{"id":27359,"date":"2022-06-08T09:28:43","date_gmt":"2022-06-08T12:28:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27359"},"modified":"2022-06-08T09:29:01","modified_gmt":"2022-06-08T12:29:01","slug":"fome-se-alastra-no-brasil-6-em-cada-10-familias-nao-tem-acesso-pleno-a-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/06\/08\/fome-se-alastra-no-brasil-6-em-cada-10-familias-nao-tem-acesso-pleno-a-alimentos\/","title":{"rendered":"Fome se alastra no Brasil: 6 em cada 10 fam\u00edlias n\u00e3o t\u00eam acesso pleno a alimentos"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>Em um ano, salta de 19 milh\u00f5es para 33,1 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas que n\u00e3o t\u00eam o que comer<\/strong><\/p>\n<p>Em 2022, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 58,7% \u2013 vive com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar. O\u00a0n\u00famero de pessoas passando fome\u00a0passou de 19 milh\u00f5es para 33,1 milh\u00f5es de pessoas em pouco mais de um ano. Os dados\u00a0divulgados nesta quarta-feira (8), s\u00e3o do 2\u00ba Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, feito pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).\u00a0A pesquisa mostra\u00a0que\u00a0Brasil regrediu para um patamar de inseguran\u00e7a alimentar equivalente ao da d\u00e9cada de 1990.<\/p>\n<p>Isso significa que 15,5% da popula\u00e7\u00e3o no pa\u00eds est\u00e1 sem ter o que comer. O acesso pleno \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o se tornou exce\u00e7\u00e3o: essa \u00e9 a realidade para apenas quatro de cada 10 fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada em campo, pelo Instituto Vox Populi, com\u00a0em entrevistas em 12.745 domic\u00edlios de 577 munic\u00edpios de todos os estados brasileiros.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, 125,2 milh\u00f5es de pessoas no Brasil est\u00e3o passando por algum n\u00edvel de inseguran\u00e7a alimentar. Essa classifica\u00e7\u00e3o inclui\u00a0pessoas que est\u00e3o\u00a0passando fome e\u00a0aquelas que est\u00e3o preocupadas por n\u00e3o saber se ter\u00e3o o que comer no dia seguinte. O n\u00famero de pessoas nessa situa\u00e7\u00e3o aumentou 7,2% desde 2020, e 60% desde 2018.<\/p>\n<p>\u201cOs caminhos escolhidos para a pol\u00edtica econ\u00f4mica e a gest\u00e3o inconsequente da pandemia s\u00f3 poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso pa\u00eds\u201d, destaca Ana Maria Segall, m\u00e9dica epidemiologista e pesquisadora da Rede Penssan.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Desigualdades hist\u00f3ricas se acentuam<\/strong><\/p>\n<p>A fome no Brasil tem cor, g\u00eanero, idade, geografia e classe.\u00a0O Norte e o Nordeste do pa\u00eds s\u00e3o as regi\u00f5es mais atingidas pela falta de comida no prato, com 25,7% e 21% das fam\u00edlias, respectivamente, passando fome.<\/p>\n<p>A desigualdade regional foi constatada tamb\u00e9m no contraste entre o campo e a cidade. Nas \u00e1reas rurais do Brasil, a inseguran\u00e7a alimentar \u00e9 vivida\u00a0em 60% das casas. Destas, 18,6% est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o grave. Nem mesmo quem produz alimentos escapou. A fome atingiu 21,8% dos domic\u00edlios de agricultores familiares e pequenos produtores.<\/p>\n<p>Em 53,2% das casas onde a pessoa de refer\u00eancia se autodeclara branca, o acesso a\u00a0comida n\u00e3o foi considerado um problema. O mesmo aconteceu em 67% dos domic\u00edlios com renda maior que um sal\u00e1rio m\u00ednimo por pessoa.\u00a0J\u00e1 entre os lares em que a pessoa respons\u00e1vel se autodeclara preta ou parda, o \u00edndice cai para 35%. Comparando com a edi\u00e7\u00e3o anterior do Inqu\u00e9rito da Rede Penssan, entre lares comandados por pessoas negras, a fome aumentou de 10,4% para 18,1%.<\/p>\n<p>A falta de comida atingia, em 2020, 7% das casas em que mulheres s\u00e3o as respons\u00e1veis. Em 2022, passou para 11,9%. Tamb\u00e9m nesse per\u00edodo, a dificuldade em conseguir alimentos\u00a0em fam\u00edlias com crian\u00e7as dobrou: a\u00a0fome afetava 9,4% delas e, atualmente, \u00e9 a realidade de 18,1%.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>\u201cPode guardar as panelas que hoje o dinheiro n\u00e3o deu\u201d\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><em>\u201cVoc\u00ea sabe que a mar\u00e9 n\u00e3o est\u00e1 moleza n\u00e3o \/ E quem n\u00e3o fica dormindo de touca j\u00e1 sabe da situa\u00e7\u00e3o \/ Eu sei que d\u00f3i no cora\u00e7\u00e3o falar do jeito que falei \/ Dizer que o pior aconteceu: pode guardar as panelas que hoje o dinheiro n\u00e3o deu\u201d<\/em>. O\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=JqEAnW3RYo8\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">samba de Paulinho da Viola<\/a>\u00a0foi lan\u00e7ado em 1979, mas, se fosse uma m\u00fasica de 2022, n\u00e3o haveria surpresa.<\/p>\n<p>Para Renato Maluf, coordenador da Rede Penssan, \u201cas medidas tomadas pelo governo para conten\u00e7\u00e3o da fome hoje s\u00e3o isoladas e insuficientes, diante de um cen\u00e1rio de alta da infla\u00e7\u00e3o, sobretudo dos alimentos, do desemprego e da queda de renda da popula\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa, que\u00a0teve apoio da A\u00e7\u00e3o da Cidadania, a ActionAid Brasil, a Funda\u00e7\u00e3o Friedrich Ebert Brasil, o Ibirapitanga, a Oxfam Brasil e o Sesc, coletou depoimentos entre novembro de 2021 e abril de 2022.<\/p>\n<p>Neste 2\u00ba Inqu\u00e9rito,\u00a08,2% das fam\u00edlias relataram sentir vergonha, tristeza ou constrangimento pelos meios que est\u00e3o tendo de usar para conseguir colocar comida na mesa. Segundo elas, a situa\u00e7\u00e3o fere\u00a0sua dignidade.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/Gabriela Moncau<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um ano, salta de 19 milh\u00f5es para 33,1 milh\u00f5es o n\u00famero de pessoas que n\u00e3o t\u00eam o que comer Em 2022, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 58,7% \u2013 vive com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar. 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