{"id":26695,"date":"2022-05-16T11:48:20","date_gmt":"2022-05-16T14:48:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=26695"},"modified":"2022-05-16T11:48:20","modified_gmt":"2022-05-16T14:48:20","slug":"privatizada-refinaria-da-bahia-tem-os-precos-de-combustiveis-mais-altos-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/05\/16\/privatizada-refinaria-da-bahia-tem-os-precos-de-combustiveis-mais-altos-do-pais\/","title":{"rendered":"Privatizada, refinaria da Bahia tem os pre\u00e7os de combust\u00edveis mais altos do Pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<p><strong>Reajustes praticados pela Acelem, antiga Rlam, s\u00e3o maiores que os da Petrobras. Efeito cascata provoca aumento em todos os outros produtos e servi\u00e7os como alimenta\u00e7\u00e3o e energia el\u00e9trica e penaliza os baianos<\/strong><\/p>\n<p>As consequ\u00eancias da privatiza\u00e7\u00e3o da antiga Refinaria Landulfo Alves (Rlam),\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/rlam-esta-sendo-vendida-por-metade-do-preco-denuncia-fup-6817\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">vendida pela metade do pre\u00e7o<\/a>\u00a0para o grupo Mubadala Capital, fundos dos Emirados \u00c1rabes Unidos, que mudou o nome para Refinaria Mataripe, que \u00e9 operada pela Acelen, j\u00e1 come\u00e7aram a penalizar severamente a popula\u00e7\u00e3o baiana que sofre com os maiores pre\u00e7os em combust\u00edveis do pa\u00eds,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/privatizacao-da-petrobras-causara-aumento-nos-precos-dos-combustiveis-e-gas-ace4\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">como a CUT e a Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) veem alertando desde 2019.<\/a><\/p>\n<p>Com os reajustes praticados pela Mataripe, o g\u00e1s de cozinha chega a ser vendido a R$ 140 em algumas cidades, o litro da gasolina passa de R$ 8,00, em m\u00e9dia, e o \u00f3leo diesel, como nunca se viu antes, tamb\u00e9m est\u00e1 pr\u00f3ximo desse valor. Em um dos postos, a gasolina comum sai a R$ 7,94 e o diesel a R$ 7,76 (veja na imagem), diz Radiovaldo Costa, diretor de Comunica\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA). Segundo ele, h\u00e1 lugares em que o diesel \u00e9 mais caro que a gasolina.<\/p>\n<p>\u201cNunca na hist\u00f3ria desde os primeiros ve\u00edculos a diesel, l\u00e1 nos anos 1920, 1930, o diesel foi vendido pelo mesmo pre\u00e7o que a gasolina. Olha a que ponto chegamos\u201d, diz o dirigente.<\/p>\n<p>Os aumentos praticados pela privatizada s\u00e3o \u00a0maiores do que os j\u00e1 abusivos reajustes praticados pela Petrobras, autorizados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que manteve a Pol\u00edtica de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o (PPI), implantada pelo ileg\u00edtimo Michel Temer (MDB), em 2017. Pelo PPI, os pre\u00e7os s\u00e3o reajustados de acordo com a cota\u00e7\u00e3o do d\u00f3lar e do barril internacional de petr\u00f3leo. Se l\u00e1 fora h\u00e1 um aumento do barril, mesmo o Brasil sendo autossuficiente na produ\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o de l\u00e1 \u00e9 cobrado aqui. Se a varia\u00e7\u00e3o cambial eleva o pre\u00e7o do d\u00f3lar, idem.<\/p>\n<p>E s\u00e3o maiores justamente porque a refinaria foi privatizada e, pelo livre mercado, cobra o pre\u00e7o que que considera \u2018cobrir\u2019 seus custos. Quem paga a conta \u00e9 o povo baiano.<\/p>\n<p>Uma compara\u00e7\u00e3o feita pelo Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) mostrou a disparidade entre os reajustes praticados este ano pela Mataripe e pela Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, a mais pr\u00f3xima da Bahia.<\/p>\n<p>Enquanto o reajuste do diesel na Rnest, da Petrobras, foi de 45%, na\u00a0Mataripe foi de de 58%.<\/p>\n<p>A Petrobras aumentou o g\u00e1s de cozinha (GLP) em \u00a010%; a\u00a0Mataripe aumentou em 17%.<\/p>\n<p>J\u00e1 a gasolina aumentou 37% na refinaria da Petrobras enquanto que na\u00a0Mataripe o reajuste foi de 48%.<\/p>\n<p><strong>A Bahia pede socorro<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia quando os pre\u00e7os dos combust\u00edveis sobem. Aumenta a infla\u00e7\u00e3o, ou seja, todos os outros pre\u00e7os de produtos, em especial os essenciais, como alimentos, tamb\u00e9m sobem. Na Bahia, o impacto\u00a0 \u00e9 mais acentuado.<\/p>\n<p>\u201cPre\u00e7os subiram muito acima da infla\u00e7\u00e3o. E muito por causa dos transportes que dependem do diesel para funcionar. Se aumenta, o custo \u00e9 repassado e quem paga somos n\u00f3s\u201d, diz Radiovaldo Costa. Ele ainda cita empresas cuja produ\u00e7\u00e3o depende de maquin\u00e1rio a diesel, que tamb\u00e9m est\u00e3o sofrendo impactos.<\/p>\n<p>A economista e supervisora t\u00e9cnica do Dieese, Ana Georgina Dias, refor\u00e7a que n\u00e3o \u00e9 somente no tanque de combust\u00edvel que o impacto \u00e9 sentido, \u201cn\u00e3o pode ser analisado somente por quem depende de carro e moto, inclusive para trabalhar, \u00e9 um impacto gigantesco em toda a sociedade e quanto maior o reajuste, maior o pre\u00e7o, mais o trabalhador vai perder seu poder de compra porque tudo fica mais caro\u201d<\/p>\n<p>\u201cAfeta a sociedade modo geral, sobretudo para os trabalhadores e em especial para os que n\u00e3o t\u00eam ocupa\u00e7\u00e3o ou que t\u00eam menor renda\u201d, ela diz.<\/p>\n<p>E a situa\u00e7\u00e3o da Bahia est\u00e1 se tornando dram\u00e1tica, ela prossegue. \u201cAs pessoas cada vez mais est\u00e3o tentando fazer m\u00e1gica com o or\u00e7amento, tira daqui para cobrir ali e estamos falando de coisas que n\u00e3o d\u00e1 para substituir como transporte, alimenta\u00e7\u00e3o e energia el\u00e9trica\u201d.<\/p>\n<p><strong>Em Porto Seguro, passagem de \u00f4nibus foi de de R$ 3,80 para R$ 4,50 \u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Para o estudante de jornalismo da Universidade Federal do Sul da Bahia, Felipe Moraes, a realidade que os baianos vivem \u00e9 de retrocesso. Mesmo com bolsa, ele gastava, antes da pandemia, cerca de R$ 130,00 com transporte. Hoje, desembolsa cerca de R$ 210,00, quase o dobro e com expectativa de aumentar ainda mais.<\/p>\n<p>Ele conta que h\u00e1 um m\u00eas, portanto antes \u00faltimo aumento do diesel, na \u00faltima ter\u00e7a-feira (10), houve um reajuste no transporte p\u00fablico de Porto Seguro, onde mora e estuda. A passagem foi de R$ 3,80 para R$ 4,50 e, agora, pode subir ainda mais.<\/p>\n<p>\u201cA empresa diz que o aumento foi s\u00f3 pra se manter e sair do vermelho mesmo. Sequer se comprometeram a dar manuten\u00e7\u00e3o nos \u00f4nibus que v\u00eam de outras cidades, como Curitiba, Rio de Janeiro. S\u00e3o sucatas que a Via\u00e7\u00e3o Porto Seguro compra e que vivem quebrando\u201d.<\/p>\n<p>Mas, Felipe que divide apartamento com um colega, tamb\u00e9m sente no dia a dia o peso da infla\u00e7\u00e3o. \u201cO litro do \u00f3leo t\u00e1 R$ 12 reais\u201d, ele diz para ilustrar que or\u00e7amento dom\u00e9stico est\u00e1 cada vez mais apertado.<\/p>\n<p><strong>Gasolina poderia custar R$ 3,70 na bombas, diz FUP<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente o barril de Petr\u00f3leo mercado externo oscila entre 100 e 106 d\u00f3lares. A Mataripe n\u00e3o produz, n\u00e3o extrai, apenas compra, refina e revende os derivados. \u201cEles compram do mercado internacional e tamb\u00e9m compram da Petrobras, mas tamb\u00e9m com o pre\u00e7o internacional\u201d, explica Radiovaldo. Portanto, a empresa n\u00e3o tem margem para conter os pre\u00e7os e se o d\u00f3lar dispara ou o barril do petr\u00f3leo sobre, automaticamente empurra todo os seus pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O dirigente ressalta que a Petrobras produz o petr\u00f3leo ao pre\u00e7o de 15 d\u00f3lares, \u201cmas vende a 106, o que gera um lucro violento\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o tem sentido a empresa ter em tr\u00eas meses um lucro de R$ 44 bi. Eles gastam 15 [d\u00f3lares] e vendem a 106. \u00c9 um lucro de 90%\u201d, diz Radiovaldo. Esses n\u00fameros fazem parte, inclusive, de um estudo feito pela Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) que mostra que o pre\u00e7o da gasolina poderia ser R$ 3,70 na bombas, ou seja, para o consumidor.<\/p>\n<p><strong>Drama<\/strong><\/p>\n<p>As pessoas n\u00e3o conseguem mais comprar o g\u00e1s que chega at\u00e9 R$ 140 \u2013 mais de 10% do sal\u00e1rio m\u00ednimo em algumas regi\u00f5es. Muita gente usa lenha e carv\u00e3o, como h\u00e1 70 anos.\u00a0 E quem compra o botij\u00e3o de g\u00e1s, tem que rebolar no or\u00e7amento, deixando de lado a compra de outros produtos essenciais como alimentos, roupas e at\u00e9 rem\u00e9dios.<\/p>\n<p>Cresceu ainda, segundo informa\u00e7\u00f5es obtidas pelo Sindipetro Bahia, a venda de fogareiros, um artefato comumente usado nos anos 1950 que usa lenha e carv\u00e3o para produzir fogo.<\/p>\n<p>Outra consequ\u00eancia \u00e9 que aumentou o n\u00famero a quantidade de pessoas que n\u00e3o usam mais o carro e a moto para trabalhar. \u201cEles perceberam que n\u00e3o d\u00e1 para bancar o combust\u00edvel. A conta n\u00e3o fecha eles acabam tendo que pagar para trabalhar. Al\u00e9m de impactar em toda a economia ainda acaba gerando desemprego diz o dirigente\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sem sa\u00edda<\/strong><\/p>\n<p>A conclus\u00e3o para Radiovaldo \u00e9 de que para o povo baiano, n\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria. Ou eles compram os derivados produzidos pela refinaria privatizada ou ficam sem. O mesmo vale para todos os outros produtos que sofreram impactos por causa do aumento dos combust\u00edveis no estado.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O povo baiano sofre porque n\u00e3o tem concorr\u00eancia. Se a Acelem, antiga Rlam \u00e9 a \u00fanica fonte, ou compra dela ou fica sem.<\/p>\n<footer>&#8211; Radiovaldo Costa<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Mas, o petroleiro conta que donos de postos de combust\u00edveis, para fugir dos pre\u00e7os altos, est\u00e3o adotando algumas estrat\u00e9gias para driblar o problema. Um deles, citado pelo dirigente e que preferiu n\u00e3o ter seu nome divulgado, prefere comprar o combust\u00edvel da refinaria de Pernambuco, e n\u00e3o da Mataripe, mesmo sendo distante 80km de seu posto, porque no fim das contas, o lucro \u00e9 maior.<\/p>\n<p>\u201cEle disse que vai andar 1.400 km [ida e volta] para comprar 45 mil litros de diesel, vai custar o frete que sai R$ 11 mil, mais os custos com os motoristas, alimenta\u00e7\u00e3o etc., e ainda assim quando for revender, seu lucro vai ser maior do que se ele percorrer 160 km pra comprar na refinaria da Bahia\u201d, contou Radiovaldo.<\/p>\n<p>E a maioria dos postos da regi\u00e3o norte da Bahia est\u00e3o fazendo a mesma coisa o que provoca mais um impacto negativo para o estado, desta vez, na arrecada\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que o ICMS \u2013 imposto que \u00e9 estadual \u2013 vai para Pernambuco. \u201c\u00c9 um problema abissal e vai se tornar cr\u00f4nico com o tempo\u201d, diz o dirigente.<\/p>\n<p><strong>Monop\u00f3lio<\/strong><\/p>\n<p>Para Radiovaldo Costa, a Petrobras deveria seguir seu compromisso institucional e social no pa\u00eds, tendo controle sobre todas as fases \u2013 extra\u00e7\u00e3o, refino e distribui\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo. \u00c9 quest\u00e3o, inclusive de soberania e justi\u00e7a social em todo o Brasil.<\/p>\n<p>Mesmo que em algumas regi\u00f5es o retorno financeiro para a Petrobras n\u00e3o seja satisfat\u00f3rio, o lucro de outras regi\u00f5es, acaba compensando no c\u00f4mputo geral e este modelo, se fosse levado \u00e0 risca, faria com que o pa\u00eds pudesse ter pre\u00e7os iguais em todas as regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas o \u2018presente de grego\u2019, como diz Radiovaldo, dado por Bolsonaro ao povo baiano, com a privatiza\u00e7\u00e3o da Rlam, n\u00e3o s\u00f3 tem provocado a disparidade com as demais regi\u00f5es como tem feito com que os pre\u00e7os praticados tomem propor\u00e7\u00f5es absurdas.<\/p>\n<p>Ele diz que a situa\u00e7\u00e3o do povo baiano \u00e9 uma alerta para outros estados que t\u00eam refinarias, para que n\u00e3o \u2018comam o p\u00e3o que o diabo amassou\u2019 por causa da privatiza\u00e7\u00e3o da refinaria. \u201cO governo dizia \u2018privatiza que fica mais barato\u2019, mas olha a\u00ed o resultado \u2013 58% de aumento s\u00f3 esse ano\u201d.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/ Andre Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reajustes praticados pela Acelem, antiga Rlam, s\u00e3o maiores que os da Petrobras. 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