{"id":25923,"date":"2022-04-06T10:36:12","date_gmt":"2022-04-06T13:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=25923"},"modified":"2022-04-06T11:21:30","modified_gmt":"2022-04-06T14:21:30","slug":"desemprego-por-mais-de-2-anos-81-mais-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/04\/06\/desemprego-por-mais-de-2-anos-81-mais-pobres\/","title":{"rendered":"Desemprego por mais de 2 anos: 81% mais pobres"},"content":{"rendered":"<p><strong>Desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o atinge principalmente os brasileiros das classes D e E, elevando ainda mais a desigualdade no pa\u00eds, aponta pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Dos mais de 3,7 milh\u00f5es de brasileiros que est\u00e3o sem emprego h\u00e1 mais de dois anos, 81% s\u00e3o das classes D e E, \u00e9 o que demonstra um levantamento feito pela Tend\u00eancias Consultoria Integrada. Segundo o levantamento, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo \u201cO Estado de S. Paulo\u201d, o chamado desemprego de longo prazo aumentou no pa\u00eds. Em 2015, o percentual de brasileiros sem emprego h\u00e1 mais de dois anos era de 17%. No final de 2021, representava 26% dos que estavam em busca de trabalho no Brasil.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m aponta que o desempregado de longo prazo entre os mais pobres cresce bem acima das demais classes. Entre 2015 e 2021, o n\u00famero de pessoas sem emprego h\u00e1 mais de dois anos nas classes D e E avan\u00e7ou 173%, na classe C, 86%; e na classe B, 53%. Por outro lado, o desempregado de longo prazo na classe A, caiu 37%.<\/p>\n<p>O economista e respons\u00e1vel pelo levantamento, Lucas Assis, lembra que \u201cficar tanto tempo desempregado significa desaprender tarefas, ficar desatualizado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s novas pr\u00e1ticas e ter dificuldade em ser t\u00e3o produtivo quanto antes\u201d. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, no final das contas, isso representa reduzir o potencial de crescimento da economia no m\u00e9dio e longo prazo.<\/p>\n<p>\u00c9 um realidade perversa, aumenta a desigualdade, num cen\u00e1rio onde tudo ficou pior: al\u00e9m do desemprego alto, a carestia corroendo a renda dos brasileiros e a economia estagnada, com energia, combust\u00edveis e juros cada vez mais altos.<\/p>\n<p>No trimestre m\u00f3vel encerrado em fevereiro, segundo a Pnad Cont\u00ednua do IBGE,\u00a0faltou trabalho para 27,3 milh\u00f5es de pessoas. Estes brasileiros comp\u00f5em a chamada taxa de subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, que inclui: os desempregados, os subocupados (que trabalham menos de 40 horas semanais) e a for\u00e7a de trabalho potencial (pessoas que gostariam de trabalhar, mas n\u00e3o procuraram trabalho, ou que procuraram, mas n\u00e3o estavam dispon\u00edveis para trabalhar).<\/p>\n<p>Sem grandes est\u00edmulos, a economia brasileira padece da queda hist\u00f3rica dos investimentos p\u00fablicos com o governo Bolsonaro, do retorno da infla\u00e7\u00e3o e do peso dos juros altos. As \u00faltimas expectativas do \u201cmercado\u201d financeiro \u2013 Boletim Focus do Banco Central (BC) \u2013 para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2022, s\u00e3o de um crescimento de apenas 0,5%, com a metade das proje\u00e7\u00f5es apontando para crescimento negativo.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio,\u00a0a maioria dos brasileiros que conseguem retornar aos postos de trabalho conseguem ocupa\u00e7\u00f5es sem carteira assinada, com sal\u00e1rios menores do que recebiam quando ocupavam a mesma fun\u00e7\u00e3o no emprego anterior, ou, vivem dos populares \u201cbicos\u201d, trabalho prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cAs condi\u00e7\u00f5es se deterioraram. Quem consegue emprego, consegue com remunera\u00e7\u00e3o mais baixa comparado ao passado, o que explica a renda na m\u00ednima hist\u00f3ria\u201d, destacou Lucas Assis. Segundo o IBGE, a renda m\u00e9dia recebida pelo trabalho recuou 8,8% no trimestre encerrado em fevereiro, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2021, passando de R$ 2.752 para R$ 2.511.<\/p>\n<p>Com uma filha de 11 anos, Carolina Cristina dos Santos, de 30 anos, contou \u00e0 reportagem do Estad\u00e3o que nos \u00faltimos anos tem vivido de \u201cbicos\u201d para sobreviver.<\/p>\n<p>A \u00faltima vez que Carolina teve sua carteira assinada foi h\u00e1 quatro anos como promotora de vendas. Em casa, Carolina monta lanternas para motos \u2013 um trabalho que dura normalmente das 8 horas at\u00e9 meia noite. Para cada milheiro de pe\u00e7as, ela ganha R$ 80. No m\u00eas, quando tudo corre bem, acaba tirando cerca de R$ 1,5 mil. Desse valor, R$ 700 v\u00e3o para o aluguel da casa.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 que essa renda \u00e9 inst\u00e1vel. Hoje voc\u00ea trabalha, mas amanh\u00e3 pode n\u00e3o ter nada. Ent\u00e3o, fica muito dif\u00edcil\u201d, relatou Carolina.<\/p>\n<p>www.horadopovo.com.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o atinge principalmente os brasileiros das classes D e E, elevando ainda mais a desigualdade no pa\u00eds, aponta pesquisa Dos mais de 3,7 milh\u00f5es de brasileiros que est\u00e3o sem emprego h\u00e1 mais de dois anos, 81% s\u00e3o das classes D e E, \u00e9 o que demonstra um levantamento feito pela Tend\u00eancias Consultoria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":25924,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[55],"class_list":["post-25923","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desemprego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25923","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25923"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25923\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25936,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25923\/revisions\/25936"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25924"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25923"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25923"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25923"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}