{"id":28177,"date":"2022-08-05T11:55:06","date_gmt":"2022-08-05T14:55:06","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28177"},"modified":"2022-08-05T12:11:06","modified_gmt":"2022-08-05T15:11:06","slug":"bc-aumenta-juro-a-1375-e-estrangula-economia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/08\/05\/bc-aumenta-juro-a-1375-e-estrangula-economia\/","title":{"rendered":"BC aumenta juro a 13,75% e estrangula economia"},"content":{"rendered":"<p><strong>Em mais uma afronta ao setor produtivo e aos consumidores, governo eleva juro ao maior patamar desde 2016. N\u00e3o derruba a infla\u00e7\u00e3o e afunda ainda mais a economia<\/strong><\/p>\n<p>O Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) do Banco Central (BC) elevou nesta quarta-feira (3) em 0,50 ponto percentual a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que passou de 13,25% para 13,75% ao ano. Desde mar\u00e7o de 2021, quando a taxa estava em 2%, foram 12 altas consecutivas a pretexto de conter a infla\u00e7\u00e3o. Nos \u00faltimos doze meses ate junho, o IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor) acumula alta de 11,89% e acelerou em rela\u00e7\u00e3o a maio quando estava em 11,7%.<\/p>\n<p>Com o novo aumento, a taxa Selic atingiu o maior patamar em seis anos, desde novembro de 2016 (14%), penalizando a combalida economia brasileira. Mais uma paulada no setor produtivo, arrochando o investimentos, e nos consumidores, com o avan\u00e7o da carestia viram a renda desabar.<\/p>\n<p>Ao elevar ainda mais os juros, o BC prop\u00f5e derreter ainda mais o poder de compra da popula\u00e7\u00e3o e elevar o endividamento das empresas e das fam\u00edlias. S\u00e3o mais de 60 milh\u00f5es de brasileiros endividados. Al\u00e9m disso, afasta os investimentos privados, que j\u00e1 s\u00e3o escassos no pa\u00eds por consequ\u00eancia da estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com n\u00edveis elevados de desemprego, infla\u00e7\u00e3o em dois d\u00edgitos e baixo n\u00edvel de investimento p\u00fablico, somado ao clima de \u00f3dio, disc\u00f3rdia e ataques \u00e0 democracia e ao sistema eleitoral promovidos por Bolsonaro.<\/p>\n<p>Com os sucessivos aumentos, o governo Bolsonaro retirou recursos p\u00fablicos do povo e transferiu a bancos e demais rentistas, a t\u00edtulos de juros da d\u00edvida p\u00fablica, a soma de R$ 500,5 bilh\u00f5es no acumulado em doze meses at\u00e9 maio, segundo dados da \u201cEstat\u00edsticas Fiscais\u201d do BC.<\/p>\n<p>\u201cOs juros nominais do setor p\u00fablico consolidado, apropriados por compet\u00eancia, somaram R$ 33,0 bilh\u00f5es em maio de 2022, comparados a R$21,9 bilh\u00f5es em maio de 2021. Essa evolu\u00e7\u00e3o decorreu, em especial, do aumento da taxa Selic no per\u00edodo [\u2026]. No acumulado em doze meses at\u00e9 maio, os juros nominais somam R$ 500,5 bilh\u00f5es (5,51% do PIB), comparativamente a R$ 295,6 bilh\u00f5es (3,70% do PIB) nos doze meses at\u00e9 maio de 2021\u201d, disse o BC em nota.<\/p>\n<p>Com a economia estagnada, est\u00e3o 33 milh\u00f5es de brasileiros na fome, 39 milh\u00f5es no trabalho prec\u00e1rio, sem carteira assinada.<\/p>\n<p>Para a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria, \u201co novo aumento da taxa de juros \u00e9 dispens\u00e1vel para o combate da infla\u00e7\u00e3o e trar\u00e1 custos adicionais desnecess\u00e1rios para a atividade econ\u00f4mica, com reflexos negativos sobre consumo, produ\u00e7\u00e3o e emprego\u201d.<\/p>\n<p>Na esteira dos juros altos, a produ\u00e7\u00e3o industrial j\u00e1 acumula queda de 2,2%, no primeiro semestre do ano, tendo resultados negativos no per\u00edodo em todas as quatro grandes categorias econ\u00f4micas (Bens de Capital (-0,9), Bens Intermedi\u00e1rios (-2,1%), Bens de Consumo Dur\u00e1veis (-11,7%) e Bens Semidur\u00e1veis e n\u00e3o Dur\u00e1veis (-1,0%), al\u00e9m de 18 dos 26 ramos, 55 dos 79 grupos e 62,6% dos 805 produtos pesquisados.<\/p>\n<p>O setor industrial encontra-se 1,5% abaixo do patamar pr\u00e9-pandemia (fevereiro de 2020) e 18,0% abaixo do n\u00edvel recorde alcan\u00e7ado em maio de 2011.<\/p>\n<p>No segundo trimestre deste ano, ao longo das \u00faltimas cinco Sondagens Industriais da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional da Ind\u00fastria (CNI), a preocupa\u00e7\u00e3o do setor com as elevadas taxas de juros do Banco Central aumentou, o acesso ao cr\u00e9dito piorou, impedindo os investimentos das empresas.<\/p>\n<p>\u201cO acesso ao cr\u00e9dito apresentou piora no trimestre, passando de 42,0 pontos para 41,1 pontos. O \u00edndice revela que as empresas ainda encontram dificuldade em obter cr\u00e9dito. Essa percep\u00e7\u00e3o ocorre em fun\u00e7\u00e3o do atual contexto, em que h\u00e1 sucessivos aumentos das taxas de juros, que contribuem para piorar as condi\u00e7\u00f5es de acesso ao cr\u00e9dito para os empres\u00e1rios industriais\u201d, assinalou a CNI.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pela Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado de S\u00e3o Paulo (Fiesp), com 317 ind\u00fastrias de transforma\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m aponta que os juros elevados impossibilitam ou dificultam o acesso ao cr\u00e9dito pelas empresas. Mais de 70% das grandes empresas e 50% das micro, pequenas e m\u00e9dias empresas entrevistadas consideraram a taxa de juros praticada em 2022 muito pior do que aquela aplicada em 2021.<\/p>\n<p>Nos primeiros cinco meses deste ano, as vendas reais do com\u00e9rcio varejista ampliado, que inclui ve\u00edculos, autope\u00e7as e material de constru\u00e7\u00e3o, acumularam um crescimento an\u00eamico de 1,0% e de 0,3% em 12 meses. Para o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), a perda de dinamismo da ind\u00fastria e com\u00e9rcio ao longo deste ano s\u00e3o reflexos dos juros elevados e da infla\u00e7\u00e3o em patamares altos.<\/p>\n<p>\u201cA infla\u00e7\u00e3o tem prejudicado o poder de compra, sobretudo, das fam\u00edlias de menor renda, cuja cesta de consumo \u00e9 formada basicamente por bens, e o aumento recente das taxas de juros atinge em cheio os mercados de bens dur\u00e1veis e alguns semidur\u00e1veis, cujos mercados dependem mais do cr\u00e9dito\u201d, avalia o Iedi. \u201cSinais disso: praticamente todos os ramos do varejo de bens de consumo dur\u00e1veis amargaram retra\u00e7\u00e3o na passagem de abr\/22 para mai\/22 e embora as vendas de supermercados, alimentos, bebidas e fumo tenham crescido em mai\/22 apenas compensaram o recuo do m\u00eas anterior, de modo que o segmento est\u00e1 estagnado nos \u00faltimos tr\u00eas meses\u201d, ressaltou o instituto.<\/p>\n<p>Servi\u00e7os foi o \u00fanico setor que perseverou na passagem de janeiro a maio, com alta de 9% no per\u00edodo, puxado pela demanda que foi reprimida pela pandemia de Covid-19. No entanto, o setor j\u00e1 come\u00e7ou a sentir no m\u00eas de maio (com varia\u00e7\u00e3o de 0,9% frente abril) os impactos dos juros altos e da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com os demais resultados an\u00eamicos da ind\u00fastria (0,3%) e do com\u00e9rcio (0,1%) no m\u00eas, o \u00cdndice de Atividade Econ\u00f4mica (IBC-Br) do Banco Central, considerado uma \u201cpr\u00e9via\u201d do resultado do PIB, apontou que o n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica do Brasil caiu 0,11% em maio deste ano na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>www.horadopovo.com.br<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em mais uma afronta ao setor produtivo e aos consumidores, governo eleva juro ao maior patamar desde 2016. 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