{"id":27500,"date":"2022-06-17T10:47:04","date_gmt":"2022-06-17T13:47:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27500"},"modified":"2022-06-17T10:47:04","modified_gmt":"2022-06-17T13:47:04","slug":"pobreza-inflacao-desemprego-e-queda-de-renda-as-herancas-malditas-de-bolsonaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/06\/17\/pobreza-inflacao-desemprego-e-queda-de-renda-as-herancas-malditas-de-bolsonaro\/","title":{"rendered":"Pobreza, infla\u00e7\u00e3o, desemprego e queda de renda, as heran\u00e7as malditas de Bolsonaro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Retirar do Estado o poder de investir em obras, de fazer estoques reguladores de alimentos e reduzir papel dos bancos p\u00fablicos resultaram em recorde de queda de renda e aumento da fome, diz Pochmann<\/strong><\/p>\n<p>A seis meses do final do mandato de Jair Bolsonaro (PL) como presidente da Rep\u00fablica, os brasileiros j\u00e1 convivem com as mazelas da enorme heran\u00e7a maldita que sua gest\u00e3o vai deixar,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/heranca-maldita-reforma-da-previdencia-de-bolsonaro-e-mais-cruel-para-os-pobres-1b00\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">al\u00e9m da reforma da Previd\u00eancia<\/a>, que acabou com o sonho de milhares de trabalhadores de um dia se aposentar.<\/p>\n<p>O legado do governo Bolsonaro para a popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a volta da fome, mais pobreza e a maior queda de renda desde 2012, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) passou realizar a pesquisa \u201cRendimento de Todas as Fontes\u201d.<\/p>\n<p>Em 2012 a renda m\u00e9dia dos brasileiros era de R$ 1.454. No ano passado caiu para R$ 1.353 (menos 4,5%), atingindo principalmente os trabalhadores e trabalhadoras mais pobres, que sentem mais o peso da infla\u00e7\u00e3o e do desemprego sobre os seus rendimentos.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisa, todos que se encontram entre os 50% mais pobres tiveram queda de rendimento, mas quanto mais pobre maior a queda.<\/p>\n<p>&#8211; grupo dos 5% mais pobres = queda de 33,9%;<\/p>\n<p>&#8211; grupo entre os 5% e 10% mais pobres = queda de 31,8%;<\/p>\n<p>&#8211; grupo entre os 10% a 20% mais pobres= queda de 19,7%;<\/p>\n<p>&#8211; grupo entre os 20% a 30% mais pobres = queda de 16%.<\/p>\n<p>Para os \u00a0grupos de maior renda, a perda anual foi menor.<\/p>\n<p>&#8211; grupo entre 50% e 60% com maior rendimento = queda de 9%;<\/p>\n<p>&#8211; grupo dos 1% mais ricos = queda de 6,4%.<\/p>\n<p>Diferente do governo Bolsonaro, que reduz o papel do Estado e deixa um legado de mais mis\u00e9ria, os governos do PT fortaleceram o papel do Estado e deixaram um legado de prosperidade, emprego decente e milh\u00f5es de pessoas ascendo das classes D para a C e da C para a B, acabaram com a fome e aqueceram a economia.<\/p>\n<p>\u201cA concep\u00e7\u00e3o dominante no pa\u00eds de que sem o Estado, com o mercado privado atuando haveria mais emprego, mais renda e menor infla\u00e7\u00e3o, se mostrou totalmente ineficaz\u201d, afirma o economista o economista Marcio Pochmann.<\/p>\n<p>As trag\u00e9dias provocadas pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/desemprego-recua-para-10-5-mas-salarios-sao-menores-e-aumentam-os-sem-carteira-d5f2\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>desemprego<\/strong><\/a>\u00a0que atinge 11 milh\u00f5es de pessoas<strong>,\u00a0<\/strong>pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/com-bolsonaro-fome-aumenta-57-4-e-atinge-mais-de-33-milhoes-de-brasileiros-fd74\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>fome<\/strong><\/a>\u00a0que aflige 33 milh\u00f5es de brasileiros, pela\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/inflacao-desacelara-em-maio-mas-acumula-alta-de-11-73-em-12-meses-e-pesa-no-bols-ac11\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>infla\u00e7\u00e3o alta<\/strong><\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/com-bolsonaro-sobe-para-38-indice-dos-que-ganham-apenas-o-salario-minimo-3671\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>queda brutal de renda<\/strong><\/a>\u00a0poderiam ter sido evitadas se o governo Bolsonaro n\u00e3o rezasse pela cartilha enganosa de que o Estado \u00e9 o maior respons\u00e1vel pela corrup\u00e7\u00e3o, que gasta mal e, portanto, justificaria a supera\u00e7\u00e3o dos problemas que o pa\u00eds passa ao retirar os investimentos p\u00fablicos, acredita Marcio Pochmann.<\/p>\n<p>Para o economista, os fatores mais determinantes da heran\u00e7a que o governo Bolsonaro deixar\u00e1 e que precisam ser revistos s\u00e3o a pol\u00edtica\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/entenda-por-que-bolsonaro-e-temer-sao-os-culpados-pela-alta-dos-combustiveis-b0dc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pre\u00e7o de Paridade de Importa\u00e7\u00e3o (PPI)<\/strong><\/a>\u00a0da Petrobras, que alimenta a infla\u00e7\u00e3o, o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/legado-de-temer-e-bolsonaro-estoque-da-conab-quase-zerado-aumenta-fome-no-pais-d88d\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>fim da pol\u00edtica de estoques agr\u00edcolas<\/strong><\/a>\u00a0que mantinham equilibrados os pre\u00e7os dos alimentos, mesmo em \u00e9poca de entressafra e a volta do papel dos bancos p\u00fablicos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico (BNDES), a Caixa Econ\u00f4mica Federal (CEF) e o Banco do Brasil (BB), que hoje atuam mais como um banco privados.<\/p>\n<p>\u201cToda a compreens\u00e3o dos governos petistas, do Estado ser um dos indutores da economia, dos bancos p\u00fablicos ampliarem o cr\u00e9dito foi desmontado desde a \u2018Ponte para o futuro\u2019 do governo de Michel Temer, e foi aprofundada no governo Bolsonaro\u201d, afirma o economista.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O resultado foi o aumento do desemprego, da infla\u00e7\u00e3o e do empobrecimento dos brasileiros, pois o mercado privado foi incapaz, como j\u00e1 era esperado, de promover sozinho o crescimento econ\u00f4mico<\/p>\n<footer>&#8211; Marcio Pochmann<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>A \u201dPonte para o futuro\u201d foi um documento lan\u00e7ado pelo MDB, partido de Temer, em 2015, que tratava de uma s\u00e9rie de propostas econ\u00f4micas e, que ap\u00f3s o golpe de 2016 foram implantadas no pa\u00eds, mas at\u00e9 agora n\u00e3o resultou em nenhuma melhoria econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>Governos do PT mostraram que Estado pode ser indutor da economia<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o economista Marcio Pochmann, o diagn\u00f3stico da economia nos governos do PT mostra que as a\u00e7\u00f5es em que o Estado era envolvido fazia parte da solu\u00e7\u00e3o do problema, n\u00e3o era o centro do problema, como acredita a atual gest\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cVivemos numa economia capitalista, n\u00e3o h\u00e1 condi\u00e7\u00f5es do Estado fazer tudo, mas ao realizar investimentos como o Minha Casa, Minha Vida, o Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento [PAC], entre outros, as gest\u00f5es \u00a0petistas estimularam as empresas a realizar grandes obras e a contratar mais trabalhadores. O governo investiu, mas quem ergueu moradias foram empresas privadas, o mesmo ocorreu com outras obras\u201d, explica o economista. \u201cO Estado teve um papel importante, mas n\u00e3o determinante, pois comandou a iniciativa de investimentos\u201d, acrescenta.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Com o desmonte dessa pol\u00edtica, o setor privado fica sem rumo para investir e n\u00e3o faz isso por que n\u00e3o tem seguran\u00e7a do que vai ocorrer com a economia<\/p>\n<footer>&#8211; Marcio Pochmann<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Perspectivas para o futuro<\/strong><\/p>\n<p>Para Marcio Pochmann a retomada da economia \u00e9 poss\u00edvel com um novo governo, mas tamb\u00e9m a partir de uma base no Congresso Nacional que aprove as mudan\u00e7as necess\u00e1rias, al\u00e9m de considerar a situa\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>O economista v\u00ea com otimismo essa possibilidade. De acordo com ele, as dificuldades eram maiores h\u00e1 20 anos, quando o Brasil dependia do mercado europeu e do norte-americano, mas com o crescimento dos pa\u00edses asi\u00e1ticos, principalmente a China, abriu-se novas possibilidades de neg\u00f3cios com esses pa\u00edses.<\/p>\n<p>Internamente, Pochmann avalia que \u00e9 preciso recuperar a renda das fam\u00edlias para ajudar a p\u00f4r um fim \u00e0 a capacidade ociosa da ind\u00fastria, movimentando assim a roda da economia pelo consumo. Para isso \u00e9 preciso investimentos do Estado.<\/p>\n<p>\u201cIsso precisa estar associado a mudan\u00e7as nas taxas de juros que hoje desestimulam o consumo e pesa mais sobre as fam\u00edlias, cada vez mais endividadas\u201d, diz.<\/p>\n<p>Outra medida que havia sido utilizada pelos governos do PT e que se espera de um novo governo \u00e9 uma pol\u00edtica que garanta a estabilidade a m\u00e9dio e longo prazo da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n<p>\u201cHoje s\u00f3 h\u00e1 est\u00edmulo para exportar, mas o governo atual esquece que o consumo interno \u00e9 importante, e para isso \u00e9 preciso estabilizar os pre\u00e7os, garantindo que eles n\u00e3o se alterem tanto. Claro que ter\u00e3o varia\u00e7\u00e3o para cima ou para baixo, mas deveriam ser submetidos a par\u00e2metros, sem retirar a liberdade do mercado, mas evitar oscila\u00e7\u00f5es com uma a pol\u00edtica de pre\u00e7os m\u00ednimos, com cr\u00e9dito ampliado e seguran\u00e7a ao produtor. Isso \u00e9 importante como pol\u00edtica de combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p><strong>Metodologia da pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa \u201cRendimento de Todas as Fontes\u201d usa como metodologia o Gini \u2013coeficiente de par\u00e2metro internacional usado para medir a desigualdade de distribui\u00e7\u00e3o de renda entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p>O coeficiente varia entre 0 e 1, sendo que quanto mais pr\u00f3ximo do zero menor \u00e9 a desigualdade de renda num pa\u00eds, ou seja, melhor a distribui\u00e7\u00e3o de renda. Quanto mais pr\u00f3ximo do um, maior a concentra\u00e7\u00e3o de renda num pa\u00eds. O \u00edndice Gini \u00e9 apresentado em pontos percentuais (coeficiente x 100).<\/p>\n<p>No ano passado, o \u00edndice de Gini para renda domiciliar per capita no Brasil subiu para 0,544, ante 0,524 em 2020 e igual ao de 2019, ou seja, evidencia o aumento da desigualdade, no per\u00edodo.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade por regi\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Todas as grandes regi\u00f5es mostraram aumento de desigualdade de renda, na passagem de 2020 para 2021. No Norte, o indicador subiu de 0,495 para 0,528; no Nordeste aumentou de 0,526 para 0,556. No Centro-Oeste, avan\u00e7ou de 0,496 para 0,514 e, no Sudeste, passou de 0,517 para 0,533. J\u00e1 na regi\u00e3o Sul teve alta de 0,457 para 0,462.<\/p>\n<p><strong>Aumento da concentra\u00e7\u00e3o de renda<\/strong><\/p>\n<p>No ano passado o rendimento m\u00e9dio do grupo do 1% mais ricos do pa\u00eds era 38,4 vezes maior que o rendimento m\u00e9dio dos 50% que ganham menos. Esse \u00edndice aumentou em rela\u00e7\u00e3o a 2020, quando o rendimento m\u00e9dio mensal do estrato mais rico correspondia a 34,8 vezes o rendimento dos 50% com os menores rendimentos.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retirar do Estado o poder de investir em obras, de fazer estoques reguladores de alimentos e reduzir papel dos bancos p\u00fablicos resultaram em recorde de queda de renda e aumento da fome, diz Pochmann A seis meses do final do mandato de Jair Bolsonaro (PL) como presidente da Rep\u00fablica, os brasileiros j\u00e1 convivem com as [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27501,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[259,73,83],"class_list":["post-27500","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desgoverno-bolsonaro","tag-inflacao","tag-pobreza"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27500","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27500"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27500\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27502,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27500\/revisions\/27502"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27501"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27500"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27500"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27500"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}