{"id":26817,"date":"2022-05-20T10:48:46","date_gmt":"2022-05-20T13:48:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=26817"},"modified":"2022-05-20T10:48:46","modified_gmt":"2022-05-20T13:48:46","slug":"alem-de-aumentar-a-conta-eletrobras-privatizada-vai-investir-em-modelos-poluentes-de-geracao-de-energia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/05\/20\/alem-de-aumentar-a-conta-eletrobras-privatizada-vai-investir-em-modelos-poluentes-de-geracao-de-energia\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m de aumentar a conta, Eletrobras privatizada vai investir em modelos poluentes de gera\u00e7\u00e3o de energia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Al\u00e9m do pre\u00e7o ao consumidor, lei que permite desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras prev\u00ea termel\u00e9tricas onde n\u00e3o h\u00e1 g\u00e1s, \u201cobrigando\u201d a construir milhares de quil\u00f4metros de gasodutos<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 A privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2022\/05\/tcu-aprova-privatizacao-eletrobras\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">liberada pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o<\/a>\u00a0(TCU) na quarta-feira (18), \u00e9 abordada na m\u00eddia nacional de maneira superficial, como mera quest\u00e3o de mercado. Mesmo se a pauta \u00e9 o pre\u00e7o final que ser\u00e1 pago pelo consumidor ap\u00f3s a desestatiza\u00e7\u00e3o, as reportagens televisivas comentam o tema de maneira envergonhada, jogando para o m\u00e9dio e longo prazo \u201cposs\u00edveis\u201d efeitos negativos no bolso dos brasileiros.<\/p>\n<p>Mas, para Mauricio Tolmasquim, secret\u00e1rio-executivo do Minist\u00e9rio de Minas e Energia entre 2003 e 2005, ex-presidente da Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE), \u00e9 importante destacar dois pontos no processo. \u201cPrimeiro, que a privatiza\u00e7\u00e3o\u00a0era desnecess\u00e1ria. N\u00e3o era preciso privatizar para atrair investimentos. Segundo, o impacto ser\u00e1 grande sobre o consumidor\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>Em 2012, v\u00e1rias hidrel\u00e9tricas estavam com as concess\u00f5es para vencer e o governo de Dilma Rousseff as renovou. Como as plantas operacionais j\u00e1 estavam amortizadas, a proposta do governo, aceita pela estatal, foi vender energia pelo pre\u00e7o de custo, mais uma taxa de lucro. \u201cAgora, com a privatiza\u00e7\u00e3o, quem comprar (a empresa ou empresas do sistema Eletrobras) vai vender (a energia gerada) pelo valor de mercado\u201d, explica Tolmasquim. Ele estima que no mercado o valor \u00e9 cerca de tr\u00eas vezes o pre\u00e7o de custo, acrescidos da taxa de lucro, que \u00e9 determinada pela pr\u00f3pria empresa.<\/p>\n<div class=\"widget-area-inside-single-content\"><\/div>\n<p>Al\u00e9m de acenar com o encarecimento da conta de luz dos brasileiros, a lei que permite a privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras \u00e9 um monumento \u00e0 insensatez. Entre os chamados jabutis da legisla\u00e7\u00e3o, fruto da \u00a0atua\u00e7\u00e3o de lobbies poderosos, um deles obriga \u00a0a inser\u00e7\u00e3o de 8 mil MW em termel\u00e9tricas a g\u00e1s no Sistema Interligado Nacional (SIN) entre os anos de 2026 e 2030.<\/p>\n<p>No jarg\u00e3o pol\u00edtico, jabuti define a inser\u00e7\u00e3o de norma alheia ao tema principal em um projeto de lei ou medida provis\u00f3ria enviada ao Legislativo pelo Executivo. O termo surgiu por analogia ao ditado popular \u201cjabuti n\u00e3o sobe em \u00e1rvore\u201d, usado para expressar fatos que n\u00e3o acontecem de forma natural.<\/p>\n<div class=\"widget-area-inside-single-content\">\n<div class=\"textwidget\"><strong>Custos estratosf\u00e9ricos<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<p>As termel\u00e9tricas s\u00e3o um meio de produ\u00e7\u00e3o de energia alternativo onde h\u00e1 escassez de outras fontes. O Brasil \u00e9 um pa\u00eds rico em recursos h\u00eddricos, o que desaconselha tal exig\u00eancia. Pior que isso, a maneira como a Eletrobras est\u00e1 sendo privatizada permite prever que as termel\u00e9tricas a g\u00e1s ser\u00e3o instaladas em regi\u00f5es que n\u00e3o o produzem (Centro-oeste, Norte e norte de Minas), o que vai obrigar a constru\u00e7\u00e3o de gasodutos car\u00edssimos, estimados em R$ 100 bilh\u00f5es de reais.<\/p>\n<p>A opera\u00e7\u00e3o dessas t\u00e9rmicas, explica Tolmasquim, estima-se que custem mais R$ 52 bilh\u00f5es. Fora o custo de construir as pr\u00f3prias t\u00e9rmicas, mais R$ 18 bilh\u00f5es. \u201cAl\u00e9m disso, como essas usinas est\u00e3o longe do grande mercado consumidor, teria que construir grandes linhas de transmiss\u00e3o. \u00c9 um esc\u00e2ndalo.\u201d<\/p>\n<h3><strong>Danos ao meio ambiente<\/strong><\/h3>\n<p>Os problemas n\u00e3o param por a\u00ed. Em\u00a0<a href=\"https:\/\/energiaeambiente.org.br\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/IEMA_privatizacaodaeletrobras_termeletricasjul-2021.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">nota t\u00e9cnica sobre os impactos ambientais<\/a>\u00a0decorrentes da inser\u00e7\u00e3o de termel\u00e9tricas a g\u00e1s natural, o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) esclarece que os problemas s\u00e3o preocupantes. \u201cAl\u00e9m de representar custos adicionais em rela\u00e7\u00e3o a outras op\u00e7\u00f5es energ\u00e9ticas menos custosas para o atendimento dos maiores centros de carga do pa\u00eds, o investimento em gasodutos est\u00e1 comprometido em uma fonte energ\u00e9tica que tornar\u00e1 mais distante a necess\u00e1ria descarboniza\u00e7\u00e3o da matriz el\u00e9trica brasileira. O mesmo pode se dizer das emiss\u00f5es diretas decorrentes da opera\u00e7\u00e3o dessas usinas\u201d, afirma a nota.<\/p>\n<p>A proposta que virou lei, em decorr\u00eancia da aprova\u00e7\u00e3o da Medida Provis\u00f3ria 1.031, privilegia um modelo poluente em detrimento de fontes renov\u00e1veis, como e\u00f3lica e solar. \u00a0E \u00e9, portanto,\u00a0 \u201cconflitante com o cen\u00e1rio global de transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica e especialmente com o atual cen\u00e1rio de risco de racionamento\u201d, aponta o Iema.<\/p>\n<p>Os absurdos se sucedem. A previs\u00e3o legal \u00e9 que essas usinas v\u00e3o operar em tempo integral. Mesmo quando houver muita \u00e1gua nos reservat\u00f3rios ou muita energia e\u00f3lica ou solar, elas t\u00eam que continuar a gerar a energia t\u00e9rmica, cara e poluente. Tudo para atender interesses econ\u00f4micos nas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>www.redebrasilatual.com.br\/\u00a0Eduardo Maretti<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m do pre\u00e7o ao consumidor, lei que permite desestatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras prev\u00ea termel\u00e9tricas onde n\u00e3o h\u00e1 g\u00e1s, \u201cobrigando\u201d a construir milhares de quil\u00f4metros de gasodutos S\u00e3o Paulo \u2013 A privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras,\u00a0liberada pelo Tribunal de Contas da Uni\u00e3o\u00a0(TCU) na quarta-feira (18), \u00e9 abordada na m\u00eddia nacional de maneira superficial, como mera quest\u00e3o de mercado. 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