{"id":2728,"date":"2018-09-17T22:31:39","date_gmt":"2018-09-18T01:31:39","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=2728"},"modified":"2018-09-17T22:33:40","modified_gmt":"2018-09-18T01:33:40","slug":"desemprego-e-juros-abusivos-endividam-quase-metade-dos-trabalhadores-brasileiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2018\/09\/17\/desemprego-e-juros-abusivos-endividam-quase-metade-dos-trabalhadores-brasileiros\/","title":{"rendered":"Desemprego e juros abusivos endividam quase metade dos trabalhadores brasileiros"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2729\" aria-describedby=\"caption-attachment-2729\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2729 size-medium\" src=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/44697997612_491c3835f5_z-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/44697997612_491c3835f5_z-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.sinposba.org.br\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/44697997612_491c3835f5_z.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-2729\" class=\"wp-caption-text\">Parcela da popula\u00e7\u00e3o adulta endividada no pa\u00eds chega a 62 milh\u00f5es de pessoas \/ Foto: Ag\u00eancia Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"description\"><strong>A maior parte da popula\u00e7\u00e3o inadimplente est\u00e1 na faixa et\u00e1ria dos 30 aos 39 anos<\/strong><\/p>\n<div class=\"details-bar\">\n<div class=\"author-time\">\n<div class=\"author\">Lu Sudr\u00e9\/ Brasil de Fato<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n<div>\n<p>Mais de 62 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o endividados. Isso significa que quase metade da popula\u00e7\u00e3o adulta do pa\u00eds n\u00e3o consegue pagar todas as suas contas, segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o ao Cr\u00e9dito (SPC). Dados divulgados neste m\u00eas\u00a0apontam que a inadimpl\u00eancia dos consumidores segue alta pelo 11\u00ba m\u00eas consecutivo.<\/p>\n<p>A maior parte de brasileiros com o nome sujo est\u00e1 na faixa et\u00e1ria dos 30 aos 39 anos, e somam 17,9 milh\u00f5es de pessoas. Fausto Augusto J\u00fanior, coordenador de Educa\u00e7\u00e3o do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese), avalia que o aumento de desemprego \u00e9 um elemento fundamental para a compreens\u00e3o desse alto numero de inadimpl\u00eancia. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o desemprego no pa\u00eds era de 12,4% no segundo trimestre deste ano.<\/p>\n<p>\u201cA taxa de desemprego cresceu e adentrou o n\u00facleo duro do mercado de trabalho, que s\u00e3o os chefes de fam\u00edlia. Quando a taxa de desemprego aumenta dentro desse n\u00facleo estrutural do mercado, o resultado s\u00e3o as mazelas que estamos vendo. A inadimpl\u00eancia \u00e9 uma delas\u201d, afirma Augusto.<\/p>\n<p>\u201cO aumento do trabalho infantil, o reaparecimento de trabalho escravo, a degrada\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho, o aumento da informalidade, tudo tem a ver com o fato do provedor, do chefe de fam\u00edlia, seja homem ou mulher, estar desempregado&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Os dados dos institutos mostram ainda que a inadimpl\u00eancia cresceu em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds e segue aumentando, principalmente, entre a popula\u00e7\u00e3o mais velha. Em compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas de agosto do ano anterior, a quantidade de indiv\u00edduos com idade de 65 a 84 anos que est\u00e3o com Cadastro de Pessoa F\u00edsica (CPF) restrito aumentou em 9,5% e atinge 5,4 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o do coordenador do Dieese, isso acontece porque os idosos passam a ser respons\u00e1veis pelo sustento da fam\u00edlia em per\u00edodos de crise socioecon\u00f4mica.<\/p>\n<p>\u201cQuando esse n\u00facleo estrutural do mercado de trabalho fica desempregado, a tend\u00eancia \u00e9 do idoso adentrar e passar a financiar parte das fam\u00edlias. Bem ou mal, apesar do valor da previd\u00eancia social do Brasil ser extremamente baixo para uma parte da popula\u00e7\u00e3o, ele \u00e9 uma renda organizada. \u00c9 natural que esse sujeito, esse aposentado, v\u00e1 para o endividamento\u201d, acredita Augusto.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Juros altos<\/strong><\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\">Segundo Juliane Furno, doutoranda em Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), al\u00e9m do alto \u00edndice de desemprego, o custo do cr\u00e9dito tamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pelo aumento do endividamento.<\/p>\n<p>\u201cO custo do cr\u00e9dito no Brasil \u00e9 um dos mais altos do mundo, o custo do cheque especial e do cart\u00e3o de cr\u00e9dito est\u00e3o entre os mais absurdos. Por um lado, eles inibem o gasto. Por outro, como a popula\u00e7\u00e3o tem muita demanda pelo consumo, ela \u00e9 obrigada a pegar um cr\u00e9dito mais caro, a us\u00e1-lo, e, consequentemente, a ficar endividada, presa no sistema financeiro&#8221;, diz a pesquisadora.<\/p>\n<p>O processo de endividamento se acentuou nos \u00faltimos anos. De acordo com Furno, os economistas de mercado atribu\u00edram o aumento da infla\u00e7\u00e3o brasileira, que estava em 10% no bi\u00eanio 2013\/2014, a um suposto excesso de consumo da popula\u00e7\u00e3o, que estaria sendo motivado pelo aumento real do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Para restringir tal consumo, para o mercado, a solu\u00e7\u00e3o foi a restri\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito aumentando taxas de juros, o que prejudicou a popula\u00e7\u00e3o. O resultado dessa pol\u00edtica foi a redu\u00e7\u00e3o da atividade econ\u00f4mica e, por consequ\u00eancia, o aumento do endividamento dos brasileiros.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas fizeram d\u00edvidas, tiveram acesso ao sistema banc\u00e1rio, algo que elas n\u00e3o tinham antes. Mas, boa parte delas ficaram desempregadas, tiveram carga de trabalho diminu\u00edda, ou passaram para contratos intermitentes. A seguran\u00e7a que possibilitava o comprometimento com o empr\u00e9stimo acabou. Quando a fam\u00edlia est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o dessas, entre optar por pagar contas como aluguel, luz, alimenta\u00e7\u00e3o, e entre pagar uma d\u00edvida, vai deixar de pagar uma d\u00edvida e se endividar, para dar prioridade aos gastos da fam\u00edlia\u201d, pontua Furno.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Consequ\u00eancias econ\u00f4micas<\/strong><\/p>\n<p>Fausto Augusto J\u00fanior tamb\u00e9m avalia que as altas taxas de juro s\u00e3o respons\u00e1veis pela alta inadimpl\u00eancia. &#8220;As inst\u00e2ncias financeiras aplicam juros de agiotagem\u201d, critica. \u201cUma pessoa que tem uma renda relativamente baixa, como \u00e9 o caso de um trabalhador m\u00e9dio brasileiro, quando fica doente, \u00e9 razo\u00e1vel que adentre a taxa de endividamento. Para comprar rem\u00e9dio, uma coisa muito simples, comprar\u00e1 no cart\u00e3o de cr\u00e9dito. No fim do m\u00eas, n\u00e3o conseguir\u00e1 pagar as contas da casa e o cart\u00e3o de cr\u00e9dito. Sem equacionar minimamente esse cen\u00e1rio que estamos hoje, de aumento da inadimpl\u00eancia, do sujeito n\u00e3o ter cr\u00e9dito, haver\u00e1 mais dificuldades para alterar o patamar de crescimento [do pa\u00eds] e tentar aceler\u00e1-lo\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Juliane Furno ressalta que a aus\u00eancia de pol\u00edticas sociais, o desemprego e o endividamento, reflete de uma forma perversa na economia. \u201cQuando as pessoas est\u00e3o endividadas, a tend\u00eancia \u00e9 que assim que conseguirem aumentar a renda e se estabilizar, se comprometam a pagar a d\u00edvida e n\u00e3o a consumir. O problema do endividamento \u00e9 ruim para as pessoas e \u00e9 muito ruim para as possibilidades da economia sair da crise. A popula\u00e7\u00e3o ir\u00e1, em primeiro lugar, pagar essas d\u00edvidas para depois voltar a criar uma demanda que aque\u00e7a a economia para voltarmos a crescer. [O endividamento] \u00e9 mais um obst\u00e1culo ao crescimento econ\u00f4mico a curto prazo. Mais uma prova de que n\u00e3o temos nenhuma possibilidade de sair dessa crise, apontando para esse horizonte&#8221;.<\/p>\n<p>Para a doutoranda, o Estado peca ao n\u00e3o fazer um controle maior do sistema financeiro para impedir que se cobre taxas abusivas.<\/p>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior parte da popula\u00e7\u00e3o inadimplente est\u00e1 na faixa et\u00e1ria dos 30 aos 39 anos Lu Sudr\u00e9\/ Brasil de Fato Mais de 62 milh\u00f5es de brasileiros est\u00e3o endividados. 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