{"id":27532,"date":"2022-06-20T12:20:58","date_gmt":"2022-06-20T15:20:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27532"},"modified":"2022-06-20T12:21:35","modified_gmt":"2022-06-20T15:21:35","slug":"violencia-no-campo-cresce-com-bolsonaro-e-ate-maio-cpt-registrou-19-mortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/06\/20\/violencia-no-campo-cresce-com-bolsonaro-e-ate-maio-cpt-registrou-19-mortes\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia no campo cresce com Bolsonaro e at\u00e9 maio CPT registrou 19 mortes"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>O assassinato de Bruno e Dom promoveu uma como\u00e7\u00e3o internacional e despertou a aten\u00e7\u00e3o da chamada opini\u00e3o p\u00fablica para a viol\u00eancia no campo e nas florestas brasileiras, uma trag\u00e9dia que, todavia, faz parte do cotidiano brasileiro, alimentada pela impunidade e, mais recentemente, tamb\u00e9m a cumplicidade do governo Bolsonaro. Neste ambiente, criado por um Estado hostil ao povo, ocorre uma naturaliza\u00e7\u00e3o e banaliza\u00e7\u00e3o dos assassinatos e da barb\u00e1rie no interior do pa\u00eds, longe das luzes da cidade e dos holofotes midi\u00e1ticos, o que torna a viol\u00eancia invis\u00edvel.<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>N\u00e3o se trata s\u00f3 de Bruno e Dom. Sem levar em conta este crime mais recente, que suscitou indigna\u00e7\u00e3o mundial, o levantamento realizado pela Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (CPT) indica que 19 brasileiras e brasileiros, em geral ativistas das lutas sociais, foram mortos no campo brasileiro nos cinco meses decorridos entre janeiro a maio deste ano. Mas as barbaridades reiteradas foram integradas pacificamente ao cotidiano nacional, j\u00e1 marcado pela trag\u00e9dia sanit\u00e1ria, sem maiores repercuss\u00f5es na m\u00eddia hegem\u00f4nica. Dados preliminares apontam cinco ind\u00edgenas e tr\u00eas ambientalistas entre essas v\u00edtimas. N\u00famero n\u00e3o considera caso do jornalista e indigenista assassinados dias atr\u00e1s no Amazonas.<\/em><\/p>\n<p><em>Reproduzimos abaixo mat\u00e9ria de Roberto Peixoto e Carolina Dantas sobre o relat\u00f3rio da CPT, publicada originalmente no g1<\/em><\/p>\n<p>Em 2022, at\u00e9 maio, 19 pessoas foram assassinadas em conflitos no campo no Brasil, segundo mostra um relat\u00f3rio preliminar do Centro de Documenta\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Pastoral da Terra (Cedoc-CPT).<\/p>\n<p>A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, em todo o ano de 2021 foram registrados 35 homic\u00eddios.<\/p>\n<p>Os novos dados, que n\u00e3o consideram o caso do indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips, mostram que:<\/p>\n<p>4 assassinatos ocorreram no estado do Par\u00e1, que teve o maior n\u00famero de casos: 3 ambientalistas foram assassinados e um sem terra;<\/p>\n<p>Do total de homic\u00eddios, 5 foram de ind\u00edgenas e 2 de quilombolas;<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ainda de acordo com a CPT, 4 sem terras, 2 assentados e outros 2 pequenos propriet\u00e1rios rurais foram assassinados at\u00e9 maio no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Carlos Lima, da coordena\u00e7\u00e3o nacional da CPT, avalia que esses n\u00fameros s\u00e3o uma crescente e aponta tanto falhas do governo federal na fiscaliza\u00e7\u00e3o de conflitos por terras no Brasil como numa \u201ccerteza\u201d da impunidade que leva ao aumento dos crimes.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso compreender essa viol\u00eancia que estamos vivendo dentro de um contexto de um governo que fez a op\u00e7\u00e3o de colocar o Estado a servi\u00e7o da grilagem, do garimpo ilegal, da extra\u00e7\u00e3o de madeira. Um Estado contr\u00e1rio a vida dos povos, das comunidades e das florestas\u201d, diz.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 imposs\u00edvel continuar vivendo com essa situa\u00e7\u00e3o. A sociedade brasileira tem que agir de imediato e cobrar a defesa das comunidades [\u2026]. Crimes contra os ind\u00edgenas, contra as lideran\u00e7as, contra os ambientalistas precisam ser punidos exemplarmente\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Quem eram os ambientalistas assassinados?<\/p>\n<p>No in\u00edcio do ano, conforme mostrou o g1, uma fam\u00edlia de ambientalistas foi assassinada em S\u00e3o F\u00e9lix do Xingu, no sudeste do Par\u00e1. Segundo o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal (MPF), Jos\u00e9 Gomes, conhecido como Z\u00e9 do Lago, a mulher M\u00e1rcia Nunes Lisboa e a filha Joene Nunes Lisboa foram mortos a tiros.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com o MPF, o casal vivia h\u00e1 mais de 20 anos no local e desenvolvia um projeto ambiental de prote\u00e7\u00e3o de quel\u00f4nios, \u201crepovoando as \u00e1guas do Xingu com filhotes de tartarugas todos os anos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal afirmou que os fatos eram de extrema gravidade e que se inseriam em um contexto de reiterados ataques a ambientalistas e defensores de direitos humanos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Quem eram os ind\u00edgenas assassinados?<\/p>\n<p>A maioria dos ind\u00edgenas assassinados (3) eram da Terra Ind\u00edgena Yanomami, maior reserva ind\u00edgena do Brasil, localizada entre o Amazonas e Roraima.<\/p>\n<p>Os tr\u00eas casos do relat\u00f3rio s\u00e3o datados de 11 de abril, quando foi noticiado que dois ind\u00edgenas morreram em um conflito armado na terra ind\u00edgena, e de 25 de abril, quando tamb\u00e9m foi noticiado que uma ianom\u00e2mi de 12 anos teria sido estuprada e morta por garimpeiros na reserva.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca dos casos, ao g1, o presidente do Conselho Distrital de Sa\u00fade Ind\u00edgena Yanomami e Ye\u2019kuana (Condisi-YY), J\u00fanior Hekurari Yanomami, afirmou que garimpeiros ilegais teriam incentivado o conflito de 11 de abril, entregando armas para ind\u00edgenas favor\u00e1veis \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio da reserva.<\/p>\n<p>J\u00e1 sobre o caso da adolescente, Hekurari disse que ela estava sozinha na comunidade Araca\u00e7\u00e1, em Amajar\u00ed, no norte de Roraima, quando foi atacada por garimpeiros. No in\u00edcio de maio, o Jornal Nacional mostrou que a investiga\u00e7\u00e3o da Pol\u00edcia Federal sobre a den\u00fancia de homic\u00eddio, que n\u00e3o tinha sido conclu\u00edda, apontou que o caso foi mal-entendido e que n\u00e3o havia nenhum vest\u00edgio dos crimes relatados no local.<\/p>\n<p>J\u00e1 os outros dois ind\u00edgenas do relat\u00f3rio da CPT s\u00e3o, Alex Recarte Vasques Lopes, assassinado em Coronel Sapucaia, no Mato Grosso do Sul, e Eliseu Kanela, do povo Kanela do Araguaia, no Mato Grosso.<\/p>\n<p>www..ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O assassinato de Bruno e Dom promoveu uma como\u00e7\u00e3o internacional e despertou a aten\u00e7\u00e3o da chamada opini\u00e3o p\u00fablica para a viol\u00eancia no campo e nas florestas brasileiras, uma trag\u00e9dia que, todavia, faz parte do cotidiano brasileiro, alimentada pela impunidade e, mais recentemente, tamb\u00e9m a cumplicidade do governo Bolsonaro. 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