{"id":27908,"date":"2022-07-18T16:40:48","date_gmt":"2022-07-18T19:40:48","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27908"},"modified":"2022-07-18T16:40:48","modified_gmt":"2022-07-18T19:40:48","slug":"a-cara-do-desemprego-em-uma-fila-por-vagas-em-hotelaria-em-sao-paulo-conheca-as-historias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/07\/18\/a-cara-do-desemprego-em-uma-fila-por-vagas-em-hotelaria-em-sao-paulo-conheca-as-historias\/","title":{"rendered":"A cara do desemprego em uma fila por vagas em hotelaria em S\u00e3o Paulo. Conhe\u00e7a as hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><strong>No pa\u00eds de quase 11 milh\u00f5es de desempregados, o primeiro da fila (que teve 3 mil pessoas) enfrentou 11 horas para concorrer a uma das 789 vagas de emprego<\/strong><\/p>\n<div class=\"row row-small collapse\">\n<div id=\"single-the-content\" class=\"column large-12 small-12\">\n<div class=\"row\">\n<div class=\"large-11 small-12\">\n<div class=\"the-content\">\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\">\n<div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" class=\"lazyloaded\" title=\"Busca por emprego leva diferentes gera\u00e7\u00f5es a enfrentar 11 horas em fila por vagas\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/iklUwWkjoK8?feature=oembed\" width=\"500\" height=\"281\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-rocket-lazyload=\"fitvidscompatible\" data-ll-status=\"loaded\" data-mce-fragment=\"1\"><\/iframe><\/div>\n<\/figure>\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 \u201cJ\u00e1 fiz processo de um monte de coisa para trabalhar. A gente \u00e9 preparado, mas parece que voc\u00ea faz 45 anos e n\u00e3o serve.\u201d A queixa \u00e9 de Reginaldo Gama do Nascimento, que aos 58 anos mant\u00e9m expectativa de conseguir uma ocupa\u00e7\u00e3o com carteira assinada para alcan\u00e7ar a aposentadoria. Reginaldo era um, entre milhares de pessoas que foram para a fila do\u00a0<a href=\"https:\/\/emprego.sinthoresp.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Feir\u00e3o de Empregos do setor hoteleiro<\/a>, no bairro da Liberdade, centro de S\u00e3o Paulo, na \u00faltima quarta-feira (13). Mais do que n\u00fameros, elas s\u00e3o a cara do desemprego que persiste gravemente no pa\u00eds nos \u00faltimos seis anos.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de dois anos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/tag\/desemprego\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">desempregado<\/a>, desde que foi desligado de uma empresa de transporte em Osasco, na Grande S\u00e3o Paulo, onde atuava na limpeza, Reginaldo tenta uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado formal. Mas s\u00f3 encontra ocupa\u00e7\u00f5es informais, os \u201cbicos\u201d. E, sobretudo, portas fechadas pelo preconceito por sua idade. Em meio a tantas filas do desemprego que j\u00e1 encarou ao longo desse tempo, ele faz quest\u00e3o de mostrar as p\u00e1ginas de suas duas carteiras de trabalho protegidas por uma capa dura feita por ele pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>Os registros ainda est\u00e3o longe de lhe permitir acesso \u00e0 aposentadoria, mas d\u00e3o provas da experi\u00eancia profissional que parece se esvair desde 2020. Dentro da capa, que leva seu nome em baixo relevo \u2013 feita dessa forma para poder levar no bolso em caso de ser parado pela pol\u00edcia \u2013, a primeira carteira de trabalho mostra seu primeiro emprego, como auxiliar de encaderna\u00e7\u00e3o, em 1982, na Encadernadora Universit\u00e1ria. Ao longo de mais de uma d\u00e9cada, Reginaldo chegou a ser oficial encadernador, \u201cpromovido por m\u00e9rito\u201d, como consta no documento.<\/p>\n<h3>\u201cEra uma qualidade que eu tinha e est\u00e1 aqui\u201d<\/h3>\n<p>No per\u00edodo chegou a fazer 100 pastas para o Consulado de Israel e o \u00e1lbum de casamento da ex-jogadora de basquete Hort\u00eancia Marcari com o empres\u00e1rio Jos\u00e9 Vitor Oliva, em 1989. No \u00faltimo emprego na empresa de \u00f4nibus, Reginaldo aprendeu em apenas 15 dias o servi\u00e7o de borracheiro quando cobriu as f\u00e9rias de um colega. Mas, apesar de se mostrar prestativo, n\u00e3o encontra oportunidades.<\/p>\n<p>Atualmente, para sobreviver, ele vende capas para documentos em frente ao Poupatempo da S\u00e9, no centro, ou de Santo Amaro, na zona sul. Nos melhores momentos de vendas, consegue at\u00e9 R$ 1 mil por m\u00eas, que usa no pagamento do aluguel da casa que mora com a esposa e uma cachorra, em Osasco.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>\u201cEu quero trabalhar, por isso que vim aqui e j\u00e1 fui em busca de muitas vagas. Mas olha a multid\u00e3o de gente a\u00ed, n\u00e3o \u00e9 apenas eu querendo trabalhar. E se voc\u00ea olhar, v\u00e3o ter pessoas com curr\u00edculos bons, jovens que est\u00e3o a\u00ed. E sabe por qu\u00ea? \u00c9 governante que n\u00e3o d\u00e1 estrutura, n\u00e3o investe de verdade, s\u00f3 manda a reforma da previd\u00eancia\u201d, critica.<\/p><\/blockquote>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">\n<p><figure id=\"attachment_577091\" aria-describedby=\"caption-attachment-577091\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazyloaded wp-image-577091\" src=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/fila-desemprego-gerac%CC%A7o%CC%83es-1024x643.jpg\" alt=\"a cara do desempregoClara Assun\u00e7\u00e3o\/RBA\" width=\"1024\" height=\"643\" data-ll-status=\"loaded\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-577091\" class=\"wp-caption-text\">A cara do desemprego. Trabalhadores mais velhos, como Reginaldo, tamb\u00e9m passam horas na fila na esperan\u00e7a de voltar a ter carteira assinada e conseguir se aposentar (Fotos: Clara Assun\u00e7\u00e3o\/RBA)<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<h2>\u201cComo a gente tem filho, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u201d<\/h2>\n<p>Moradora do Jardim Bras\u00edlia, na zona norte da capital, Luciana Gomes Ferreira, 40 anos, n\u00e3o lembra a \u00faltima vez que teve um emprego com carteira assinada. \u201cEu sempre trabalhei, grande parte em casa de fam\u00edlia, como empregada dom\u00e9stica, mas a maioria sem registro.\u201d<\/p>\n<p>Desempregada desde o primeiro ano da pandemia de covid-19, em 2020, ela sustenta os dois filhos \u2013 um de 7 e outro de 17 anos \u2013 com a renda de diarista. O marido de Luciana tamb\u00e9m perdeu o emprego no per\u00edodo e hoje \u00e9 vendedor informal. A oportunidade de conseguir uma das 789 vagas efetivas no ramo da hotelaria paulistana foi o que a atraiu a enfrentar mais de tr\u00eas horas de fila para participar do feir\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cComo a gente tem filho, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Fa\u00e7o esses bicos como diarista e n\u00e3o cheguei ainda a passar \u2018precis\u00e3o\u2019 das coisas. A gente n\u00e3o tem o luxo para ir comprar roupa, essas coisas, ou para lazer. Mas o alimento, gra\u00e7as a Deus, a gente tem. E \u00e9 isso que eu quero, (arrumar um emprego) para poder contar que em tal m\u00eas poderei levar meus filhos para tal lugar, ou comprar um brinquedo para eles. (\u2026) me entristece bastante querer ajud\u00e1-los, mas n\u00e3o ter como\u201d, lamenta Luciana.<\/p>\n<h2>Com estudo e sem oportunidade<\/h2>\n<p>A fila com mais de mil pessoas que tomava a Rua Tagu\u00e1 com a Pirapitingui, na regi\u00e3o central da capital, n\u00e3o desanimou a bacharel em Administra\u00e7\u00e3o e Recursos Humanos Jennifer Cristina Azevedo Santos Queiroz, 33 anos e p\u00f3s-graduada nessas \u00e1reas. \u201cEst\u00e1 dif\u00edcil para todo mundo e todos t\u00eam que tentar. O que tiver que ser ser\u00e1\u201d, disse, entre resigna\u00e7\u00e3o e esperan\u00e7a. Jennifer era uma das poucas que destacava o interesse espec\u00edfico nas vagas para as \u00e1reas administrativas na busca tamb\u00e9m por uma mudan\u00e7a de endere\u00e7o de S\u00e3o Vicente, no litoral sul paulista, onde mora, para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u00c9 um direcionamento de carreira que pretende fazer, depois de ser desligada, h\u00e1 um m\u00eas, de uma transportadora em Santos. Com a alta nos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, a empresa teve que aumentar o frete e perdeu clientes depois de ter tido um\u00a0<em>boom<\/em>\u00a0nas fases mais restritivas da pandemia, quando o<em>\u00a0e-commerce<\/em>\u00a0passou a crescer fortemente. Agora, a bacharel vive um per\u00edodo de bastante expectativa para voltar ao mercado, conforme descreve. Ela vem se mantendo com o seguro-desemprego, mas sabe que o \u201ctempo passa r\u00e1pido\u201d e as \u201coportunidades s\u00e3o escassas\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a fila n\u00e3o intimida, mas revela a Jennifer, por outro lado, um diagn\u00f3stico do pa\u00eds. \u201cMostra que n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 quem n\u00e3o tem estudo que est\u00e1 desempregado. Porque se v\u00ea muita gente com estudo buscando oportunidades. \u00c9 o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<h2>Perdeu emprego e o padr\u00e3o de vida<\/h2>\n<p>\u201cPerdi o emprego mais ou menos no in\u00edcio da pandemia, em junho de 2020. E de l\u00e1 pra c\u00e1 estou vivendo de bico. Fa\u00e7o bico em restaurante como gar\u00e7om. O que aparecer na frente estou fazendo. Mas tenho experi\u00eancia com compras, supervis\u00e3o de f\u00e1brica de salgados \u2013 que eu trabalhava antes \u2013, analista de RH\u2026 Ou seja, minha experi\u00eancia \u00e9 um pouquinho ampla, mas n\u00e3o acho vaga\u201d, resume Henrique Santana, de 45 anos.<\/p>\n<p>Junto com emprego formal, Santana perdeu tamb\u00e9m o padr\u00e3o de vida e com o passar dos anos, sem uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado, precisou vender at\u00e9 o carro. \u201cVoc\u00ea vai se desfazendo de tudo\u201d, conta. Seu grande temor hoje \u00e9 n\u00e3o conseguir pagar o financiamento da casa. J\u00e1 foram 15 anos cobertos, mas ainda faltam outros 10 e suas reservas econ\u00f4micas j\u00e1 est\u00e3o minguando.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>\u201cPara mim, isso (multid\u00e3o na fila por ocupa\u00e7\u00e3o) j\u00e1 est\u00e1 uma coisa normal. \u00c9 claro que no in\u00edcio, quando eu perdi o emprego, eu me assustava com muita coisa. Mas eu j\u00e1 estou vendo isso tudo como normal, porque parece que assim voc\u00ea n\u00e3o v\u00ea os governantes fazendo nada pra ajudar.\u201d<\/p><\/blockquote>\n<p>Segundo dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua do IBGE, o aumento no n\u00famero de trabalhadores sem carteira e a queda nos rendimentos do trabalho s\u00e3o os respons\u00e1veis pelo recuo na taxa de desemprego do Brasil. O n\u00famero de desempregados soma, atualmente, 10,6 milh\u00f5es. Mas 40,1% dos ocupados, ou\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/economia\/2022\/06\/mais-trabalhadores-sem-carteira-queda-na-renda-desemprego-recua\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">39 milh\u00f5es de trabalhadores, s\u00e3o informais<\/a>.<\/p>\n<h2>Esperan\u00e7a nas elei\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Aos colegas que acaba de conhecer na fila do feir\u00e3o, Zuleide Alexandre Gomes, de 53 anos, desabafava sobre \u201ccomo tem sido dif\u00edcil ficar desempregada\u201d. A moradora do Jardim Paulistano, em Pirituba, na zona noroeste de S\u00e3o Paulo, perdeu o emprego h\u00e1 um ano, quando o hotel em que trabalhava como camareira fez novos cortes.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, ela tem buscado alguma renda trabalhando como diarista, mas relata que n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil nessa \u00e1rea tamb\u00e9m. \u201cQuando voc\u00ea consegue (uma di\u00e1ria) n\u00e3o querem pagar o valor que voc\u00ea est\u00e1 pedindo. Mas n\u00f3s, brasileiros, \u2018damos um jeitinho\u2019 e aceitamos o que temos que aceitar para sobreviver\u201d, relata.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, Zuleide se mant\u00e9m bem-humorada e s\u00f3 desanima com a possibilidade de que, com o passar dos anos, fique cada vez mais dif\u00edcil conseguir se recolocar no mercado. A trabalhadora tamb\u00e9m n\u00e3o titubeia ao dizer que h\u00e1 um respons\u00e1vel pelo atual cen\u00e1rio do Brasil, marcado pelo desemprego e infla\u00e7\u00e3o em alta.<\/p>\n<p>\u201cPrecisamos de uma pessoa que d\u00ea mais possibilidade para n\u00f3s tamb\u00e9m, que olhe pra n\u00f3s. De um governo e um presidente que olhe para a nossa classe trabalhadora, para que a gente tenha mais oportunidade, uma boa alimenta\u00e7\u00e3o, que a gente tenha uma boa educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. \u00c9 disso que a gente est\u00e1 precisando, n\u00e3o queremos nada de ningu\u00e9m, s\u00f3 queremos ter situa\u00e7\u00f5es melhores.\u201d<\/p>\n<div class=\"the-content\">\n<h2>Primeiro emprego para ajudar em casa<\/h2>\n<p>Kalebe da Silva Jesus Santana, de 17 anos, est\u00e1 em busca de seu primeiro emprego para complementar a renda da fam\u00edlia. A possibilidade de uma oportunidade levou o jovem que mora em S\u00e3o Miguel Paulista, no extremo leste, com o pai, a m\u00e3e e mais dois irm\u00e3os, at\u00e9 o bairro da Liberdade.<\/p>\n<p>O pai de Kalebe trabalha e a m\u00e3e, desempregada, tenta uma renda extra em ocupa\u00e7\u00f5es informais. Mas o rendimento de ambos n\u00e3o vem acompanhando a escalada da infla\u00e7\u00e3o que prejudica, principalmente, a cesta b\u00e1sica de alimentos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p><strong>\u201c<\/strong>O que a gente comprava antes, hoje est\u00e1 mais dif\u00edcil. A gente fazia compras maiores, \u00e9 o que mais impactou na parte do dinheiro. E a gente n\u00e3o tinha muita dificuldade de comprar m\u00f3veis, essas coisas. Teve uma diminui\u00e7\u00e3o na renda sim\u201d, observa o estudante do terceiro ano do ensino m\u00e9dio, em escola p\u00fablica.<\/p>\n<h2>A cara do desemprego<\/h2>\n<p>Aos 21 anos, Laura Kautice Xavier Machado percebe com clareza que a situa\u00e7\u00e3o de desemprego pode ter muitas caras, mas a maioria delas s\u00e3o de \u201cjovens negros de periferia. Infelizmente \u00e9 quem voc\u00ea v\u00ea que est\u00e1 precisando de emprego. Essa \u00e9 a realidade\u201d. Ela chegou por volta das 23h da noite anterior ao anunciado feir\u00e3o de vagas, depois de ler uma reportagem em que uma mulher dormiu na fila para conseguir um emprego em um\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/trabalho\/2022\/05\/mutirao-fila-emprego-vagas-centro-sp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">outro mutir\u00e3o, do Sindicato dos Comerci\u00e1rios e da Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores (UGT), realizado em maio<\/a>.<\/p>\n<p>Na mat\u00e9ria, ela leu o coment\u00e1rio da trabalhadora de que apenas se arrependeu de n\u00e3o ter levado um cobertor. Precavida, Laura n\u00e3o se esqueceu de traz\u00ea-lo, o que foi bastante \u00fatil naquela madrugada de baixa temperatura e garoa na capital paulista. Acompanhada do irm\u00e3o, de 16 anos, ela sonha com um emprego registrado porque precisa de estabilidade para criar a filha de apenas 6 meses.<\/p>\n<p>Apesar da pouca idade, Laura j\u00e1 trabalhou na rede de fast food Burger King, vendendo brigadeiro na Avenida Paulista, como atendente em postos de conveni\u00eancia e telefonista em pizzaria. Todos \u201cbicos\u201d, com exce\u00e7\u00e3o do emprego no atendimento ao p\u00fablico do Burger King. Mas antes mesmo de ficar gr\u00e1vida, no ano passado, a jovem j\u00e1 estava desempregada. Atualmente ela sobrevive com os R$ 400 do Aux\u00edlio Brasil, a pens\u00e3o paga pelo pai da filha e pela ajuda da m\u00e3e.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large\"><p>H\u00e1 dois meses, ela tamb\u00e9m tentou uma vaga de balconista em um supermercado pr\u00f3ximo a Cidade Tiradentes, no extremo leste da capital. Eram 200 pessoas para uma \u00fanica vaga e ela n\u00e3o conseguiu.<\/p><\/blockquote>\n<p>Dessa vez, ao deixar a sede do Sindicato dos Trabalhadores em Hot\u00e9is Bares Restaurantes de S\u00e3o Paulo (Sinthoresp), Laura estava mais confiante ap\u00f3s preencher o perfil para uma vaga de recepcionista. \u201cVoc\u00ea tem que batalhar e n\u00e3o desanimar. \u00c9 sobre isso: batalhar, batalhar, batalhar. Para ano que vem eu conseguir come\u00e7ar minha faculdade de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica\u201d, planeja.<\/p>\n<h2><strong>Esperan\u00e7a<\/strong><\/h2>\n<p>Desde que j\u00e1 chegaram ao Brasil, h\u00e1 tr\u00eas meses, os refugiados angolanos Francisco de Almeida Jorge, de 35 anos, e Manoel Capela, de 31, j\u00e1 trabalharam na limpeza de um restaurante, mas est\u00e3o h\u00e1 30 dias em busca de um novo emprego porque o contrato anterior se encerrou. Eles deixaram seu pa\u00eds, politicamente desgastado por longos per\u00edodos de guerras e conflitos armados, em busca de trabalho no Brasil para proporcionar uma vida melhor a eles e \u00e0 fam\u00edlia em Angola.\u00a0E hoje tamb\u00e9m d\u00e3o nome e cara aos n\u00fameros do desemprego no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Manoel atuava no setor de inform\u00e1tica em seu pa\u00eds, mas reconhece que ser\u00e1 dif\u00edcil uma recoloca\u00e7\u00e3o na \u00e1rea no Brasil. J\u00e1 Francisco, que trabalhava em limpeza tamb\u00e9m em Angola, comenta que mesmo com poucos meses no pa\u00eds j\u00e1 sente a crise. \u201cH\u00e1 vagas, mas para conseguir o emprego \u00e9 dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>O plano mais imediato dos dois amigos \u00e9 conseguir um trabalho para sair de uma igreja presbiteriana, onde est\u00e3o alojados em Itaquera, na zona leste. A esposa de Manoel tamb\u00e9m veio para o Brasil e consegue alguma renda tran\u00e7ando cabelos, mas a remunera\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente para que eles consigam um teto.<\/p>\n<p>\u201c(Queremos) qualquer vaga, a que der para trabalhar. Deus vai nos aben\u00e7oar para conseguirmos trabalhar. Estamos a procura de trabalho para nos organizarmos e termos uma lugar para dormir\u201d, ressalta Manoel. \u201cQuero ajudar minha fam\u00edlia e minha vida\u201d, acrescenta Francisco.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-large\">\n<p><figure id=\"attachment_577092\" aria-describedby=\"caption-attachment-577092\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"lazyloaded wp-image-577092\" src=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/fila-desemprego2-1024x643.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/fila-desemprego2-1024x643.jpg 1024w, https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/fila-desemprego2-360x226.jpg 360w, https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/fila-desemprego2-768x483.jpg 768w, https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/fila-desemprego2.jpg 1200w\" alt=\"cara do desemprego\" width=\"1024\" height=\"643\" data-ll-status=\"loaded\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-577092\" class=\"wp-caption-text\">A cara do desemprego: no pa\u00eds onde 10,6 milh\u00f5es est\u00e3o desempregados, o primeiro da fila enfrentou 11 horas para concorrer a uma das 789 vagas de emprego. Quase 3 mil pessoas tentaram uma vaga no mutir\u00e3o da rede hoteleira de S\u00e3o Paulo<\/figcaption><\/figure><\/figure>\n<\/div>\n<div class=\"column large-12 small-12 no-padding\">\n<div class=\"post-content--tags\">\n<div class=\"post-content--section-title fz-14 mr-15\">www.redebrasilatual.com.br\/ Clara Assun\u00e7\u00e3o | RBA<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pa\u00eds de quase 11 milh\u00f5es de desempregados, o primeiro da fila (que teve 3 mil pessoas) enfrentou 11 horas para concorrer a uma das 789 vagas de emprego S\u00e3o Paulo \u2013 \u201cJ\u00e1 fiz processo de um monte de coisa para trabalhar. A gente \u00e9 preparado, mas parece que voc\u00ea faz 45 anos e n\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27909,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[55],"class_list":["post-27908","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-desemprego"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27908","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27908"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27908\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27910,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27908\/revisions\/27910"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27909"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27908"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27908"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27908"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}