{"id":27224,"date":"2022-06-01T09:45:17","date_gmt":"2022-06-01T12:45:17","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27224"},"modified":"2022-06-01T09:45:17","modified_gmt":"2022-06-01T12:45:17","slug":"politica-de-bolsonaro-tira-emprego-e-comida-do-prato-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/06\/01\/politica-de-bolsonaro-tira-emprego-e-comida-do-prato-das-mulheres\/","title":{"rendered":"Pol\u00edtica de Bolsonaro tira emprego e comida do prato das mulheres"},"content":{"rendered":"<p><strong>M\u00e9dia de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, com Bolsonaro, aumentou mais que em outros pa\u00edses. Elas tamb\u00e9m foram mais atingidas pelo desemprego do que os homens<\/strong><\/p>\n<p>Aumentou quatro vezes mais que a m\u00e9dia mundial o n\u00famero de brasileiras que afirmam que n\u00e3o ter dinheiro para comprar comida, segundo dados levantados pela pesquisa FGV-Social, da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas, que tra\u00e7a um comparativo sobre inseguran\u00e7a alimentar entre o Brasil e outros 120 pa\u00edses. E n\u00e3o adianta culpar a pandemia do novo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 claro que a pandemia agravou a situa\u00e7\u00e3o, mas o Brasil, desde 2016, j\u00e1 vinha sendo golpeado pelas pol\u00edticas neoliberais do golpista Temer\u201d, afirma Juneia Batista, Secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, que acrescenta: \u201cDepois, com Bolsonaro, tudo piorou ainda mais porque al\u00e9m de n\u00e3o ter um plano de enfrentamento \u00e0 Covid, ele simplesmente terminou de destruir pol\u00edticas sociais, principalmente as voltadas para as mulheres\u201d.<\/p>\n<p>O resultado disso \u00e9 que a fome entre as brasileiras aumentou seis vezes mais que a m\u00e9dia dos outros pa\u00edses, que tamb\u00e9m sofreram com a pior crise sanit\u00e1ria do s\u00e9culo. Enquanto em outros pa\u00edses a fome cresceu 33%, no Brasil subiu 47%.<\/p>\n<p>Incluindo as crian\u00e7as que, normalmente est\u00e3o mais pr\u00f3ximas e s\u00e3o cuidadas pelas m\u00e3es,\u00a0<strong>o total de brasileiros com fome passa de 20 milh\u00f5es<\/strong>. S\u00e3o pessoas sem emprego, sem renda e sem o direito de ter uma vida alimenta\u00e7\u00e3o digna.<\/p>\n<p>Aliados aos ataques \u00e0s pol\u00edticas voltadas \u00e0s mulheres que t\u00eam sido destru\u00eddas, a condu\u00e7\u00e3o da economia e o ataque aos direitos trabalhistas t\u00eam provocado ainda mais a exclus\u00e3o das mulheres do mercado de trabalho, o que tamb\u00e9m contribui para a deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de vida.<\/p>\n<p>\u201cA cada cem mulheres, 30 est\u00e3o desempregadas e, por serem mulheres, elas permanecem mais tempo fora do mercado de trabalho. S\u00f3 na pandemia, no trabalho dom\u00e9stico, mais de 1,5 milh\u00e3o de trabalhadoras perderam seus empregos\u201d, explica a economista do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Marilane Teixeira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ela diz, os impactos da crise econ\u00f4mica que foi aprofundada pela pandemia ainda n\u00e3o foram reabsorvidos, ou seja, \u201da maior parte das mulheres que perderam o emprego na pandemia ainda n\u00e3o conseguiu trabalho. Os n\u00edveis de ocupa\u00e7\u00e3o n\u00e3o retornaram ao que era antes\u201d, diz Marilane.<\/p>\n<p>O impacto do maior n\u00famero de mulheres fora da for\u00e7a de trabalho tem consequ\u00eancias mais graves do que apenas o desemprego. \u201cCerca de 48% dos lares brasileiros s\u00e3o chefiados por mulheres. Se elas n\u00e3o t\u00eam emprego, n\u00e3o t\u00eam renda e n\u00e3o t\u00eam como sustentar a fam\u00edlia. Por isso os \u00edndices de inseguran\u00e7a alimentar aumentaram nos \u00faltimos anos\u201d, explica a economista.<\/p>\n<p>\u201cJunte-se a isso o rendimento em queda, a infla\u00e7\u00e3o em alta e tudo faz com que a mulher tenha que administrar os recursos, cada vez menores. Quem organiza todo esse cotidiano \u00e9 a mulher. Ela \u00e9 quem sente mais o impacto, tem que depender de solidariedade, da comunidade, da cesta-b\u00e1sica doada. Ela sabe que o grande respons\u00e1vel por toda essa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o governo\u201d, diz Marilane.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00edticas sociais<\/strong><\/p>\n<p>O conjunto de a\u00e7\u00f5es que vinham sendo desenvolvidas pelos governos progressistas de Lula e Dilma, ambos do PT, foram desmantelados. Exemplo citado por Marilane Teixeira \u00e9 oferta de creches.<\/p>\n<p>\u201cDados recentes, de 2021, entre as crian\u00e7as mais pobres, 70% de zero a tr\u00eas anos est\u00e1 fora de creches, por n\u00e3o ter creches suficientes, assim como n\u00e3o h\u00e1 oferta suficiente tamb\u00e9m de escola integral para que as m\u00e3es tenham quem cuidar dessas crian\u00e7as enquanto trabalham\u201d, afirma a economista do Cesit\/Unicamp.<\/p>\n<p>Por estes e outros motivos como a ideologia e o discurso fascista de Bolsonaro, diz Marilane, \u201cseria estranho se ele n\u00e3o encontrasse nas mulheres as principais for\u00e7as de resist\u00eancia ao seu desgoverno, porque elas s\u00e3o afetadas em todas as dimens\u00f5es, s\u00e3o atacadas, ironizadas, violentadas e desqualificadas\u201d, diz a economista se referindo aos altos \u00edndices de rejei\u00e7\u00e3o a Bolsonaro entre as mulheres.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/rejeicao-a-bolsonaro-explode-entre-as-mulheres-de-todas-as-classes-socais-cbca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Leia mais: Rejei\u00e7\u00e3o a Bolsonaro explode entre as mulheres de todas as classes socais<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u201cE a rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 em todas as classes sociais por causa do perfil violento, machista, mis\u00f3gino, racista e calcado em conceitos conservadores de sociedade, que relegam \u00e0 mulher \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de submiss\u00e3o e papel secund\u00e1rio na sociedade\u201d, complementa a secret\u00e1ria da Mulher Trabalhadora da CUT, Juneia Batista.<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, grande parte do povo brasileiro se deixou levar pelas mentiras ditas por Bolsonaro, o que acabou permitindo que ele chegasse \u00e0 presid\u00eancia, mas n\u00f3s, mulheres, pelo menos a grande maioria, nunca nos deixamos enganar por esse fascismo dele, porque somos n\u00f3s que sentimos na pele, mais do que ningu\u00e9m, o horror que \u00e9 esse governo\u201d, diz a dirigente.<\/p>\n<p>Juneia se refere aos impactos das crises social e econ\u00f4mica vividas pelo pa\u00eds que impactam em maior grau nas mulheres. O desemprego, a fome, a viol\u00eancia e todos os indicadores de desigualdade t\u00eam como alvo principal as mulheres, em especial as mulheres negras.<\/p>\n<p>De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad-Cont\u00ednua) realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE), o \u00edndice de mulheres desempregadas no primeiro trimestre deste ano foi de 13,7%, enquanto entre os homens foi de 9,1%.<\/p>\n<p>No recorte por ra\u00e7a, o \u00edndice de mulheres negras desempregadas \u00e9 de 13,3%, ou seja, a maior parte das mulheres desempregadas.<\/p>\n<p><strong>A destrui\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Se nos governos de Lula e Dilma, as mulheres tinham prioridade, a elei\u00e7\u00e3o de um governo de extrema direita imp\u00f4s retrocessos hist\u00f3ricos que tornaram a realidade da mulher uma situa\u00e7\u00e3o ainda maior de vulnerabilidade.<\/p>\n<p>A\u00e7\u00f5es como a cria\u00e7\u00e3o da Secretaria de Pol\u00edticas para as Mulheres, com status de minist\u00e9rio, a prioridade das chefes de fam\u00edlia em programas sociais (como o Bolsa Fam\u00edlia e o Minha Casa Minha Vida, em nome das mulheres), al\u00e9m da san\u00e7\u00e3o da Lei Maria da Penha e as pol\u00edticas relacionadas como a cria\u00e7\u00e3o da Casa da Mulher Brasileira, o programa \u201cMulher: Viver Sem Viol\u00eancia\u201d e a Lei do Feminic\u00eddio, foram alvos de ataques.<\/p>\n<p>Mesmo com o aumento da viol\u00eancia, o governo atual Bolsonaro, at\u00e9 agora, gastou apenas R$ 36,5 milh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es voltadas para mulheres. O valor gasto pelo atual governo representa uma redu\u00e7\u00e3o de 74% entre 2015 e 2020. No \u00faltimo ano da gest\u00e3o da ex-Presidenta Dilma Rousseff, foram investidos R$ 139,4 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAo inv\u00e9s de investir em pol\u00edticas para reduzir a viol\u00eancia, Bolsonaro age para \u2018armar\u2019 a popula\u00e7\u00e3o. E quanto mais armas nas m\u00e3os dos agressores, maior a probabilidade de a viol\u00eancia se consumar\u201d, lembra Juneia Batista.<\/p>\n<p>Outro fato que comprova a misoginia deste governo \u00e9 que desde 2016, o Minist\u00e9rio da Fam\u00edlia e Direitos Humanos, de Damares, j\u00e1 deixou de executar 70% do or\u00e7amento da pasta, segundo dados do Instituto de Estudos Socioecon\u00f4micos (Inesc).<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/ Andre Accarini<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e9dia de mulheres em situa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a alimentar, com Bolsonaro, aumentou mais que em outros pa\u00edses. 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