{"id":28674,"date":"2022-09-16T09:58:12","date_gmt":"2022-09-16T12:58:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/?p=28674"},"modified":"2022-09-16T09:58:12","modified_gmt":"2022-09-16T12:58:12","slug":"numero-de-brasileiros-passando-fome-quase-dobra-em-dois-anos-indica-pesquisa-feita-de-casa-em-casa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.sinposba.org.br\/index.php\/2022\/09\/16\/numero-de-brasileiros-passando-fome-quase-dobra-em-dois-anos-indica-pesquisa-feita-de-casa-em-casa\/","title":{"rendered":"N\u00famero de brasileiros passando fome quase dobra em dois anos, indica pesquisa feita de casa em casa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Assim como negou a letalidade da pandemia do novo coronav\u00edrus, que cacarterizou como uma mera \u201cgripezinha\u201d, Jair Bolsonaro negou e segue negando a exist\u00eancia de brasileiros passando fome. \u201cFalar que se passa fome no Brasil \u00e9 uma grande mentira\u201d, esbravejou durante\u00a0<a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2019\/07\/19\/falar-que-se-passa-fome-no-brasil-e-uma-grande-mentira-diz-bolsonaro.ghtml\">entrevista a jornalistas estrangeiros<\/a>\u00a0no dia 19 de julho.<\/strong><\/p>\n<p>Sabemos que n\u00e3o foi pequena a contribui\u00e7\u00e3o do negacionismo na trag\u00e9dia sanit\u00e1ria que j\u00e1 provocou quase 700 mil mortes no pa\u00eds. Da mesma forma, o negacionismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fome \u00e9 o ref\u00fagio do presidente para n\u00e3o tomar atitudes para contornar o problema, que continua se agravando, apesar do Aux\u00edlio Brasil.<\/p>\n<p>A fome \u00e9 percept\u00edvel de Norte a Sul do pa\u00eds e tamb\u00e9m tem sido constatada e medida por institui\u00e7\u00f5es respeit\u00e1veis como a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar (Penssan), que nesta quarta-feira (14) divulgou novo estudo a respeito do tema indicando que, hoje em dia, tr\u00eas em cada dez fam\u00edlias brasileiras enfrentam algum n\u00edvel de falta de alimentos e passam fome.<\/p>\n<p>Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 125,2 milh\u00f5es em inseguran\u00e7a alimentar. A maior propor\u00e7\u00e3o de fam\u00edlias nessa situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 nas regi\u00f5es Norte e Nordeste do pa\u00eds, mas a fome \u00e9 uma realidade nacional verificada em todas as unidades da federa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alagoas \u00e9 o estado em que os casos de inseguran\u00e7a alimentar grave s\u00e3o mais frequentes, atingindo 36,7% das fam\u00edlias pesquisadas. Em segundo lugar, vem o Amap\u00e1, com 32% dos domic\u00edlios nessa situa\u00e7\u00e3o. Na sequ\u00eancia, est\u00e3o Par\u00e1 e Sergipe, ambos com 30% da popula\u00e7\u00e3o atingida.<\/p>\n<p>\u201cOs resultados refletem as desigualdades regionais registradas no relat\u00f3rio do II VIGISAN, e evidenciam diferen\u00e7as substanciais entre os estados de cada macrorregi\u00e3o do pa\u00eds\u201d, aponta, em nota, o coordenador da Rede Penssan, Renato Maluf.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o s\u00e3o espa\u00e7os homog\u00eaneos do ponto de vista das condi\u00e7\u00f5es de vida. H\u00e1 diferen\u00e7as socioecon\u00f4micas nas regi\u00f5es que pedem pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas para cada estado que as comp\u00f5em\u201d, completa.<\/p>\n<p><strong>N\u00fameros absolutos<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de proporcionalmente atingir mais as regi\u00f5es Norte e Nordeste, a maior concentra\u00e7\u00e3o de pessoas que passam fome em n\u00fameros absolutos est\u00e1 no Sudeste, regi\u00e3o mais populosa do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o puxados S\u00e3o Paulo, com 6,8 milh\u00f5es de pessoas em inseguran\u00e7a alimentar grave, e pelo Rio de Janeiro, com 2,7 milh\u00f5es na mesma situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando toda a popula\u00e7\u00e3o em inseguran\u00e7a alimentar (leve, moderada ou grave), S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m lidera, com 26 milh\u00f5es, seguido por Minas Gerais, com 11,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>A pesquisa<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores foram de casa em casa, de novembro do ano passado a abril deste ano. Eles visitaram 12.745 domic\u00edlios em 577 cidades, em todos os estados do pa\u00eds e no Distrito Federal.<\/p>\n<p><strong>Renda e endividamento<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do grande n\u00famero de atingidos pela fome, os pesquisadores constataram que o problema se agravou ap\u00f3s a pandemia, com queda na renda das fam\u00edlias e aumento do custo de vida.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, as fam\u00edlias com renda inferior a meio sal\u00e1rio-m\u00ednimo por pessoa est\u00e3o mais sujeitas \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar moderada e grave.<\/p>\n<p>Essa inseguran\u00e7a \u00e9 verificada, entre os domic\u00edlios com esse perfil de renda:<\/p>\n<p>Acre: em 65% dos domic\u00edlios<\/p>\n<p>Par\u00e1: 67,6%<\/p>\n<p>Maranh\u00e3o: 72,0%<\/p>\n<p>Sergipe: 76,5%<\/p>\n<p>Piau\u00ed: 66,1%<\/p>\n<p>Cear\u00e1: 65,2%<\/p>\n<p>Rio de Janeiro: 61%<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo: 58,4%<\/p>\n<p>Santa Catarina: 65,7%<\/p>\n<p>Rio Grande do Sul: 64,4%<\/p>\n<p>Distrito Federal: 63,9%<\/p>\n<p>Rosana Salles, professora do Instituto de Nutri\u00e7\u00e3o da UFRJ e pesquisadora da Rede Penssan, salienta que uma parcela significativa da popula\u00e7\u00e3o com renda de at\u00e9 meio sal\u00e1rio-m\u00ednimo n\u00e3o foi contemplada pelo Aux\u00edlio Brasil.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma parte da popula\u00e7\u00e3o que j\u00e1 sofre com a inseguran\u00e7a alimentar. A atual pol\u00edtica p\u00fablica deixa de fora fam\u00edlias que estariam socialmente eleg\u00edveis ao recebimento de uma renda, e que est\u00e3o em alta vulnerabilidade alimentar\u201d, comenta em nota.<\/p>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m aponta que a renda, que j\u00e1 vem se mostrando insuficiente para as necessidades b\u00e1sicas, vem precisando estar dedicada, tamb\u00e9m, aos custos com endividamento.<\/p>\n<p>Na maioria dos estados do Nordeste, pelo menos 45% das fam\u00edlias est\u00e3o endividadas \u2013 em Alagoas este \u00edndice chega a 57,5%. Os n\u00fameros tamb\u00e9m s\u00e3o alarmantes no Amazonas (52,6%) e no Distrito Federal (55,6%).<\/p>\n<p>\u201cMesmo as fam\u00edlias que recebem o Aux\u00edlio Brasil, por estarem endividadas, n\u00e3o conseguem utiliz\u00e1-lo somente para a compra de alimentos. O recurso precisa ser utilizado para pagar outras necessidades b\u00e1sicas, como aluguel, transporte, luz e \u00e1gua\u201d, complementa Ana Maria Segall, pesquisadora da Rede Penssan e da Fiocruz.<\/p>\n<p><strong>O que \u00e9 inseguran\u00e7a alimentar?<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de inseguran\u00e7a alimentar foi dividido pelo estudo em tr\u00eas n\u00edveis:<\/p>\n<p>Leve: quando h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o ou incerteza se vai conseguir alimentos no futuro;<\/p>\n<p>Moderada: quando h\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o concreta da quantidade de alimentos e o padr\u00e3o saud\u00e1vel de alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 rompido por falta de comida;<\/p>\n<p>Grave: quando a fam\u00edlia sente fome e n\u00e3o come por falta de dinheiro.<\/p>\n<p>Considerando o recorte nacional, a inseguran\u00e7a alimentar grave atinge 15,5 das fam\u00edlias, enquanto a inseguran\u00e7a alimentar moderada afeta 15,2%.<\/p>\n<p>www.ctb.org..br\/ da Reda\u00e7\u00e3o, com informa\u00e7\u00f5es do g1<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Assim como negou a letalidade da pandemia do novo coronav\u00edrus, que cacarterizou como uma mera \u201cgripezinha\u201d, Jair Bolsonaro negou e segue negando a exist\u00eancia de brasileiros passando fome. \u201cFalar que se passa fome no Brasil \u00e9 uma grande mentira\u201d, esbravejou durante\u00a0entrevista a jornalistas estrangeiros\u00a0no dia 19 de julho. 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