{"id":28109,"date":"2022-08-01T10:14:10","date_gmt":"2022-08-01T13:14:10","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28109"},"modified":"2022-08-01T10:14:10","modified_gmt":"2022-08-01T13:14:10","slug":"nao-podemos-considerar-a-pandemia-superada-diz-pesquisadora-da-fiocruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/08\/01\/nao-podemos-considerar-a-pandemia-superada-diz-pesquisadora-da-fiocruz\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o podemos considerar a pandemia superada&#8221;, diz pesquisadora da Fiocruz"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uma das principais refer\u00eancias no combate \u00e0 covid-19, a pneumologista Margareth Dalcolmo reitera a necessidade de ampliar a cobertura vacinal da popula\u00e7\u00e3o, especialmente crian\u00e7as, e adverte que medidas como o uso de m\u00e1scaras continuam imprescind\u00edveis<\/strong><\/p>\n<p class=\"texto\">V\u00e1rios\u00a0<a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/cidades-df\/2022\/06\/5018622-covid-19-saude-registra-2-mil-casos-positivos-e-taxa-de-transmissao-recua.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">estados brasileiros flexibilizaram, nos \u00faltimos meses, as medidas de preven\u00e7\u00e3o contra a covid-19<\/a>. Como consequ\u00eancia, leva-se hoje no Brasil uma vida semelhante \u00e0 observada em tempos pr\u00e9-covid, sem uso de m\u00e1scaras, com grandes aglomera\u00e7\u00f5es normalizadas \u2014 cenas que, h\u00e1 um ano, seriam inimagin\u00e1veis. Na contram\u00e3o dessas decis\u00f5es est\u00e1 parte significativa dos cientistas brasileiros, como a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz Margareth Dalcolmo.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;Nunca foi t\u00e3o importante manter h\u00e1bitos n\u00e3o-farmacol\u00f3gicos. O uso de m\u00e1scaras em locais fechados ainda \u00e9 muito relevante, porque as cepas hoje circulantes com predom\u00ednio t\u00eam escape vacinal&#8221;, salienta a m\u00e9dica. Dalcolmo \u00e9 uma das mais respeitadas lideran\u00e7as da ci\u00eancia atuantes no combate \u00e0 pandemia. Envolveu-se diuturnamente na miss\u00e3o de conscientizar a popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre a preven\u00e7\u00e3o \u00e0 covid-19 desde os primeiros dias, quando chegou, inclusive, a prestar consultoria t\u00e9cnica ao ent\u00e3o ministro da Sa\u00fade, Luiz Henrique Mandetta.<\/p>\n<p class=\"texto\">A pesquisadora destaca que, apesar de a maior parte da popula\u00e7\u00e3o agir de maneira despreocupada, o Brasil ainda n\u00e3o superou a pandemia e deve preocupar-se, principalmente, com a popula\u00e7\u00e3o infantil. &#8220;Os estudos nessa popula\u00e7\u00e3o realmente demoram. Eles s\u00e3o mais complexos de serem feitos, do ponto de vista \u00e9tico. Mas hoje n\u00f3s j\u00e1 temos vacinas aprovadas no Brasil&#8221;, ressalta. &#8220;\u00c9 muito estranho que as fam\u00edlias tenham sido inoculadas com esse v\u00edrus do medo&#8221;, provoca a m\u00e9dica.<\/p>\n<h3>O Brasil superou a pandemia, ou a gente ainda tem um caminho pela frente?<\/h3>\n<p class=\"texto\">N\u00f3s ainda n\u00e3o podemos considerar a pandemia da covid-19 superada no Brasil por v\u00e1rias raz\u00f5es. Primeiro, estamos diante de uma doen\u00e7a nova, com aparecimento de novas variantes. Hoje, praticamente h\u00e1 uma variante ou uma subvariante que aparece a cada duas semanas. Algumas dessas, comoa cepa BA5, que predomina no Brasil, de alta transmiss\u00e3o e com o que chamamos de escape vacinal. Ent\u00e3o, o uso de m\u00e1scaras em locais fechados ainda \u00e9 muito relevante. A segunda raz\u00e3o \u00e9 que, a despeito de uma boa taxa de vacina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o alcan\u00e7amos com as doses de refor\u00e7o, que s\u00e3o as terceira e quarta doses, um percentual realmente importante na popula\u00e7\u00e3o brasileira. Em terceiro lugar, precisamos urgentemente vacinar a popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica. A despeito de as vacinas terem se mostrado extremamente protetoras nas crian\u00e7as, essa hesita\u00e7\u00e3o vacinal por parte de muitas fam\u00edlias \u00e9 muito grave e contraria uma tradi\u00e7\u00e3o muito arraigada na nossa popula\u00e7\u00e3o, que \u00e9 gostar e confiar nas vacinas.<\/p>\n<h3>Por que isso ocorre?<\/h3>\n<p class=\"texto\">A popula\u00e7\u00e3o brasileira sempre aderiu de maneira muito saud\u00e1vel \u00e0s vacinas oferecidas pelo SUS \u00e0s nossas crian\u00e7as, de modo que considero muito importante que a imprensa e todos n\u00f3s, m\u00e9dicos, nos manifestemos com veem\u00eancia, instando as fam\u00edlias a levarem as suas crian\u00e7as para serem vacinadas e que n\u00e3o deem ouvidos a essa quantidade de not\u00edcias falaciosas que t\u00eam sido disseminadas contra as vacinas nas crian\u00e7as, inclusive por alguns m\u00e9dicos, o que eu considero um desservi\u00e7o enorme \u00e0 nossa popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 t\u00e3o sofrida e amedrontada.<\/p>\n<h3>Existe a chance de a gente ter alguma variante mais forte ainda das j\u00e1 conhecidas?<\/h3>\n<p class=\"texto\">A probabilidade \u00e9 pequena, porque as variantes e subvariantes n\u00e3o t\u00eam, at\u00e9 o momento, demonstrado uma mortalidade maior. E, se algu\u00e9m duvidava do efeito protetor contra formas graves, hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes pela covid-19 por for\u00e7a da aplica\u00e7\u00e3o das vacinas, essa d\u00favida caiu por terra. Os dados falam por si. A curva de diminui\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dram\u00e1tica, os hospitais se esvaziaram, o n\u00famero de mortes que j\u00e1 chegou a mais de 3 mil pessoas por dia, diminuiu muito, embora ainda seja um n\u00famero relevante, porque cada vida humana conta. Quem est\u00e1 internado hoje ou, eventualmente, morrendo ou s\u00e3o pessoas n\u00e3o vacinadas, ou portadoras de uma condi\u00e7\u00e3o cl\u00ednica muito desfavor\u00e1vel do ponto de vista imunol\u00f3gico.<\/p>\n<h3>Muitos pais ficaram com medo de vacinar as crian\u00e7as alegando que os estudos n\u00e3o eram conclusivos, que n\u00e3o se sabia exatamente os efeitos da vacina. Ao mesmo tempo, n\u00e3o se sabe exatamente quais s\u00e3o os efeitos, a longo prazo, da covid nas crian\u00e7as.<\/h3>\n<p class=\"texto\">O Brasil teve um dos piores desempenhos e uma das mais altas letalidades pela covid-19 em popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica. N\u00f3s tivemos quase 3 mil \u00f3bitos em crian\u00e7as abaixo de cinco anos de idade, o que \u00e9 absolutamente impressionante. As crian\u00e7as precisam ser protegidas pelas vacinas. Os estudos nessa popula\u00e7\u00e3o realmente demoram. Eles s\u00e3o mais complexos de serem feitos, do ponto de vista \u00e9tico, mas j\u00e1 temos vacinas aprovadas no Brasil, tanto a da Pfizer quanto recentemente a Corona Vac para a popula\u00e7\u00e3o entre 3 e 5 anos de idade. \u00c9 muito estranho que essas fam\u00edlias tenham sido inoculadas com esse v\u00edrus do medo, diante de uma um programa de vacina\u00e7\u00e3o t\u00e3o incorporado \u00e0 nossa cultura. Eu nunca vi pais e m\u00e3es se perguntarem o que tinha numa vacina chamada pentavalente, que a gente aplica nos beb\u00eas abaixo de um ano de idade. Ent\u00e3o, \u00e9 um desservi\u00e7o atribuir \u00e0s vacinas efeitos nocivos que absolutamente elas n\u00e3o t\u00eam. O que n\u00e3o sabemos at\u00e9 agora, isso sim, \u00e9 quais ser\u00e3o os efeitos a m\u00e9dio e longo prazos que a covid-19 poder\u00e1 causar nessa popula\u00e7\u00e3o pedi\u00e1trica, como j\u00e1 sabemos que ela causa na popula\u00e7\u00e3o adulta, por exemplo, com a chamada s\u00edndrome da covid longa. Hoje, o maior desafio da medicina \u00e9 lidar com essas pessoas que precisam de reabilita\u00e7\u00e3o, muitas vezes complexa, para ganharem de volta o m\u00ednimo de normalidade em suas vidas.<\/p>\n<h3>Os efeitos neurol\u00f3gicos ainda est\u00e3o sendo estudados.<\/h3>\n<p class=\"texto\">Neurol\u00f3gicos, respirat\u00f3rios, cardiovasculares e, inclusive, psiqui\u00e1tricos. O n\u00famero de pessoas que precisam de assist\u00eancia psicol\u00f3gica e psiqui\u00e1trica pelo trauma de terem ficado internados por um longo tempo, em confinamento, \u00e9 grande. O v\u00edrus afeta o sistema nervoso central, o que pode ocasionar mudan\u00e7a de comportamento, um quadro neurol\u00f3gico prolongado, neuropatias perif\u00e9ricas prolongadas. Tudo isso s\u00e3o efeitos que hoje n\u00f3s estamos lidando nos servi\u00e7os de reabilita\u00e7\u00e3o p\u00f3s-covid.<\/p>\n<h3>Esses efeitos ainda ser\u00e3o sentidos por d\u00e9cadas?<\/h3>\n<p class=\"texto\">N\u00e3o podemos dizer por quanto tempo, nem se eles ser\u00e3o indel\u00e9veis. N\u00e3o sabemos, porque ainda n\u00e3o temos o necess\u00e1rio recuo hist\u00f3rico para essa an\u00e1lise. Ent\u00e3o, s\u00f3 o tempo dir\u00e1 se eles s\u00e3o indel\u00e9veis ou tempor\u00e1rios.<\/p>\n<h3>Apesar dos constantes cortes na sa\u00fade p\u00fablica, o SUS foi essencial para o combate da pandemia. Como a senhora v\u00ea a falta de valoriza\u00e7\u00e3o da sa\u00fade no pa\u00eds?<\/h3>\n<p class=\"texto\">Em 13 de mar\u00e7o de 2020, dei minha primeira entrevista p\u00fablica e, naquele momento, disse, convicta, que n\u00f3s t\u00ednhamos duas armas para enfrentar a tsunami que estava chegando ao Brasil. A primeira e mais nobre delas era o SUS. Sem o SUS, a trag\u00e9dia teria sido muito maior. A segunda seria o distanciamento f\u00edsico e social, que era uma arma absolutamente fundamental em se tratando de uma virose aguda de transmiss\u00e3o respirat\u00f3ria. Por conta de todas as fragilidades, subfinanciamento, car\u00eancia de recursos humanos, enfim, tivemos uma operacionaliza\u00e7\u00e3o que muitas vezes deixou a desejar. Mas, sem o SUS, a trag\u00e9dia teria sido muito pior.<\/p>\n<h3>Houve falta de sincronia entre o poder p\u00fablico e as demandas de sa\u00fade? Porque a gente viu atraso na vacina\u00e7\u00e3o, diversos percal\u00e7os que parecem uma certa neglig\u00eancia&#8230;<\/h3>\n<p class=\"texto\">Desde o in\u00edcio, ficou claro que, contra esse tipo de doen\u00e7a, com alta capacidade de transmiss\u00e3o, a arma seriam as vacinas, porque virose aguda se resolve com vacina, tradicionalmente. E o Brasil viveu um paradoxo. Foi o pa\u00eds que desenvolveu estudos de fase tr\u00eas para vacinas de grande qualidade, como foi com a CoronaVac, com a Pfizer, com a Janssen e com a AstraZeneca. Foi o pa\u00eds que mais colocou volunt\u00e1rios nos estudos de fase tr\u00eas, e viveu a contradi\u00e7\u00e3o de ter um embate entre uma ret\u00f3rica paradoxal de algumas autoridades e a necessidade \u00f3bvia de vacinar a popula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s poder\u00edamos ter come\u00e7ado a vacinar antes do que efetivamente come\u00e7amos. Esse embate ret\u00f3rico entre a ci\u00eancia brasileira e o discurso oficial, sem d\u00favida, n\u00e3o foi positivo no resultado.<\/p>\n<h3>A Procuradoria Geral da Rep\u00fablica desqualificou as investiga\u00e7\u00f5es da CPI da covid. N\u00e3o houve responsabiliza\u00e7\u00e3o. Por que a sa\u00fade segue sendo negligenciada, mesmo com todas as evid\u00eancias?<\/h3>\n<p class=\"texto\">Eu n\u00e3o sei se n\u00e3o haver\u00e1 responsabiliza\u00e7\u00e3o. Sem d\u00favida nenhuma, caber\u00e1 \u00e0 sociedade brasileira ter a consci\u00eancia c\u00edvica do que \u00e9 necess\u00e1rio e reivindicar da maneira adequada. Politicamente, eu n\u00e3o saberia dizer em que isso vai resultar. Agora, sem d\u00favida nenhuma, mais do que a responsabiliza\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada daquilo que n\u00e3o aconteceu, temos que ter um olhar pra frente. \u00c9 como conduzir o problema daqui pra frente num momento dif\u00edcil, num ano eleitoral. Onde as tens\u00f5es obviamente tendem a se acirrar, e n\u00f3s precisamos ter a serenidade, a efici\u00eancia que os servi\u00e7os de sa\u00fade naturalmente exigem nesse momento.<\/p>\n<h3>O debate eleitoral tem se concentrado na economia. Aparentemente, a sa\u00fade p\u00fablica est\u00e1 relegada a segundo plano.<\/h3>\n<p class=\"texto\">O que \u00e9 um equ\u00edvoco, porque sa\u00fade p\u00fablica e economia s\u00e3o basicamente a mesma coisa. Quando voc\u00ea investe em sa\u00fade voc\u00ea est\u00e1 fazendo um investimento nobre em economia, porque as pessoas adoecerem menos nas fases mais produtivas de suas vidas, trabalharem, produzirem, estudarem, produzirem conhecimento t\u00e9cnico e cient\u00edfico, \u00e9 absolutamente fundamental. O equ\u00edvoco est\u00e1 na maneira de olhar. Investir em sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 gastar. \u00c9 olhar o dia de amanh\u00e3, o futuro do pa\u00eds, as novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"texto\">Eu acho que o Brasil est\u00e1 vivendo um momento extremamente dram\u00e1tico, com v\u00e1rias contradi\u00e7\u00f5es. Uma popula\u00e7\u00e3o que envelhece. N\u00f3s hoje temos uma popula\u00e7\u00e3o acima de 60 anos no Brasil que j\u00e1 representa um n\u00famero muito importante. N\u00f3s precisamos cuidar dessas pessoas, ter uma vis\u00e3o para as doen\u00e7as cr\u00f4nicas que comprometem as pessoas de mais idade. Inseri-las socialmente de uma maneira adequada. Isso exige uma sa\u00fade p\u00fablica muito bem conduzida e com muita efici\u00eancia. Outras quest\u00f5es fundamentais, como saneamento b\u00e1sico, est\u00e3o diretamente relacionadas \u00e0 economia. Ent\u00e3o, olhar isso de maneira dicotomizada n\u00e3o me parece correto.<\/p>\n<h3>Por quanto tempo o Brasil precisar\u00e1 de refor\u00e7o na vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19? E por quanto tempo a doen\u00e7a permanecer\u00e1 nas nossas vidas?<\/h3>\n<p class=\"texto\">S\u00e3o duas quest\u00f5es a\u00ed. Primeiro, haver\u00e1, sem d\u00favida, uma nova leva de vacinas de segunda gera\u00e7\u00e3o. Algumas j\u00e1 est\u00e3o sendo fabricadas com a prote\u00edna spike, da cepa Omicron, e n\u00e3o mais com as cepas originais, com a qual foram formuladas todas as vacinas que n\u00f3s usamos at\u00e9 o momento. Acho que n\u00f3s ainda precisaremos receber uma dose, pelo menos, de vacina, com as vacinas de segunda gera\u00e7\u00e3o quando forem liberadas. O v\u00edrus SARS-CoV-2 n\u00e3o deve desaparecer das nossas vidas, ele dever\u00e1 permanecer num comportamento epidemiol\u00f3gico end\u00eamico. Ou seja, vamos ter casos de vez em quando. O v\u00edrus j\u00e1 faz parte do diagn\u00f3stico diferencial das viroses respirat\u00f3rias.<\/p>\n<h3>A senhora participou, na semana passada, do encontro da SBPC na UnB. Como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no Brasil?<\/h3>\n<p class=\"texto\">Nunca foi t\u00e3o necess\u00e1rio que governantes e autoridades se sensibilizassem para o fato de que investimento em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o \u00e9 um investimento mais nobre. Enquanto isso for equivocadamente olhado como gasto, e n\u00e3o como um olhar para o nosso amanh\u00e3, estaremos perdurando no que eu chamaria de um erro de vis\u00e3o de pa\u00eds. Foi muito simb\u00f3lica essa SBPC presencial realizada nas depend\u00eancias da UnB nesse momento. Acho que, para a universidade, que j\u00e1 sofreu tanto nas \u00faltimas d\u00e9cadas, no Brasil, isso representa muito. Espero que essas discuss\u00f5es possam aumentar o n\u00edvel de consci\u00eancia dos jovens ali presentes.<\/p>\n<h3>A OMS definiu como preocupante o avan\u00e7o da var\u00edola dos macacos no Brasil. Como est\u00e1 a doen\u00e7a no mundo?<\/h3>\n<p class=\"texto\">\u00c9 um outro n\u00edvel, outra doen\u00e7a. Mas de qualquer maneira, acho que a OMS fez um alerta correto e oportuno. Hoje, alguns pa\u00edses se ressentem de n\u00e3o ter mantido estoques adequados de vacinas, como n\u00e3o temos quantidades suficiente se precisarmos de uma vacina\u00e7\u00e3o em maior \u00e2mbito, de algumas popula\u00e7\u00f5es ou grupos de risco. Acho que n\u00f3s precisaremos, sim, vacinar alguns grupos de popula\u00e7\u00e3o com a vacina da var\u00edola, e o Brasil seguramente \u00e9 um pa\u00eds que tem condi\u00e7\u00f5es pra fabricas a vacina. Isso depende de vencer alguns entraves t\u00e9cnicos, como, por exemplo, ter o v\u00edrus original para que a vacina seja produzida. O Butantan e a Fiocruz s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas perfeitamente qualificadas para fabricar a vacina da var\u00edola.<\/p>\n<h3>Quais s\u00e3o os principais sintomas dessa doen\u00e7a pouco conhecida no Brasil? Que cuidados devem ser adotados?<\/h3>\n<p class=\"texto\">S\u00e3o sintomas de uma de uma doen\u00e7a geral. Ela chama a aten\u00e7\u00e3o quando existe a suspeita epidemiol\u00f3gica de que tenha havido contato com algu\u00e9m sabidamente doente. Quem teve contato deve ser observado, antes mesmo do aparecimento das les\u00f5es cut\u00e2neas. Como o per\u00edodo de incuba\u00e7\u00e3o \u00e9 relativamente longo, de tr\u00eas a quatro semanas, a pessoa tem que saber se teve contato com algu\u00e9m doente ou esteve num ambiente onde houve outros casos. O diagn\u00f3stico precoce vai levar ao isolamento. O isolamento deve ser de quatro semanas, que \u00e9 o per\u00edodo em que podem aparecer les\u00f5es cut\u00e2neas, que s\u00e3o altamente contagiosas. A maior parte dos casos n\u00e3o tem sido grave, s\u00e3o muito poucas mortes at\u00e9 o momento. \u00c9 uma doen\u00e7a que, eventualmente, pode ser controlada por vacina, se aumentar o n\u00famero de casos ou declarada essa necessidade.<\/p>\n<p>www.correiobraziliense.com.br\/Ta\u00edsa Medeiros<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma das principais refer\u00eancias no combate \u00e0 covid-19, a pneumologista Margareth Dalcolmo reitera a necessidade de ampliar a cobertura vacinal da popula\u00e7\u00e3o, especialmente crian\u00e7as, e adverte que medidas como o uso de m\u00e1scaras continuam imprescind\u00edveis V\u00e1rios\u00a0estados brasileiros flexibilizaram, nos \u00faltimos meses, as medidas de preven\u00e7\u00e3o contra a covid-19. 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