{"id":27995,"date":"2022-07-25T10:59:16","date_gmt":"2022-07-25T13:59:16","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=27995"},"modified":"2022-07-25T10:59:16","modified_gmt":"2022-07-25T13:59:16","slug":"25-de-julho-mulheres-negras-lutam-por-igualdade-e-respeito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/07\/25\/25-de-julho-mulheres-negras-lutam-por-igualdade-e-respeito\/","title":{"rendered":"25 de julho: Mulheres negras lutam por igualdade e respeito"},"content":{"rendered":"<p><strong>Em 25 de julho, comemora-se o\u00a0Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A data foi institu\u00edda em 1992, no 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, Rep\u00fablica Dominicana, justamente para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o profundo desrespeito vivenciado pelas mulheres negras nesta regi\u00e3o do planeta e a viol\u00eancia que as atinge severamente.<\/strong><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o peculiar que no Brasil as mulheres negras ganham 57% menos do que um homem branco, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) e 42% a menos do que as mulheres brancas, al\u00e9m de estarem em maior vulnerabilidade, como mostram todas as pesquisas sobre viol\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cDesde os prim\u00f3rdios da hist\u00f3ria, a humanidade foi sendo estruturada por outras rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o, como o racismo, o colonialismo e a opress\u00e3o da sexualidade\u201d, afirma Lucimara da Silva Cruz, secret\u00e1ria de Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). \u201cNa Am\u00e9rica Latina, nossa hist\u00f3ria \u00e9 marcada pelo colonialismo e pelo racismo, que produzem, estruturam o capitalismo, e aprofundaram o patriarcado\u201d.<\/p>\n<p>Para Raimunda Leone, secret\u00e1ria adjunta de Igualdade Racial da CTB, \u201ca escravid\u00e3o mant\u00e9m marcas indel\u00e9veis sobre a sociedade brasileira, com o capital justificando o racismo e o machismo para manter a classe trabalhadora desunida e dessa forma explor\u00e1-la mais facilmente\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 o levantamento\u00a0<em>Protagonismo das mulheres nas empresas<\/em>, feito pela consultoria\u00a0<em>marketing<\/em>\u00a0digital Triwi revela que, entre as 21.435 empresas pesquisadas no Brasil, 25,1% n\u00e3o possuem nenhuma mulher negra em todo o seu quadro de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Quase metade das empresas (45%) conta com apenas 10% do quadro de funcion\u00e1rios composto por mulheres negras. A inclus\u00e3o de mulheres com defici\u00eancia f\u00edsica \u00e9 outro gargalo nas contrata\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que a maioria das empresas pesquisadas (68%) n\u00e3o tem funcion\u00e1rias PCD, informa o jornal\u00a0<em>Valor<\/em>\u00a0<em>Econ\u00f4mico<\/em>.<\/p>\n<p>O levantamento mostrou que 27% das mulheres ocupavam mais de 50% dos cargos nas empresas, em 2020. E, em 2022, esse n\u00famero caiu para 18%. Em 5% das empresas pesquisadas, n\u00e3o havia nenhuma mulher contratada, informa o levantamento.<\/p>\n<p>\u201cMesmo com o avan\u00e7o de mulheres alcan\u00e7ando cargos executivos e de lideran\u00e7a nas empresas, nos \u00faltimos anos percebemos uma queda no n\u00famero de mulheres que s\u00e3o m\u00e3es ocupando esses cargos nas empresas\u201d, afirma Sabrina Benatti, gerente de\u00a0<em>marketing<\/em>\u00a0da Triwi.<\/p>\n<p>\u201cNo modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista, o machismo e o racismo tornam-se base de sustenta\u00e7\u00e3o da ordem do capital, se ampliando a partir da explora\u00e7\u00e3o do trabalho e da vida das mulheres\u201d, define Lucimara. Os dados mostram tamb\u00e9m que o mercado de trabalho marginaliza as m\u00e3es, ainda mais as m\u00e3es negras\u201d, refor\u00e7a Raimunda.<\/p>\n<p>Ela tamb\u00e9m diz que \u201cos desafios colocados hoje n\u00e3o s\u00e3o poucos e as mulheres permanecem exclu\u00eddas vastamente dos espa\u00e7os em que se definem as normas e pol\u00edticas que incidem diretamente sobre suas vidas. As mulheres negras e ind\u00edgenas s\u00e3o aquelas sobre as quais incidem mais diretamente os processos de precariza\u00e7\u00e3o da vida\u201d.<\/p>\n<p>E, por nisso, define Lucimara, \u201ca a\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais, do movimento feminista negro e do movimento sindical \u00e9 fundamental para vencermos mais essa barreira e construirmos um Brasil mais igualit\u00e1rio e sem preconceitos\u201d.<\/p>\n<p>E porque a representa\u00e7\u00e3o feminina e da popula\u00e7\u00e3o negra no Congresso Nacional e nos cargos executivos \u00e9 \u00ednfima, Raimunda lembra da import\u00e2ncia de elegermos mais negras e negros nestas elei\u00e7\u00f5es para o Congresso ter realmente a cara do Brasil. \u201cJuntamente com Lula na Presid\u00eancia, precisamos de um Parlamento representativo da sociedade e que aja em benef\u00edcio do pa\u00eds e da classe trabalhadora\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer que nessa data ocorrem marchas de mulheres negras por todo o pa\u00eds, neste ano com o tema\u00a0<em>Mulheres negras no poder construindo o bem viver<\/em>. Al\u00e9m de o m\u00eas ser o Julho das Pretas.<\/p>\n<p>www.ctb.org.br\/ Marcos Aur\u00e9lio Ruy<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 25 de julho, comemora-se o\u00a0Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. A data foi institu\u00edda em 1992, no 1\u00ba Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-Caribenhas, em Santo Domingo, Rep\u00fablica Dominicana, justamente para chamar a aten\u00e7\u00e3o para o profundo desrespeito vivenciado pelas mulheres negras nesta regi\u00e3o do planeta e a viol\u00eancia que as atinge [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":27996,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[712],"class_list":["post-27995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-dia-internacional-da-mulher-negra-latino-americana-e-caribenha-25-de-julho"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=27995"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27995\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27997,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/27995\/revisions\/27997"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=27995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=27995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=27995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}