve enormes reservas em caixa, entre 13,5 e US$ 25 bilh\u00f5es, em valores nominais, superiores \u00e0s multinacionais estrangeiras. A capacidade de honrar compromissos de curto prazo sempre foi evidenciada pelo \u00edndice de liquidez corrente superior a 1,5\u201d.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Como forma de dissimular o vi\u00e9s ideol\u00f3gico privatista, parte do debate sobre o aumento dos pre\u00e7os se desviou para supostas preocupa\u00e7\u00f5es ambientais e o uso de energia f\u00f3ssil. Incapaz de pagar para circular e ganhar a vida dentro de todo um modelo socioecon\u00f4mico estabelecido, o brasileiro poderia se orgulhar de \u201cn\u00e3o poluir\u201d. \u201cO entreguismo instrumentaliza diferentes narrativas e tamb\u00e9m se pinta de verde para justificar a entrega dos nossos melhores recursos\u201d, resume Coutinho.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Em sua an\u00e1lise, toda a pol\u00edtica do setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s precisa ser revertida, inclusive para permitir a cria\u00e7\u00e3o de condi\u00e7\u00f5es reais de gerar uma transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica. De acordo com o Coutinho, a Petrobras deveria \u201climitar a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para garantir que seja agregado valor no Brasil, com a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, petroqu\u00edmicos, qu\u00edmicos e f\u00e1rmacos. Investir nas energias potencialmente renov\u00e1veis, entendendo seu car\u00e1ter complementar \u00e0s f\u00f3sseis, com menor custo poss\u00edvel para a sociedade. Assim como alterar a pol\u00edtica de pre\u00e7os (PPI) e retomar o objetivo hist\u00f3rico da Petrobr\u00e1s de abastecer o mercado brasileiro aos menores custos poss\u00edveis\u201d.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>A entrevista completa pode ser lida a seguir.<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: Em primeiro lugar, o que \u00e9, em termos t\u00e9cnicos, a pol\u00edtica dos Pre\u00e7os Parit\u00e1rios de Importa\u00e7\u00e3o e o que pensa dos argumentos de seus defensores?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0Desde outubro de 2016 as dire\u00e7\u00f5es da Petrobr\u00e1s decidiram inovar e adotar a pol\u00edtica dos Pre\u00e7os Parit\u00e1rios de Importa\u00e7\u00e3o (PPI). Arbitram os pre\u00e7os nas refinarias da Petrobr\u00e1s como se os combust\u00edveis tivessem sido importados. Estimam o pre\u00e7o pago ao refinador estrangeiro (a maioria da Bacia do Golfo nos EUA), somam o custo do transporte, as taxas portu\u00e1rias, seguros, margem de risco, com os lucros de toda a cadeia de importa\u00e7\u00e3o e definem que este Pre\u00e7o Parit\u00e1rio de Importa\u00e7\u00e3o (PPI) deve ser cobrado para os combust\u00edveis vendidos nas refinarias da estatal.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Os argumentos utilizados para justificar ou defender o PPI s\u00e3o falaciosos, no artigo \u201cCinco Fal\u00e1cias sobre o Pre\u00e7o Parit\u00e1rio de Importa\u00e7\u00e3o (PPI) praticado pela dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s\u201d (<a href=\"https:\/\/correiocidadania.com.br\/2-uncategorised\/14976-cinco-falacias-sobre-o-preco-paritario-de-importacao-ppi-praticado-pela-direcao-da-petrobras\">leia aqui<\/a>) detalho o porqu\u00ea.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: Quais as consequ\u00eancias para a economia nacional e o cidad\u00e3o\/consumidor m\u00e9dio? Por que tal pol\u00edtica aumenta a ociosidade das refinarias nacionais?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0Com pre\u00e7os altos em rela\u00e7\u00e3o aos custos de importa\u00e7\u00e3o, os combust\u00edveis da Petrobr\u00e1s perdem competitividade e at\u00e9 30% do mercado brasileiro \u00e9 transferido para os importadores. A ociosidade das refinarias aumenta tamb\u00e9m em at\u00e9 30%, h\u00e1 redu\u00e7\u00e3o do processamento de petr\u00f3leo e da produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis no Brasil. Outra consequ\u00eancia da pol\u00edtica de pre\u00e7os \u00e9 a desnecess\u00e1ria e perniciosa eleva\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: O que imaginar para o restante do ano com a continuidade da guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia e a manuten\u00e7\u00e3o da atual pol\u00edtica?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0Podemos esperar muita volatilidade nos pre\u00e7os, instabilidade econ\u00f4mica, ambiente inseguro para investimentos p\u00fablicos e privados, com as consequentes dificuldades para o crescimento econ\u00f4mico e a gera\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: As \u00faltimas gest\u00f5es tamb\u00e9m se desfizeram de ativos como a Transpetro e a BR Distribuidora, deixaram a F\u00e1brica de Fertilizantes do Nordeste (FAFEN) inativa por dois anos, entre outras decis\u00f5es da chamada \u201cpol\u00edtica de desinvestimentos\u201d. Trata-se somente da PPI ou outras decis\u00f5es tomadas nos \u00faltimos anos explicam a situa\u00e7\u00e3o de alta frequente dos pre\u00e7os?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0\u00c9 um conjunto de pol\u00edticas antinacionais. O Brasil tem capacidade de produzir e refinar o seu petr\u00f3leo no pa\u00eds. Mas a pol\u00edtica de pre\u00e7os tem promovido a importa\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis e a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru. Cerca de 50% do petr\u00f3leo cru produzido no Brasil t\u00eam sido exportados, em grande medida por multinacionais estrangeiras. Enquanto isso, at\u00e9 30% do mercado de combust\u00edveis t\u00eam sido ocupados por importados, na maior parte dos Estados Unidos, com ociosidade proporcional do parque de refino brasileiro.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Trata-se de um ciclo do tipo colonial, extrativo e prim\u00e1rio-exportador do petr\u00f3leo cru do Brasil. Nenhum pa\u00eds se desenvolveu exportando petr\u00f3leo cru por multinacionais estrangeiras e importando combust\u00edveis e derivados de maior valor agregado. Com o Brasil n\u00e3o ser\u00e1 diferente.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Pre\u00e7os desnecessariamente altos, exporta\u00e7\u00e3o crescente de petr\u00f3leo cru e importa\u00e7\u00e3o de derivados s\u00e3o consequ\u00eancias da pol\u00edtica de pre\u00e7os in\u00e9dita e arbitrariamente adotada pela dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s; privatiza\u00e7\u00e3o de ativos rent\u00e1veis e lucrativos, desintegra\u00e7\u00e3o vertical e nacional da Petrobr\u00e1s, com consequente depend\u00eancia cada vez maior dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo cru no mercado internacional; redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica dos investimentos e do conte\u00fado nacional. S\u00e3o decis\u00f5es de responsabilidade do Presidente da Rep\u00fablica que podem e devem ser urgentemente revertidas para o bem do Brasil.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: Como lidar com a narrativa midi\u00e1tica dominante da grande imprensa sobre a suposta incapacidade do Estado brasileiro e da administra\u00e7\u00e3o da empresa em fazer algo diferente em favor do consumidor brasileiro enquanto a empresa gera lucros exorbitantes para seus acionistas?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0Cabe a n\u00f3s revelar a verdade, denunciar a narrativa falaciosa e o papel antinacional da m\u00eddia controlada pelo capital concentrado, nacional e internacional.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">A Petrobr\u00e1s praticou pre\u00e7os inferiores aos de importa\u00e7\u00e3o na maior parte de sua hist\u00f3ria, inclusive entre 2011 e 2014. No entanto, a Petrobr\u00e1s nunca deixou de gerar bons resultados empresariais por causa disso.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">A estatal \u00e9 uma grande geradora de caixa. Em 2011, foram US$ 43 bilh\u00f5es, entre 2012 e 2017, a gera\u00e7\u00e3o se manteve est\u00e1vel entre 25 e US$ 33 bilh\u00f5es por ano. Da mesma forma, entre 2018 e 2020, variou entre 28 e US$ 33 bilh\u00f5es, em valores atualizados.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Tamb\u00e9m neste per\u00edodo nos quais praticou pre\u00e7os relativamente baixos (2011-2014) manteve enormes reservas em caixa, entre 13,5 e US$ 25 bilh\u00f5es, em valores nominais, superiores \u00e0s multinacionais estrangeiras. A capacidade de honrar compromissos de curto prazo sempre foi evidenciada pelo \u00edndice de liquidez corrente superior a 1,5.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: Como encarar o discurso dessa mesma m\u00eddia que tenta transmitir o momento como oportunidade para \u201ctransi\u00e7\u00e3o dos combust\u00edveis f\u00f3sseis\u201d em nossa sociedade?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0\u00c9 preciso demonstrar a import\u00e2ncia dos combust\u00edveis de origem f\u00f3ssil e a relev\u00e2ncia do papel da Petrobr\u00e1s na produ\u00e7\u00e3o de fontes prim\u00e1rias potencialmente renov\u00e1veis e complementares aos f\u00f3sseis.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">As energias potencialmente renov\u00e1veis dependem das fontes prim\u00e1rias de energia de origem f\u00f3ssil \u2013 carv\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s natural \u2013 para serem produzidas, distribu\u00eddas, mantidas e complementadas para que o abastecimento energ\u00e9tico seja confi\u00e1vel. N\u00e3o deveria haver surpresa, praticamente tudo neste mundo depende das energias f\u00f3sseis.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">O eufemismo do \u201cacordo clim\u00e1tico\u201d trata-se de uma, entre tantas iniciativas globais, conduzidas a partir dos pa\u00edses centrais que podem assim instrumentalizar temas caros \u00e0 boa parcela da opini\u00e3o p\u00fablica para viabilizar seus interesses geoestrat\u00e9gicos. Trata-se de \u201cchutar a escada\u201d do desenvolvimento dos pa\u00edses da periferia do sistema, que consumiram e ainda consomem pouca energia, disp\u00f5em de recursos naturais, controlam as maiores petrol\u00edferas do mundo (que s\u00e3o estatais) e t\u00eam grande potencial de desenvolvimento econ\u00f4mico e social, desde que aumentem seus consumos de energia com prioridade para as mais baratas de se produzir e mais eficientes poss\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">As \u201cmudan\u00e7as clim\u00e1ticas\u201d, assim como o combate ao terrorismo, ao tr\u00e1fico de drogas e a corrup\u00e7\u00e3o, a defesa de liberdades individuais e da democracia liberal, tamb\u00e9m a pauta identit\u00e1ria e a dita \u201cguerra entre civiliza\u00e7\u00f5es\u201d s\u00e3o temas populares que podem ser instrumentalizados para fins geoestrat\u00e9gicos, na disputa entre pa\u00edses imperialistas, ou entre pa\u00edses soberanos e o sistema financeiro internacional.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">As crises c\u00edclicas fazem parte do capitalismo, acontecem entre 7 e 11 anos desde o in\u00edcio do s\u00e9culo passado. Suas fun\u00e7\u00f5es s\u00e3o destruir o capital fict\u00edcio, o capital produtivo menos eficiente e reduzir o custo do trabalho para recuperar a lucratividade perdida. N\u00e3o h\u00e1 concerta\u00e7\u00e3o global, coopera\u00e7\u00e3o internacional ou, muito menos, acordo clim\u00e1tico capaz de evitar a ocorr\u00eancia c\u00edclica das crises no sistema capitalista.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">A causa das crises no sistema capitalista n\u00e3o \u00e9 o excesso da capacidade industrial, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da lucratividade do capital. O excesso da capacidade \u00e9 resultado da redu\u00e7\u00e3o da lucratividade e dos investimentos, com os consequentes desempregos e redu\u00e7\u00e3o da capacidade de compra dos assalariados, al\u00e9m da eleva\u00e7\u00e3o do endividamento das fam\u00edlias, empresas e dos Estados Nacionais.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Com o fim do petr\u00f3leo adicional barato de se produzir, em termos agregados e mundiais, e com os limites da sociedade \u2013 pelo menos enquanto submetida a sistema econ\u00f4mico concentrador \u2013 em poder arcar com pre\u00e7os elevados da energia, n\u00e3o h\u00e1 disponibilidade de fontes prim\u00e1rias de energia com baixos custos de produ\u00e7\u00e3o, confi\u00e1veis e de alta qualidade. A intelig\u00eancia humana \u00e9 capaz de transformar fontes prim\u00e1rias de energia em trabalho e bens \u00fateis, mas n\u00e3o somos capazes de criar fontes prim\u00e1rias compat\u00edveis com as melhores reservas j\u00e1 esgotadas dos recursos energ\u00e9ticos de origem f\u00f3ssil.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">O Brasil deve optar pelo uso do seu petr\u00f3leo, agregar valor a ele e n\u00e3o permitir sua exporta\u00e7\u00e3o em estado cru. Devemos investir no desenvolvimento das energias potencialmente renov\u00e1veis, conhecendo seus limites e utilizando nossas vantagens naturais e intelig\u00eancia para produzi-las aos menores custos poss\u00edveis.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">O entreguismo instrumentaliza diferentes narrativas e tamb\u00e9m se pinta de verde para justificar a entrega dos nossos melhores recursos.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: Pedro Parente gabou-se, em seu discurso de sa\u00edda da presid\u00eancia da empresa, de ter \u201cfeito a Petrobr\u00e1s menor\u201d, enquanto os indicadores socioecon\u00f4micos seguem em queda. N\u00e3o poder\u00edamos resumir toda a pol\u00edtica da Petrobr\u00e1s no p\u00f3s-2016 como meramente ideol\u00f3gica e voltada a satisfazer interesses particulares n\u00e3o admitidos \u00e0 sociedade?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0Trata-se do \u201cmau e velho\u201d entreguismo. Trata-se da antiga agenda para atender interesses de uma minoria, em maior medida sediada no Atl\u00e2ntico Norte, cujos lacaios s\u00e3o vis\u00edveis por aqui.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: Como analisa a gest\u00e3o Silva e Luna e as cr\u00edticas de Bolsonaro \u00e0 empresa, a afirmar que se dependesse dele tudo seria privatizado de uma vez?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0A Presid\u00eancia da Rep\u00fablica e a atual Dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s mantiveram a agenda antinacional com privatiza\u00e7\u00e3o de ativos rent\u00e1veis e estrat\u00e9gicos, desintegra\u00e7\u00e3o vertical e nacional da Petrobr\u00e1s e a lesiva pol\u00edtica de Pre\u00e7os Parit\u00e1rios de Importa\u00e7\u00e3o (PPI). O importante n\u00e3o \u00e9 o que se fala, mas o que se faz. A responsabilidade de conduzir a Dire\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s \u00e9 do Presidente da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Correio da Cidadania: O que deveria ser feito da gest\u00e3o da maior empresa do pa\u00eds e na cadeia produtiva do setor, no sentido de gerar empregos, renda e integra\u00e7\u00e3o social dentro do territ\u00f3rio brasileiro?<\/strong><\/p>\n<p class=\"hyphenate\"><strong>Felipe Coutinho:<\/strong>\u00a0Recuperar os ativos privatizados: as reservas de petr\u00f3leo, a BR Distribuidora, subsidi\u00e1rias das malhas de gasodutos, Liquig\u00e1s, Refinarias etc. Aumentar investimentos com o maior conte\u00fado nacional poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"hyphenate\">Limitar a exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru ao m\u00ednimo necess\u00e1rio para garantir que seja a ele agregado valor no Brasil, com a produ\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis, petroqu\u00edmicos, qu\u00edmicos e f\u00e1rmacos. Investir nas energias potencialmente renov\u00e1veis, entendendo seu car\u00e1ter complementar \u00e0s f\u00f3sseis, com menor custo poss\u00edvel para a sociedade. Assim como alterar a pol\u00edtica de pre\u00e7os (PPI) e retomar o objetivo hist\u00f3rico da Petrobr\u00e1s de abastecer o mercado brasileiro aos menores custos poss\u00edveis.<\/p>\n<p>www.brasilpopular.com \/ Gabriel Brito, jornalista e editor do Correio da Cidadania<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pela d\u00e9cima terceira vez desde janeiro de 2021, o pre\u00e7o dos combust\u00edveis subiu no Brasil, acompanhado de uma infla\u00e7\u00e3o recorde que encerra mar\u00e7o. 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