{"id":27760,"date":"2022-07-06T10:24:05","date_gmt":"2022-07-06T13:24:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27760"},"modified":"2022-07-06T10:24:05","modified_gmt":"2022-07-06T13:24:05","slug":"leite-aumenta-entre-35-a-90-nos-estados-enquanto-renda-do-trabalhador-encolhe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/07\/06\/leite-aumenta-entre-35-a-90-nos-estados-enquanto-renda-do-trabalhador-encolhe\/","title":{"rendered":"Leite aumenta entre 35% a 90% nos estados, enquanto renda do trabalhador encolhe"},"content":{"rendered":"<p><strong>O pre\u00e7o do litro do leite variou de 35% em Bras\u00edlia a 90% em Santa Catarina, nos tr\u00eas anos e meio do governo Bolsonaro, enquanto renda do trabalhador encolheu 8 %<\/strong><\/p>\n<p>A disparada dos pre\u00e7os dos alimentos essenciais \u00e9 um dos assuntos mais comentados nas redes sociais desde que a infla\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou dois d\u00edgitos no ano passado e n\u00e3o parou mais de subir. A culpa, diz o povo nas postagens com fotos de produtos com pre\u00e7os invi\u00e1veis para o bolso da maioria, \u00e9 do governo de Jair Bolsonaro (PL). \u00a0E o povo tem raz\u00e3o, como explicaram dois economistas do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) \u00e0 reportagem do PortalCUT.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias, o produto que mais chamou a aten\u00e7\u00e3o dos brasileiros e brasileiras foi o leite integral e o tema esteve entre os mais comentados nas redes sociais. E n\u00e3o \u00e9 para menos. O pre\u00e7o do litro varia, em m\u00e9dia, de R$ 7 a R$ 10, dependendo da localiza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio em que \u00e9 vendido. Um levantamento da t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o da CUT Nacional do Dieese Adriana Marcolino, mostra a evolu\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os do produto nos estados em que o \u00f3rg\u00e3o faz a pesquisa da cesta b\u00e1sica.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, o litro do leite subiu menos em Bras\u00edlia, com reajuste de 35%, desde que Bolsonaro assumiu a presid\u00eancia da Rep\u00fablica. O maior reajuste no mesmo per\u00edodo \u00e9 em Santa Catarina com quase 90%.\u00a0<strong>Confira abaixo os percentuais de reajustes nos estados.<\/strong><\/p>\n<p>Em contrapartida a renda dos trabalhadores de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domic\u00edlio (PNAD Cont\u00ednua) do Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE), tem sido corro\u00edda pela infla\u00e7\u00e3o, puxada especialmente pelos aumentos dos combust\u00edveis e dos alimentos.<\/p>\n<p>Desde que Bolsonaro assumiu, em 2019, a queda foi de 8%. No primeiro trimestre daquele ano a renda m\u00e9dia do trabalhador era de R$ 3.021,76 e no primeiro trimestre de 2022 cai para R$ 2.783,72.<\/p>\n<p>Outro dado que aponta a desvaloriza\u00e7\u00e3o salarial \u00e9 da pesquisa do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do\u00a0Minist\u00e9rio do Trabalho e \u00a0Previd\u00eancia. Em maio deste ano o sal\u00e1rio m\u00e9dio real de admiss\u00e3o para quem tem carteira assinada foi de R$ 1.898, contra um valor de R$ 1.916 em abril, e de R$ 2.010 em maio do ano passado, em valores corrigidos pela infla\u00e7\u00e3o medida pelo \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor (INPC). A queda foi de 5,6% em apenas um ano.<\/p>\n<p>Foi neste governo tamb\u00e9m que acabou a Pol\u00edtica de Valoriza\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo, que atualizava o valor de acordo com o aumento do Produto Interno Bruto (PIB), o que elevou o m\u00ednimo entre maio de 2005 e janeiro de 2016, a um aumento real acumulado de 72,98%.<\/p>\n<p>O economista Dieese, Alexandre Ferraz, critica a forma como o governo vem abordando o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o que corr\u00f3i o poder de compra do trabalhador. Segundo ele, enquanto o Banco Central (BC) continuar aumentando os juros para evitar mais consumo como estrat\u00e9gia para conter a disparada da infla\u00e7\u00e3o, o desemprego vai continuar alto porque os empres\u00e1rios n\u00e3o v\u00e3o investir em novos neg\u00f3cios, nem ampliar os existentes. Em junho, a taxa b\u00e1sica de juros, a Selic, subiu para 13,25% ao ano. \u00c9 o maior patamar desde janeiro de 2017, quando chegou a 13,75%.<\/p>\n<p>Para Ferraz, a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tende a parar mesmo com o governo colocando mais dinheiro na economia com a amplia\u00e7\u00e3o de antigos aux\u00edlios e a cria\u00e7\u00e3o de novos ao custo de mais de R$ 40 bilh\u00f5es, aprovados pelo Senado.<\/p>\n<p>\u201cQuando o governo injeta recursos na economia, cada real provoca um crescimento no PIB e na demanda, vai rodar a economia, gerando emprego, renda e impostos, como foi comprovado pelo Bolsa Fam\u00edlia. No entanto, ao aumentar os juros, o BC interrompe essa cadeia de crescimento, combatendo equivocadamente a infla\u00e7\u00e3o pelo consumo, e sem crescimento n\u00e3o h\u00e1 emprego e com a disponibilidade maior de m\u00e3o de obra, os sal\u00e1rios caem\u201d, explica o economista.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Somos um pa\u00eds em que 70% dos trabalhadores ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos [R$ 2.424], e com o desemprego atingindo mais de 10 milh\u00f5es de pessoas, al\u00e9m do desalentados e informais, a renda do trabalhador cai<\/p>\n<footer>&#8211; Alexandre Ferraz<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>Para o economista, infelizmente, a tend\u00eancia at\u00e9 o final do ano \u00e9 ainda mais infla\u00e7\u00e3o com os pre\u00e7os dos combust\u00edveis aumentando, apesar da decis\u00e3o do governo federal em reduzir o Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias (ICMS) cobrado no valor do diesel e da gasolina.<\/p>\n<p>\u201cOs pre\u00e7os no exterior v\u00e3o aumentar quando acabar o ver\u00e3o europeu, em setembro\/outubro. Com a chegada do inverno, eles v\u00e3o consumir mais combust\u00edveis, at\u00e9 para aquecimento. Como a guerra entre R\u00fassia e Ucr\u00e2nia n\u00e3o se sabe quando vai acabar, a tend\u00eancia \u00e9 termos um final de ano bem dif\u00edcil na economia brasileira\u201d, afirma Alexandre Ferraz.<\/p>\n<h4><strong>Por que o pre\u00e7o do leite subiu tanto?<\/strong><\/h4>\n<p>De acordo com Patr\u00edcia Costa, coordenadora da pesquisa da cesta b\u00e1sica do Dieese, o aumento do leite ocorre pela estiagem forte e o inverno, per\u00edodo de entressafra. O clima, segundo ela, j\u00e1 \u00e9 esperado nessa \u00e9poca do ano, mas contribuem para isso, os custos de medicamentos dos animais que s\u00e3o importados, do farelo, da soja e milho; a dificuldade com os custos dos fretes no transporte do leite do campo para a cidade e a press\u00e3o da ind\u00fastria de latic\u00ednios que compra diretamente do produtor. O problema, diz Patr\u00edcia \u00e9 que o governo nada fez para evitar ou minimizar os aumentos.<\/p>\n<p>\u201cExiste um gargalo desde 2020 que se sabe, que \u00e9 a pouca oferta de leite da agricultura familiar porque o governo n\u00e3o oferece subs\u00eddios para a sua produ\u00e7\u00e3o. O pre\u00e7o do leite continua subindo por ter pouca oferta. Se o governo n\u00e3o deixasse ao sabor do mercado essa pr\u00e1tica, buscando aumentar a oferta, os pre\u00e7os n\u00e3o estariam nesses patamares elevados\u201d, diz Patr\u00edcia.<\/p>\n<p>Um grande problema, de acordo com a pesquisadora \u00e9 o fato do leite dificilmente baixar de pre\u00e7o. Normalmente ele se mant\u00e9m ou baixa muito pouco, ao contr\u00e1rio de outros alimentos como o tomate por exemplo, que na entressafra pode chegar a R$ 10, o quilo, mas pode tamb\u00e9m baixar para R$ 5.<\/p>\n<p>\u201cTodo produto que passa por processamento, como o leite em caixa e a manteiga que n\u00e3o tem toda a produ\u00e7\u00e3o no Brasil, incorpora os aumentos e n\u00e3o recua\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O trigo \u00e9 outro produto que dificilmente baixa de pre\u00e7o por causa da importa\u00e7\u00e3o e a taxa de c\u00e2mbio com a desvalorizada moeda brasileira encarece tudo.<\/p>\n<p>\u201cO atual governo n\u00e3o tem uma pol\u00edtica para a agricultura familiar, respons\u00e1vel por 70% do que vai \u00e0 mesa do brasileiro, mas fica dando aux\u00edlio g\u00e1s, caminhoneiro, emergencial e outros benef\u00edcios, que s\u00e3o necess\u00e1rios, mas,\u00a0 no entanto, n\u00e3o se preocupa em prover alimentos essenciais como o leite. O governo n\u00e3o lida com a quest\u00e3o real que \u00e9 o mercado produzir o que \u00e9 mais lucrativo para ele, em detrimento de toda a sociedade\u201d, critica Patr\u00edcia Costa.<\/p>\n<p><strong>Confira os pre\u00e7os<\/strong>\u00a0e os \u00edndices de reajustes nos pre\u00e7os do leite desde o in\u00edcio do governo Bolsonaro, nos 16 estados e no DF, at\u00e9 maio deste ano, onde a cesta b\u00e1sica \u00e9 pesquisada pelo Dieese.<\/p>\n<p><strong>Bras\u00edlia<\/strong>\u00a0&#8211; pre\u00e7o m\u00e9dio: R$ 5,75 \u2013 reajuste de 34,66%<\/p>\n<p><strong>Campo Grande<\/strong>\u00a0\u00ad- pre\u00e7o m\u00e9dio: R$ 5,56\u2013 reajuste de 60,69%<\/p>\n<p><strong>Goi\u00e2nia\u00a0<\/strong>\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,87\u2013 reajuste de 69,16%,<\/p>\n<p><strong>Belo Horizonte<\/strong>\u00a0&#8211; pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,37 \u2013 reajuste de 66,77%<\/p>\n<p><strong>Rio de Janeiro<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 6,49 \u2013 reajuste de 46,50%<\/p>\n<p><strong>S\u00e3o Paulo<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,92 \u2013 reajuste de 49,49%<\/p>\n<p><strong>Vit\u00f3ria<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,97 \u2013 reajuste de 65,37%<\/p>\n<p><strong>Curitiba<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,58 \u2013 reajuste de 63,16%<\/p>\n<p><strong>Florian\u00f3polis<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,75 \u2013 reajuste de R$ 89,77%<\/p>\n<p><strong>Porto Alegre<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 4,98 \u2013 reajuste de 75,97%<\/p>\n<p><strong>Bel\u00e9m<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 6,22 \u2013 reajuste de 35,81%<\/p>\n<p><strong>Aracaj\u00fa<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,30 \u2013 reajuste de 32,50%<\/p>\n<p><strong>Fortaleza<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,32 \u2013 reajuste de 37,47%<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Pessoa<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,57 \u2013 reajuste de 50,54%<\/p>\n<p><strong>Natal<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,50 \u2013 reajuste de 67,68%<\/p>\n<p><strong>Recife<\/strong>\u00a0\u2013 pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 4,92 \u2013 reajuste de 55,21%<\/p>\n<p><strong>Salvador\u00a0<\/strong>-pre\u00e7o m\u00e9dio R$ 5,69 \u2013 reajuste de 51,33%<\/p>\n<p>\u201cQuando um governo s\u00e9rio v\u00ea que o pre\u00e7o vai explodir, ele chama um grupo t\u00e9cnico para ver o que vai fazer. Voc\u00ea n\u00e3o pode deixar um produto como o leite, de valor nutricional indispens\u00e1vel para as crian\u00e7as chegar neste valor\u201d, critica a pesquisadora Adriana Marcolino, que fez o levantamento dos pre\u00e7os nesses tr\u00eas anos e meio de governo Bolsonaro.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pre\u00e7o do litro do leite variou de 35% em Bras\u00edlia a 90% em Santa Catarina, nos tr\u00eas anos e meio do governo Bolsonaro, enquanto renda do trabalhador encolheu 8 % A disparada dos pre\u00e7os dos alimentos essenciais \u00e9 um dos assuntos mais comentados nas redes sociais desde que a infla\u00e7\u00e3o alcan\u00e7ou dois d\u00edgitos no [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27761,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[73],"class_list":["post-27760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-inflacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27760"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27760\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27762,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27760\/revisions\/27762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}