{"id":26412,"date":"2022-05-04T18:07:48","date_gmt":"2022-05-04T21:07:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=26412"},"modified":"2022-05-04T18:07:48","modified_gmt":"2022-05-04T21:07:48","slug":"graziano-fome-no-brasil-pode-chegar-a-situacao-explosiva-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/05\/04\/graziano-fome-no-brasil-pode-chegar-a-situacao-explosiva-2\/","title":{"rendered":"Graziano: fome no Brasil pode chegar a &#8220;situa\u00e7\u00e3o explosiva&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><strong>Menos de uma d\u00e9cada ap\u00f3s o Brasil ter deixado o Mapa da Fome, em 2014, o pa\u00eds vive hoje um aumento significativo da inseguran\u00e7a alimentar, que pode levar a uma &#8220;situa\u00e7\u00e3o explosiva&#8221; antes do final do ano e precisa ser enfrentada\u00a0pelas autoridades p\u00fablicas e pela sociedade com urg\u00eancia.<\/strong><\/p>\n<p>O alerta \u00e9 de Jos\u00e9 Graziano da Silva, diretor-geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO) de 2012 a 2019 e coordenador do programa Fome Zero no primeiro governo Luiz In\u00e1cio Lula da Silva.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 DW Brasil, Graziano, atualmente diretor do Instituto Fome Zero, afirma que a situa\u00e7\u00e3o da fome no Brasil \u00e9 hoje &#8220;muito mais dif\u00edcil&#8221; do que quando o soci\u00f3logo Herbert de Souza, o Betinho, usou em 1992 o mote &#8220;quem tem fome tem pressa&#8221; para lan\u00e7ar sua campanha contra a inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de atingir um n\u00famero muito maior de fam\u00edlias, como nunca se tinha visto antes no Brasil, n\u00f3s n\u00e3o contamos com a ajuda do governo federal. S\u00e3o poucos os munic\u00edpios e Estados que t\u00eam no combate \u00e0 fome a sua prioridade. Eu, particularmente, que estive por 15 anos na FAO, parece que estou vendo um pa\u00eds em guerra&#8221;, afirmou Graziano. &#8220;Algo tem que ser feito, um verdadeiro mutir\u00e3o contra a fome, em 2022, para que o problema n\u00e3o saia do controle.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa realizada em dezembro de 2021 pelo Datafolha, 15% dos brasileiros, ou cerca de 32 milh\u00f5es de pessoas, deixaram de fazer alguma refei\u00e7\u00e3o nos meses anteriores porque n\u00e3o tinham dinheiro para comprar comida. E 26%, ou 55 milh\u00f5es de pessoas, haviam comido menos do que necessitavam porque n\u00e3o tinham dinheiro suficiente.<\/p>\n<p>Para ele, o Bolsa Fam\u00edlia foi um aliado crucial no combate \u00e0 fome, mas apenas programas de transfer\u00eancia de renda n\u00e3o solucionam esse drama. &#8220;O mais importante no programa de erradica\u00e7\u00e3o da fome \u00e9 gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda dentro de um processo de desenvolvimento econ\u00f4mico inclusivo, que distribua melhor a renda. Ou seja, o pa\u00eds precisa crescer e distribuir a renda gerada. \u00c9 isso que acaba com a fome. Pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda s\u00e3o atores coadjuvantes&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>DW Brasil: O Brasil construiu um longo caminho para sair, em 2014, do Mapa da Fome. Em 2017, j\u00e1 se observava um retorno gradual do pa\u00eds \u00e0 conhecida situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar. Hoje, pelo menos 55% da popula\u00e7\u00e3o vive nessas condi\u00e7\u00f5es. Quais as causas desse retrocesso ?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Graziano:<\/strong>\u00a0Na verdade, a gente j\u00e1 v\u00ea um decl\u00ednio da seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o brasileira a partir de 2013, que se acentua muito nos \u00faltimos anos, a partir de 2018. A quest\u00e3o da fome hoje no pa\u00eds, e sempre, \u00e9 uma quest\u00e3o de acesso. N\u00e3o faltam alimentos. Falta dinheiro para a popula\u00e7\u00e3o comprar alimentos. J\u00e1 era assim no tempo de Josu\u00e9 de Castro [m\u00e9dico, nutr\u00f3logo e autor do livro &#8220;Geografia da fome\u201d, escrito em 1946, presidiu a FAO], h\u00e1 75 anos, e agora est\u00e1 muito mais acentuado.<\/p>\n<p>Eu listaria cinco causas mais importantes para esse r\u00e1pido crescimento da fome: 1) Consequ\u00eancia da crise mundial: O Brasil passa por um per\u00edodo de baixo crescimento econ\u00f4mico, abaixo de 2% [por ano] \u00e9 insuficiente para gerar emprego e renda. Consequentemente, aumenta a\u00a0popula\u00e7\u00e3o desempregada ou ocupada informalmente, com baix\u00edssimos sal\u00e1rios. 2) Queda nos sal\u00e1rios: A infla\u00e7\u00e3o se acentua e culmina com uma n\u00e3o valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, que deixa de ser reajustado acima da infla\u00e7\u00e3o. O sal\u00e1rio m\u00ednimo serve de farol para o setor informal. Pesquisa do Dieese mostrou que, no \u00faltimo ano, praticamente todas as categorias n\u00e3o conseguiram repor nem mesmo as perdas inflacion\u00e1rias nas negocia\u00e7\u00f5es salariais. 3) Corte nas pol\u00edticas sociais e de seguran\u00e7a alimentar: Houve um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/fome-no-brasil-cresce-e-supera-taxa-de-quando-bolsa-fam%C3%ADlia-foi-criado\/a-57187014\">desmantelamento de pol\u00edticas sociais e de seguran\u00e7a alimentar<\/a>\u00a0criadas no in\u00edcio dos anos 2000; 4) Descontrole inflacion\u00e1rio, particularmente nos \u00faltimos dois anos da pandemia: A\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/alta-dos-alimentos-deve-agravar-inseguran%C3%A7a-alimentar-no-brasil\/a-54892120\">infla\u00e7\u00e3o dos alimentos<\/a>\u00a0afeta mais a popula\u00e7\u00e3o mais pobre. 5) As pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda do governo aplicadas durante a pandemia, via aux\u00edlio emergencial, foram insuficientes para evitar que mais gente fosse para baixo da linha da mis\u00e9ria. Com exce\u00e7\u00e3o do primeiro aux\u00edlio emergencial, que pagou R$ 600 para mais de 65 milh\u00f5es de pessoas, todos os outros programas de transfer\u00eancia de renda n\u00e3o foram suficientes para evitar o agravamento da fome.<\/p>\n<p><strong>DW Brasil: A pandemia agravou as vulnerabilidades e desigualdades sociais. Mas o quadro de fome no Brasil seria cont\u00ednuo inevitavelmente, diante das pol\u00edticas p\u00fablicas (ou da aus\u00eancia delas) adotadas\u00a0pelo Executivo nos \u00faltimos anos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Graziano:<\/strong>\u00a0A pandemia veio agravar o problema, mas n\u00e3o \u00e9 sua causa original. Com mais concentra\u00e7\u00e3o da renda, mais desemprego, menor crescimento, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piorou e mais pessoas foram jogadas na mis\u00e9ria. Dizer o que teria sido sem a pandemia \u00e9 dif\u00edcil, mas pelo mapa da pesquisa Vigisan [projeto de monitoramento da condi\u00e7\u00e3o alimentar e nutricional do Brasil, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar Nutricional \u2013 Penssan], a trajet\u00f3ria do r\u00e1pido crescimento da inseguran\u00e7a alimentar j\u00e1 era clara desde 2013 e se acentua muito em 2018. A falta de pol\u00edtica de seguran\u00e7a alimentar e combate \u00e0 fome do governo federal agravou muito essa situa\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida.<\/p>\n<figure style=\"width: 1110px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/static.dw.com\/image\/18478347_906.jpg\" alt=\"Jose Graziano da Silva\" width=\"1110\" height=\"624\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Graziano: Conselhos de Seguran\u00e7a Alimentar nos munic\u00edpios podem fazer muito, como organizar mutir\u00f5es e campanhasFoto: Getty Images\/AFP\/S. Kambou<\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>DW Brasil: O Bolsa Fam\u00edlia foi redesenhado na gest\u00e3o Bolsonaro e h\u00e1 especialistas que apontam riscos para o \u00eaxito futuro da pol\u00edtica de transfer\u00eancia de renda pelo desmonte nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. Como enxerga as mudan\u00e7as no programa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Graziano:<\/strong>\u00a0A mudan\u00e7a que foi feita, de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/como-vai-funcionar-o-aux%C3%ADlio-brasil-sucessor-do-bolsa-fam%C3%ADlia\/a-59579241\">extinguir o Bolsa Fam\u00edlia e criar o Aux\u00edlio Brasil<\/a>, foi apenas uma jogada de marketing num ano eleitoral, para eliminar a associa\u00e7\u00e3o do Bolsa Fam\u00edlia com o Lula. N\u00e3o vi vantagem nenhuma, e isso \u00e9 un\u00e2nime entre especialistas, no novo desenho do programa. Pelo contr\u00e1rio, parece at\u00e9 uma coisa provis\u00f3ria, que \u00e9 para conseguir emprego formal.<\/p>\n<p>Sabemos que conseguir um emprego formal n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo, para quem passa fome, seja pela falta de qualifica\u00e7\u00e3o profissional, seja porque n\u00e3o h\u00e1 oferta suficiente de empregos gerados na economia pelo baixo crescimento econ\u00f4mico. O desenho do novo programa deixa muito a desejar. Mas o mais importante, na minha opini\u00e3o, \u00e9 ter claro que as pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda s\u00e3o muito importantes para o contingente de popula\u00e7\u00e3o miser\u00e1vel, mas n\u00e3o resolvem o problema da fome.<\/p>\n<p>O mais importante \u00e9 gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda dentro de um processo de desenvolvimento econ\u00f4mico inclusivo, que distribua melhor a renda. Isso que acaba com a fome. Pol\u00edticas de transfer\u00eancia de renda s\u00e3o o que chamo de atores coadjuvantes das pol\u00edticas macroecon\u00f4micas. A valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, na minha opini\u00e3o, foi a grande pol\u00edtica que tirou o pa\u00eds do Mapa da Fome nos governos Lula.<\/p>\n<p><strong>DW Brasil: A fome \u00e9 um fen\u00f4meno multifacetado, sobretudo no Brasil, pelas camadas de desigualdade. V\u00ea alguma possibilidade de o pa\u00eds dar respostas c\u00e9leres ao problema no momento atual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Graziano:<\/strong>\u00a0A situa\u00e7\u00e3o atual \u00e9 dram\u00e1tica, em v\u00e1rias frentes. Mas o Brasil tem que enfrentar esse problema desde j\u00e1. O problema da fome n\u00e3o pode ser deixado para um pr\u00f3ximo governo, em 2023. Algo precisa ser feito\u00a0em 2022. Sen\u00e3o, vamos chegar a uma situa\u00e7\u00e3o explosiva no final do ano. A fome praticamente dobrou na pandemia, pelos dados de que dispomos. Hoje, em 2022, com elei\u00e7\u00e3o, s\u00f3 os munic\u00edpios t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de tomar iniciativas, j\u00e1 que o governo federal e os governos estaduais est\u00e3o totalmente absorvidos pelo processo eleitoral. Mas os munic\u00edpios podem fazer muita coisa, restaurantes populares, feiras livres, apoio \u00e0 agricultura familiar, hortas comunit\u00e1rias&#8230; Os munic\u00edpios t\u00eam os Conseas (Conselhos de Seguran\u00e7a Alimentar). Eles n\u00e3o foram extintos,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dw.com\/pt-br\/seguran%C3%A7a-alimentar-sob-risco-de-retrocesso-no-governo-bolsonaro\/a-47067455\">como foi o Consea Federal<\/a>. E os conselhos podem fazer muito nos munic\u00edpios, organizar mutir\u00f5es contra a fome, campanhas de arrecada\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos, implantar bancos de alimentos, melhoria de acesso da popula\u00e7\u00e3o mais pobre a alimentos. Algo tem que ser feito, um verdadeiro mutir\u00e3o contra a fome, em 2022, para que o problema n\u00e3o saia do controle.<\/p>\n<p><strong>DW Brasil: Existe uma esp\u00e9cie de neglig\u00eancia ou normaliza\u00e7\u00e3o do problema por parte das autoridades governamentais e da sociedade brasileira? Os movimentos da sociedade civil que tentam aplacar a fome podem ser comparados \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o nacional \u00e0 qual assistimos na d\u00e9cada de 90, com Betinho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Graziano:<\/strong>\u00a0Sem d\u00favida h\u00e1 uma neglig\u00eancia por parte do governo federal, e muitos Estados e munic\u00edpios tamb\u00e9m t\u00eam feito corpo mole. A pandemia virou a desculpa perfeita para essa ina\u00e7\u00e3o de grande parte do setor p\u00fablico que lava as m\u00e3os frente \u00e0 quest\u00e3o da fome. A fome tem crescido assustadoramente na pandemia. O \u00faltimo dado que temos \u00e9 uma pesquisa Datafolha, de dezembro de 2021, que mostrou que 15% da popula\u00e7\u00e3o adulta, cerca de 32 milh\u00f5es de pessoas, tinham deixado de comer porque n\u00e3o tinham dinheiro para comprar comida. E 26%, ou seja, 55 milh\u00f5es de pessoas, haviam comido menos do que necessitavam porque n\u00e3o tinham dinheiro para comprar mais alimentos no segundo ano da pandemia. Isso \u00e9 aproximadamente o dobro do que tinha sido registrado um ano antes pela Unicef. Ou seja, a fome dobrou no segundo ano da pandemia.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil est\u00e3o fazendo o poss\u00edvel, muitas vezes o imposs\u00edvel. Nota-se claramente uma canseira, fadiga dos doadores. \u00c9 muito dif\u00edcil manter esse ritmo acelerado de arrecada\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos. Mas uma s\u00e9rie de outras iniciativas novas est\u00e3o surgindo. A A\u00e7\u00e3o da Cidadania est\u00e1 liderando, atualmente, um conjunto de entidades, entre as quais o Instituto Fome Zero, que eu dirijo, para realizar um encontro contra a fome ainda no primeiro semestre de 2022. O objetivo \u00e9 procurar organizar melhor essas in\u00fameras iniciativas volunt\u00e1rias que surgiram no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a situa\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que era antes, no tempo do Betinho. Al\u00e9m de atingir um n\u00famero muito maior de fam\u00edlias, como nunca se tinha visto antes no Brasil, n\u00f3s n\u00e3o contamos com a ajuda do governo federal. S\u00e3o poucos os munic\u00edpios e Estados que t\u00eam no combate \u00e0 fome a sua prioridade. Eu, particularmente, que estive por 15 anos na FAO, parece que estou vendo um pa\u00eds em guerra. Essa \u00e9 a imagem que me vem \u00e0 mente quando vejo o que est\u00e1 se passando no Brasil, com muita tristeza.<\/p>\n<p><strong>DW Brasil: Al\u00e9m do custo social e pol\u00edtico, a fome tem um custo financeiro. Poderia falar sobre alguns dados e estudos sobre os impactos econ\u00f4micos que a fome gera \u00e0s na\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Graziano:\u00a0<\/strong>Na Am\u00e9rica Latina temos estudos da Cepal, junto com o Programa Mundial de Alimentos, a partir de 2005. Infelizmente n\u00e3o tem um estudo espec\u00edfico para o Brasil. Mas os resultados para a Am\u00e9rica Central e Rep\u00fablica Dominicana mostram perdas de 2% a mais de 11% do PIB, em decorr\u00eancia da fome, dependendo do pa\u00eds. A m\u00e9dia \u00e9 de 6,4% de perda do PIB. A fome afeta a produtividade das pessoas, com maior ocorr\u00eancia de enfermidades, mortes, menor n\u00edvel educacional decorrente de repet\u00eancia ou aus\u00eancia das crian\u00e7as. Na Am\u00e9rica do Sul, h\u00e1 estudos para a Bol\u00edvia, Equador, Paraguai e Peru por parte da Cepal e PMA, que mostram uma perda, em m\u00e9dia de 3,5% do PIB, tendo como refer\u00eancia o ano de 2005. Costumo dizer que a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio para erradicar a fome \u00e9 de aproximadamente 1 para 10 na Am\u00e9rica Latina. Quer dizer que a cada R$ 1 investido na erradica\u00e7\u00e3o da fome, ter\u00edamos o retorno de R$ 10. Portanto, n\u00e3o fossem por raz\u00f5es morais e humanit\u00e1rias, tamb\u00e9m do ponto de vista econ\u00f4mico \u00e9 um grande neg\u00f3cio erradicar a fome at\u00e9 2030.<\/p>\n<p>www.ctbbahia.org.br \/fonte: DW Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Menos de uma d\u00e9cada ap\u00f3s o Brasil ter deixado o Mapa da Fome, em 2014, o pa\u00eds vive hoje um aumento significativo da inseguran\u00e7a alimentar, que pode levar a uma &#8220;situa\u00e7\u00e3o explosiva&#8221; antes do final do ano e precisa ser enfrentada\u00a0pelas autoridades p\u00fablicas e pela sociedade com urg\u00eancia. 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