{"id":28115,"date":"2022-08-01T10:22:28","date_gmt":"2022-08-01T13:22:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28115"},"modified":"2022-08-01T10:22:28","modified_gmt":"2022-08-01T13:22:28","slug":"52-dos-assalariados-ganham-2-minimos-e-grupo-de-ceos-recebe-ate-r-1-milhao-mes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/08\/01\/52-dos-assalariados-ganham-2-minimos-e-grupo-de-ceos-recebe-ate-r-1-milhao-mes\/","title":{"rendered":"52% dos assalariados ganham 2 m\u00ednimos e grupo de CEO\u00b4s recebe at\u00e9 R$ 1 milh\u00e3o\/m\u00eas"},"content":{"rendered":"<p><strong>Desigualdade salarial no Brasil contribui para a concentra\u00e7\u00e3o de renda e o desequil\u00edbrio social. Em v\u00e1rios pa\u00edses desenvolvidos, diferen\u00e7a \u00e9 de apenas 10 sal\u00e1rios entre os maiores e os menores rendimentos<\/strong><\/p>\n<p>A desigualdade social no Brasil tem nas quest\u00f5es de remunera\u00e7\u00e3o um de seus principais respons\u00e1veis pela m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds, que hoje tem mais de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/com-bolsonaro-fome-aumenta-57-4-e-atinge-mais-de-33-milhoes-de-brasileiros-fd74\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>33 milh\u00f5es de pessoas passando fome<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>Enquanto 52% dos trabalhadores e trabalhadoras brasileiras ganham at\u00e9 dois sal\u00e1rios m\u00ednimos (R$ 2.424), 90 CEO\u00b4s (sigla para Chief Executive Officer ou diretor executivo, geral ou presidente) de empresas com capital aberto na Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo, ganham mais de R$ 1 milh\u00e3o por m\u00eas.<\/p>\n<p>O levantamento, feito a partir de uma documenta\u00e7\u00e3o p\u00fablica sobre remunera\u00e7\u00e3o total que empresas t\u00eam de entregar \u00e0 Comiss\u00e3o Mobilizaria de Valores (CVM), foi publicado pelo jornal o Estado de S Paulo. Segundo a reportagem, somente no ano passado os 10 executivos mais bem pagos do Brasil receberam R$ 400 milh\u00f5es de reais, valor 30% maior que em 2020. Ou seja, a pandemia fez bem a esses executivos ao mesmo tempo em que deteriorou o mercado de trabalho para os menos escolarizados.<\/p>\n<p>Mas, essa n\u00e3o \u00e9 uma realidade exclusiva dos tempos atuais. O que muda, em parte \u00e9 a justificativa dos setores da elite econ\u00f4mica para manter a desigualdade social no Brasil. A pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (CESIT) da Unicamp, Marilane Teixeira, diz que nos anos 1970, por exemplo, a argumenta\u00e7\u00e3o do mercado financeiro era a de que o pa\u00eds estava crescendo e que era preciso primeiro crescer para depois distribuir as riquezas.<\/p>\n<p>\u201cMas, evidentemente n\u00e3o aconteceu\u201d, ela refor\u00e7a.<\/p>\n<p>Marilane cita tamb\u00e9m como desculpa do mercado para manter a discrep\u00e2ncia salarial, a baixa escolaridade e baixa produtividade. \u201cIsso de alguma forma vem sendo superado nas \u00faltimas d\u00e9cadas, em que mais pessoas tiveram oportunidades de qualifica\u00e7\u00e3o, no entanto, o abismo se mant\u00e9m\u201d, ela critica.<\/p>\n<p>Para a economista, as justificativas das empresas sobre produtividade e perfil dessas pessoas, os CEO\u00b4s, que s\u00e3o mais qualificados e preparados e mais dif\u00edceis de se encontrar e que, portanto, o sal\u00e1rio se eleva no mercado, s\u00e3o argumentos que mascaram a condi\u00e7\u00e3o cultural de desigualdade salarial no Brasil.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Em grande parte dos pa\u00edses desenvolvidos, a diferen\u00e7a entre o maior e o menor sal\u00e1rio n\u00e3o pode ser superior a dez vezes. No Brasil, \u00e9 mais de cem vezes, ou at\u00e9 mais mais de mil vezes<\/p>\n<footer>&#8211; Marilane Teixeira<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Regula\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 no Brasil hoje nenhuma iniciativa que proponha acabar com esse fosso. No entanto, Marilane Teixeira explica que uma regula\u00e7\u00e3o garantiria um maior equil\u00edbrio social, j\u00e1 que os sal\u00e1rios &#8211; as remunera\u00e7\u00f5es &#8211; s\u00e3o indicadores essenciais da desigualdade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 essa forma que se a gente vai corrigir as desigualdades no mercado de trabalho. Essa discrep\u00e2ncia, sem d\u00favida, n\u00e3o tem nada de natural, pelo contr\u00e1rio, acentua a o desequil\u00edbrio e n\u00e3o \u00e9 com teses furadas de que o problema \u00e9 escolaridade e baixa produtividade\u201d ela diz.<\/p>\n<p>Regula\u00e7\u00e3o, ela explica, seria uma pol\u00edtica, uma lei, que determinasse \u00e0s empresas n\u00e3o praticar diferen\u00e7as salariais que excedam dez sal\u00e1rios, por exemplo. Sem regras sobre o tema, impera a realidade que vivemos em que 30% da for\u00e7a de trabalho ganha um sal\u00e1rio m\u00ednimo (R$ 1.211,00) enquanto pequena parcela ganha mais de um milh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEm um c\u00e1lculo muito simples e\u00a0<em>por cima<\/em>, com um sal\u00e1rio de um executivo, daria para contratar mil trabalhadores\u201d, ela observa.<\/p>\n<p><strong>Desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>O rendimento mensal do trabalhador, no trimestre encerrado em junho deste ano, foi R$ 2.652, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (PNAD-Cont\u00ednua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas (IBGE).<\/p>\n<p>\u201cO rendimento m\u00e9dio real habitualmente recebido em todos os trabalhos pelas pessoas ocupadas foi estimado em R$ 2.652 no trimestre de abril a junho de 2022, registrando estabilidade frente ao trimestre de janeiro a mar\u00e7o de 2022 e redu\u00e7\u00e3o de 5,1% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre do ano anterior\u201d, diz a apresenta\u00e7\u00e3o da Pnad-Cont\u00ednua, indicando queda nos rendimentos dos brasileiros.<\/p>\n<p>Outro dado importante sobre a desigualdade social no pa\u00eds \u00e9 o de que, em 2021, a fatia do 1% mais rico no Brasil tem metade de toda a riqueza do pa\u00eds. O dado foi levanto por um estudo do banco Credit Suisse.<\/p>\n<p>Durante a pandemia, segundo o estudo o ac\u00famulo de riquezas pelos mais ricos, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, como no mundo aumentou significativamente. As 500 pessoas mais ricas do planeta tiveram um crescimento de seu patrim\u00f4nio l\u00edquido em mais de US$ 1,8 trilh\u00e3o.<\/p>\n<p>www.cut.org.br \/Andre Accarini<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desigualdade salarial no Brasil contribui para a concentra\u00e7\u00e3o de renda e o desequil\u00edbrio social. 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