{"id":28142,"date":"2022-08-03T09:24:55","date_gmt":"2022-08-03T12:24:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28142"},"modified":"2022-08-03T09:24:55","modified_gmt":"2022-08-03T12:24:55","slug":"numero-de-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-rua-em-sao-paulo-dobra-em-15-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/08\/03\/numero-de-criancas-e-adolescentes-em-situacao-de-rua-em-sao-paulo-dobra-em-15-anos\/","title":{"rendered":"N\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua em S\u00e3o Paulo dobra em 15 anos"},"content":{"rendered":"<p class=\"description\"><strong>N\u00famero oficial subiu de 1,8 mil para 3,7 mil mas deve ser ainda muito maior<\/strong><\/p>\n<p>O n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes que est\u00e3o vivendo nas ruas da capital paulista mais do que dobrou em 15 anos. De acordo com Censo de Crian\u00e7as e Adolescentes em Situa\u00e7\u00e3o de Rua, realizado pela prefeitura de S\u00e3o Paulo em maio, o total de 1.842 pessoas de zero a 17 anos, registrado no censo anterior, de 2007, saltou para 3.759 meninos e meninas vivendo debaixo de viadutos, marquises e sobre as cal\u00e7adas da cidade mais rica do pa\u00eds.<\/p>\n<p>A pesquisa considera o conceito do Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente (Conanda) para crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua. Nesse caso, menores de 18 anos com direitos violados que utilizam logradouros p\u00fablicos e \u00e1reas degradadas como espa\u00e7o de moradia ou sobreviv\u00eancia, de forma permanente ou intermitente, em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade ou risco pessoal e social.<\/p>\n<p>Os dados levantados mostram ainda que a maior parte desse grupo, 73,1% do total, ou 2.749 crian\u00e7as e adolescentes, utiliza as ruas como forma de sobreviv\u00eancia, pedindo esmolas, ainda que por um breve per\u00edodo do dia. Segundo o censo, 16,2% \u2013 609 \u2013 est\u00e3o nos Servi\u00e7os de Acolhimento Institucional para Crian\u00e7as e Adolescentes (Saica) e em Centros de Acolhida Especial para Fam\u00edlias. Mas 10,7%\u00a0 \u2013 401 \u2013 pernoitam nas ruas.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Inf\u00e2ncia abandonada\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de expressiva, a quantidade de crian\u00e7as e adolescentes vivendo nas ruas da capital paulista pode ser ainda maior, na avalia\u00e7\u00e3o do advogado Ariel de Castro Alves, membro do Instituto Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente e ex-conselheiro do Conselho Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente (Conanda) em entrevista a Marilu Caba\u00f1as, do\u00a0<strong><em>Jornal Brasil Atual<\/em><\/strong>. De acordo com o especialista, essa \u201ctrag\u00e9dia social\u201d, em suas palavras, \u00e9 tamb\u00e9m um retrato de outras grandes cidades diante do aumento da fome e do desmonte de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No \u00faltimo censo nacional sobre essa popula\u00e7\u00e3o, em 2011, pelo menos 24 mil crian\u00e7as e adolescentes estavam\u00a0<a href=\"https:\/\/www.redebrasilatual.com.br\/tag\/populacao-de-rua\/page\/5\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">em situa\u00e7\u00e3o de rua pelo Brasil<\/a>. O dado nunca mais foi atualizado, desde ent\u00e3o. Mas a tend\u00eancia \u00e9 que ele tenha triplicado, segundo Ariel. \u201cDe fato o n\u00famero pode ser maior\u201d, adverte. \u201cPorque muitas dessas crian\u00e7as e adolescentes quando chegam pessoas do poder p\u00fablico, mesmo fazendo pesquisa, elas acabam n\u00e3o se apresentando e se identificando, entrando nos chamados moc\u00f3s, se escondem. E existe tamb\u00e9m uma mobilidade muito grande delas, o que dificulta a contagem para termos a realidade de fato\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEnt\u00e3o o n\u00famero pode ser ainda maior, apesar de j\u00e1 ser um n\u00famero expressivo e inaceit\u00e1vel. (\u2026) E claro, o aumento da fome, hoje 18 milh\u00f5es de crian\u00e7as e adolescentes passam fome no Brasil, mais de 100 milh\u00f5es est\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar, e todo o descaso dos governos com a \u00e1rea social, tanto no \u00e2mbito da prefeitura de S\u00e3o Paulo, quanto do Estado e do governo federal,\u00a0 os cortes de recursos p\u00fablicos nessas \u00e1reas, tudo agravou a situa\u00e7\u00e3o. (\u2026) Mas uma sociedade minimamente civilizada n\u00e3o pode continuar convivendo com essa enorme quantidade de crian\u00e7as e adolescentes abandonados\u201d, contesta o advogado.<\/p>\n<p class=\"ckeditor-subtitle\"><strong>Perfil das crian\u00e7as e adolescentes<\/strong><\/p>\n<p>O censo mostra ainda que a faixa de 12 a 17 anos \u00e9 a que concentra o maior n\u00famero, com 1.585 jovens, ou 42% nas ruas de S\u00e3o Paulo. Ela \u00e9 seguida pelas crian\u00e7as com at\u00e9 6 anos, 1.151 \u2013 30,6% \u2013 que passam a primeira inf\u00e2ncia sem um teto. Outras 1.010 \u2013 27,1% \u2013 t\u00eam de 7 a 11 anos. Seis delas \u2013 0,2% \u2013 n\u00e3o quiseram informar a idade. Ainda segundo o levantamento, a maioria dessas crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o negras: 43%, ou 1.615 se autodeclararam de cor parda. E 28.,6%, um total de 1.074, de cor preta. E 21,6% se declararam brancas (811).<\/p>\n<p>Outras 34 se declararam ind\u00edgenas, 0,9%; 20 amarelas (0,5%), e uma, morena. Ao todo, 166 n\u00e3o souberam ou n\u00e3o quiseram declarar. A maioria delas tamb\u00e9m s\u00e3o sexo masculino, 2.227, ou 59,2%. E 1.453 do sexo feminino, 38,7% do total. Outras 79 crian\u00e7as e adolescentes, 2,1%, n\u00e3o souberam ou n\u00e3o quiseram informar.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m indica que um n\u00famero maior de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua se concentra na regi\u00e3o central, entre a Rep\u00fablica (309), S\u00e9 (202) e Santa Cec\u00edlia (196). Mas o estudo tamb\u00e9m confirmou um aumento dessa popula\u00e7\u00e3o na periferia da cidade, principalmente na zona leste. No distrito de Cidade L\u00edder, o n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua passou de 6 para 39. Em S\u00e3o Mateus foi de 3 para 34, nos \u00faltimos 15 anos. E no Aricanduva passou de 1 para 11. Al\u00e9m disso, em outros 28 distritos, n\u00e3o apontados em 2007, tamb\u00e9m havia crian\u00e7as e adolescentes em situa\u00e7\u00e3o de rua.<\/p>\n<p>www.brasildefato.com.br\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00famero oficial subiu de 1,8 mil para 3,7 mil mas deve ser ainda muito maior O n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes que est\u00e3o vivendo nas ruas da capital paulista mais do que dobrou em 15 anos. 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