{"id":26092,"date":"2022-04-18T12:19:25","date_gmt":"2022-04-18T15:19:25","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=26092"},"modified":"2022-04-18T12:19:25","modified_gmt":"2022-04-18T15:19:25","slug":"familias-do-campo-enfrentam-aumento-da-violencia-destruicao-dos-modos-de-vida-e-desgoverno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/04\/18\/familias-do-campo-enfrentam-aumento-da-violencia-destruicao-dos-modos-de-vida-e-desgoverno\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias do campo enfrentam aumento da viol\u00eancia, destrui\u00e7\u00e3o dos modos de vida e desgoverno"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Relat\u00f3rio aponta alta em assassinatos, mortes por conflitos, expuls\u00f5es e viola\u00e7\u00f5es de direitos em 2021<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero de mortes em conflitos no meio rural aumentou mais de 1.000% no ano passado, segundo relat\u00f3rio divulgado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) nesta segunda-feira (18).\u00a0O Caderno de Conflitos no Campo 2021 aponta ainda que houve crescimento consider\u00e1vel nas viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos, despejos, execu\u00e7\u00f5es e massacres.<\/p>\n<p>Os assassinatos subiram 75%. O maior n\u00famero de casos foi observado nos estados da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/10\/lira-inicia-tramite-de-projeto-que-exclui-mato-grosso-da-amazonia-legal-e-agrava-desmatamento\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amaz\u00f4nia Legal<\/a>, que registraram 28 crimes dessa natureza, 80% do total. Dos 35 registros nacionais no ano passado, 33 v\u00edtimas eram homens e duas mulheres. Rond\u00f4nia, Maranh\u00e3o, Roraima, Tocantins e Rio Grande do Sul foram os estados que mais tiveram ocorr\u00eancias.<\/p>\n<p>As v\u00edtimas foram ind\u00edgenas, trabalhadores sem terra, posseiros, quilombolas, assentados, pequenos propriet\u00e1rios, quebradeiras de coco baba\u00e7u, lideran\u00e7as e apoiadores da luta pela terra.<\/p>\n<p>Em duas ocorr\u00eancias\u00a0houve assassinatos de mais de tr\u00eas pessoas na mesma a\u00e7\u00e3o criminosa. A CPT considera casos com essas carater\u00edsticas como massacres. As tentativas de assassinato tamb\u00e9m aumentaram, assim como as amea\u00e7as de morte, que chegaram a 132. Os casos de tortura subiram de 9 em 2020 para 13 em 2021.<\/p>\n<p>No ano de 2020\u00a0a CPT j\u00e1 havia registrado o maior n\u00famero de conflitos da hist\u00f3ria. Segundo\u00a0Andr\u00e9ia Silv\u00e9rio, da coordena\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, o crescimento do ano passado ocorreu sobre\u00a0bases j\u00e1 muito altas, o que multiplica o alerta.<\/p>\n<p>\u201cO ano de 2021 reafirma uma tend\u00eancia que a CPT vem registrando pelo menos desde 2015 e 2016, quando aconteceu essa ruptura pol\u00edtica no Brasil. Desde esse per\u00edodo, n\u00f3s temos registrado aumento com rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de conflitos e com rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de fam\u00edlias envolvidas nesses conflitos\u201d, aponta.<\/p>\n<p>A alta substancial nos assassinatos e nas mortes em consequ\u00eancia de conflitos aponta uma realidade de inseguran\u00e7a e falta de direitos para fam\u00edlias e lideran\u00e7as do campo.\u00a0\u201cN\u00e3o s\u00e3o assassinatos diretos, s\u00e3o ocasionados pelas situa\u00e7\u00f5es de conflito e pelas condi\u00e7\u00f5es em que fam\u00edlias se encontram, em decorr\u00eancia dos processos de luta que elas travam em defesa da terra, do territ\u00f3rio e do meio ambiente no Brasil\u201d, ressalta Silv\u00e9rio.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Terror no campo<\/p>\n<p>Como principais operadores da viol\u00eancia est\u00e3o agentes privados\u00a0que se designam fazendeiros, agromil\u00edcias, grupos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/10\/17\/pistoleiros-ameacam-familias-agricultoras-do-mst-no-interior-de-tocantins\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pistoleiros<\/a>\u00a0que atuam sob encomenda e o poder p\u00fablico. De acordo com Andr\u00e9ia Silv\u00e9rio, a CPT observa que tem crescido o avan\u00e7o sobre espa\u00e7os j\u00e1 destinados, como territ\u00f3rios ind\u00edgenas, unidades de conserva\u00e7\u00e3o, terras quilombolas e \u00e1reas de reforma agr\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 sempre nessa perspectiva de apropria\u00e7\u00e3o dos bens naturais. S\u00e3o atividades como garimpo e explora\u00e7\u00e3o madeireira. N\u00e3o s\u00e3o a\u00e7\u00f5es protagonizadas apenas por grupos econ\u00f4micos, empres\u00e1rios, fazendeiros e grileiros. Elas s\u00e3o, em certa medida, tamb\u00e9m protagonizadas e incentivadas pelas a\u00e7\u00f5es do governo federal e palas a\u00e7\u00f5es legislativas dos governos dos estados\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Entre os massacres registrados no ano passado, pelo menos tr\u00eas ind\u00edgenas do povo isolado Moxihat\u00ebt\u00eba foram chacinados na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/11\/garimpo-mata-sete-indigenas-em-seis-meses-em-roraima-quatro-eram-criancas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Terra Yanomami<\/a>, em Roraima.\u00a0Em Rond\u00f4nia, tr\u00eas pessoas que viviam em no Acampamento Ademar Ferreira\u00a0foram mortas\u00a0em agosto de 2021.<\/p>\n<p>\u201cA grande maioria dos conflitos aconteceu na Amaz\u00f4nia. N\u00f3s sabemos que a fronteira agr\u00edcola da agropecu\u00e1ria e da minera\u00e7\u00e3o avan\u00e7a justamente sobre esses territ\u00f3rios e se relaciona com a tentativa de apropria\u00e7\u00e3o de \u00e1reas ainda conservadas&#8221;, salienta Silv\u00e9rio.<\/p>\n<p>Entre as 100 pessoas detidas em 2021 por causa de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/11\/04\/o-acirramento-dos-conflitos-no-campo-e-a-politica-publica-do-agronegocio\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conflitos no campo<\/a>, h\u00e1 at\u00e9 mesmo o registro de crian\u00e7as apreendidas (o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente &#8211; ECA &#8211; usa o termo &#8220;apreens\u00e3o&#8221; quando h\u00e1 crian\u00e7as acusadas de ato infracional). Quase um ter\u00e7o do total de casos ocorreu tamb\u00e9m em Rond\u00f4nia. Em novembro passado, a Pol\u00edcia Militar deteve 30 camponeses e camponesas do Acampamento Escur\u00e3o. Os agentes destru\u00edram casas, roubaram equipamentos e espancaram moradores e moradoras.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, o relat\u00f3rio da CPT apresenta\u00a0informa\u00e7\u00f5es sobre a orienta\u00e7\u00e3o sexual e \u00e0 express\u00e3o de g\u00eanero das v\u00edtimas da viol\u00eancia no campo. Cinco pessoas\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2021\/06\/28\/dia-do-orgulho-lgbtqia-conheca-o-significado-das-letras-e-a-importancia-da-data\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">LGBTQIA+<\/a>\u00a0foram alvo de assassinatos, pris\u00f5es, intimida\u00e7\u00f5es e torturas.<\/p>\n<p>Seguindo a tend\u00eancia de acirramento da viol\u00eancia no campo, os flagrantes de trabalho escravo tamb\u00e9m aumentaram em 2021. Foram resgatadas 169 pessoas em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o no campo. O n\u00famero representa alta de 76% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Destrui\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de exist\u00eancia<\/p>\n<p>Apesar das recomenda\u00e7\u00f5es de \u00f3rg\u00e3os internacionais e do Conselho Nacional de Justi\u00e7a, o ano de 2021 registrou mais de 22 mil\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/15\/mais-de-27-mil-familias-sofreram-despejos-no-brasil-durante-a-pandemia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fam\u00edlias despejadas<\/a>\u00a0no campo. Em plena pandemia da covid-19, na fase mais cr\u00edtica da crise sanit\u00e1ria global, o \u00edndice de despejos aumentou 12%.<\/p>\n<p>O ano tamb\u00e9m teve alta de 18% no total de fam\u00edlias expulsas de onde viviam. Mais de 550 tiveram que deixar suas terras e casas.\u00a0\u201cAs tentativas de destrui\u00e7\u00e3o dos modos de vida significam a destrui\u00e7\u00e3o\u00a0das casas, das ro\u00e7as e dos plantios, que muitas vezes s\u00e3o o meio de subsist\u00eancia dessas fam\u00edlias. S\u00e3o essas \u00e1reas as respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de alimentos no Brasil\u201d, afirma Andr\u00e9ia Silv\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u201cEssas fam\u00edlias s\u00e3o as principais respons\u00e1veis por ainda trazer uma identidade sociocultural, sobretudo na Amaz\u00f4nia. Infelizmente esse processo de ocupa\u00e7\u00e3o tem car\u00e1ter muito colonial. Trazem uma vis\u00e3o estereotipada e tentam impor uma l\u00f3gica de mercado sobre os modos de vida das popula\u00e7\u00f5es, o que impacta diretamente essas comunidades\u201d, completa.<\/p>\n<p>Em dados parciais de 2022, a CPT j\u00e1 computa 14 assassinatos em conflitos no campo. Silv\u00e9rio aponta falta de investimento na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2020\/06\/05\/mst-apresenta-plano-de-reforma-agraria-popular-para-superar-crise-social-e-economica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reforma agr\u00e1ria<\/a>, desmonte de \u00f3rg\u00e3os de prote\u00e7\u00e3o aos povos do campo e fiscaliza\u00e7\u00e3o de crimes ambientais e aus\u00eancia de vontade pol\u00edtica por parte do governo federal.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 um abandono absoluto da pol\u00edtica de reforma agr\u00e1ria como ela foi pensada a partir da constitui\u00e7\u00e3o de 1988. A reforma agr\u00e1ria no Brasil, de fato, nunca foi feita. Mas essa pol\u00edtica, que minimamente possibilitava a distribui\u00e7\u00e3o de terras e o atendimento das demandas dessas comunidades foram abandonados nos \u00faltimos anos&#8221;, completa a coordenadora da CPT.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Nara Lacerda<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat\u00f3rio aponta alta em assassinatos, mortes por conflitos, expuls\u00f5es e viola\u00e7\u00f5es de direitos em 2021 O n\u00famero de mortes em conflitos no meio rural aumentou mais de 1.000% no ano passado, segundo relat\u00f3rio divulgado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) nesta segunda-feira (18).\u00a0O Caderno de Conflitos no Campo 2021 aponta ainda que houve crescimento consider\u00e1vel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":26093,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[693],"class_list":["post-26092","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-violencia-no-campo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26092"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26092\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":26094,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26092\/revisions\/26094"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26093"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26092"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}