{"id":28654,"date":"2022-09-14T09:53:58","date_gmt":"2022-09-14T12:53:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28654"},"modified":"2022-09-14T09:53:58","modified_gmt":"2022-09-14T12:53:58","slug":"600-mil-industrias-fecharam-em-4-meses-mas-governo-diz-que-economia-esta-bombando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/09\/14\/600-mil-industrias-fecharam-em-4-meses-mas-governo-diz-que-economia-esta-bombando\/","title":{"rendered":"600 mil ind\u00fastrias fecharam em 4 meses, mas governo diz que economia est\u00e1 bombando"},"content":{"rendered":"<p><strong>Brasil vem perdendo ind\u00fastrias, empregos com carteira assinada e bons sal\u00e1rios. Para economista, Marcio Pochmann pa\u00eds regrediu 100 anos na \u00e1rea industrial\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>A medida eleitoreira de reduzir os pre\u00e7os dos combust\u00edveis pelo menos at\u00e9 2 de outubro, segurou a escalada a infla\u00e7\u00e3o, apesar de n\u00e3o ter derrubado os pre\u00e7os dos alimentos, mas isso n\u00e3o significa que \u00a0a economia est\u00e1 \u201cbombando\u201d, como v\u00eam dizendo membros do governo de Jair Bolsonaro (PL), candidato \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E s\u00e3o as estat\u00edsticas oficiais que provam que o governo n\u00e3o est\u00e1 falando a verdade, segundo an\u00e1lises de especialistas da \u00e1rea econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Se por um lado, o n\u00edvel de emprego sobe, por outro lado, a maioria \u00e9 sem carteira assinada e os\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/informalidade-e-emprego-sem-carteira-batem-recorde-e-desemprego-cai-para-9-1-b16a\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>sal\u00e1rios est\u00e3o cada vez mais baixos<\/strong><\/a>; as fam\u00edlias est\u00e3o cada vez mais\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/79-das-familias-brasileiras-estao-endividadas-e-quase-30-estao-inadimplentes-dd10\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>endividadas<\/strong><\/a>\u00a0e as grandes empresas e ind\u00fastrias capazes de gerar bons empregos, com direitos, est\u00e3o fechando e as multinacionais est\u00e3o saindo do Brasil.<\/p>\n<p>Os dados do Minist\u00e9rio da Economia apontam uma onda de redu\u00e7\u00e3o no n\u00famero de aberturas de empresas e avan\u00e7o nos casos de fechamento neste ano. Entre maio e agosto, mais de 600 mil empresas foram fechadas. O volume de empresas fechadas \u00e9 cerca de 10% maior do que o registrado no quadrimestre anterior e quase 25% superior ao patamar do mesmo per\u00edodo no ano passado.<\/p>\n<p>O movimento j\u00e1 vinha acontecendo desde 2020, ano em que perdemos 2.865 ind\u00fastrias, segundo c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), divulgados em julho passado.<\/p>\n<p>A fragilidade da economia do pa\u00eds tamb\u00e9m pode ser constatada pelo n\u00famero de empresas abertas por microempreendedores individuais, em 2021.\u00a0 Do total de 2.016.481 milh\u00f5es de empresas abertas no pa\u00eds 78,48% foram MEIs. \u00a0Ou seja, nos \u00faltimos tr\u00eas anos, a economia vem cambaleando e sem perspectiva de ajudar a melhorar a vida dos brasileiros.<\/p>\n<p>O economista da Unicamp, Marcio Pochmann, explica que o problema do Brasil atualmente \u00e9 o fim de uma pol\u00edtica industrial que havia sido incrementada nos \u00faltimos anos, mas o atual governo optou pelo agroneg\u00f3cio e pelas exporta\u00e7\u00f5es. Ele conta que as exporta\u00e7\u00f5es e importa\u00e7\u00f5es equivaleram a quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma economia voltada para a exporta\u00e7\u00e3o e o mercado de consumo interno \u00e9 voltado para bens de consumo n\u00e3o dur\u00e1veis; o restante vem por importa\u00e7\u00e3o\u201d, diz o economista.<\/p>\n<p>O que acontece, prossegue, \u00e9 que de um lado j\u00e1 estamos h\u00e1 um bom tempo sem crescimento; a economia vive um quadro de estagna\u00e7\u00e3o com infla\u00e7\u00e3o alta e, o governo estimula o consumo por meio por programas sociais.<\/p>\n<p>E dada a dimens\u00e3o da pobreza, acrescenta o economista, esses recursos v\u00e3o para bens de consumo n\u00e3o dur\u00e1veis como alimenta\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, cal\u00e7ado, aluguel, pagar d\u00edvidas. \u201dEssas iniciativas s\u00e3o artificiais, de n\u00e3o consumo de bens dur\u00e1veis, como autom\u00f3veis, casas, produtos com valores maior do que o sal\u00e1rios\u201d, diz o professor.<\/p>\n<p>\u201cNa verdade, os pobres s\u00e3o intermedi\u00e1rios por receber essa transfer\u00eancia de renda, que \u00e9 positiva, mas transfere para quem tem poder de mercado por causa da infla\u00e7\u00e3o como os bancos, quando est\u00e3o endividados\u201d, afirma Pochmann.<\/p>\n<h4><strong>Desindustrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 op\u00e7\u00e3o de governo<\/strong><\/h4>\n<p>A exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios perdura no Brasil por mais de quatro s\u00e9culos e a desindustrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 a ponta do iceberg da instabilidade econ\u00f4mica do pa\u00eds; com a desestrutura\u00e7\u00e3o do sistema produtivo, que era complexo, diversificado e integrado que praticamente n\u00e3o se produz mais aqui, analisa o economista.<\/p>\n<p>\u201cO Brasil est\u00e1 se especializando em exportar servi\u00e7os prim\u00e1rios. \u00a0A nossa competitividade est\u00e1 dada pelo baixo custo do trabalho e abund\u00e2ncia dos recursos naturais, n\u00e3o \u00e9 tecnol\u00f3gico. Desde 1990, fomos perdendo capacidade de competir no exterior, por juros altos e a pr\u00f3pria valoriza\u00e7\u00e3o cambial\u201d, diz.<\/p>\n<blockquote class=\"dd-blockquote\"><p>Os governos do PT reagiram a isso, constru\u00edram converg\u00eancia entre a tecnologia, a ci\u00eancia e o sistema produtivo; quando isso estava maturando houve rompimento com o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff, e o Brasil voltou a 100 anos, para a d\u00e9cada de 1920, em ser exportador de bens prim\u00e1rios<\/p>\n<footer>&#8211; Marcio Pochmann<\/footer>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Baixos sal\u00e1rios impedem consumo de bens dur\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p>O economista acredita que o Brasil fez uma escolha na divis\u00e3o internacional do trabalho; optou por uma economia de baixos sal\u00e1rios com, inclusive, com o governo atual acabando com a<a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/bolsonaro-propoe-salario-minimo-para-2023-sem-aumento-real-pelo-4-ano-seguido-0d51\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Pol\u00edtica de Valoriza\u00e7\u00e3o do Sal\u00e1rio M\u00ednimo,<\/a>\u00a0que durante os governos do PT foi reajustado acima da infla\u00e7\u00e3o, com ganho real de 74,33%. Para Pochmann, a reforma Trabalhista, em 2017, de certa maneira consolidou, legalizou o que j\u00e1 estava em curso, ap\u00f3s o golpe em 2016.<\/p>\n<p>\u201cCom sal\u00e1rios mais altos, \u00e9 poss\u00edvel melhorar o bem estar da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda, permitindo que\u00a0 empresas grandes n\u00e3o fechem por n\u00e3o ter demanda na produ\u00e7\u00e3o\u201d, diz Pochmann.<\/p>\n<p>O economista tamb\u00e9m credita \u00e0 reforma da Previd\u00eancia, aprovada em 2019 na gest\u00e3o Bolsonaro, a impossibilidade de que os ocupados de hoje se aposentem, e a pr\u00f3pria lei geral de terceiriza\u00e7\u00e3o, outro legado do golpe, liberou a selvageria no mercado, derrubando ainda mais o poder de compra das fam\u00edlias e, portanto, a capacidade de consumo de bens dur\u00e1veis.<\/p>\n<p>Para um futuro com maior industrializa\u00e7\u00e3o, melhores sal\u00e1rios e retomada da economia, o economista diz que sua velocidade se dar\u00e1 pela capacidade pol\u00edtica de colocar essas a\u00e7\u00f5es em movimento.<\/p>\n<p>\u201cPode demorar mais porque essa situa\u00e7\u00e3o favorece alguns setores, como o agroneg\u00f3cio e o mercado financeiro e at\u00e9 do exterior. Por isso, \u00e9 preciso a constru\u00e7\u00e3o de uma maioria pol\u00edtica que defenda o crescimento com distribui\u00e7\u00e3o de renda e fortalecimento do emprego\u201d, conclui.<\/p>\n<h4><strong>Confira as ind\u00fastrias e empresas estrangeiras que deixaram o pa\u00eds<\/strong><\/h4>\n<p><strong>Montadoras<\/strong><\/p>\n<p>Desde 2019, pelo menos 13 multinacionais de diversos setores deixaram o Brasil. H\u00e1 tr\u00eas anos, a montadora Ford anunciou o encerramento de suas atividades na unidade de S\u00e3o Bernardo do Campo (SP). Um ano depois, foi a vez dos funcion\u00e1rios de Taubat\u00e9 (140 km de SP) receberem a not\u00edcia do fim das atividades e, em 2021, a montadora anunciou o encerramento de sua produ\u00e7\u00e3o no Brasil. O fechamento das f\u00e1bricas resultou na perda de aproximadamente 5 mil empregos diretos.<\/p>\n<p>Neste ano, em maio, a Caoa Chery decidiu limitar suas atividades em Jacare\u00ed (80 km de SP) e fechar a f\u00e1brica de forma tempor\u00e1ria para fazer altera\u00e7\u00f5es. Cerca de 600 funcion\u00e1rios foram demitidos. A unidade ser\u00e1 remodelada.<\/p>\n<p>Em dezembro de 2020, a Mercedes-Benz anunciou o fechamento da \u00fanica unidade da marca no Brasil voltada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de autom\u00f3veis leves. A f\u00e1brica, localizada em Limeira (SP) contava com 370 funcion\u00e1rios. No \u00faltimo dia 6 deste m\u00eas de setembro, a montadora alem\u00e3\u00a0<strong><a href=\"https:\/\/www.cut.org.br\/noticias\/mercedes-benz-anuncia-demissao-de-3-6-mil-trabalhadores-no-abc-884f\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">anunciou o fechamento\u00a0<\/a><\/strong>de 3.600 vagas de trabalho entre empregos direitos e indiretos na sua planta de S\u00e3o Bernardo do Campo.<\/p>\n<p><strong>Eletroeletr\u00f4nicos<\/strong><\/p>\n<p>Em mar\u00e7o de 2021, a Sony confirmou o encerramento de suas atividades comerciais no Brasil. Em setembro de 2020, a companhia japonesa de eletr\u00f4nicos j\u00e1 havia anunciado o fechamento da sua \u00fanica f\u00e1brica brasileira localizada em Manaus (AM).<\/p>\n<p><strong>Medicamentos<\/strong><\/p>\n<p>Em 2019, a fabricante de medicamentos su\u00ed\u00e7a Roche anunciou encerramento da produ\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios no Brasil, al\u00e9m de fechar a f\u00e1brica que possui no Rio de Janeiro. Segundo a empresa, as atividades devem ser encerradas em quatro ou cinco anos.<\/p>\n<p>A tamb\u00e9m farmac\u00eautica norte-americana Eli Lily deixou o Brasil em 2020 e transferiu a produ\u00e7\u00e3o para Porto Rico.<\/p>\n<p><strong>Outras empresas que sa\u00edram do pa\u00eds, mas n\u00e3o s\u00e3o ind\u00fastrias<\/strong><\/p>\n<p><strong>Vestu\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>Em janeiro, a Forever 21 fechou 11 lojas no Brasil em meio \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o judicial nos EUA.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m anunciou a sua sa\u00edda do Brasil ,em janeiro deste ano, a marca francesa de fast fashion Kiabi.<\/p>\n<p><strong>Aplicativos<\/strong><\/p>\n<p>A empresa de aplicativos espanhola Glovo encerrou suas atividades no Brasil em 2019, um ano ap\u00f3s chegar ao Pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Walmart \u2013 a maior varejista do mundo vendeu 80% de sua opera\u00e7\u00e3o brasileira a um fundo de investimentos;<\/p>\n<p>A cadeia de restaurantes americana Wendy\u2019s fechou duas unidades no Brasil em 2019, mas n\u00e3o informou o motivo dessa decis\u00e3o.<\/p>\n<p>A rede Hooters, tamb\u00e9m encerrou suas atividades em mar\u00e7o de 2019.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m deixaram o Brasil as empresas internacionais de diversos segmentos Nike, Fnac, Nikon, Brasil Kirin, H\u00e4agen-dazs, RR Donnelley, Lush Cosm\u00e9ticos e Kiehl\u2019s.<\/p>\n<p>www.cut.org.br\/Rosely Rocha<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Brasil vem perdendo ind\u00fastrias, empregos com carteira assinada e bons sal\u00e1rios. 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