{"id":27676,"date":"2022-06-29T10:12:53","date_gmt":"2022-06-29T13:12:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27676"},"modified":"2022-06-29T10:12:53","modified_gmt":"2022-06-29T13:12:53","slug":"crise-economica-prolongada-expulsa-jovens-e-mais-velhos-do-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/06\/29\/crise-economica-prolongada-expulsa-jovens-e-mais-velhos-do-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Crise econ\u00f4mica prolongada expulsa jovens e mais velhos do mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p><strong>Em 10 anos, mais de 2 milh\u00f5es perderam o emprego e, se n\u00e3o houver mudan\u00e7a nos rumos da economia, e a taxa de desemprego se mantiver em alta, a situa\u00e7\u00e3o tende a piorar ainda mais<\/strong><\/p>\n<p>Silvia Cunha tem 53 anos e h\u00e1 quatro meses perdeu o emprego de editora de livros, com carteira assinada na empresa que trabalhava h\u00e1 seis anos. Ela e outros tr\u00eas profissionais com idades de 48, 52 e 63 anos, chamados de s\u00eanior, por terem mais experi\u00eancia profissional, mas sem ocuparem cargos de chefia, ganhavam mais do que os mais jovens e, por isso foram desligados da editora em que trabalhavam.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio de per\u00edodos com taxas de emprego em alta, empresas como a de S\u00edlvia est\u00e3o demitindo os seniores para troc\u00e1-los por trabalhadores com alguma experi\u00eancia, mas com idade intermedi\u00e1ria, que aceitam sal\u00e1rios mais baixos porque a recoloca\u00e7\u00e3o est\u00e1 dif\u00edcil.<\/p>\n<p>Em 2014, quando havia pleno emprego com a taxa de desemprego chegando a apenas 4,3%, havia forte contrata\u00e7\u00e3o em todas as faixas et\u00e1rias, lembra o ex-diretor-t\u00e9cnico do Departamento Intersindical de Estat\u00edsticas e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) e atual assessor do F\u00f3rum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz L\u00facio.<\/p>\n<p>\u201cOs jovens, principalmente de escolas t\u00e9cnicas j\u00e1 saiam empregados e os aposentados eram convidados a retornar ao trabalho\u201d, afirma Clemente.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio atual, acontece oposto e o resultado \u00e9 que, atualmente, o desemprego atinge 7,6 milh\u00f5es- um a cada quatro \u2013 trabalhador de 14 a 29 anos; e 880 mil acima de 50 anos, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), compilados pela consultoria IDados, para o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.estadao.com.br\/infograficos\/economia,desemprego-assombra-geracao-mais-velha-e-jovens,1253068\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">jornal O Estado de S\u00e3o Paulo<\/a>.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o \u00e9 a empresa andar mal das pernas economicamente, como no caso da editora em que S\u00edlvia trabalhava. Segundo ela, trabalho n\u00e3o falta, tanto que agora alguns de seus colegas est\u00e3o sendo chamados para fazer freelance na mesma empresa que os demitiu. Silvia est\u00e1 fazendo o mesmo, mas em outra editora.<\/p>\n<p>\u201cTenho 26 anos de experi\u00eancia e assim como outros profissionais da minha faixa et\u00e1ria passamos por todas as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas, desde o fotolito, material impresso em gr\u00e1fica, rotativas, PDF, enfim, a gente acompanhou e transita super bem, edita em plataforma, trabalha em home office, ent\u00e3o esse n\u00e3o \u00e9 o problema. O que percebo \u00e9 a falta de vagas com carteira de trabalho assinada\u201d, diz Silvia<\/p>\n<p>A editora lamenta a perda de direitos como 13\u00ba sal\u00e1rio, Fundo de Garantias por Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), f\u00e9rias, vales e a parte da contribui\u00e7\u00e3o para a aposentaria que a empresa fazia.<\/p>\n<p>\u201cO valor dos meus \u2018frilas\u2019, na maioria, corresponde a 80% do sal\u00e1rio que eu ganhava, mas sem os direitos, os ganhos diminuem ainda mais. Al\u00e9m disso, com a reforma da Previd\u00eancia, preciso esperar mais nove anos para me aposentar e a contribui\u00e7\u00e3o vai fazer falta at\u00e9 eu chegar aos 62 anos, idade m\u00ednima para receber\u201d, conta Silvia.<\/p>\n<p>A editora ainda consegue sobreviver de frilas, mas para os quase 8 milh\u00f5es de trabalhadores jovens ou com mais de 50 anos sentem o peso da falta de \u00a0trabalho. \u00a0Nos \u00faltimos dez anos, o Brasil ganhou mais de 2,2 milh\u00f5es de desempregados nessas faixas et\u00e1rias.<\/p>\n<p>A explica\u00e7\u00e3o para a atual situa\u00e7\u00e3o, segundo Clemente Ganz L\u00facio, \u00e9 que o desemprego para os mais jovens e mais velhos se aprofunda em tempos de crise, pelo \u201cexcedente\u201d de m\u00e3o de obra dispon\u00edvel no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Os jovens, prossegue o ex-diretor-t\u00e9cnico do Dieese, s\u00e3o mais impactados pela falta de trabalho por que s\u00e3o a m\u00e3o de obra mais barata para ser demitida. Eles, normalmente, t\u00eam pouco tempo de casa, a indeniza\u00e7\u00e3o \u00e9 menor e seus postos de trabalho n\u00e3o costumam ser a principal atividade da empresa.<\/p>\n<p>Clemente diz ainda que \u00a0\u00e9 preciso considerar a din\u00e2mica do mundo do trabalho, onde os jovens de 14 a 17 anos tendem a ter uma taxa maior de desemprego por estarem na escola. Os de 18 a 24 anos t\u00eam mais chances de emprego por estarem na transi\u00e7\u00e3o escola-trabalho. J\u00e1 os mais velhos s\u00e3o preteridos em fun\u00e7\u00e3o dos sal\u00e1rios maiores e, por n\u00e3o aceitarem perdas de direitos facilmente.<\/p>\n<p>\u201cSe a taxa atual de desemprego fosse 5% seria natural que o \u00edndice de jovens sem trabalho fosse de 10% e n\u00e3o mais de 30% como \u00e9 hoje, porque tem gente mais preparada procurando por uma vaga. Para piorar, nesse segmento o atual governo n\u00e3o tem uma pol\u00edtica p\u00fablica que ajude a transi\u00e7\u00e3o escola-trabalho e os jovens ficam ao \u2018Deus dar\u00e1\u201d, diz.<\/p>\n<p>Entre 2003 e 2015, foram gerados mais de 22 milh\u00f5es de postos formais de trabalho, e o Brasil atingiu o pleno emprego. Em 2010, quando o Brasil alcan\u00e7ou a situa\u00e7\u00e3o de pleno emprego pela primeira vez, o tempo de espera por uma nova vaga era de 5 meses, em m\u00e9dia. Hoje, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito diferente: o desemprego atinge quase 11 milh\u00f5es de trabalhadores, e o tempo de procura por emprego ultrapassa os dois anos para mais de 26% deles.<\/p>\n<p>\u201cQuando a economia vai bem, essas faixas et\u00e1rias, normalmente fora do mercado de trabalho, t\u00eam mais chances. Mas com a crise econ\u00f4mica, agravada pela pandemia, a tend\u00eancia, se n\u00e3o houver uma mudan\u00e7a nos rumos da economia, e a taxa de desemprego se mantiver em alta, \u00e9 que os jovens e os mais velhos, que antes eram convidados a retornar ao trabalho, sejam ainda mais prejudicados\u201d, conclui Clemente.<\/p>\n<p>Confira a evolu\u00e7\u00e3o do desemprego de 2012 a 2021, por faixa et\u00e1ria publicada pelo Centro de Altos Estudos Brasil S\u00e9culo XI, a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domic\u00edlios (PNAD Cont\u00ednua), do IBGE.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 10 anos, mais de 2 milh\u00f5es perderam o emprego e, se n\u00e3o houver mudan\u00e7a nos rumos da economia, e a taxa de desemprego se mantiver em alta, a situa\u00e7\u00e3o tende a piorar ainda mais Silvia Cunha tem 53 anos e h\u00e1 quatro meses perdeu o emprego de editora de livros, com carteira assinada na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27677,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[55],"class_list":["post-27676","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desemprego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27676","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27676"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27676\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27678,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27676\/revisions\/27678"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27677"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27676"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27676"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27676"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}