{"id":28222,"date":"2022-08-10T09:24:05","date_gmt":"2022-08-10T12:24:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28222"},"modified":"2022-08-10T09:24:05","modified_gmt":"2022-08-10T12:24:05","slug":"pobreza-se-espalha-pelas-metropoles-brasileiras-e-atinge-20-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/08\/10\/pobreza-se-espalha-pelas-metropoles-brasileiras-e-atinge-20-milhoes\/","title":{"rendered":"Pobreza se espalha pelas metr\u00f3poles brasileiras e atinge 20 milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p><strong>Os dados s\u00e3o resultados de um trabalho feito em colabora\u00e7\u00e3o por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es nacionais e foram compilados no nono boletim Desigualdade nas Metr\u00f3poles<\/strong><\/p>\n<p>Um estudo divulgado ontem revelou que cerca de 23% da popula\u00e7\u00e3o brasileira que vivia em metr\u00f3poles, em 2021, se encontrava em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. O n\u00famero, que representa quase 20 milh\u00f5es de pessoas, \u00e9 o maior da s\u00e9rie hist\u00f3rica desde 2012. Outra estat\u00edstica que tamb\u00e9m registrou recorde durante o per\u00edodo foi a de indiv\u00edduos na faixa de extrema pobreza. De acordo com a pesquisa, mais de 5 milh\u00f5es de brasileiros, o que corresponde a 6,3% dos residentes dos grandes centros urbanos, estavam entre a parcela mais vulner\u00e1vel da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"texto\">Os dados s\u00e3o resultados de um trabalho feito em colabora\u00e7\u00e3o por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es nacionais \u2014 o Observat\u00f3rio das Metr\u00f3poles do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia (INCT), a Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) e a Rede de Observat\u00f3rios da D\u00edvida Social na Am\u00e9rica Latina (RedODSAL) \u2014 e foram compilados no nono boletim Desigualdade nas Metr\u00f3poles.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para as an\u00e1lises, foram utilizadas estat\u00edsticas anuais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (Pnad) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) em 20 Regi\u00f5es Metropolitanas entre os anos de 2012 e 2021. Segundo o boletim, uma das vantagens da Pnad \u00e9 que ela traz informa\u00e7\u00f5es de outras fontes de renda mensal per capita das fam\u00edlias brasileiras, para al\u00e9m dos rendimentos de empregos, como aux\u00edlios de programas sociais, aposentadoria, seguro-desemprego, entre outros. Atualmente, quase 40% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, ou mais de 80 milh\u00f5es de pessoas, vivem em alguma das regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds.<\/p>\n<h3>Crise<\/h3>\n<p class=\"texto\">Segundo o professor Andre Ricardo Salata, um dos pesquisadores respons\u00e1veis pelo estudo, os n\u00fameros podem ser explicados por quatro fatores principais. &#8220;Al\u00e9m da crise de 2014, do enfraquecimento das pol\u00edticas p\u00fablicas e do choque da pandemia, tem outro fator importante: a infla\u00e7\u00e3o. Em 2021, voc\u00ea teve um impacto da infla\u00e7\u00e3o que interrompeu a recupera\u00e7\u00e3o da renda das fam\u00edlias brasileiras. Al\u00e9m disso, em 2021, tivemos a decis\u00e3o do governo de interromper o aux\u00edlio emergencial de forma abrupta&#8221;, disse.<\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com a soci\u00f3loga da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Hayeska Barroso, a pandemia representou n\u00e3o apenas uma crise sanit\u00e1ria, mas tamb\u00e9m social e econ\u00f4mica, que afetou classes sociais de diferentes formas. &#8220;As crises tendem a tolher as pr\u00f3prias condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o mais pobre, e ali est\u00e1 em jogo viver ou morrer literalmente de fome, fazer uma refei\u00e7\u00e3o por dia ou fazer uma refei\u00e7\u00e3o sem ter a certeza do que vai comer a pr\u00f3xima. Isso n\u00e3o alcan\u00e7a, por exemplo, os mais ricos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"texto\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pandemia, o pesquisador Andre Salata destacou a import\u00e2ncia do aux\u00edlio emergencial, que, segundo ele, &#8220;segurou&#8221; a desigualdade social em 2020: &#8220;A situa\u00e7\u00e3o piorou muito em 2021, devido \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o do aux\u00edlio, que volta depois, mas com valores reduzidos, por isso vemos um salto (da taxa de pobreza).&#8221;<\/p>\n<p class=\"texto\">A pesquisa ainda mostrou que mais da metade das pessoas em situa\u00e7\u00e3o de extrema pobreza, isto \u00e9, 3,1 milh\u00f5es de indiv\u00edduos, passou a integrar essa condi\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos sete anos. Desse total, 1,6 milh\u00f5es foram apenas em 2021. O rendimento m\u00e9dio das fam\u00edlias brasileiras tamb\u00e9m foi muito impactado durante esse per\u00edodo, sendo o menor desde 2012: R$ 1.698. A parcela mais pobre da popula\u00e7\u00e3o dos grandes centros urbanos do Brasil, que corresponde a 40% do estrato social, possui rendimento m\u00e9dio inferior a um sal\u00e1rio m\u00ednimo, com apenas R$ 396,10.<\/p>\n<h3>Desigualdade regional<\/h3>\n<p class=\"texto\">Os \u00edndices tamb\u00e9m escancaram uma desigualdade regional no pa\u00eds. Nas regi\u00f5es metropolitanas do Norte e do Nordeste do Brasil, mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o vive em situa\u00e7\u00e3o de pobreza, com exce\u00e7\u00e3o apenas de Fortaleza e Natal. Na Grande S\u00e3o Lu\u00eds e em Manaus, 40% das pessoas vivem na camada mais vulner\u00e1vel da sociedade.<\/p>\n<p class=\"texto\">De acordo com Salata, a taxa de pobreza responde por dois fatores: primeiro, pelo volume de recursos, ou seja, o qu\u00e3o rica \u00e9 uma metr\u00f3pole, e, segundo, o qu\u00e3o bem ou mal essa cidade distribui seus recursos. Para ele, \u00e9 poss\u00edvel compreender o contexto das regi\u00f5es Norte e Nordeste quando analisadas essas quest\u00f5es. &#8220;Nessas regi\u00f5es, voc\u00ea tem uma renda m\u00e9dia mais baixa, e, al\u00e9m disso, uma pior distribui\u00e7\u00e3o de renda, ou seja, uma desigualdade maior. Quando voc\u00ea junta esses dois fatores, o esperado \u00e9 que voc\u00ea tenha taxas de pobreza maiores. A estrutura econ\u00f4mica dessas localidades contribui para isso&#8221;, explicou.<\/p>\n<p class=\"texto\">A pesquisa Desigualdade nas Metr\u00f3poles tamb\u00e9m delineou a concentra\u00e7\u00e3o de renda no Brasil. De acordo com dados do boletim, em 2021, 10% dos mais ricos ganhavam, em m\u00e9dia, 19,1 vezes mais do que os 40% mais pobres do pa\u00eds. Essa foi a maior raz\u00e3o de rendimento m\u00e9dio entre os estratos sociais da s\u00e9rie hist\u00f3rica de 2012 at\u00e9 o ano de 2021.<\/p>\n<p class=\"texto\">Outro dado relevante, o coeficiente de Gini \u2014 \u00edndice, que, quanto mais pr\u00f3ximo de 1, mostra maior desigualdade social \u2014 atingiu 0,565 para o conjunto das regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds. Em 2014, esse n\u00famero era de 0,538.<\/p>\n<p class=\"texto\">Para Salata, entender as metr\u00f3poles \u00e9 fundamental para entender o Brasil. &#8220;Elas t\u00eam um peso pol\u00edtico e econ\u00f4mico muito relevante. Estamos falando das regi\u00f5es mais ricas, mas vemos indicadores sociais muito negativos, como os que a gente vem destacando nos nossos boletins&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p class=\"texto\">Hayeska Barroso tamb\u00e9m destacou que para entender o empobrecimento da popula\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 preciso entender o desenvolvimento dos grandes centros. &#8220;A gente tem que voltar algumas casas dentro do processo hist\u00f3rico para poder entender quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es sociais, hist\u00f3ricas, pol\u00edticas e culturais de forma\u00e7\u00e3o das cidades no Brasil, que \u00e9 marcada por um desenvolvimento desordenado, por um processo de ocupa\u00e7\u00e3o e de estabelecimento de moradias tamb\u00e9m de maneira desordenada&#8221;, argumentou.<\/p>\n<p class=\"texto\">&#8220;A gente n\u00e3o tem um acompanhamento no mesmo ritmo da garantia das condi\u00e7\u00f5es de vida e de pol\u00edticas sociais que deem conta de atender as demandas dessa popula\u00e7\u00e3o urbana&#8221;, completou ela.<\/p>\n<h4><strong>www.correiobraziliense.com.br\/Isadora Albernaz, estagi\u00e1ria sob a supervis\u00e3o de Odail Figueiredo<\/strong><\/h4>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os dados s\u00e3o resultados de um trabalho feito em colabora\u00e7\u00e3o por tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es nacionais e foram compilados no nono boletim Desigualdade nas Metr\u00f3poles Um estudo divulgado ontem revelou que cerca de 23% da popula\u00e7\u00e3o brasileira que vivia em metr\u00f3poles, em 2021, se encontrava em situa\u00e7\u00e3o de pobreza. 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