{"id":27144,"date":"2022-05-30T11:42:28","date_gmt":"2022-05-30T14:42:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27144"},"modified":"2022-05-30T11:42:28","modified_gmt":"2022-05-30T14:42:28","slug":"refinaria-privatizada-descumpre-promessa-e-mantem-navios-sem-combustivel-na-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/05\/30\/refinaria-privatizada-descumpre-promessa-e-mantem-navios-sem-combustivel-na-bahia\/","title":{"rendered":"Refinaria privatizada descumpre promessa e mant\u00e9m navios sem combust\u00edvel na Bahia"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Empresa que comprou Rlam chegou anunciar retomada do abastecimento, mas isso nunca ocorreu<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a o \u00e1udio:<\/strong><\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-27144-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/30-05-22-REFINARIA-COMBUSTIVEL-VINICIUS-KONSCHINSKI.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/30-05-22-REFINARIA-COMBUSTIVEL-VINICIUS-KONSCHINSKI.mp3\">https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/30-05-22-REFINARIA-COMBUSTIVEL-VINICIUS-KONSCHINSKI.mp3<\/a><\/audio>\n<p>A Acelen, empresa que comprou da Petrobras a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em S\u00e3o Francisco do Conde (BA), descumpriu sua promessa e n\u00e3o retomou o abastecimento de navios que passam pelo Porto de Salvador.<\/p>\n<p>O fornecimento de \u00f3leo combust\u00edvel a embarca\u00e7\u00f5es parou em 1\u00ba de dezembro, quando a Petrobras repassou \u00e0 companhia privada o controle da Rlam, agora chamada de Refinaria de Mataripe. O fato gerou queixas de oficiais da Marinha Mercante e uma den\u00fancia do Sindicato das Ag\u00eancias de Navega\u00e7\u00e3o do Estado da Bahia (Sindinave) \u00e0 Ag\u00eancia Nacional do Petr\u00f3leo (ANP).<\/p>\n<p>O\u00a0<strong>Brasil de Fato<\/strong>\u00a0tratou das reclama\u00e7\u00f5es em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/02\/10\/refinaria-privatizada-decide-exportar-e-deixa-navios-sem-combustivel-na-bahia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">reportagem em fevereiro<\/a>. Na \u00e9poca, a Acelen informou que empenhava todos seus esfor\u00e7os para retomar o servi\u00e7o at\u00e9 o fim de mar\u00e7o.<\/p>\n<p>Dias depois da reportagem, ainda em fevereiro, Acelen chegou a divulgar uma nota p\u00fablica informando que, no dia 21 daquele m\u00eas, o abastecimento havia sido retomado. Segundo a empresa, na \u00e9poca, a opera\u00e7\u00e3o era feita apenas por meio de barca\u00e7as, as quais retirariam o combust\u00edvel de um terminal administrado pela Acelen e o levariam a navios.<\/p>\n<p>Acontece que, segundo Gonzalo Jorr\u00edn, diretor-executivo do Sindinave, isso nunca ocorreu. \u201cN\u00e3o \u00e9 verdade [que o abastecimento foi retomado]. N\u00e3o houve nenhuma novidade sobre isso\u201d, afirmou Jorr\u00edn.<\/p>\n<p>O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro) e trabalhadores do pr\u00f3prio terminal da Acelen, o Terminal de Madre de Deus (Temadre), tamb\u00e9m negaram o abastecimento. \u201cJ\u00e1 ouvi no terminal pessoas dizendo que ir\u00e1 voltar. Mas at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o apresentaram data nem nada que leve a crer que est\u00e3o trabalhando nisso\u201d, relatou um trabalhador do Temadre, o qual n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria ANP tamb\u00e9m indica que o reabastecimento n\u00e3o foi restabelecido. Segundo a ag\u00eancia, a Acelen j\u00e1 se comprometeu \u201ca solucionar todas as quest\u00f5es e retomar o fornecimento em situa\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 que ocorria anteriormente, com prioridade e no menor tempo poss\u00edvel\u201d. Faltariam agora quest\u00f5es burocr\u00e1ticas para solucionar a quest\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Transtorno e preju\u00edzo<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com o Sindinave, cerca de 220 embarca\u00e7\u00f5es passam pelo Porto de Salvador por m\u00eas. Cerca de 40 aproveitavam a parada ali para abastecer at\u00e9 a privatiza\u00e7\u00e3o da Rlam.<\/p>\n<p>A refinaria produzia o \u00f3leo combust\u00edvel para navios e o enviava por dutos at\u00e9 o Temadre, o qual era administrado pela Transpetro. De l\u00e1, seguia para os navios por barca\u00e7as ou por abastecimento direto.<\/p>\n<p>A Rlam, junto com os dutos e o pr\u00f3prio Temadre, foi comprada pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/03\/25\/fundo-controlado-por-principe-amigo-de-bolsonaro-cresce-com-crise-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mudabala Capital<\/a>\u00a0em mar\u00e7o do ano passado por US$ 1,65 bilh\u00e3o \u00a0(cerca de R$ 8,25 bilh\u00f5es \u00e0 \u00e9poca). Desde ent\u00e3o, a transfer\u00eancia da administra\u00e7\u00e3o de todas essas estruturas passou a ser discutida entre a Petrobras e a Acelen.<\/p>\n<p>A Acelen \u00e9 quem controla tudo isso atualmente. Funcion\u00e1rios da Petrobras, no entanto, ainda trabalham na refinaria e no Temadre numa transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mesmo com essa integra\u00e7\u00e3o, a Acelen declarou que n\u00e3o conseguiu continuar abastecendo navios como a estatal fazia. \u201cOs ativos log\u00edsticos necess\u00e1rios para a comercializa\u00e7\u00e3o do Bunker Oil [\u00f3leo combust\u00edvel] ao mercado local n\u00e3o fizeram parte da compra da refinaria\u201d, justificou, na \u00e9poca da interrup\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>\u201cOs navios agora t\u00eam que abastecer em outros portos\u201d, reclamou Jorr\u00edn, do Sindinave. \u201cA programa\u00e7\u00e3o das viagens precisa mudar para levar em conta a falta do abastecimento no Porto de Salvador.\u201d<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Exporta\u00e7\u00f5es a todo vapor<\/strong><\/p>\n<p>Mesmo sem fornecer combust\u00edvel aos navios, a Acelen continua produzindo \u00f3leo combust\u00edvel na antiga Rlam. De acordo com a ANP, ali\u00e1s, a produ\u00e7\u00e3o desse combust\u00edvel \u00e9 maior do que na \u00e9poca da Petrobras.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2022, j\u00e1 durante a gest\u00e3o Acelen, o crescimento foi de 1,4% na compara\u00e7\u00e3o com janeiro de 2021, na \u00e9poca da estatal. Em mar\u00e7o de 2021 contra mar\u00e7o de 2022, o crescimento foi ainda maior: 14,7%.<\/p>\n<p>Quem trabalha no Temadre, contudo, diz que essa produ\u00e7\u00e3o \u00e9 destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. \u201cO combust\u00edvel que carregamos no terminal vai para grandes embarca\u00e7\u00f5es, sendo maioria para exporta\u00e7\u00e3o\u201d, disse um trabalhador.<\/p>\n<p>Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federa\u00e7\u00e3o \u00danica dos Petroleiros (FUP) e diretor do Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro-BA), j\u00e1 havia alertado ainda em fevereiro que a falta de abastecimento de navios na Bahia era uma decis\u00e3o empresarial da Acelen.<\/p>\n<p>\u201cHouve desabastecimento de navios porque o produto [\u00f3leo combust\u00edvel] foi destinado para exporta\u00e7\u00e3o\u201d, disse Bacelar, na \u00e9poca.<\/p>\n<p>A Acelen mant\u00e9m em seu site informa\u00e7\u00f5es sobre o abastecimento de navios. Segundo a p\u00e1gina, ele ocorre ap\u00f3s agendamento com dois dias de anteced\u00eancia e se d\u00e1 no sistema \u201cex-wharf\u201d, ou seja, o cliente \u00e9 respons\u00e1vel por tirar o combust\u00edvel do Temadre em barca\u00e7as para que possa lev\u00e1-lo at\u00e9 um navio.<\/p>\n<p>A informa\u00e7\u00e3o do site condiz com a nota p\u00fablica emitida pela Acelen em fevereiro. Procurada desde a segunda-feira (23) a empresa comentou nesta sexta (27) que\u00a0&#8221; o contrato foi assinado com o distribuidor que ficar\u00e1 respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o do bunker oil. A opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 prevista para iniciar no m\u00eas que vem&#8221;.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Privatiza\u00e7\u00e3o contestada<\/strong><\/p>\n<p>A venda da Rlam por US$ 1,65 bilh\u00e3o foi contestada pois, segundo o Instituto de Estudos Estrat\u00e9gicos de Petr\u00f3leo, G\u00e1s Natural e Biocombust\u00edveis Z\u00e9 Eduardo Dutra (Ineep), ela valia pelo menos o dobro disso.<\/p>\n<p>A antiga Rlam \u00e9 a primeira refinaria nacional, tendo sido criada em 1950, antes mesmo da funda\u00e7\u00e3o da Petrobras, em 1953.<\/p>\n<p>A planta \u00e9 capaz de produzir mais de 30 produtos diferentes, incluindo gasolina, diesel, lubrificantes e querosene de avia\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m \u00e9 produtora nacional de uma parafina usada na ind\u00fastria de chocolates e chicletes.<\/p>\n<p>Desde que foi privatizada,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.brasildefato.com.br\/2022\/01\/28\/refinaria-privatizada-aumenta-precos-de-gasolina-e-diesel-mais-do-que-petrobras\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">passou a vender combust\u00edvel mais caro que a Petrobras<\/a>. Aproveitando-se da falta de concorr\u00eancia na Bahia,\u00a0<a href=\"http:\/\/empresa%20que%20comprou%20rlam%20chegou%20anunciar%20retomada%20do%20abastecimento%2C%20mas%20isso%20de%20fato%20nunca%20ocorreu\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a Acelen inclusive j\u00e1 vendeu gasolina e diesel mais caros em territ\u00f3rio baiano do que em outros estados<\/a>, mesmo nos casos em que a empresa pagava para transportar o combust\u00edvel para fora da Bahia.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Mais privatiza\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>A venda da Rlam faz parte do programa de desinvestimentos da Petrobras. Das 14 refinarias que a estatal tinha, oito foram postas \u00e0 venda nesse programa, sendo que quatro foram oficialmente vendidas. A Rlam foi a primeira cuja administra\u00e7\u00e3o j\u00e1 foi transferida da estatal \u00e0 iniciativa privada.<\/p>\n<p>Oficialmente, a inten\u00e7\u00e3o do governo federal \u00e9 vender as refinarias da Petrobras a outras companhias para que elas passem a concorrer com a estatal. Isso, para o governo, tenderia a reduzir os pre\u00e7os de derivados de petr\u00f3leo no Brasil.<\/p>\n<p>Nesta semana, por exemplo, a Petrobras assinou o contrato de venda da Refinaria Lubrificantes e Derivados de Petr\u00f3leo do Nordeste (Lubnor), no Fortaleza (CE). A FUP recorreu \u00e0 Justi\u00e7a para tentar reverter o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Vinicius Konchinski<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Empresa que comprou Rlam chegou anunciar retomada do abastecimento, mas isso nunca ocorreu Ou\u00e7a o \u00e1udio: A Acelen, empresa que comprou da Petrobras a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em S\u00e3o Francisco do Conde (BA), descumpriu sua promessa e n\u00e3o retomou o abastecimento de navios que passam pelo Porto de Salvador. 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