{"id":27431,"date":"2022-06-13T11:40:08","date_gmt":"2022-06-13T14:40:08","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27431"},"modified":"2022-06-13T11:40:08","modified_gmt":"2022-06-13T14:40:08","slug":"quem-ganha-o-minimo-compromete-69-do-salario-na-compra-de-uma-cesta-basica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/06\/13\/quem-ganha-o-minimo-compromete-69-do-salario-na-compra-de-uma-cesta-basica\/","title":{"rendered":"Quem ganha o m\u00ednimo compromete 69% do sal\u00e1rio na compra de uma cesta b\u00e1sica"},"content":{"rendered":"<p><strong>Arrochado desde o golpe de 2016, e ainda mais no governo Bolsonaro, o sal\u00e1rio m\u00ednimo est\u00e1 longe de corresponder ao valor previsto na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, que conforme estimativas do Dieese seria de R$ 6.535,40 em maio, mais de cinco vezes maior do que os R$ 1.212,00 definidos pelo presidente. O \u00f3rg\u00e3o avalia que quem ganha o equivalente ao piso nacional compromete 59,39% do sal\u00e1rio na compra de uma \u00fanica cesta b\u00e1sica.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho e desenvolvimento<\/strong><\/p>\n<p>Como resultado de uma campanha nacional unit\u00e1ria das centrais sindicais brasileiras iniciada em 2004, o governo Lula inaugurou, em 2007, uma pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, estabelecendo que anualmente o valor do piso seria reajustado com base na soma dos \u00edndices de infla\u00e7\u00e3o e crescimento do PIB.<\/p>\n<p>Isto resultou ao longo dos anos num aumento real acumulado superior a 70% e numa alta generalizada dos sal\u00e1rios. Al\u00e9m de melhorar a renda e a vida das parcelas mais pobres, e majorit\u00e1rias, da classe trabalhadora brasileira e melhorar a distribui\u00e7\u00e3o da riqueza produzida pelo trabalho nacional, a nova pol\u00edtica fortaleceu o mercado interno, elevou a receita tribut\u00e1ria e impulsionou o crescimento da economia, conforme sugere estudo do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/notatecnica\/2008\/notatec62SalarioMinimo2008.pdf\">Dieese<\/a>.<\/p>\n<p>O aumento da demanda interna n\u00e3o causou a infla\u00e7\u00e3o anunciada pelos advogados dos interesses patronais, eternos opositores a todo e qualquer tipo de valoriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho. Hoje o Brasil convive com a disparada da infla\u00e7\u00e3o, em particular de combust\u00edveis e alimentos, num contexto marcado pelo arrocho dos sal\u00e1rios, o que mostra que as ideias dominantes \u201cn\u00e3o correspondem aos fatos\u201d, como j\u00e1 sugeria o cantor e compositor Cazuza na m\u00fasica \u201cO tempo n\u00e3o para\u201d.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia, neste e em muitos outros casos, indica que a valoriza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho \u00e9 fonte de desenvolvimento. Em contraste, a deprecia\u00e7\u00e3o do trabalho advogada e imposta pela agenda neoliberal emagrece o mercado interno e \u00e9 fiel parceira do baixo crescimento, traduzidos nos voos de galinha, e da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Em outras palavras, os interesses da classe trabalhadora est\u00e3o em harmonia com a necessidade de desenvolvimento nacional, ao passo que os interesses capitalistas dominantes s\u00e3o hoje um obst\u00e1culo neste sentido.<\/p>\n<p><strong>Derrotar Bolsonaro e o neoliberalismo<\/strong><\/p>\n<p>O golpe de Estado de 2016, travestido de impeachment, inaugurou uma fase hist\u00f3rica amarga para o povo brasileiro, fundada na deprecia\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho, desregulamenta\u00e7\u00e3o, flexibiliza\u00e7\u00e3o e redu\u00e7\u00e3o de direitos e arrocho dos sal\u00e1rios, inclusive do m\u00ednimo. Bolsonaro radicalizou o projeto de restaura\u00e7\u00e3o neoliberal iniciada pelo antecessor, Michel Temer, e consumou a destrui\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica criada por Lula em resposta \u00e0 mobiliza\u00e7\u00e3o unificada do sindicalismo.<\/p>\n<p>Retomar a pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 uma demanda unit\u00e1ria das centrais sindicais, destacada na Pauta da Classe Trabalhadora 2022 aprovada na Conclat. \u00c9 uma luta que n\u00e3o responde apenas a um justo interesse da nossa classe trabalhadora, a verdadeira classe produtora da riqueza nacional.<\/p>\n<p>Trata-se igualmente de um componente essencial de um novo projeto nacional de desenvolvimento, uma receita para o revigoramento do mercado interno e a retomada do crescimento da economia, concomitante \u00e0 mudan\u00e7a da pol\u00edtica econ\u00f4mica, revers\u00e3o da amplia\u00e7\u00e3o, fortalecimento das estatais e amplia\u00e7\u00e3o dos gastos e investimentos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>O primeiro passo para abrir caminho na dire\u00e7\u00e3o deste objetivo, que responde aos interesses maiores do povo e da na\u00e7\u00e3o, \u00e9 derrotar Jair Bolsonaro e o neoliberalismo nas elei\u00e7\u00f5es convocadas para outubro, preferencialmente garantindo a vit\u00f3ria de Lula j\u00e1 no primeiro turno.<\/p>\n<p><strong>Determina\u00e7\u00e3o constitucional<\/strong><\/p>\n<p>O Dieese calcula o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio com base na cesta b\u00e1sica mais cara, que, em maio, foi a de S\u00e3o Paulo. Leva em considera\u00e7\u00e3o a determina\u00e7\u00e3o constitucional que estabelece que o sal\u00e1rio m\u00ednimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e da fam\u00edlia dele com alimenta\u00e7\u00e3o,<br \/>\nmoradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, higiene, transporte, lazer e previd\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEm maio de 2022, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio para a manuten\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia de quatro pessoas deveria equivaler a R$ 6.535,40, ou 5,39 vezes o m\u00ednimo de R$ 1.212,00\u201d, diz. \u201cEm abril, o valor necess\u00e1rio era de R$ 6.754,33, ou 5,57 vezes o piso m\u00ednimo. Em maio de 2021, o valor do m\u00ednimo necess\u00e1rio deveria ter sido de R$ 5.351,11, ou 4,86 vezes o valor vigente na \u00e9poca, de R$ 1.100,00.\u201d<\/p>\n<p>Informa, ainda, que em maio de 2022, \u201co tempo m\u00e9dio necess\u00e1rio para adquirir os produtos da cesta b\u00e1sica foi de 120 horas e 52 minutos, menor do que o registrado em abril, de 124 horas e 08 minutos. Em maio de 2021, a jornada necess\u00e1ria ficou em 111 horas e 37 minutos. Quando se compara o custo da cesta e o sal\u00e1rio m\u00ednimo l\u00edquido, ou seja, ap\u00f3s o desconto de 7,5% referente \u00e0 Previd\u00eancia Social, verifica-se que o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu em m\u00e9dia, em maio de 2022, 59,39% do rendimento para adquirir os produtos da cesta, menos do que em abril, quando o percentual foi de 61,00%\u201d, mas maior que em maio de 2021, quando o sal\u00e1rio m\u00ednimo era de R$ 1.100,00 e o percentual ficou em 54,84%.<\/p>\n<p>Considerando o sal\u00e1rio m\u00ednimo l\u00edquido, em maio de 2022, ap\u00f3s o desconto de<br \/>\n7,5% da Previd\u00eancia Social, o trabalhador precisou comprometer 69,39% da remunera\u00e7\u00e3o<br \/>\npara adquirir os produtos da cesta b\u00e1sica, que \u00e9 suficiente para alimentar um adulto<br \/>\ndurante um m\u00eas. Em abril de 2022, o percentual foi de 71,71% e, em maio de 2021, ficou<br \/>\nem 62,55%.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/Umberto Martins, com informa\u00e7\u00f5es do\u00a0Dieese<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arrochado desde o golpe de 2016, e ainda mais no governo Bolsonaro, o sal\u00e1rio m\u00ednimo est\u00e1 longe de corresponder ao valor previsto na Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, que conforme estimativas do Dieese seria de R$ 6.535,40 em maio, mais de cinco vezes maior do que os R$ 1.212,00 definidos pelo presidente. O \u00f3rg\u00e3o avalia que quem ganha [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[73],"class_list":["post-27431","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-inflacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27431","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27431"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27433,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27431\/revisions\/27433"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}