{"id":27882,"date":"2022-07-15T11:00:35","date_gmt":"2022-07-15T14:00:35","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27882"},"modified":"2022-07-15T11:00:35","modified_gmt":"2022-07-15T14:00:35","slug":"descoberto-novo-caso-de-trabalho-escravo-domestico-em-minas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/07\/15\/descoberto-novo-caso-de-trabalho-escravo-domestico-em-minas\/","title":{"rendered":"Descoberto novo caso de trabalho escravo dom\u00e9stico em Minas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Um triste caso semelhante ao vivido por Madalena Gordiano \u00e9 descoberto em Minas, onde mais uma mulher foi encontrada por fiscais do trabalho em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a escravid\u00e3o. <\/strong><\/p>\n<p>Durante 32 anos, uma mulher de 63 anos trabalhou sem remunera\u00e7\u00e3o para uma fam\u00edlia de Nova Era, cidade de 17 mil habitantes na regi\u00e3o Central de Minas. O caso foi descoberto durante fiscaliza\u00e7\u00e3o de auditoras do trabalho entre os dias 5 e 7. A v\u00edtima trabalhava em duas casas, no mesmo lote, cuidando de dois idosos e fazendo atividades dom\u00e9sticas.<\/p>\n<p>Sem nunca receber sal\u00e1rio, a idosa n\u00e3o tinha carteira assinada, nunca teve f\u00e9rias, descanso nos finais de semana, d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio ou qualquer outro benef\u00edcio. \u201cEla teve uma vida roubada\u201d, afirmou a auditora Cynthia Mara Saldanha ao jornal O Tempo. A idosa cozinhava, lavava roupas e fazia todo o trabalho dom\u00e9stico para o empregador e a fam\u00edlia, um homem de 47 anos e para os pais dele (a m\u00e3e de cerca de 70 anos, e o pai de cerca de 90 anos. \u201cA m\u00e3e nos disse que ela (a idosa) era dela\u201d, revelou Cynthia. O pagamento s\u00f3 ocorreu no in\u00edcio do trabalho, depois o dinheiro \u201cvirou\u201d casa e comida.<\/p>\n<p>A mulher chegou \u00e0 casa quando os tr\u00eas filhos do casal de idosos ainda eram pequenos. Na ocasi\u00e3o, a m\u00e3e deles estava adoentada e precisava de ajuda para realizar as tarefas dom\u00e9sticas. O tempo foi passando e os filhos sa\u00edram de casa, exceto o \u2018empregador\u2019, que manteve a \u2018empegada dom\u00e9stica\u2019. Ela cuidava de duas casas. Em cima, morava o homem. No andar de baixo, vivia o casal e a empregada. Ela dormia em um corredor, sem qualquer privacidade. \u201cO quarto dela era um local de passagem. E, na casa, havia mais um quarto com duas camas\u201d, destacou a auditora.<\/p>\n<p>O isolamento da idosa era t\u00e3o grande que, mesmo sem receber sal\u00e1rio, ou qualquer direito trabalhista, ela demorou um pouco a entender a situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava. \u201cAs v\u00edtimas desse tipo de crime geralmente desenvolvem um afeto pelo empregador, o que dificulta a den\u00fancia por elas mesmas\u201d, explicou Cynthia.<\/p>\n<p><strong>O caso Madalena<\/strong><\/p>\n<p>Hoje com 49 anos, Madalena Gordiano viveu sob regime an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o por 38 anos na casa da fam\u00edlia mineira Milagres Rigueira. Primeiro nas cidades de S\u00e3o Miguel do Anta e Vi\u00e7osa, por 24 anos, e, depois, em Patos de Minas, onde morou por 14 anos at\u00e9 ser resgatada por fiscais do trabalho em dezembro de 2020, quando seu caso ganhou repercuss\u00e3o nacional. Seus \u2018patr\u00f5es\u2019 chegaram at\u00e9 mesmo a se apoderarem da pens\u00e3o a que tinha direito e o dinheiro foi usado para pagar a faculdade de uma filha.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um triste caso semelhante ao vivido por Madalena Gordiano \u00e9 descoberto em Minas, onde mais uma mulher foi encontrada por fiscais do trabalho em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga a escravid\u00e3o. Durante 32 anos, uma mulher de 63 anos trabalhou sem remunera\u00e7\u00e3o para uma fam\u00edlia de Nova Era, cidade de 17 mil habitantes na regi\u00e3o Central de Minas. 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