{"id":27992,"date":"2022-07-25T10:56:58","date_gmt":"2022-07-25T13:56:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27992"},"modified":"2022-07-25T11:29:17","modified_gmt":"2022-07-25T14:29:17","slug":"economia-lenta-e-pobreza-acelerada-caracterizam-a-conjuntura-aponta-dieese-ja-sao-33-milhoes-passando-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/07\/25\/economia-lenta-e-pobreza-acelerada-caracterizam-a-conjuntura-aponta-dieese-ja-sao-33-milhoes-passando-fome\/","title":{"rendered":"Economia lenta e pobreza acelerada caracterizam a conjuntura, aponta Dieese. J\u00e1 s\u00e3o 33 milh\u00f5es passando fome"},"content":{"rendered":"<p><strong>O ano decisivo para os rumos do pa\u00eds, diante das elei\u00e7\u00f5es gerais em outubro, come\u00e7ou com mais do mesmo: economia em ritmo lento e aumento da pobreza em ritmo acelerado, destaca o Dieese em boletim da conjuntura divulgado nesta sexta (22).<\/strong><\/p>\n<p>Os indicadores econ\u00f4micos que apresentam ligeira melhora est\u00e3o referidos a per\u00edodos ainda fortemente impactados pela pandemia e continuam ancorados em bases fr\u00e1geis, indicando f\u00f4lego curto.<\/p>\n<p>Por outro lado, as desigualdades sociais e econ\u00f4micas e a pobreza se acentuam em ritmo acelerado. Em 2022, 14 milh\u00f5es de brasileiros se somaram a outros 19 milh\u00f5es que j\u00e1 sobreviviam em situa\u00e7\u00e3o de fome no pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Fome<\/strong><\/p>\n<p>S\u00e3o 33 milh\u00f5es de pessoas sem ter o que comer e mais da metade da popula\u00e7\u00e3o em algum grau de inseguran\u00e7a alimentar, segundo relat\u00f3rio da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional).<\/p>\n<p>A \u201cPEC do desespero eleitoral\u201d, aprovada no Congresso Nacional e transformada na Emenda Constitucional 123\/22, \u00e9 uma tentativa do governo de reverter o quadro eleitoral, distribuindo benef\u00edcios somente at\u00e9 o final do ano, sem que esteja, de fato, articulada com uma mudan\u00e7a de estrat\u00e9gia na pol\u00edtica econ\u00f4mica e nas pol\u00edticas sociais. Puro casu\u00edsmo eleitoral.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, na opini\u00e3o dos t\u00e9cnicos do \u00f3rg\u00e3o, a recente privatiza\u00e7\u00e3o da Eletrobras aumenta o risco de eleva\u00e7\u00e3o das tarifas de energia el\u00e9trica e solapa a soberania e a seguran\u00e7a energ\u00e9tica nacional, indo na contram\u00e3o do mundo. Os pr\u00f3prios acontecimentos na Ucr\u00e2nia mostram que \u00e9 urgente retomar os instrumentos do Estado para indu\u00e7\u00e3o do desenvolvimento econ\u00f4mico soberano, com distribui\u00e7\u00e3o de renda e prote\u00e7\u00e3o ambiental, reduzindo as desigualdades sociais e regionais.<\/p>\n<p><strong>Economia em ritmo lento<\/strong><\/p>\n<p>A economia brasileira cresceu apenas 1,0% no 1\u00ba trimestre deste ano, na compara\u00e7\u00e3o com o \u00faltimo trimestre de 2021, na s\u00e9rie com ajuste sazonal. Na compara\u00e7\u00e3o com o primeiro trimestre de 2021, o crescimento foi de 1,7%.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a queda abrupta da atividade econ\u00f4mica no in\u00edcio da pandemia, a recupera\u00e7\u00e3o a partir de 2021 teve uma base de compara\u00e7\u00e3o muito baixa e o in\u00edcio de 2022 mostra que a economia brasileira apenas voltou ao observado antes da pandemia: crescimento lento e heterog\u00eaneo. O n\u00edvel da atividade econ\u00f4mica continua abaixo do verificado em 2014!<\/p>\n<p>O crescimento na compara\u00e7\u00e3o interanual se deve, ainda, \u00e0 \u201cocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os ociosos\u201d da economia, derivados de parte da demanda reprimida na pandemia, principalmente no setor de servi\u00e7os.<br \/>\nAssim, embora o setor tenha tido crescimento de 3,7%, influenciado pela retomada de v\u00e1rias atividades presenciais, o com\u00e9rcio recuou (-1,5%).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m a ind\u00fastria geral teve resultado negativo (-1,5%), com mais intensidade a ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o (-4,7%), assim como a agropecu\u00e1ria (-8,0%). O consumo das fam\u00edlias teve o quarto trimestre seguido de crescimento, na compara\u00e7\u00e3o interanual.<\/p>\n<p>Contudo, para al\u00e9m dos efeitos iniciais da pandemia, afetando a base de compara\u00e7\u00e3o, deve-se ter cautela na an\u00e1lise deste dado, tendo em vista o aumento da desigualdade social no pa\u00eds, de forma que esse aumento do consumo est\u00e1 longe de ser homog\u00eaneo entre as fam\u00edlias.<\/p>\n<p><strong>Pobreza cresce em ritmo acelerado<\/strong><\/p>\n<p>Segundo pesquisa da Rede Penssan2, 40% dos domic\u00edlios brasileiros convivem com algum tipo de inseguran\u00e7a alimentar, o que representa cerca de 125,2 milh\u00f5es de pessoas, mais da metade da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Cerca de 15% da popula\u00e7\u00e3o, equivalente a 33 milh\u00f5es de pessoas, est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de fome, das quais 14 milh\u00f5es passaram a esta dram\u00e1tica condi\u00e7\u00e3o no \u00faltimo ano. Como afirma a pesquisa: \u201cO pa\u00eds regrediu para um patamar equivalente ao da d\u00e9cada de 1990\u201d.<\/p>\n<p>As regi\u00f5es Norte e Nordeste s\u00e3o as mais impactadas: 71,6% e 68,0% das respectivas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam algum grau de inseguran\u00e7a alimentar. No Norte, 25,7% das fam\u00edlias convivem com a fome e, no Nordeste, 21,0%.<\/p>\n<p>O aumento da pobreza est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 perda de rendimento e ao aumento do custo de vida. O valor da cesta b\u00e1sica de alimentos, apurado pelo Dieese em 17 capitais, aumentou mais de 26% em Recife, nos 12 meses encerrados em junho, a maior varia\u00e7\u00e3o registrada. Em seguida aparecem Salvador (+24%), Campo Grande (+24%) e S\u00e3o Paulo (+24%). As menores varia\u00e7\u00f5es registradas foram em Vit\u00f3ria e Curitiba, com aumentos de 13%.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a infla\u00e7\u00e3o continua castigando a popula\u00e7\u00e33. Nos 12 meses encerrados em junho, a infla\u00e7\u00e3o para as pessoas de renda muito baixa atingiu 12,0%, percentual tamb\u00e9m registrado para o segmento de renda alta, cuja taxa inflacion\u00e1ria deu uma acelerada em junho, segundo o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IPCA-IBGE). Na m\u00e9dia, a infla\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo foi de 11,9%.<\/p>\n<p>O rendimento real domiciliar por pessoa (per capita) atingiu o menor valor desde 2012, quando o levantamento come\u00e7ou a ser feito pelo IBGE4. Em valores atualizados para 2021, o rendimento m\u00e9dio mensal domiciliar per capita ficou em R$ 1.353 e os menores valores foram registrados na regi\u00e3o Norte, R$ 871, e no Nordeste, R$ 843. As outras regi\u00f5es registraram valores quase duas vezes maiores.<\/p>\n<p>Aproximadamente metade da popula\u00e7\u00e3o teve rendimento m\u00e9dio mensal de R$ 415, em 2021, valor ainda menor que os R$ 489 de 2020. J\u00e1 o 1% da popula\u00e7\u00e3o de maior renda teve rendimento m\u00e9dio de R$ 15.940. Assim, esse grupo teve rendimento 38 vezes maior que a m\u00e9dia dos 50% da popula\u00e7\u00e3o de menor renda.<\/p>\n<p><strong>Leia a \u00edntegra do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.dieese.org.br\/boletimdeconjuntura\/2022\/boletimconjuntura34.pdf\">boletim<\/a><\/strong><\/p>\n<p>www..ctb.org.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano decisivo para os rumos do pa\u00eds, diante das elei\u00e7\u00f5es gerais em outubro, come\u00e7ou com mais do mesmo: economia em ritmo lento e aumento da pobreza em ritmo acelerado, destaca o Dieese em boletim da conjuntura divulgado nesta sexta (22). 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