{"id":27954,"date":"2022-07-22T11:03:42","date_gmt":"2022-07-22T14:03:42","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27954"},"modified":"2022-07-22T11:03:42","modified_gmt":"2022-07-22T14:03:42","slug":"sem-correcao-tabela-do-imposto-de-renda-come-reajustes-salariais-dos-trabalhadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/07\/22\/sem-correcao-tabela-do-imposto-de-renda-come-reajustes-salariais-dos-trabalhadores\/","title":{"rendered":"Sem corre\u00e7\u00e3o, tabela do imposto de renda come reajustes salariais dos trabalhadores"},"content":{"rendered":"<p><strong>Congelada desde 2015, a tabela do IR n\u00e3o acompanha os \u00edndices inflacion\u00e1rios e cada vez mais trabalhadores passam a pagar IR quando os sal\u00e1rios s\u00e3o reajustados e entram nas faixas de desconto<\/strong><\/p>\n<p>A n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica (IRPF) ao longo dos anos vem \u2018comendo\u2019 cada vez mais os sal\u00e1rios dos trabalhadores. A cada reajuste salarial conquistado, na maioria dos casos depois de muita mobiliza\u00e7\u00e3o e luta, aumenta tamb\u00e9m o n\u00famero de trabalhadores que perdem a isen\u00e7\u00e3o ou passam a pagar mais imposto porque \u2018progridem\u2019 de faixa. Isso preocupa dirigentes de sindicatos durante as campanhas salariais que buscam repor o poder de compra, seja com reajustes igual \u00e0 infla\u00e7\u00e3o da data-base, seja com aumento real, ou seja, acima da infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.<\/p>\n<p>Apesar das promessas, feitas inclusive durante a campanha eleitoral, e outra vez, em 2019, quando disse que a faixa de isen\u00e7\u00e3o passaria dos atuais R$ 1.903,98 para R$ 3 mil, o presidente Jair Bolsonaro (PL) manteve a tabela congelada. E se n\u00e3o for corrigida,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/sem-correcao-da-tabela-quem-ganhar-um-salario-minimo-e-meio-podera-pagar-ir-em-2-4fd6\">em 2023, at\u00e9 quem ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo e meio vai pagar imposto de renda<\/a>.<\/p>\n<p>Ao n\u00e3o cumprir as promessas, Bolsonaro est\u00e1 tirando comida da mesa dos trabalhadores e das trabalhadoras que, desde setembro do ano passado, enfrentam infla\u00e7\u00e3o superior a dois d\u00edgitos, com v\u00e1rios recordes de aumentos nos pre\u00e7os dos alimentos.<\/p>\n<p>Se houvesse a corre\u00e7\u00e3o da tabela, os descontos nos contracheques seriam menores e, dependendo da faixa salarial, os trabalhadores estariam isentos. Hoje, um trabalhador que ganha R$ 4.702,83, sem dependentes, paga mensalmente R$ 310,73 de Imposto de Renda porque est\u00e1 enquadrado na al\u00edquota mais alta da tabela que \u00e9 de 27,5%. Se a tabela fosse corrigida, ele estaria isento porque o sal\u00e1rio tribut\u00e1vel seria R$ 4,6 mil.<\/p>\n<p>\u201cSe a tabela tivesse sido corrigida, como deveria ser, esse valor ficaria nas m\u00e3os do trabalhador e contribuiria bastante com o or\u00e7amento mensal. No caso do exemplo acima, em um ano o trabalhador economizaria R$ 3.720\u201d, explica a t\u00e9cnica da subse\u00e7\u00e3o do Dieese da CUT Nacional Adriana Marcolino.<\/p>\n<p>\u201cO governo brasileiro est\u00e1 se apropriando cada vez mais da renda dos trabalhadores e das trabalhadoras, ampliando a desigualdade tribut\u00e1ria\u201d, critica Adriana.<\/p>\n<p><strong>Tabela no IR e as mesas de negocia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em fase de negocia\u00e7\u00f5es salariais, representantes dos trabalhadores t\u00eam ficado ainda mais atentos ao tema, querem conquistar reajustes para suas categorias profissionais e tamb\u00e9m a corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda.<\/p>\n<p>Este \u00e9 o caso dos banc\u00e1rios, cuja negocia\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito nacional est\u00e1 em andamento. A categoria definiu como \u00edndice de reajuste a ser negociado com a bancada patronal a reposi\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o da data-base. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula alta de 11,89% em 12 meses. Os banc\u00e1rios lutam ainda por mais 5% de ganho real.<\/p>\n<p>\u201cNa Campanha Nacional dos Banc\u00e1rios, esse ano, n\u00f3s queremos aumento real e, conquistando esse reajuste, como ocorreu em anos anteriores, os banc\u00e1rios v\u00e3o passar para outra faixa de contribui\u00e7\u00e3o, pagando mais imposto\u201d, diz Juvandia Moreira, presidenta da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Banc\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a que a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 conseguir o reajuste salarial, mas tamb\u00e9m exigir a corre\u00e7\u00e3o da tabela.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>N\u00f3s temos que ter a corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda. O compromisso tem que ser cumprido. Essas duas lutas s\u00e3o fundamentais &#8211; ter reajuste salarial e ter reajuste da tabela do imposto, para que a gente pague menos impostos<\/p>\n<footer>&#8211; Juvandia Moreira<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>No caso dos metal\u00fargicos do ABC, outra categoria que est\u00e1 em campanha salarial, os trabalhadores tamb\u00e9m podem pagar mais imposto caso a tabela do IR permane\u00e7a sem corre\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cCom a infla\u00e7\u00e3o que tivemos nos \u00faltimos dois anos, os reajustes salariais tendem a ser maiores e, se n\u00e3o h\u00e1 a corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda, fica muito mais f\u00e1cil o trabalhador sair de uma faixa de al\u00edquota para outra e quando isso ocorre, paga-se mais imposto\u201d, critica Luiz Carlos da Silva Dias, o Luiz\u00e3o, diretor-executivo do Sindicato dos Metal\u00fargicos do ABC (SMABC).<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>O trabalhador pode sair da faixa dos 15% e passar para a de 22,5%, por exemplo. Assim, todo o reajuste conquistado para recompor o sal\u00e1rio, o poder de compra, quem come \u00e9 o imposto de renda. Se a tabela fosse corrigida, esse trabalhador continuaria na mesma al\u00edquota e teria aumento real de sal\u00e1rio<\/p>\n<footer>&#8211; Luiz Carlos da Silva Dias<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p>N\u00e3o corrigir a tabela \u00e9 retirar, \u201cliteralmente\u201d, os recursos dos trabalhadores, acrescenta o dirigente.<\/p>\n<p><strong>Confira as al\u00edquotas do Imposto de Renda<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente, quem ganha at\u00e9 R$ 1.903,98 \u00e9 isento e n\u00e3o paga imposto de renda. Quem ganha mais j\u00e1 entra na tabela, que \u00e9 gradativa e tem al\u00edquotas que v\u00e3o de 7,5% a 27,5%, mesmo percentual para quem ganha mais de R$ 4.664,68. Como \u00e9 a al\u00edquota m\u00e1xima, mesmo quem ganha R$ 50 mil paga 27,5% de IR.<\/p>\n<p><strong>Veja tabela:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>at\u00e9 R$ 1.903,98 \u2013 Isento.<\/li>\n<li>de R$ 1.903,99 a R$ 2.826,65, a al\u00edquota \u00e9 de 7,5% e o trabalhador tem um desconto mensal de R$ 142,80.<\/li>\n<li>de R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05, a al\u00edquota \u00e9 de 15% e o desconto mensal \u00e9 de R$ 354,80.<\/li>\n<li>de R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68, a al\u00edquota sobe para 22,5% e o desconto passa a ser de R$ 636,13.<\/li>\n<li>acima de R$ 4.664,68, o trabalhador entra na maior al\u00edquota do IR, 27,5%, e o desconto mensal \u00e9 de R$ 869,36.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O objetivo do reajuste da tabela \u00e9 aumentar as faixas de desconto conforme os \u00edndices inflacion\u00e1rios para que os reajustes salariais n\u00e3o sejam impactados pelo imposto da forma injusta como \u00e9 atualmente, que pode impactar at\u00e9 os trabalhadores que ganham um sal\u00e1rio m\u00ednimo e meio no ano que vem.<\/p>\n<p>De acordo com um levantamento feito pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais (Sindifisco Nacional), somente de janeiro de 2019 a junho de 2022, a defasagem da tabela foi de 26,57%, muito al\u00e9m dos 2,48% registrados durante o per\u00edodo de 2007 e 2010, no segundo mandato do governo Lula.<\/p>\n<p>No acumulado desde 1996, a defasagem ultrapassa os 147%. Uma simula\u00e7\u00e3o feita pela entidade mostra como ficaria a tabela de IR com a corre\u00e7\u00e3o da defasagem. Veja na imagem.<\/p>\n<p><a class=\"dd-lightbox\" href=\"https:\/\/admin.cut.org.br\/system\/uploads\/ck\/tabela%202.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.cut.org.br\/images\/cache\/systemuploadscktabela202jpg-409x182xfit-191c8.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"182\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Compara\u00e7\u00e3o entre governos<\/strong><\/p>\n<p>O levantamento do Sindifisco Nacional tamb\u00e9m analisou a defasagem nos mandatos presidenciais. A defasagem nunca foi t\u00e3o alta quanto nos dias de hoje, no mandato de Bolsonaro, que ainda n\u00e3o chegou ao fim.<\/p>\n<p>A maior defasagem at\u00e9 ent\u00e3o, tinha sido registrada no segundo governo de FHC, entre 1999 e 2002. &#8220;Em seu segundo mandato administrou a maior infla\u00e7\u00e3o do per\u00edodo, em torno de 40%, mas n\u00e3o teve tanta defasagem, pois realizou a corre\u00e7\u00e3o da tabela em 17,5% em 2002, chegando no total de 18,99%&#8221;, aponta o levantamento.<\/p>\n<p>Defasagem da tabela do IR (corrigida pelo IPCA)<\/p>\n<ul>\n<li>1996 a 1998 (FHC 1) &#8211; 17,19%<\/li>\n<li>1999 a 2002 (FHC 2) &#8211; 18,99%<\/li>\n<li>2003 a 2006 (Lula 1) &#8211; 7,92%<\/li>\n<li>2007 a 2010 (Lula 2) &#8211; 2,48%<\/li>\n<li>2011 a 2014 (Dilma 1) &#8211; 6,53%<\/li>\n<li>2015 (Dilma at\u00e9 in\u00edcio do processo de impeachment) &#8211; 4,80%<\/li>\n<li>2016 a 2018 (Temer) &#8211; 9,42%<\/li>\n<li>2019 a junho de 2022 (Bolsonaro) &#8211; 26,57%<\/li>\n<\/ul>\n<p>www.cut.org.br \/Andre Accarini\/fonte: Brasil Econ\u00f4mico<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Congelada desde 2015, a tabela do IR n\u00e3o acompanha os \u00edndices inflacion\u00e1rios e cada vez mais trabalhadores passam a pagar IR quando os sal\u00e1rios s\u00e3o reajustados e entram nas faixas de desconto A n\u00e3o corre\u00e7\u00e3o da tabela do Imposto de Renda Pessoa F\u00edsica (IRPF) ao longo dos anos vem \u2018comendo\u2019 cada vez mais os sal\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27955,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[626],"class_list":["post-27954","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-defasagem-tabela-do-imposto-de-renda"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27954","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27954"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27954\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27956,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27954\/revisions\/27956"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27955"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27954"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27954"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27954"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}